Como anda a sua Fé?
junho 11, 2009NA SANTA MISSA, JESUS CRISTO RENOVA A SUA ORAÇÃO
junho 10, 2009
NA SANTA MISSA,
JESUS CRISTO RENOVA A SUA ORAÇÃO
“Temos, por advogado, junto ao Pai, Jesus Cristo, que é justo e santo; porque é a vítima de expiação por nossos pecados” (I Jo. 2, 1).
De certo é consoladora garantia de nossa Salvação, termos por advogado o próprio Filho de Deus, o Juiz dos vivos e dos mortos! Mas onde e quando Jesus Cristo desempenhou este ofício?
A Igreja ensina ser Ele nosso advogado não somente no céu, mas também na terra.
Eis a doutrina de Suarez: “Cada vez que o santo Sacrifício da Missa é oferecido, Jesus Cristo intercede por quem o oferece e também pelas pessoas em cuja intenção é oferecido” (Tom. 3, disp. 79, sect. 21).
S. Lourenço Justiniano descreve assim a maneira de orar de Nosso Senhor: “Enquanto o Cristo é imolado sobre o altar, clama a seu Pai e mostra-lhe suas chagas para preservar os homens da condenação eterna”.
Este zelo do Sagrado Coração pela nossa salvação foi indicado por Lucas: “Jesus subiu ao monte para fazer oração, onde passou a noite, orando a Deus”. E noutro lugar: “De dia, ensinava no templo, e de noite, retirava-se à montanha, chamada das Oliveiras”. Ou então: “Foi segundo seu costume, ao monte das Oliveiras, para nele orar”.
Isto diz, claramente, que Jesus tinha o costume de passar a noite em oração. Durante sua peregrinação, cada um de seus atos era acompanhado da oração; no término desta santa vida, o adeus aos discípulos foi à oração suprema do Sumo Sacerdote por excelência; suspenso na Cruz, orava por seus inimigos e, quando chegou o momento de voltar ao Pai celeste, levantou a mão sobre os discípulos, em uma última bênção, e subiu ao céu, onde seu Coração continua a interceder pelo gênero humano.
Ora, na santa Missa, Jesus dirige a seu Pai todas estas orações reunidas; mostra-Lhe as lágrimas, os gemidos que as acompanharam; enumera as noites passadas em jejum e oração; oferece todos esses méritos pela salvação do mundo, particularmente por cada um dos que assistem à Missa. Ó Deus, que eficaz oração! Como o perfume do incenso, eleva-se para o Pai celeste, para o trono da Santíssima Trindade! Jesus Cristo não ora somente, imola-se também pela salvação do mundo.
Santa Gertrudes explica este mistério do seguinte modo: “Vi, na elevação, Nosso Senhor erguer, com as próprias mãos e sob a forma de um cálice, o dulcíssimo Coração que apresentou a seu Pai. Imolou-se então em favor de sua Igreja, de maneira incompreensível à criatura”. Jesus isto confirmou, quando disse a Santa Matilde: “Eu somente sei e compreendo, perfeitamente, como me ofereço cada dia a meu Pai pela salvação dos fiéis; nem os Querubins nem os Serafins nem as Potestades podem concebê-lo inteiramente”.
Notai que Nosso Senhor não se oferece na santa Missa com a majestade que tem no céu, porém em uma incomparável humilhação. Do abismo de sua humildade, a voz eleva-se-lhe tão poderosa para o céu que traspassa as nuvens e atinge o trono da misericórdia.
Quando o rei de Nínive teve conhecimento dos castigos que ameaçavam a cidade no prazo de quarenta dias, levantou-se do trono, despiu as vestes reais, cobriu-se de roupas de luto, deitou cinza sobre a cabeça e pediu a todo o povo que implorasse a misericórdia divina.
Por esta humildade e esta penitência, o rei pagão obteve perdão para si e para a cidade culpada.
Que não obterá Jesus Cristo, que se humilha muito mais na santa Missa, em que, deixando o trono de sua glória, reveste as pobres aparências do pão e do vinho e clama ao Deus de misericórdia:
“Graça e perdão para meu povo! Meu Pai, considera minha abjeção; eis-me aqui diante de Vós, não como um homem, mas semelhante a um verme da terra. Os pecadores levantam-se contra Vós cheios de orgulho. Eu me humilho em Vossa presença. Eles Vos irritam, eu, por meu aniquilamento, quero aplacar-Vos. Eles clamam sobre si Vossa justa vingança, eu quero desviá-La por minhas instantes súplicas. Tende piedade deles por amor de mim, meu Pai, e não os castigueis à medida de suas iniqüidades. Não os entregueis a Satanás, porque são meus, resgatei-os com o preço de meu Sangue. E, Pai Santíssimo, imploro, sobretudo, a Vossa misericórdia em favor dos pecadores aqui presentes, pelos quais renovo, durante esta Missa, minha vida e minha morte. Dignai-Vos, em virtude de meu Sangue e de minha morte, preservá-los da morte eterna”.
Oh Jesus, até onde vos arrasta o amor para conosco e por que meio poderíamos melhor corresponde-lo senão assistindo, cheios de piedade, à santa Missa?
Quando o divino Salvador se achou suspenso na Cruz, recomendou a seu Pai os fiéis que estavam no pé da árvore da Salvação e lhes aplicou, mui especialmente, os preciosos frutos. Do mesmo modo, ora pelos assistentes, principalmente pelos que recorrem à sua mediação. Ora por eles tão ardentemente, como o fez no momento de sua morte, pelos seus inimigos.
Oh poderosa oração! Quanto não fortifica a esperança da vida eterna, vermos o mesmo Filho de Deus tomar nas mãos os interesses de nossa salvação!
Se a Santíssima Virgem te aparecesse e dissesse: “Não temas, meu filho, prometo-te encarregar-me de teus interesses; pedirei, instantemente, a meu Filho, Jesus Cristo, e não cessarei de pedir até que Ele me assegure tua felicidade eterna”, a tua alma não ficaria transportada de júbilo e não exclamaria: “Agora estou consolado, não tenho que duvidar, minha salvação está segura”?
Se temos, pois, uma tão grande confiança na intercessão de Maria Santíssima, por quê esta confiança não será absoluta, quando se trata da intercessão de seu divino Filho, que não promete somente o socorro, mas ora por nós em cada Missa que ouvimos, e faz, por assim dizer, violência à Justiça de Deus, para nos poupar o castigo merecido?
E não era somente. Com ele intercedem, como outras tantas vozes, suas lágrimas, suas chagas, seu sangue, todos os seus suspiros de amor. Quem poderá medir o efeito dessas súplicas sobre o coração do Pai celeste?
Muitas vezes te lastimas da falta de fervor em tuas orações. Na santa Missa, Jesus Cristo orará contigo e suprirá a imperfeição de tua oração. Escuta como convida a todos afetuosamente:
“Vinde a mim vós que sofreis e vos achais em tribulações” (Mt. 11, 28); isto é: vós todos que não podeis orar com ardor, vinde a mim e orarei por vós. Por quê, alma aflita e atribulada, não te rendes a este tão terno convite? Por que não corres à santa Missa?
Em tuas tribulações recorres a amigos para pedir-lhes uma oração. Que é, todavia, a oração dos homens comparada com a oração e intercessão de Jesus Cristo? Tua miséria é extrema, o perigo de tua condenação, iminente. Dize, pois, a Jesus: “Senhor, quem poderá salvar-se?” e Ele responder-te-á: “O que é impossível aos homens é fácil a Deus”.
Recorre, pois, a este Deus Salvador que quer te assegurar uma morada na casa de seu Pai.
“Como?, talvez digas, um pobre indigente como eu, pode reclamar as orações do Filho de Deus? Sou indigno disso, e não o ousarei”.
- oh, não fales deste modo! Convence-te que um só de teus suspiros te dá todo o poder sobre seu Coração. São Paulo o afirma: “O pontífice que temos, não é tal que não possa compadecer-se de nossas fraquezas, porque todo o pontífice é tomado dentre os homens e é estabelecido para os homens no que diz respeito ao culto de Deus, para que ofereça dons e sacrifícios pelos pecados”.
Jesus Cristo é pontífice, exerce o sacerdócio na santa Missa, sua missão é, portanto, orar pelo povo e oferecer o sacrifício por ele; e não se desobriga desta missão por todos em geral, mas por cada um em particular; assim como sofreu por todos e por cada um, assim se interessa por cada alma de tal sorte, como se fosse a única a salvar.
Eis o zelo, o poder da oração de Jesus no santo altar. Juntemos-lhe nossas pobres súplicas e elas se tornarão excelentes. “As orações feitas em união com o Santo Sacrifício da Missa, disse o bispo Fornero de Hebron, são mais poderosas que todas as outras, mesmo do que as que duram longas horas, e até as orações extáticas, por causa da paixão e morte do Senhor que lhe manifestam a eficácia na santa Missa, por uma admirável efusão de graças. Porque, como a cabeça ultrapassa, em dignidade, todas as outras partes do corpo, assim a oração de Jesus Cristo, que é nossa cabeça, ultrapassa as orações de todos os cristãos, que são os membros de seu corpo místico”.
Uma moeda de cobre torna-se preciosa, se é lançada no ouro em fusão; a pobre oração do homem, unida à de seu Salvador, adquire um caráter de alta nobreza e pode ser ofertada como um dom agradável à divina Majestade. Deste modo, uma oração menos fervorosa, oferecida na Missa, vale mais que uma oração fervorosa feita em casa.
Muitos se prejudicam os que, podendo assistir à santa Missa e, durante esta, ocupar-se com os exercícios de piedade que costumam fazer em casa, se afastam do santo Sacrifício. Porque, se fizessem as orações durante a santa Missa com a intenção de assisti-la e somente durante os momentos da consagração interrompessem as orações, a fim de adorar o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor, ganhariam graças e méritos muito maiores do que se rezam em seu oratório particular.
A FÉ NÃO É SÓ PENSAMENTO
junho 9, 2009
A CATEQUESE DO PAPA.
A fé não é só pensamento
mas diz também respeito ao coração e aos sentidos
“A experiência da fé empenha “não só a mente e o coração, mas também os sentidos”, disse Bento XVI falando do ensinamento do monge Rabano Mauro, na audiência geral de quarta-feira, 3 de Junho, na Praça de São Pedro.
Caros irmãos e irmãs
Hoje gostaria de falar de uma personagem do Ocidente latino verdadeiramente extraordinário: o monge Rabano Mauro. Juntamente com homens como Isidoro de Sevilha, Beda o Venrável e Ambrósio Autperto, de quem já falei em catequeses precedentes, ao longo dos séculos da chamada Alta Idade Média ele soube manter o contacto com as grandes culturas dos antigos sábios e dos Padres cristãos.
