LITURGIA GERAL – OS SANTOS LUGARES: O CÔRO E A NAVE, OS SINOS.

LITURGIA - os santos sinais

LITURGIA GERAL

CAPÍTULO III.

OS SANTOS LUGARES

§ 51. CORO E NAVE

186.    1. Côro ou presbitério (de presbyter = sacerdote) é espaço próximo do altar, em geral mais elevado que a nave da igreja. É separado da nave pela balaustrada. Nas catedrais e outras grandes igrejas, presbitério é o nome do espaço do altar, destinado às funções sagradas; coro designa o recinto destinado ao clero que recita o ofício divino. Tem duas ou mais linhas de bancos de madeira, dispostos no mesmo ou em diferente nível, munidos de divisões, cadeiras (stalla). O assento levantado apresenta uma saliência (misericórdia), que serve de apoio ao que está de pé.

187.    2. Vários móveis devem guarnecer o coro.

a) A credência (abacus), mesa do lado da epístola destinada aos objetos necessários às funções litúrgicas. “Somente para as missas solenes (C. E. I, 12, 19) costuma-se cobri-la com uma toalha branca que desça até ao chão e a envolva ao redor.”

b) O banco (scamnum), do lado da epístola, bastante longo, em que se assentam o celebrante e os 2 ministros. Deve ser coberto por um estofo conveniente, p. ex., da cor dos paramentos (C. E. I, 12, 22); encosto permitido. (Cf. d. 4165 ad 4.)

188.    c) Tamboretes ou mochos (scabella) são assentos sem encosto. A forma não está prescrita. Servem em vez do banco. “Banco ou tamboretes para se sentarem os ministros sagrados nas missas cantadas.” (C. P., p. 705, n° 31.) Para os ministros não paramentados é mais conveniente o banco.

d) O trono episcopal. Sobe-se para a cadeira episcopal por 3 degraus.

e) O faldistório, um assento de braços, sem espaldar, de que o prelado se serve, fora do trono, para se assentar ou ajoelhar.

189.    3. A nave da igreja está destinada aos fiéis. Em regra geral os homens ocupam o lado da epístola e as mulheres o lado do Evangelho. Assim é uso desde a antiguidade cristã como o testemunha o “Testamento de N. S. Jesus Cristo” (sec. V, Braun, Handl., p. 202), e assim o deseja a Igreja. (Cân. 1262, § 1.)

Os bispos do Brasil querem (C. P. n.° 781) “que haja nos templos completa separação de homens e mulheres, sendo conveniente para isso a colocação de uma grade, alguns metros acima da entrada principal da igreja, e em toda a sua largura. Assim disposto o interior da igreja, os homens ficarão acima do arco cruzeiro, e abaixo dessa grade, e as mulheres entre essa grade e o arco cruzeiro, em toda a largura do templo.”

190.    a) O púlpito é o lugar destinado à pregação. Antigamente os bispos pregavam do seu trono. Mas no século IV usavam para a explicação da doutrina cristã o ambão (de anabainein = subir), uma tribuna pequena contígua à balaustrada do coro. Mais tarde o colocaram em a nave da igreja.

O púlpito fixo remonta até aos últimos tempos da idade média (Braun, Lit. Hand.) e era construído exclusivamente para a pregação, ao passo que o ambão era reservado para o canto da epístola e do evangelho. Em muitas igrejas, mormente nas catedrais, há dois púlpitos, para que o pregador possa ser visto do celebrante, seja ele bispo ou simples sacerdote. “O pavimento do púlpito regularmente não deve exceder a dois metros acima do pavimento da igreja.” (C. P., n.° 805, ad 1.)

191.    b) Pia batismal. Antigamente existiam igrejas destinadas ao batismo. No meio estava a fonte batismal (fons baptismalis, piscina), um tanque de alvenaria, para o qual se descia por degraus. Ali se fazia o batismo por imersão. Quando o batismo dos adultos se tornou mais raro, usavam-se bacias que se chamavam também fontes batismais (tons baptismalis). Desde o século XII se começou a colocá-la num suporte e a dar-lhe a forma mais agradável de cálix. É a pia batismal moderna. Mas nem a forma nem o material está prescrito pela lei universal, contanto que o material seja sólido. (Rit. Rom. tit. II, n. 46.)

192.    O batistério seja fechado e cercado de grades, munido de fechadura e chave. Quando comodamente pode ser, seja nele pintada ou colocada uma imagem de Jesus Cristo batizado por S. João Batista e tenha uma pia de mármore bem fechada, de sorte que poeira ou outras imundices não possam penetrar no interior. (C. B. n. 178, § 1.)

193.    c) Piscina ou sacrarium.

1) C. P. n.° 803. Em todas as igrejas deve haver uma piscina ou sacrarium, construída por detrás do altar ou na sacristia ou outro lugar cômodo.

Para isso abra-se na terra uma grande cova ou poço com pão paredes de alvenaria e um orifício fechado com uma pedra ou tampo de madeira ou de ferro, fácil de abrir. Ai se lança tudo o que as rubricas do ritual e do missal mandam deitar na piscina, como as cinzas dos santos óleos, dos ornamentos e vestes sacras queimados, o algodão