Recordado frequentemente como “praeceptor Germaniae”, Rabano Mauro teve uma fecundidade extraordinária. Com a sua capacidade de trabalho absolutamente excepcional, talvez tenha contribuído mais do que todos para manter viva a cultura teológica, exegética e espiritual, da qual teriam haurido os séculos sucessivos. Nele inspiram-se quer grandes personagens pertencentes ao mundo dos monges, como Pier Damiani, Pedro o Venerável e Bernardo de Claraval, quer também um número cada vez mais consistente de “clérigos” do clero secular, que durante os séculos XII-XIII deram vida a um dos florescimentos mais bonitos e fecundos do pensamento humano.
Tendo nascido em Mainz por volta de 760, Rabano entrara no mosteiro extremamente jovem: foi-lhe acrescentado o nome de Mauro precisamente com referência ao jovem Mauro que, segundo o Livro II dos Diálogos de São Gregório Magno, fora confiado quando era ainda criança pelos seus pais, nobres romanos, ao abade Bento de Núrsia. Esta inserção precoce de Rabano como “puer oblatus” no mundo monástico beneditino, e os frutos que obteve para o seu crescimento humano, cultural e espiritual, abririam sozinhos uma espiral interessantíssima não só sobre a vida dos monges e da Igreja, mas também sobre toda a sociedade da sua época, habitualmente qualificada como “carolíngia”. Deles, ou talvez de si mesmo, Rabano Mauro escreve: “Há alguns que têm a sorte de ser introduzidos no conhecimento das Escrituras desde a tenra infância” (“a cunabulis suis”) e foram tão bem nutridos com o alimento oferecido pela Santa Igreja que, com a educação apropriada, puderam ser promovidos às ordens sagradas mais altas” (pl 107, col. 419 bc).
A cultura extraordinária, pela qual Rabano Mauro se distinguia, chamou depressa a atenção dos grandes do seu tempo. Tornou-se conselheiro de príncipes. Empenhou-se para garantir a unidade do império e, a nível cultural mais amplo, nunca deixou de oferecer a quem o interrogava uma resposta ponderada, que tirava preferivelmente da Bíblia e dos textos dos santos Padres. Eleito primeiro Abade do famoso mosteiro de Fulda e depois Arcebispo da cidade natal, Mainz, não cessou por isso de continuar os seus estudos, demonstrando com o exemplo da sua vida que se pode estar simultaneamente à disposição dos outros, sem se privar por isso de um tempo côngruo para a reflexão, o estudo e a meditação. Assim Rabano Mauro foi exegeta, filósofo, poeta, pastor e homem de Deus.
As dioceses de Fulda, Mainz, Limbourg e Wroclaw veneram-no como Santo ou Beato. As suas obras completam seis volumes da Patrologia Latina do Migne. É a ele que se deve, provavelmente, um dos hinos mais bonitos e conhecidos da Igreja latina, o “Veni Creator Spiritus”, síntese extraordinária de pneumatologia cristã. O primeiro compromisso teológico de Rabano manifestou-se, com efeito, sob a forma de poesia e teve como objeto o mistério da Santa Cruz, numa obra intitulada: “De laudibus Sanctae Crucis”, concebida de maneira a propor não somente conteúdos de conceito, mas também estímulos mais requintadamente artísticos, utilizando tanto a forma poética como a pictórica no interior do mesmo códice manuscrito.
Propondo iconograficamente nas entrelinhas do seu escrito a imagem de Cristo crucificado, ele por exemplo escreve: “Eis a imagem do Salvador que, com a posição dos seus membros, torna sagrada para nós a salubérrima, dulcíssima e amadíssima forma da Cruz, a fim de que, acreditando no seu nome e obedecendo aos seus mandamentos, possamos obter a vida eterna graças à sua Paixão. Por isso, cada vez que elevarmos o olhar para a Cruz, recordemo-nos daquele que padeceu por nós para nos tirar do poder das trevas, aceitando a morte para nos tornar herdeiros da vida eterna” (Lib. 1, Fig. 1, pl 107 col. 151 c).
Este método de combinar todas as artes, o intelecto, o coração e os sentidos, que vinha do Oriente, teria tido um desenvolvimento enorme no Ocidente, atingindo níveis inigualáveis nos códices miniaturados da Bíblia e em outras obras de fé e de arte, que floresceram na Europa até à invenção da imprensa e além dela também. De qualquer modo, isto demonstra que Rabano Mauro tem uma consciência extraordinária da necessidade de empenhar, na experiência da fé, não apenas a mente e o coração, mas também os sentidos mediante aqueles outros aspectos do gosto estético e da sensibilidade humana que levam o homem a fruir da verdade com a totalidade do seu ser, “espírito, alma e corpo”. Isto é importante: a fé não é só pensamento, mas refere-se a todo o nosso ser.
Dado que Deus se fez homem em carne e osso, entrando no mundo sensível, nós em todas as dimensões do nosso ser temos que procurar e encontrar Deus. Assim a realidade de Deus, mediante a fé, penetra no nosso ser transformando-o. Por isso Rabano Mauro concentrou a sua atenção sobre tudo na Liturgia, como síntese de todas as dimensões da nossa percepção da realidade.
Esta intuição de Rabano Mauro torna-o extraordinariamente atual. Dele permaneceram inclusive os famosos “Carmina”, propostos para ser utilizados principalmente nas celebrações litúrgicas. Com efeito, dado que Rabano era acima de tudo um monge, era totalmente evidente o seu interesse pela celebração litúrgica. Porém, ele não se dedicava à arte poética como fim em si mesma, mas subordinava a arte e qualquer outro tipo de saber ao aprofundamento da Palavra de Deus. Por isso, com compromisso e rigor extremos, procurou introduzir os seus contemporâneos, mas em primeiro lugar os ministros (bispos, presbíteros e diáconos), na compreensão do significado profundamente teológico e espiritual de todos os elementos da celebração litúrgica.
Assim, tentou compreender e propor aos outros os significados teológicos escondidos nos ritos, inspirando-se na Bíblia e na tradição dos Padres. Não hesitava em declarar, por honestidade mas também para dar maior importância às suas explicações, as fontes patrísticas às quais devia o seu saber. Todavia, servia-se das mesmas com liberdade e discernimento atento, dando continuidade ao desenvolvimento do pensamento patrístico.
Por exemplo, no final da “Epistola prima”, dirigida a um “corepiscopo” da diocese de Mainz, depois de ter respondido aos pedidos de esclarecimento a respeito do comportamento que se devia ter no exercício da responsabilidade pastoral, prossegue: “Escrevemos-te tudo isto do modo como o deduzimos das Sagradas Escrituras e dos cânones dos Padres. Tu porém, santíssimo homem, toma as tuas decisões como melhor te parecer, caso por caso, procurando moderar a tua avaliação de forma a garantir em tudo a discrição, porque esta é a mãe de todas as virtudes” (Epistulae, i, pl 112, col. 1510 c).
Assim, vê-se a continuidade da fé cristã, que tem os seus primórdios na Palavra de Deus; porém, ela é sempre viva, desenvolve-se e exprime-se de modos novos, sempre em coerência com toda a construção, com todo o edifício da fé.
Dado que uma parte integrante da celebração litúrgica é a Palavra de Deus, a ela se dedicou Rabano Mauro com o máximo empenhamento durante toda a sua existência.
Ofereceu explicações exegéticas apropriadas praticamente para todos os livros bíblicos do Antigo e do Novo Testamento com uma intenção claramente pastoral, que justificava com palavras como estas: “Escrevi estas coisas… resumindo explicações e propostas de muitos outros para oferecer um serviço ao leitor pobre que não pode ter à disposição muitos livros, mas também para ajudar aqueles que em muitas coisas não conseguem entrar em profundidade na compreensão dos significados descobertos pelos Padres” (Commentariorum in Matthaeum praefatio, pl 107, col. 727 d). Com efeito, quando comentava os textos bíblicos, hauria a mãos-cheias dos Padres antigos, com especial predileção por Jerônimo, Ambrósio, Agostinho e Gregório Magno.
Depois, a acentuada sensibilidade pastoral levou-o a enfrentar sobretudo um dos problemas mais sentidos pelos fiéis e pelos ministros sagrados do seu tempo: o da Penitência. Efetivamente, foi compilador de “Penintenciários” assim eram chamados nos quais, segundo a sensibilidade dessa época, eram enumerados pecados e penas correspondentes, utilizando na medida do possível motivações tiradas da Bíblia, das decisões dos Concílios e das Decretais dos Papas. De tais textos serviram-se inclusive os “Carolíngios” na sua tentativa de reforma da Igreja e da sociedade. A esta mesma intenção pastoral correspondiam obras como “De disciplina ecclesiastica” e “De institutione clericorum”, nos quais, inspirando-se principalmente em Agostinho, Rabano explicava aos simples e ao clero da sua diocese os rudimentos fundamentais da fé cristã: tratava-se de uma espécie de pequenos catecismos.
Gostaria de concluir a apresentação deste grande “homem de Igreja”, citando algumas das suas palavras em que se refletem a sua convicção de base: “Quem é negligente na contemplação (“qui vacare Deo negligit”), priva-se sozinho da visão da luz de Deus; além disso, quem se deixa surpreender de modo indiscreto pelas preocupações e permite que os seus pensamentos sejam alterados pelo tumulto das coisas do mundo, condena-se à absoluta impossibilidade de penetrar os segredos do Deus invisível” (Lib. i, pl 112, col. 1263 a).
Penso que Rabano Mauro dirige estas palavras também a nós, hoje: nas horas de trabalho, com os seus ritmos frenéticos, e nos períodos de férias, temos que reservar momentos para Deus, abrir-lhe a nossa vida, dirigindo-lhe um pensamento, uma reflexão, uma breve oração e principalmente não podemos esquecer que o domingo é o dia do Senhor, o dia da liturgia, para vislumbrar na beleza das nossas igrejas, da música sacra e da Palavra de Deus, a própria beleza de Deus, deixando-O entrar no nosso ser. Somente assim a nossa vida se tornará grande, verdadeira.
No final da audiência geral, o Papa saudou em várias línguas os fiéis presentes, dizendo em português:
Com amizade saúdo os diversos grupos do Brasil e demais peregrinos de língua portuguesa, com votos de que alcanceis aquilo que aqui vos trouxe de tão longe: parar junto das memórias dos Apóstolos e dos Mártires, meditando sobre o fim glorioso do seu combate por Cristo e receber a investidura do mesmo Espírito para idênticas batalhas em prol do triunfo do Evangelho no seio da família e da sociedade. Sobre cada um de vós e vossos familiares desça a minha Bênção.
Djavan – Flor de lis
junho 8, 2009Segue abaixo a letra da música.
Flor de Lis
Djavan
Composição: Djavan
Valei-me Deus, é o fim do nosso amor
Perdoa por favor, eu sei que o erro aconteceu
Mas não sei o que fez tudo mudar de vez
Onde foi que eu errei
Eu só sei que amei, que amei, que amei, que amei
Será, talvez, que minha ilusão
Foi dar meu coração com toda força
Pra essa moça me fazer feliz
E o destino não quis
Me ver como raiz de uma flor de lis
E foi assim que eu vi nosso amor na poeira, poeira
Morto na beleza fria de Maria
E o meu jardim da vida ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria
Nem margarida nasceu
LITURGIA GERAL – OS SANTOS LUGARES: O CÔRO E A NAVE, OS SINOS.
junho 8, 2009
LITURGIA GERAL
CAPÍTULO III.
OS SANTOS LUGARES
§ 51. CORO E NAVE
186. 1. Côro ou presbitério (de presbyter = sacerdote) é espaço próximo do altar, em geral mais elevado que a nave da igreja. É separado da nave pela balaustrada. Nas catedrais e outras grandes igrejas, presbitério é o nome do espaço do altar, destinado às funções sagradas; coro designa o recinto destinado ao clero que recita o ofício divino. Tem duas ou mais linhas de bancos de madeira, dispostos no mesmo ou em diferente nível, munidos de divisões, cadeiras (stalla). O assento levantado apresenta uma saliência (misericórdia), que serve de apoio ao que está de pé.
187. 2. Vários móveis devem guarnecer o coro.
a) A credência (abacus), mesa do lado da epístola destinada aos objetos necessários às funções litúrgicas. “Somente para as missas solenes (C. E. I, 12, 19) costuma-se cobri-la com uma toalha branca que desça até ao chão e a envolva ao redor.”
b) O banco (scamnum), do lado da epístola, bastante longo, em que se assentam o celebrante e os 2 ministros. Deve ser coberto por um estofo conveniente, p. ex., da cor dos paramentos (C. E. I, 12, 22); encosto permitido. (Cf. d. 4165 ad 4.)
188. c) Tamboretes ou mochos (scabella) são assentos sem encosto. A forma não está prescrita. Servem em vez do banco. “Banco ou tamboretes para se sentarem os ministros sagrados nas missas cantadas.” (C. P., p. 705, n° 31.) Para os ministros não paramentados é mais conveniente o banco.
d) O trono episcopal. Sobe-se para a cadeira episcopal por 3 degraus.
e) O faldistório, um assento de braços, sem espaldar, de que o prelado se serve, fora do trono, para se assentar ou ajoelhar.
189. 3. A nave da igreja está destinada aos fiéis. Em regra geral os homens ocupam o lado da epístola e as mulheres o lado do Evangelho. Assim é uso desde a antiguidade cristã como o testemunha o “Testamento de N. S. Jesus Cristo” (sec. V, Braun, Handl., p. 202), e assim o deseja a Igreja. (Cân. 1262, § 1.)
Os bispos do Brasil querem (C. P. n.° 781) “que haja nos templos completa separação de homens e mulheres, sendo conveniente para isso a colocação de uma grade, alguns metros acima da entrada principal da igreja, e em toda a sua largura. Assim disposto o interior da igreja, os homens ficarão acima do arco cruzeiro, e abaixo dessa grade, e as mulheres entre essa grade e o arco cruzeiro, em toda a largura do templo.”
190. a) O púlpito é o lugar destinado à pregação. Antigamente os bispos pregavam do seu trono. Mas no século IV usavam para a explicação da doutrina cristã o ambão (de anabainein = subir), uma tribuna pequena contígua à balaustrada do coro. Mais tarde o colocaram em a nave da igreja.
O púlpito fixo remonta até aos últimos tempos da idade média (Braun, Lit. Hand.) e era construído exclusivamente para a pregação, ao passo que o ambão era reservado para o canto da epístola e do evangelho. Em muitas igrejas, mormente nas catedrais, há dois púlpitos, para que o pregador possa ser visto do celebrante, seja ele bispo ou simples sacerdote. “O pavimento do púlpito regularmente não deve exceder a dois metros acima do pavimento da igreja.” (C. P., n.° 805, ad 1.)
191. b) Pia batismal. Antigamente existiam igrejas destinadas ao batismo. No meio estava a fonte batismal (fons baptismalis, piscina), um tanque de alvenaria, para o qual se descia por degraus. Ali se fazia o batismo por imersão. Quando o batismo dos adultos se tornou mais raro, usavam-se bacias que se chamavam também fontes batismais (tons baptismalis). Desde o século XII se começou a colocá-la num suporte e a dar-lhe a forma mais agradável de cálix. É a pia batismal moderna. Mas nem a forma nem o material está prescrito pela lei universal, contanto que o material seja sólido. (Rit. Rom. tit. II, n. 46.)
192. O batistério seja fechado e cercado de grades, munido de fechadura e chave. Quando comodamente pode ser, seja nele pintada ou colocada uma imagem de Jesus Cristo batizado por S. João Batista e tenha uma pia de mármore bem fechada, de sorte que poeira ou outras imundices não possam penetrar no interior. (C. B. n. 178, § 1.)
193. c) Piscina ou sacrarium.
1) C. P. n.° 803. Em todas as igrejas deve haver uma piscina ou sacrarium, construída por detrás do altar ou na sacristia ou outro lugar cômodo.
Para isso abra-se na terra uma grande cova ou poço com pão paredes de alvenaria e um orifício fechado com uma pedra ou tampo de madeira ou de ferro, fácil de abrir. Ai se lança tudo o que as rubricas do ritual e do missal mandam deitar na piscina, como as cinzas dos santos óleos, dos ornamentos e vestes sacras queimados, o algodão e o miolo de pão que houverem servido para limpar a unções dos santos óleos e os dedos dos sacerdotes, a água batismal, benta antigas, a água com que se houverem purificado os corporais, os sanguinhos, etc. Na piscina não se deita nada de profano. (C. P. L. A., n° 894.) Se os objetos queimados, por serem muitos, não cabem nela, é preciso pô-los em outro lugar benzida ou onde não há perigo de profanação. (Mach-Ferr. II p. 166.)
194. 2) História. Antigamente (Braun, Lit. Handl. sacrarium, piscina) estava próximo do altar, de sorte que a água da ablução na missa, era logo lá despejada. Aí o sacerdote lavava as mãos e o cálix. Compunha-se de poço feito na terra, comunicando por um cano com uma bacia adaptada ao muro na altura de um metro mais ou menos acima do pavimento. Ainda hoje se pode construir assim colocando a bacia na sacristia.
195. 3) No rito da ordenação do subdiácono a piscina se chama baptisterium, porque muitas vezes está construída no lugar do batismo.
4) Durandus (Rat. 1. 1, e. 1, n.° 39) diz: “Perto do altar, que significa Cristo, põe-se a piscina ou bacia para lavar, isto é, a Misericórdia de Cristo, em que se lavam as mãos pelo batismo e pela penitência.”
196. d) A pia de água benta é conhecida ao menos desde a idade média.
O seu uso provavelmente se deriva da cerimônia de aspergir o povo com benta nos domingos. Este costume intensificou-se mormente no século VIII Para ter a aspersão da água benta também nos dias de semana, e colocava-se um vaso com água benta à disposição do povo. Destarte cada um podia fruir a bênção da água benta, tomando-a com o sinal da Cruz, (Cf. C. P., n. 804.)
197. e) O confessionário, na forma de hoje, foi introduzido depois do Concílio Tridentino.
1) Nos séculos anteriores o confessor se assentava num banco diante do qual o penitente se ajoelhava no chão. O lugar não estava prescrito; de preferência, porém, era diante do altar. Esta forma primitiva foi modificada, colocando-se entre o confessor e o penitente uma tábua, depois uma grade.
2) O confessionário deve ser munido de grade fixa ou ralo pouco perfurado entre o penitente e o confessor (cân. 909, § 2), também para os homens salvo o cân. 910, § 2. (C. B. n. 245, § 1.)
As confissões de mulheres podem-se ouvir de manhã depois das Ave-Marias, contanto que a igreja e confessionário sejam bastante iluminados. De tarde depois das Ave-Marias não se ouçam confissões de mulheres salvo nas missões e grandes concursos com as cautelas oportunas. (C. B., n. 242.)
As confissões das mulheres surdas, com as cautelas necessárias, ouçam-se num lugar anexo à igreja e patente, onde haja um confessionário segundo o modelo prescrito. (C. B. n. 244.)
O confessionário do lado do penitente tenha uma imagem do Crucifixo e seja colocado em lugar patente e visível. (C. B. n. 245, § 2.)
§ 52. OS SINOS
198. 1. Etimologia. Sino deriva-se de signum (= sinal), Porquanto com ele se dava o sinal para os Ofícios da igreja. Chamaram-no também campana = campa e o diminutivo de campainha, por ser célebre o bronze da Campagna, de que eram fabricados. O termo “nola” não tem nada com a cidade de Nola, mas deriva-se da raiz céltica noll = soar.
2. História.
a) No antigo testamento a veste do sumo sacerdote era guarnecida de campainhas, por ordem de Deus.
Os chineses, babilônios, gregos e romanos conheciam a campa e a campainha e se serviam delas para o uso doméstico como hoje. Em Atenas os sacerdotes da Prosérpina chamavam o povo com campainhas para o sacrifício em honra dela.
199. b) Depois das perseguições os cristãos empregaram, entre outros instrumentos, também os sinos para convocar os fiéis. Em prova disso Bona (R. lit., I, e. 22) e Barônio (Annales, an. 58, n. 104) alegam o costume geral dos pagãos de chamar com a campa os operários para o trabalho, o público para os banhos, de acordar os escravos de manhã. Portanto deviam ser grandes essas campas e locadas em lugar elevado. O imperador Augusto mandou pôr sinos no alto do templo de Júpiter no Capitólio. Os sacerdotes judaicos davam de uma alta torre o sinal para começar o sábado. Os cristãos terão aproveitado esse uso geral.
Os monges serviam-se deles para marcar a hora. Foi por meio dos monges que se espalharam os sinos. No século VI já os achamos como objetos litúrgicos; encontravam-se também sinos com cordas. 200 anos depois o seu uso tornou-se geral.
No Oriente, de onde provavelmente se propagou para o Ocidente, o sino era menos conhecido. Em seu lugar se empregava o simantron, tábua em que se batia com um martelo. Coisa semelhante possuimos, nos últimos dias da Semana Santa, na matraca. É um instrumento de madeira, composto de tabuazinha e martelo movediço que, agitado, serve para dar sinais.
c) Os sinos foram fabricados, primeiro reunindo-se chapas de metal, mais tarde pela fundição.
200. Na missa a campainha se deve tocar duas vezes: ao Sanctus e à elevação (Missal). Mas é costume tocá-la no princípio da consagração (d. 4377), em muitas igrejas ao ofertório, ao Domine, non sum dignas, e à pequena elevação.
A campainha não se pode tocar na missa com o Santíssimo exposto, nem em outras missas durante a exposição. (d. 3157 ad 10; 3448 ad 2.)
201. d) Sobre a finalidade do sino escreve Durandus (1. 1. c., 4, n. 1) : “Toca-se o sino, para que os fiéis sejam convocados para o prêmio; cresça neles a fé viva; sejam protegidos os frutos, as almas e o corpo dos fiéis, afastado o exército dos adversários e todas as ciladas dos inimigos; sejam mitigados o fragor do granizo, a procela dos turbilhões, o ímpeto das tempestades e dos raios; os terríveis trovões e as ventanias acabem, os espíritos das tormentas e os poderes do ar sejam derribados… Tudo isto se acha na bênção dos sinos.”
Os sinos bentos não podem ser empregados para o uso exclusivamente profano, exceto por necessidade ou com licença do Ordinário ou por costume legítimo. (Can. 1169, § 4; S. C. Conc. 28.3.31 requisita tempestive et habita proprii Ordinarii licentia.) “Sempre que o bispo vai a qualquer igreja ou por ela passa, repicam os sinos.” (P. C. 704, n° 54; d. 3888 ad 1.) O dobre fúnebre não se tolera nos domingos e outras festas, nas quais é proibida a missa cantada de réquie absente cadavere, nas igrejas onde, na ausência dele, por costume se celebra o ofício dos defuntos ou a absolvição dos defuntos. (C. B. n. 324, § 3.)
202. O Pálio (baldaquino, sobrecéu) é pano oblongo, sustentado por varas para ser levado a mão. Está prescrito para a procissão com o Santíssimo e com o Santo Lenho (relíquia da S. Cruz), e para o bispo, quando é recebido solenemente.
A umbela é um pálio pequeno, um baldaquino, semelhante aos chapéu do sol, de cor branca, debaixo do qual o sacerdote leva o SS.. Sacramento em certas ocasiões.
EXCELÊNCIA DO SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA
junho 7, 2009
EXCELÊNCIA DO SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA
Por Pe. Martinho de Cochem.
A excelência da Santa Missa é tão grande, que os próprios Serafins não podem compreendê-la perfeitamente. Experimentemos, entretanto, investigar os ensinamentos da Igreja a este respeito.
São Francisco de Sales diz:
“O santíssimo Sacrifício do altar é, entre os exercícios da religião, como o sol entre os astros, porque é verdadeiramente a alma da piedade e o centro da religião cristã, ao qual todos os seus mistérios e todas as suas leis se relacionam; é o mistério inefável da divina caridade, pelo qual Jesus Cristo, dando-se realmente a nós, cumula-nos com suas graças de maneira igualmente amável e magnificente” (Introdução à vida devota).
O sábio Osório julga a Santa Missa acima de todos os outros mistérios da nossa religião: “Entre todos os atos da Igreja, o Santo Sacrifício da Missa é o mais augusto e mais precioso, porque o Santíssimo Sacramento do altar é aí consagrado e oferecido a Deus”. E Fornerus de Bamberg acrescenta: “Se bem que todos os Sacramentos estejam cheios de majestade, a Santa Missa excede-os; aqueles são vasos que contêm a divina misericórdia para os vivos, esta é um oceano inesgotável de liberalidade divina pelos vivos e pelos mortos”.
Vejamos agora em que se manifesta a excelência da Santa Missa.
Em primeiro lugar, manifesta-se, no cerimonial pomposo da bênção solene ou consagração de uma igreja, ou dum altar pelo Bispo. Longo demais seria narrar aqui toda a cerimônia – aliás rara entre nós, devido a diversas razões; mas é certo que a consagração das igrejas é uma cerimônia tão tocante e insinuante, que facilmente dela se deduz que, das nossas igrejas, muito mais que do templo de Jerusalém, valem as palavras do profeta Isaías:
“Conduzi-los-ei à montanha santa, enchê-los-ei de alegria, à invocação de meu nome; a vítima que me oferecerem há de me ser agradável, porque minha casa será chamada por todos os povos, casa de oração”.
Desta palavra fez menção Jesus Cristo, quando, cheio de santa indignação, expulsou do templo de Jerusalém os que o violavam pelos negócios gananciosos. Lembremo-nos, também, desta mesma palavra para, cheios de santa fé e religioso respeito, entrarmos em nossas igrejas para adorarmos a Jesus Cristo, corporal e essencialmente, presente no santo altar. Conservemo-nos alheios do costume altamente censurável de fazer dos templos sagrados lugares de conversas e, quiçá, de faltas mais graves.
Em segundo lugar, a excelência da santa Missa nos é demonstrada pelo rito solene da ordenação dos ministros do altar, mormente dos sacerdotes. Dispensamo-nos ainda de expor longamente a administração do santo sacramento da ordem, do sacerdócio, para não se avolumar demais este livro. Quem já teve ensejo de assistir à ordenação de neopresbíteros, não terá deixado de experimentar singular impressão, sentindo a grandeza oculta do ato, seu efeito duradouro do estado sacerdotal e de seu fim elevado de oferecer o santo sacrifício da Missa.
Ainda poderíamos referir-nos aos objetos que servem à celebração da santa Missa e dar outras tantas provas da excelência do mesmo sacrifício da Missa, pois a grande e rigorosa diligência de nossa santa Igreja se inspira na compreensão e estima que tem daquilo que se passa no santo altar. Inspiremo-nos nesta diligência, para assistirmos sempre com rigorosa atenção a tão grande mistério.
Até a língua empregada no sacrossanto sacrifício da Missa, a Igreja faz compreender que no altar se efetua algo de superior ao comum. Não se usa a língua vulgar – mas a língua sagrada da Madre Igreja. Houve quem ousasse censurar o uso do latim na Missa, – mas entendamos bem: A santa Missa não é uma instrução, mas um grande mistério. O sacerdote não celebra para ensinar, mas para santificar-se e ao povo. Para tomarmos parte na santa Missa, não é preciso compreendermos as palavras, basta e cumpre unirmo-nos, afetuosamente, ao que se passa no altar. No emprego da língua latina no santo sacrifício, temos ainda um valioso símbolo da unidade da Igreja: Uma só Igreja, um só sacrifício, uma só língua em todo o mundo no altar.
Passemos agora à prova mais evidente da excelência da santa Missa, que consiste em demonstrar quem é a pessoa do sacrificador, e qual a oferta na santa Missa.
Quem é o sacrificador? – o sacerdote? o Bispo? o Papa? – Não. – Será um Anjo do céu? um Santo? a própria Mãe de Deus, Maria Santíssima? – Oh, não. É o sacerdote dos sacerdotes, o Bispo dos Bispos, o Filho de Deus, Jesus Cristo, “o sacerdote eterno segundo a ordem de Melquisedec”.
É ele quem dá à santa Missa a excelência incomparável; é ele quem eleva a oferta do pão e do vinho a um sacrifício divino.
Que Jesus Cristo é o sacerdote na santa Missa, prová-lo-emos com estas palavras de S. João Crisóstomo:
“O mesmo Jesus Cristo que nos preparou, na última Ceia, esta mesa sagrada, está aqui para abastecê-la; pois não é o homem que muda o pão e o vinho no Corpo e no Sangue de Nosso Senhor, mas sim Jesus Cristo que, por nós, foi crucificado”.
Com estas palavras S. Crisóstomo prova que Jesus Cristo cumpre, pessoalmente, a parte essencial da santa Missa; que desce do céu, muda em seu Corpo e Sangue, o pão e o vinho, oferecendo-se, em holocausto, a seu Pai pela salvação do mundo, e ora, como fiel mediador, pelos pecados do povo. Os sacerdotes são apenas seus instrumentos: emprestam-lhe a boca, a língua, as mãos para a realização do divino Sacrifício.
Se alguém recusar crer no testemunho de S. Crisóstomo, eis a decisão do grande Concílio de Trento:
“O Sacrifício da Cruz e o Sacrifício da Missa são um só e mesmo sacrifício, porque aquele que se imolou sobre a Cruz, de maneira cruenta, é o mesmo que se imola na santa Missa, de modo incruento, pelo ministério dos sacerdotes”.
É pois, doutrina da santa Igreja, que os sacerdotes são simplesmente os servos de Jesus Cristo e que Nosso Senhor se oferece, no altar, tão verdadeiramente como se ofereceu sobre o patíbulo da Cruz.
Que honra! que graça! que inestimável benefício! O divino Salvador digna-se de fazer-se nosso sacerdote, nosso mediador, nosso advogado!
Eis o que também refere S. Paulo em sua Epístola aos Hebreus:
“Era justo que tivéssemos um pontífice como este: santo, inocente, sem mancha, segregado dos pecadores, e mais elevado que os céus, que não fosse obrigado, como os outros pontífices, a oferecer vítimas, todos os dias, primeiramente pelos próprios pecados e, em seguida, pelos pecados do povo. A lei antiga estabeleceu, para pontífices, homens fracos, mas a palavra de Deus, confirmada pelo juramento que fez depois da lei, constituiu pontífice o Filho, que é santo e perfeito eternamente” (Heb. 7, 26-28).
Não são estas magníficas palavras do Apóstolo uma prova de quanto Deus nos estima, visto que nos deu, por sacerdote e mediador, não um homem frágil e pecador, mas seu Filho único, a própria santidade?
Consideremos, agora, por que Jesus Cristo não quis confiar seu sacrifício a homem nenhum. A principal razão foi porque este sacrifício devia ser puríssimo como o profeta Malaquias o havia anunciado.
Em todo lugar, sacrifica-se e oferece-se ao meu nome uma oblação pura. Foi por esta razão que Deus reservou o nome a função de sacerdote a seu Filho único, ao sacerdote eterno segundo a ordem de Melquisedec.
Deste modo, o sacerdote celebrante não é propriamente falando, o sacrificador, porém apenas o servo do grande sacerdote Jesus Cristo.
Segue-se daí, que toda Missa é de um valor infinito, pois é celebrada pelo próprio Jesus Cristo, com uma devoção, um respeito, um amor acima do entendimento dos Anjos e dos homens. O mesmo Jesus Cristo revelou esta verdade à Santa Matilde:
“Só Eu, disse, compreendo, perfeitamente, de que forma me imolo, todos os dias, sobre o altar pela salvação dos fiéis; os Querubins e os Serafins, nenhuma Potestade celeste, saberiam compreende-la inteiramente” (Revelações, I, 19).
Oh meu Jesus! que impenetrável mistério e que felicidade para nós, pobres pecadores, sermos admitidos à santa Missa, onde efetuais essa salutar oblação!
Caro leitor, considera bem estas palavras e quanto te é vantajoso assistir à santa Missa, em que Nosso Senhor se oferece por ti; faz-se o mediador entre tua culpabilidade e a justiça divina, e retém o castigo que merecem, cada dia, os teus pecados. Oh, se abrisses bem os olhos a esta verdade, como amarias a santa Missa; como suspirarias pela felicidade de assisti-la. Como a ouvirias devotamente. Como te lastimarias por faltar a uma só! Para poupar um tal prejuízo a tua alma, suportarias, de boa vontade, qualquer dano temporal. Os primeiros cristãos nos deixaram disto o exemplo: preferiram perder a vida a deixar de assistir à santa Missa.
Já insistimos muito na excelência da santa Missa; entretanto, resta-nos ainda a tratar de um ponto importante: o valor da oferta, apresentada à Santíssima Trindade.
É evidente que esta oferta, para ser digna de Deus, deve ser de um preço inestimável, porque quanto maior é a quem se faz uma oferta, tanto mais preciosa ela deve ser. Se alguém ousasse oferecer uma bagatela a um príncipe, cobrir-se-ia de confusão
Ora, o céu e a terra são apenas uma bagatela diante da imensa Majestade de Deus.
“O mundo, perante Deus, é o grãozinho que apenas dá diminuta inclinação à balança, a gota do orvalho da manhã, que cai sobre a terra” (Sabedoria, 11, 23).
Então, onde achar, no universo inteiro, alguma coisa digna de Deus?
Que acharia Jesus Cristo, mesmo no céu, que fosse digno de Deus?
No céu e sobre a terra achou apenas sua santa, imaculada e bendita Humanidade, isto é, o que a onipotência de Deus produziu de maior. “A Humanidade de Jesus Cristo, disse Nossa Senhora à Santa Brígida, foi, e será para sempre, o que há de mais precioso”.
Com efeito, a mão liberalíssima de Deus ornou esta Humanidade de tantas graças e perfeições que nada mais lhe podia acrescentar. Não porque Deus não pudesse, absolutamente, conceder mais, porém porque a capacidade da humanidade não as poderia conter.
Todavia, esta Humanidade tão bela, tão pura, tão santa e perfeita, não pode oferecer um sacrifício digno da adorabilíssima Trindade senão em razão de sua união com a pessoa do Verbo eterno, união que dá a todos os seus atos e sacrifícios um valor e merecimento infinitos.
Por esta grande dignidade, durante sua permanência na terra, a santa Humanidade do divino Salvador atraiu a mais profunda veneração, não só de homens piedosos como também de Anjos do céu. Que adoração universal, porém, é prestada agora a esta santa Humanidade no céu, onde se acha gloriosa e imortal em um trono, à direita do Pai celeste!
A santíssima Humanidade de Jesus Cristo forma a única oferta digna de ser apresentada no santo Sacrifício, e, na verdade, é o mesmo Jesus Cristo quem a oferece. Com ela, oferece tudo o que efetuou e sofreu durante os trinta e três anos de sua vida mortal: jejuns, vigílias, orações, viagens, mortificações, pregações, perseguições, insultos, zombarias, lágrimas, gotas de suor, agonia no jardim das oliveiras, flagelação, coroação de espinhos, crucificação, morte e sepultura. Além disto, oferece a Humanidade, inseparavelmente unida à Divindade, porque, embora a Divindade não seja objeto do sacrifício, a Humanidade é nele oferecida no estado de perfeição a que a eleva à união hipostática.
Medi, pois, se podeis, o valor de uma tal oferta. Enfim, Jesus Cristo não oferece sua Humanidade sob a forma que tem no céu, mas no estado em que se acha sobre o altar. No céu ela é tão gloriosa que os Anjos tremem ante sua Majestade: no altar, pelo contrário, sua humilhação é tão extrema que estes mesmos se enchem de espanto.
A Humanidade de Nosso Senhor está, de tal modo, unida e estreitada às espécies eucarísticas que nunca se podem separar, nem mais aí subsistirá, quando forem destruídas as espécies. De que modo contempla a Santíssima Trindade este prodígio de humanidade! Que glória para o Pai celeste! Que virtude, que perfeição não recebe daí a santa Missa onde se cumprem estes divinos Mistérios! Que bênção, que socorro para aqueles em cujas intenções o santo Sacrifício é oferecido! Que consolação, que alívio não recebem as almas do purgatório, quando a santa Missa é celebrada, ou ouvida pelos seu livramento!
A Missa quotidiana é a arma, pela qual a graça e a misericórdia sobressaem à justiça.
Agradeçamos, pois, ternamente ao divino Salvador por nos ter legado, a nós, seus pobres filhos, um sacrifício tão poderoso; agradeçamos-lhe por nos ter deixado este meio infalível de atrair as ondas da divina misericórdia.
Para glória da santa Missa, relatamos como se fez a consagração da capela d’Einsiedeln, na Suíça, e como o mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo celebrou o santo Sacrifício como grande solenidade.
Oitenta anos depois da morte de Meinrado, o santo eremita Eberardo, piedoso solitário de nobre família, foi pedir a S. Corado, Bispo de Constança, a graça de consagrar a capela de S. Meinrado. O virtuoso Bispo anuiu-lhe ao pedido. Na festa da Exaltação da santa cruz, em 14 de setembro de 940, devia realizar-se a consagração.
Mas, indo para a capela, a fim de entregar-se à oração, o santo Bispo ouviu os coros dos Anjos cantar as antífonas e os responsórios da consagração. Entrou e viu a capela cheia de Anjos, e, no meio deles, Nosso Senhor, que, revestido de paramentos episcopais, procedia à consagração do santuário. À vista disto, Conrado caiu em santo êxtasis, sem, entretanto, nada perder de sua atenção. Viu e ouviu Nosso Senhor pronunciar as palavras da Igreja e desempenhar-lhe as cerimônias em igual festa. Os apóstolos, os Anjos e uma multidão de Santos assistiam-lhe. A Mãe de Deus, a quem o altar e a capela eram dedicados, aparecia em cima do altar, mais brilhante que o sol, mais resplandecente que o fulgor do relâmpago.
Terminada a consagração, o Senhor começou a Missa solene, depois da qual toda a corte celeste desapareceu, deixando Conrado em transporte de alegria.
Reconheceu, sobre as cinzas que cobriam o solo, as marcas dos pés do Salvador e, sobre as paredes, os traços das unções.
De manhã, o clero veio buscar o Bispo para fazer a sagração, porém ele disse: “Não posso consagrar este santuário, porque já foi consagrado de maneira misteriosa”.
Insistem, forçam-no, quando uma voz celeste se faz ouvir e repete por três vezes: “Pára, meu irmão, a capela já está consagrada”.
Mais tarde, S. Conrado referiu ao Papa Leão VIII este fato extraordinário, cuja veracidade o mesmo Papa afirmou num rescrito apostólico, em que proibiu tornar a consagrar a capela, e concedeu indulgências especiais aos fiéis, que a freqüentassem (Legende der Heiligen von Ott, p. 2326).
Caro leitor, dizes, com certeza: “Ah! se pudesse assistir a uma festa igual, ver o que viu S. Conrado, ouvir o que ele ouviu! Que prazer, que emoção!”.
Entretanto, não está presente, em cada Missa, Nosso Senhor, o grande pontífice? Não nasce, em cada Missa, sobre o altar, e não o cercam os Anjos?
Feliz serás, pois, se considerares que te achas no meio de uma tão alta assembléia, que se digna de unir tuas pobres orações às suas, para fazê-las subir até o trono de Deus.
ATO DE CONSAGRAÇÃO DAS FAMÍLIAS AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS.
junho 6, 2009
ATO DE CONSAGRAÇÃO DAS FAMÍLIAS
AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS.
(Texto aprovado por São Pio X em 1908)
SAGRADO CORAÇÃO de Jesus, que manifestastes a Santa Margarida Maria o desejo de reinar sobre as famílias cristãs, nós vimos hoje proclamar vossa realeza absoluta sobre a nossa família.
Queremos, de agora em diante, viver a vossa vida, queremos que floresçam, em nosso meio, as virtudes às quais prometestes, já neste mundo, a paz.
Queremos banir para longe de nós o espírito mundano que amaldiçoastes.
Vós reinareis em nossas inteligências pela simplicidade de nossa fé; em nossos corações pelo amor sem reservas de que estamos abrasados para convosco, e cuja chama entreteremos pela recepção freqüente de vossa divina Eucaristia.
Dignai-Vos, Coração divino, presidir as nossas reuniões, abençoar as nossas empresas espirituais e temporais, afastar de nós as aflições, santificar as nossas alegrias, aliviar as nossas penas.
Se, alguma vez, algum de nós tiver a infelicidade de Vos ofender, lembrai-Vos, ó Coração de Jesus, que sois bom e misericordioso para com o pecador arrependido.
E quando soar a hora da separação, nós todos, os que partem e os que ficam, seremos submissos aos vossos eternos desígnios. Consolar-nos-emos com o pensamento de que há de vir um dia em que toda a família, reunida no Céu, poderá cantar para sempre a vossa glória e os vossos benefícios.
Digne-se o Coração Imaculado de Maria, digne-se o glorioso Patriarca São José apresentar-Vos esta consagração e no-la lembrar todos os dias de nossa vida. Viva o Coração de Jesus, nosso Rei e nosso Pai

ATO DE CONSAGRAÇÃO INDIVIDUAL
AO SACRATÍSSIMO CORAÇÃO DE JESUS.
( De Santa Margarida Maria Alacoque )
Eu (o seu nome), Vos dou e consagro, oh Sagrado Coração de Jesus Cristo, a minha vida, as minhas ações, penas e sofrimentos, para não querer mais servir-me de nenhuma parte do meu ser, senão para Vos honrar, amar e glorificar. É esta a minha vontade irrevogável: ser todo Vosso e tudo fazer por Vosso amor, renunciando de todo o meu coração a tudo quanto Vos possa desagradar.
Tomo-Vos, pois, ó Sagrado Coração, por único bem do meu amor, protetor da minha vida, segurança da minha salvação, remédio da minha fragilidade e da minha inconstância, reparador de todas as imperfeições da minha vida e meu asilo seguro na hora da morte.
Sê, ó Coração de bondade, a minha justificação diante de Deus, Vosso Pai, para que desvie de mim a Sua justa cólera.
Ó Coração de amor, deposito toda a minha confiança em Vós, pois tudo temo de minha malícia e de minha fraqueza, mas tudo espero de Vossa bondade! Extingui em mim tudo o que possa desagradar-Vos ou que se oponha à Vossa vontade.
Seja o Vosso puro amor tão profundamente impresso em meu coração, que jamais possa eu esquecer-Vos nem separar-me de Vós. Suplico-Vos que o meu nome seja escrito no Vosso Coração, pois quero fazer consistir toda a minha felicidade e toda a minha glória em viver e morrer como Vosso escravo. Amém.

ORAÇÃO CONSAGRATÓRIA
AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS.
Coração Sagrado de meu amado Jesus: eu, ainda que vilíssima criatura, vos dou e consagro minha pessoa, vida e ações, penas e padecimentos, confiando que nenhuma parte de meu ser me sirva se não é para amar-vos, honrar-vos e glorificar-vos.
Esta é minha vontade irrevogável: Ser todo vosso e fazer tudo por vosso amor, renunciando de todo o meu coração a quanto possa desagradar-vos.
Vos tomo, pois, oh! Coração Divino, pelo único objeto de meu amor, protetor de minha vida, prenda de minha salvação, remédio de minha inconstância, reparador de todas as culpas de minha vida; e asilo seguro na hora de minha morte.
Sede, pois, oh! Coração bondoso, minha justificação para com Deus Pai, e afastai de mim os raios de sua justa cólera.
Oh! Coração amoroso, ponho toda a minha confiança em Vós, pois ainda que temo tudo de minha fraqueza, sem dúvida, tudo o espero de vossa misericórdia; Consumi em mim tudo o que vos desagrada e resiste, e fazei que vosso puro amor se imprima tão intimamente em meu coração, que jamais chegue a esquecer-vos nem a estar separado de Vós.
Vos suplico, por vossa mesma bondade, escrevais meu nome em Vós mesmo, pois quero ter cifrada toda minha sorte em viver e morrer como vosso escravo. Amém.

CONSAGRAÇÃO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS
PARA TODOS OS DIAS
É concedida indulgência parcial
a todos os fiéis que devotamente recitem
esta consagração pessoal ao Sagrado Coração de Jesus.
Sacratíssima Rainha dos Céus e Mãe minha amabilíssima! eu n.n., ainda que cheio de misérias e maldades, alentado sem dúvida com a atenção benigna do Coração de Jesus, desejo consagrar-me a Ele; mas, conhecendo bem minha indignidade e inconstância, não quero oferecer nada sem que fosse por vossas maternais mãos, e confiando a teus cuidados o fazer-me cumprir bem todas as minhas resoluções.
Coração dulcíssimo de Jesus, Rei de bondade e de amor, feliz e agradecido aceito com toda a decisão de minha alma esse suavíssimo pacto de cuidar Vós de mim e eu de Vós, ainda que saibas que vais sair perdendo.
O meu quer, que seja vosso; tudo ponho em vossas mãos bondosas: minha alma, a salvação eterna, a liberdade, o progresso interior, as misérias, o meu corpo, a minha vida e saúde; o pouco de bom que eu faça ou por mim ofereçam outros em vida ou depois de morto, de tudo podes servir-vos; minha família, deveres, negócios, ocupações, etc., para que, em todas estas coisas, sem dúvida, sejas Vós o Rei que faça e desfaça a seu gosto, pois eu estarei muito conformado, ainda que me custe, com o que disponha sempre esse Coração amante que busca em tudo o meu bem.
Quero em troca, Coração amabilíssimo, que a vida que me reste não seja uma vida vazia; quero fazer algo, melhor ainda queria fazer muito, para que reines no mundo; quero com oração ou jaculatórias breves, com as ações do dia, com minhas penas aceitadas, com meus êxitos poucos, e enfim, quero estar a todo momento fazendo algo por Vós.
Fazei que tudo leve o selo de vosso reinado divino e de vossa reparação até minha morte, que quem sabe seja o broche de ouro, o ato de caridade que cerre toda uma vida de apóstolo fevorosíssimo. Amém.

FÓRMULA DE CONSAGRAÇÃO DA HUMANIDADE
AO CORAÇÃO SACRATÍSSIMO DE JESUS.
(“Annum Sacrum”, Carta Encíclica de Leão XIII)
Ó dulcíssimo Jesus, ó Redentor do gênero humano, lançai um olhar sobre nós, humildemente prostrados diante do vosso altar. Somos vossos e vossos queremos ser; e para podermos viver mais estreitamente unidos a Vós, eis que cada um de nós se consagra ao vosso Sacratíssimo Coração. Muitos, porém, já não Vos conhecem; muitos, ao desprezar os vossos mandamentos, repudiam-Vos. O benigníssimo Jesus, tende piedade de uns e de outros; e atraí todos ao Vosso Coração Santíssimo.
Oh Senhor, sê o Rei não só dos fiéis que não se distanciaram de Vós, mas também destes filhos pródigos que Vos abandonaram; fazei com que estes retornem à casa paterna o quanto antes para não morrerem de miséria e fome. Sê o Rei de todos os que vivem no engano do erro ou que por discordarem de Vós se separaram; chamai-os ao porto da verdade e da unidade da Fé para que assim, em breve, não haja mais que um só rebanho sob um só Pastor.
Sê finalmente o Rei de todos os que estão envoltos nas superstições do paganismo e não recuseis tirá-los das trevas para traze-los à luz do Reino de Deus.
Obtende, oh Senhor, a integridade e liberdade segura para a vossa Igreja; dai a todo o povo a tranqüilidade da ordem; fazei com que de uma extremidade à outra da terra ressoe esta única voz: “Seja louvado este Coração do qual provém a nossa salvação; a Ele a glória e a honra pelos séculos. Amém!” (11).
11. “Annum Sacrum”, Carta Encíclica de Leão XIII sobre a Consagração da Humanidade ao Sagrado Coração de Jesus, 25 de Maio de 1899
EM BUSCA DA FELICIDADE
junho 5, 2009
Em busca da felicidade
Quando você tentou tudo e ainda assim fracassou…
Um jovem rico procurou o Filho de um carpinteiro, que não vinha da capital judaica, mas sim, da província do norte da Galiléia, que era muito pobre. Esse jovem perguntou a Jesus: “Mestre, o que devo fazer para ter a vida eterna?” O que significa a felicidade, a paz.
Centenas de jovens vão todos os meses da Europa para a Índia. E se você perguntar por que eles estão deixando os países deles para uma terra de tantos miseráveis e desconfortos, eles dirão: “Viemos aqui em busca da paz e da felicidade. Diga-nos aonde devemos ir. Queremos ir a uma casa de retiros dos hindus. Diga-nos a que guru devemos procurar”.
Era exatamente isso que aquele jovem rico pedia a Jesus. Vocês sabem muito bem a resposta. Vocês acreditam na doutrina católica. O jovem rapaz declarou ao Senhor que desde que se lembrava havia tentado ser bastante religioso, acreditava em toda a doutrina da religião e ainda assim era infeliz. Isso é o que muitas pessoas dizem no dia de hoje: “Eu tentei tudo e ainda não sou feliz. Ainda busco a felicidade no meu coração”.
E apesar de todo o esforço daquele jovem para ser bom e religioso, ele ainda era infeliz. Diz a Palavra: “Jesus o amou”. Por quê? Por causa da humildade, por ele ter dito que precisava de Deus na vida dele. Pois ainda não conseguia encontrar a paz em seu coração.
Nós encontramos muitas pessoas como esse rapaz rico que dizem: “Padre, apesar de ter uma casa muito bonita, carro, tudo que o mundo pode oferecer, ainda assim sou muito infeliz”.
E Cristo disse para aquele jovem rico: “Você tentou tudo e ainda assim fracassou. Mas há apenas uma coisa que você precisa fazer: Venda tudo o que você tem e siga-me”. Ou seja, o Senhor afirmou ao jovem: “Largue isso, porque isso se constitui num obstáculo para uma vida feliz e em paz”. Ou “Há alguma coisa que está tomando o lugar de Deus na sua vida”.
No caso daquele rapaz era seu apego às riquezas. Em nosso caso, pode ser um amigo, que é mais importante para nós do que nossa família; pode ser nosso trabalho, que é mais importante para nós do que ficar em casa. Há na vida de cada um de nós alguma coisa que nos está bloqueando de chegar mais perto de Deus. Essa coisa que está tomando o lugar do Altíssimo no centro da nossa vida.
Jesus não disse ao jovem que ele tinha uma vida ruim, mas talvez não tinha um bom sistema de valores, visto que criaturas estavam tomando o lugar do Criador na vida dele. É isso que Santo Agostinho dizia: “Oh, Deus, quão maravilhoso Tu és e eu me voltei para criaturas que se tornaram mais importantes do que o Senhor, Deus Todo-poderoso”.
Todas as pessoas que vieram até Jesus buscando a felicidade, uma nova vida, Jesus não disse: “Você tem de acreditar nessas doutrinas aqui”. O que Jesus fala? “Siga-me”. O Cristianismo não é só uma questão de obedecer a mandamentos, cumprir uma doutrina, mas seguir uma Pessoa, seguir Jesus Cristo. E acima de tudo: fazer d’Ele o centro da nossa vida.
Não há limite para Deus fazer na sua vida, basta reconhecer Jesus como único líder religioso do mundo, o qual afirmou: “Eu sou a única verdade, o único caminho, a única vida”. Amém!
Padre Rufus Pereira
Fonte: http://www.cancaonova.com/portal/canais/formacao/internas.php?e=11469
COMO SE VESTIR PARA IR A SANTA MISSA
junho 4, 2009
COMO SE VESTIR PARA IR A SANTA MISSA
Muitos hoje se perguntam qual é a melhor forma de se vestirem para participar do Santo Sacrifício da Missa. Alguns procuram responder a estes afirmando que “tanto faz, pois o que importa é o coração”. Mas o que dizem os documentos oficiais da nossa Santa Mãe Igreja à respeito disso? O Catecismo da Igreja Católica (n. 1387) afirma, sobre o momento da Sagrada Comunhão: “A atitude corporal – gestos, roupa – há de traduzir o respeito, a solenidade, a alegria deste momento em que Cristo se torna nosso hóspede.”
Para compreender o porquê o Catecismo afirma isto à respeito das vestes, é importante compreender o que é a Santa Missa: ela é a renovação do Sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo, que sendo verdadeiro Deus e verdadeiro homem, pagou pelos nossos pecados na cruz. Tal Sacrifício se torna presente na Santa Missa no momento em que o pão e vinho tornam-se verdadeiramente o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor (Catecismo da Igreja Católica, 1373-1381). O Santo Sacrifício da Missa é incruento (ou seja, sem sofrimento nem derramamento de sangue), ou seja, é o mesmo e único Sacrifício do Calvário, tornando-se verdadeiramente presente na Santa Missa para que possamos receber os seus frutos e nos alimentar da Carne e do Sangue de Nosso Senhor. Por isso o Sagrado Magistério nos ensina que “o sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício.” (Catecismo da Igreja Católica, 1367)
É preciso evitar, então, primeiramente as roupas que expõe o corpo de forma escandalosa, como decotes profundos, shorts curtos ou blusas que mostrem a barriga. Mas convém que se evite também tudo o que contraria, como afirma o Catecismo, a alegria, a solenidade e o respeito – isto é, banaliza o momento sagrado.
O bom senso nos mostra, por exemplo, que partindo do princípio da solenidade, é melhor que se use uma calça do que uma bermuda. Ora, na nossa cultura, não se vai a um encontro social solene usando uma bermuda!
O bom senso nos mostra também que, partindo do princípio do respeito e da não-banalização do sagrado, é melhor que se evite roupas que chamam atenção para o corpo ou para elementos não relacionados com a Sagrada Liturgia. É melhor que uma mulher, por exemplo, utilize uma blusa com mangas do que uma blusa de alcinha; é melhor que utilize uma calça discreta, saia ou vestido do que uma calça estilo “mulher-gato” (isto é, apertadíssima); também é melhor que se utilize, por exemplo, uma camisa ou camiseta discreta do que uma camiseta do Internacional ou do Grêmio.
A questão se reveste de uma seriedade ainda maior quando se trata daqueles que exercem funções litúrgicas, tais como os leitores e músicos. Pois estes, além de normalmente estarem mais expostos ao público que os demais, acabam por serem também modelos.
É de acordo com este senso que até a pouco tempo atrás era comum se utilizar a expressão popular “roupa de Missa” ou “roupa de Domingo” como sinônimo da melhor roupa que se tinha. Quanto bem faria aos católicos se esta expressão fosse restaurada!
Quanto aos que afirmam que “o que importa é o coração”, vale lembrar que aqui não cabe a aplicação deste princípio, pois isso implicaria colocar-se em contraposição com grandes parte das normas litúrgicas da Santa Igreja, bem como com os diversos sinais e símbolos litúrgicos (paramentos, velas, incenso, gestos do corpo, etc), que partem da necessidade de se manifestar com sinais externos a fé católica à respeito que acontece no Santo Sacrifício da Missa, bem como manifestar externamente a honra devida a Deus. A atitude interna é fundamental, mas desprezar as atitudes externas é um erro.
A este respeito, escreveu o saudoso Papa João Paulo II: “De modo particular torna-se necessário cultivar, tanto na celebração da Missa como no culto eucarístico fora dela, uma consciência viva da Presença Real de Cristo, tendo o cuidado de testemunhá-la com o tom da voz, os gestos, os movimentos, o comportamento no seu todo. (…) Numa palavra, é necessário que todo o modo de tratar a Eucaristia por parte dos ministros e dos fiéis seja caracterizado por um respeito extremo.” (Mane Nobiscum Domine, 18)
Concluímos com as palavras de São Josemaria Escrivá em uma de suas fantásticas homilias, recordando seus tempos de infância: “Lembro-me de como as pessoas se preparavam para comungar: havia esmero em arrumar bem a alma e o corpo. As melhores roupas, o cabelo bem penteado, o corpo fisicamente limpo, talvez até com um pouco de perfume. Eram delicadezas próprias de gente enamorada, de almas finas e retas, que sabiam pagar Amor com amor.” Afirma ainda: “Quando na terra se recebem pessoas investidas em autoridade, preparam-se luzes, música e vestes de gala. Para hospedarmos Cristo na nossa alma, de que maneira não devemos preparar-nos?” (Homilias sobre a Eucaristia, Ed. Quadrante)
Autor: Francisco Dockhorn
Publicação original: Março de 2007
Fonte: http://www.reinodavirgem.com.br/liturgia/comovestir.html
Extraído do site: http://www.salvemaliturgia.com/2009/06/como-se-vestir-para-ir-santa-missa.html
O BORDADO
junho 3, 2009
O BORDADO
O Prof. Damásio de Jesus é um dos maiores tratadistas do Direito Penal Brasileiro, com incontáveis publicações na área Processual.
Em novembro de 2002 ele escreveu isso:
– Quando eu era pequeno, minha mãe costurava muito. Eu me sentava no chão, brincando perto ela, e sempre lhe perguntava o que estava fazendo.
Respondia que estava bordando.
Todo dia era a mesma pergunta e a mesma resposta.
Observava seu trabalho de uma posição abaixo de onde ela se encontrava sentada e repetia:
– Mãe, o que a senhora está fazendo?
Dizia-lhe que, de onde eu olhava, o que ela fazia me parecia muito estranho e confuso. Era um amontoado de nós, e fios de cores diferentes, compridos, curtos, uns grossos e outros finos.
Eu não entendia nada. Ela sorria, olhava para baixo e gentilmente me explicava:
– Filho, saia um pouco para brincar e quando terminar meu trabalho eu chamo você e o coloco sentado em meu colo. Deixarei que veja o trabalho da minha posição.
Mas eu continuava a me perguntar lá de baixo: -
Por que ela usava alguns fios de cores escuras e outros claros?
– Por que me pareciam tão desordenados e embaraçados?
– Por que estavam cheios de pontas e nós?
– Por que não tinham ainda uma forma definida? -
Por que demorava tanto para fazer aquilo?
Um dia, quando eu estava brincando no quintal, ela me chamou:
– Filho, venha aqui e sente em meu colo. Eu sentei no colo dela e me surpreendi ao ver o bordado. Não podia crer! Lá de baixo parecia tão confuso! E de cima vi uma paisagem maravilhosa!
Então minha mãe me disse:
– Filho, de baixo, parecia confuso e desordenado porque você não via que na parte de cima havia um belo desenho. Mas, agora, olhando o bordado da minha posição, você sabe o que eu estava fazendo.
Muitas vezes, ao longo dos anos, tenho olhado para o céu e dito:
– Pai, o que estás fazendo?
Ele parece responder:
Estou bordando a sua vida, filho.
E eu continuo perguntando:
– Mas está tudo tão confuso…. Pai, tudo em desordem. Há muitos nós, fatos ruins que não terminam e coisas boas que passam rápido.
– O Pai parece me dizer: ‘Meu filho, ocupe-se com seu trabalho, descontraia-se, confie em Mim e… Eu farei o meu trabalho. Um dia, colocarei você em meu colo e então vai ver o plano da sua vida da minha posição.
Muitas vezes não entendemos o que está acontecendo em nossas vidas. As coisas são confusas, não se encaixam e parece que nada dá certo.
É que estamos vendo o avesso da vida! Do outro lado, Deus está bordando…
Fonte: e-mail circulando pela internet e a borboleta foi extraída do site http://bordados.files.wordpress.com/2007/08/bordado0012.jpg
DA MANEIRA DE OFERECER A SANTA MISSA E DO VALOR DA OBLAÇÃO.
junho 2, 2009
DA MANEIRA DE OFERECER A SANTA MISSA
E DO VALOR DA OBLAÇÃO.
( Oblação significa, ação pela qual se oferece alguma coisa a Deus. Oferecimento. )
Caro leitor, lê neste capítulo com grande atenção; grava-o, profundamente, em tua memória, segue os conselhos que encerra e tirarás, do santo Sacrifício, imenso proveito.
Já ficou dito que a santa Missa, único sacrifício do cristianismo, é um ato de adoração, uma oferta divina. O grande Sacerdote, o verdadeiro Sacrificador, é Nosso Senhor Jesus Cristo. Depois dele vem o celebrante, o instrumento que lhe empresta as mãos e a boca. Em terceiro lugar, vêm os assistentes, que mandam celebrar a santa Missa, os que oferecem os objetos necessários ao culto, enfim, todos os que, impedidos por ocupações de assistir, se unem, espiritualmente, aos assistentes.
Todos oferecem, em certo sentido, a divina Vítima e participam dos frutos desta preciosa oferta. Sem a oblação do divino Sacrifício nem mesmo ouvirias a santa Missa como deves: porque ouvir a Missa não é somente assisti-la, é oferecer o Sacrifício em união com o sacerdote e pelas mãos do sacerdote. Por conseguinte, os fiéis que, na santa Missa, se entregam a toda sorte de devoções particulares, sem se ocuparem da oblação do santo Sacrifício, privam-se de um número infinito de graças.
Não acharás, certamente, inútil que te expliquemos, minuciosamente, a maneira de oferecer a Deus o santo Sacrifício.
Supõe que uma pessoa recite, devotamente, muitos terços, oferecendo-os a Jesus Cristo e à sua Santíssima Mãe, enquanto outra pessoa assiste a uma só Missa, oferecendo-a. Qual das duas, pensas, dará mais e será, mais profusamente, recompensada? Sem dúvida, a segunda. Pois, que oferece a primeira? Uma prece, muito santa, ensinada, na maior parte, por Jesus Cristo e por seu Anjo, mas que tem todo o valor da piedade pessoal da pessoa que reza, e fica, por conseguinte, muito imperfeita. Que se oferece, porém, na santa Missa? Um dom absolutamente sobrenatural, perfeitíssimo, divino: o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, suas lágrimas, sua morte, seus méritos.
Dir-me-ás, talvez: A pessoa que oferece os terços oferece um dom que ela própria adquiriu, ao passo que, na santa Missa, oferecem-se méritos que pertencem a Jesus Cristo. Afirmamos, porém, de novo: Aquele que oferece a santa Missa, oferece um bem próprio, porque, pelo Sacrifício não cruento da santa Missa, recebem os frutos do Sacrifício cruento na Cruz.
Que imenso favor, pois, é aquele com que o Senhor te enriquece, quando, na santa Missa, te constitui, espiritualmente, sacerdote e te concede o poder de oferecer a Deus, seu Pai, segundo a maneira dos sacerdotes, não só por ti, como pelos outros. É neste sentido que o celebrante diz depois do “Sanctus”: “Lembrai-vos, Senhor, dos vossos servos e servas e de todos os circunstantes, pelos quais vos oferecemos, e eles mesmos vos oferecem este sacrifício de louvor por si e por todos os seus amigos, benfeitores, vivos e mortos”.
Para esta cooperação, o sacerdote já convidou os fiéis no “Orate fratres”, dizendo: “Orai, meus irmãos, para que meu sacrifício, que é também o vosso, seja agradável a Deus Padre todo poderoso”.
Em outras palavras: Este sacrifício vos pertence tanto quanto a mim, é tanto obra vossa quanto minha; peço-vos que me ajudeis a oferecê-lo.
Depois da “Elevação do cálice”, o sacerdote diz: “Portanto, Senhor, nós, teus servos e teu povo santo, oferecemos à tua gloriosa Majestade, de teus mesmos dons e benefícios, esta Hóstia pura, Hóstia santa, Hóstia imaculada. Pão santo da vida eterna, Cálice da salvação perpétua”.
Tua cooperação pela oblação é, pois, muito real, o celebrante conta com ela. Se não lhe aceitares o convite e não unires a voz e o coração à sua ação, enganá-lo-ás em sua expectativa e a ti mesmo, privando-te do benefício da oblação.
“Aqueles, diz o bispo Fornero de Hebron, que deixam de oferecer a santa Missa por si e pelos seus, privam-se dum imenso benefício”. É, pois, igualmente um ato de injustiça para contigo mesmo faltar à Missa ou não oferecê-la quando a assistires. O oferecimento é a melhor das práticas; quanto mais o renovares, mais alegrarás o céu, maior número de dívidas pagarás, maior glória futura adquirirás.
Dizer a Deus: Eu te ofereço, significa na Missa: Eu te pago, com o ouro dos merecimentos de Jesus Cristo, o resgate de meus pecados, os bens celestes, o livramento das almas do purgatório.
É verdade que se pode dizer, fora da santa Missa, a qualquer hora e com muita vantagem: “Senhor, eu te ofereço o caro Filho, te ofereço sua dolorosa Paixão e Morte, seus méritos”. Entretanto, esta oblação não é senão espiritual, enquanto que, na santa Missa, é real. Aí Jesus Cristo está, realmente, presente e com ele suas virtudes e seus méritos; aí se imola de novo e renova sua Paixão e sua Morte, nos dá seus méritos, a fim de que os ofereçamos a seu Pai celeste.
Santa Mechtildes ouviu, uma vez, durante a santa Missa, Nosso Senhor lhe falar desta forma: “Concedo-te meu amor divino, minha oração e minha Paixão, a fim de que possas mas oferecer por tua vez. Dai-mas, eu tas restituirei multiplicadas, e, toda vez que mas ofereceres, novamente as duplicarei. É assim que o homem recebe o cêntuplo no tempo e uma glória infinita na eternidade” (Lib. Revelation I, cap. 14).
Entre todas as orações da santa Missa, diz Sanchez, nenhuma é mais consoladora do que a que se segue à elevação do cálice, quando o sacerdote oferece ao Pai celeste o “Cordeiro” imaculado, dizendo: “Senhor, nós, que somos vossos servos e vosso povo santo, oferecemos à vossa sublime Majestade a Hóstia pura, a Hóstia santa, a Hóstia imaculada, etc.”. Chama o povo, isto é, os assistentes, santos, porque são santificados pela santa Missa, conforme a palavra de Jesus Cristo: “Eu me santifico por eles, a fim de que sejam santificados na verdade” (Jo. 22, 19).
Ele os santifica pela “aspersão do sangue divino”, como diz o Apóstolo São Paulo (Heb. 13, 12).
Quão preciosa é a Hóstia pura, santa, sem mácula! É a carne puríssima, a alma santíssima, o sangue imaculado de Jesus! A que pode se comparar esta oferta, se a terra inteira não é senão um grão de poeira ao seu lado! Que dizemos? A imensidade do céu nada contém de mais precioso. O que dás ao Deus onipotente, oferecendo esta Hóstia, é o dom perfeitamente digno de sua Majestade infinita, é seu Filho com sua humanidade santa, é o próprio Deus!
Se todos os súditos de um monarca poderoso oferecessem a seu soberano, em testemunho de seu amor e fidelidade, por embaixadores escolhidos, uma taça artística do ouro mais puro, ornada de pedras preciosas de inestimável valor, a satisfação e o reconhecimento do príncipe seria, sem dúvida, muito grande. Se porém, esta taça contivesse uma jóia do valor de um reino, a admiração e alegria do rei seriam ainda mais profundas. Na santa Missa, porém, oferecemos ao Altíssimo a humanidade de Jesus Cristo, isto é, o que sua mão onipotente criou de mais excelente e mais sublime. Eis a taça preciosa; a jóia de um valor incomparável que encerra, é a divindade do Salvador; é nele que “reside a plenitude da divindade” (Col. 2, 9).
Propriamente falando, não é a divindade, mas a humanidade de Nosso Senhor Jesus Cristo que oferecemos à adorável Trindade; as duas naturezas, porém, são estreitamente unidas, e nunca realmente separadas, de sorte que as oferecemos juntas. Que satisfação para o Pai eterno quando recebe de tuas mãos este dom incomparável, aquele do qual disse: “É meu Filho predileto em quem pus todas as minhas complacências!” (Mt. 3, 17). Avalia a recompensa que te espera em troca, e a soma de dívidas que pagas por esta preciosa oferta.
Henrique I, rei da Inglaterra, ouvia, todos os dias, três Missas, ajoelhado ao pé do altar. Chegado o momento da consagração, aproximava-se do celebrante e sustentava-lhe os braços durante a elevação do Corpo e Sangue de Nosso Senhor. Era a maior consolação do piedoso monarca. Se houvesse ainda este piedoso costume, qual não seria a tua pressa em tomar lugar junto ao sacerdote! Deus se contenta, porém, com teu desejo, dize-lhe somente do íntimo do coração: “Senhor, ofereço-vos vosso caro Filho pelas mãos do sacerdote”. Deus muito bem saberá interpretar-te a intenção.
A oferta da santa Hóstia é preciso unir a do preciosíssimo Sangue. É um meio excelente de salvar as almas. Lê-se, na vida de Santa Maria Madalena de Pazzi, que o próprio Senhor a instruíra neste assunto, fazendo-lhe conhecer quanto a oferta de seu precioso Sangue é própria para apaziguar a cólera de Deus. O divino Salvador se queixava do pequeno número dos que trabalham para acalmar a Justiça de seu Pai celeste, e exortava a santa a aplicar-se a isto. Desde então, ela oferecia o preciosíssimo Sangue até cinqüenta vezes por dia, pelos vivos e pelos mortos; e seu celeste Esposo lhe mostrou, muitas vezes, as almas que tirava do purgatório por este meio.
“Quando ofereces o precioso Sangue ao Pai celeste, diz a mesma Santa, lhe ofereces um dom tão agradável, que ele se reconhece teu devedor”. Como efeito, que haverá, no céu e sobre a terra, que iguale, em valor, o precioso Sangue, do que diz São Tomás de Aquino, uma só gota vale mais que um mar de Sangue dos Mártires; do qual uma só gota seria assas poderosa para purificar o mundo de todos os pecados. Por conseguinte, se, em troca da oferta do precioso Sangue, Deus te concede o céu, não te retribui um bem de igual valor.
Se tivesses presenciado a crucificação do divino Salvador e recolhido o Sangue adorável que lhe corria das chagas sagradas, e tivesses elevado este precioso Sangue ao céu, implorando misericórdia para ti e para o gênero humano, o Pai celeste ter-se-ia enternecido, sem dúvida; todos os teus pecados teriam sido perdoados. Ora, é isto que fazes quando, durante a santa Missa, ofereces o precioso Sangue ao Deus altíssimo.
TREZENA DE SANTO ANTÔNIO – Começar dia 01/06
junho 1, 2009
TREZENA DE SANTO ANTÔNIO
Para ser rezada também do dia 1º ao 13º de junho ou em outro mês (mas deverá ser repetida em junho)
Súplica
Meu querido Santo Antônio, Santo dos mais carinhosos, o vosso ardente amor de Deus, as vossas sublimes virtudes e grande caridade para com o próximo vos mereceram durante a vida o poder de fazer milagres espantosos. Nada vos era impossível senão deixar de sentir compaixão pelos que necessitavam da vossa eficaz intercessão. A vós recorremos e vos imploramos que nos obtenhais a graça especial que neste momento pedimos. Ó bondoso e santo Taumaturgo, cujo coração estava sempre cheio de simpatia pelos homens, segredai as nossas preces ao Menino Jesus que tanto gostava de repousar nos vossos braços. Uma palavra vossa nos obterá as mercês que pedimos. (Segue-se a meditação do dia competente)
1ª Terça-feira
Oração – Invencível Santo Antônio, mártir pelo desejo, pelo fervor do amor que vos inflamou com o ardente anseio de derramar o vosso sangue por Nosso Senhor Jesus Cristo, invocamos o vosso auxílio para que nos assistais a nós e a todos os agonizantes na hora da nossa morte, e para que obtenhais o eterno descanso para as almas do purgatório. (Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai…)
2ª Terça-feira
Oração – Ó Santo Antônio, grande Doutor da Igreja, que ilustrastes a eterna e imutável verdade tanto pela palavra como pelo exemplo, nós vos imploramos que nos conserveis na fé católica, que convertais os que estão fora da nossa Igreja e que extirpeis todos os erros e falsidades. Obtende também que os Governantes e os Magistrados exerçam a justiça com eqüidade e para o bem do povo. (Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai…)
3ª Terça-feira
Oração – Ó bondoso consolador Santo Antônio! Nunca quem procurou o vosso auxílio deixou de ser atendido. Humildemente vos suplicamos que nos auxilieis, a nós e a todo o mundo, nas calamidades e aflições; preservai-nos da falta de arrependimento, da covardia e do desespero; afastai de nós toda a intolerância e toda a discórdia. ( Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai…)
4ª Terça-feira
Oração – Santo Antônio, fervoroso adorador de Nosso Senhor Jesus Cristo, que ateastes em toda a parte o fogo da caridade perante o qual os demônios fugiam, guardai as nossas almas e os nossos corpos, e defendei-os contra as tentações de Satanás, para que ele não tenha o poder de nos molestar em pensamentos, palavras e obras, e afastai de nós todos os vãos receios e imaginações.
(Pai Nosso, Ave Maria, Glória…)
5ª Terça-feira
Oração – Ó maravilhoso pregador Santo Antônio, a cujas poderosas palavras nenhum pecador podia resistir, humildemente vos suplicamos que preserveis os nossos corpos de febres, feridas e doenças infecciosas, e as nossas almas da lepra do pecado. (Pai Nosso, Ave Maria, Glória…)
6ª Terça-feira
Oração – Ó milagroso Taumaturgo Santo Antônio, em quem Deus manifestou o seu poder , livrai-nos de todas as fraquezas e enfermidades para que possamos sempre glorificar Deus Todo Poderoso, sãos de espírito e de corpo, e fortes de alma. (Pai Nosso, Ave Maria, Glória…)
7ª Terça-feira
Oração – Santo Antônio, fiel guia dos viajantes, a quem Deus deu o poder de dominar as tempestades e de acalmar as ondas do mar, preservai-nos a nós e a todos os viajantes dos perigos do mar e da terra, e do naufrágio das nossas almas. (Pai Nosso, Ave Maria, Glória…)
8ª Terça-feira Oração
Ó valente confessor Santo Antônio, que libertastes das cadeias temporais os corpos dos homens, e das cadeias espirituais as suas almas, libertai os pobres cativos das prisões que não mereceram, e as almas que o pecado escraviza, das trevas dos seus cárceres espirituais, e auxiliai todos os que estão condenados à morte. (Pai Nosso, Ave Maria, Glória…)
9ª Terça-feira
Oração – Ó branca Flor da Pureza, Santo Antônio, que tivestes nos vossos braços virginais Jesus, o Filho de Deus, nós vos suplicamos que nos preserveis a nós, e a todos os que nos pertencem, dos males corporais; auxiliai também os surdos, os mudos, os cegos, os coxos, os disformes, e alcançai para eles a paciência necessária para suportarem as suas aflições. Ajudai também a preservar o corpo místico da Igreja, e fazei com que todas as nações, com os seus governantes e príncipes, se conservem fiéis ao seu chefe.
(Pai Nosso, Ave Maria, Glória…)
10ª Terça-feira
Oração – Fidelíssimo Santo Antônio, que desprezastes os bens deste mundo para poderes obter as riquezas de Cristo, ajudai-nos a nunca desejar nada que nos seja prejudicial, preservai-nos de todas as ambições mundanas e obtende-nos que procuremos sempre a graça, e, se a perdermos, não descansemos até recuperá-la. (Pai Nosso, Ave Maria, Glória…)
11ª Terça-feira
Oração – Santo Antônio, poderoso auxiliar, em quem o amor de Nosso Senhor Jesus Cristo obra tão grandes maravilhas, invocamos o vosso auxílio em todos os perigos, visíveis e invisíveis. Preservai-nos, pela vossa intercessão, dos nossos inimigos, dos raios, das tempestades, do incêndio e da guerra, e livrai-nos fielmente de todos os perigos da alma e do corpo.
(Pai Nosso, Ave Maria, Glória…)
12ª Terça-feira
Oração – Santo Antônio, refúgio universal, nós vos suplicamos que nos socorrais em todas as aflições, na pobreza e na enfermidade; que consoleis as viúvas e os órfãos, e todos aqueles que vos invocam nas suas necessidades.
(Pai Nosso, Ave Maria, Glória…)
13ª Terça-feira
Oração – Ó Glorioso Santo Antônio, honra de Portugal, Apóstolo de todas as nações, manifestai-nos o poder milagroso que tem ganho vitórias tão maravilhosas sobre o erro e a descrença, e acendei nos nossos corações a chama da divina caridade e do amor fraterno, a fim de que, unidos no aprisco verdadeiro do Divino Pastor, possamos glorificar Aquele que, com o Pai e o Espírito Santo, vive e reina eternamente. Amém. (Pai Nosso, Ave Maria, Glória…)
Escrito por grupoazul 

















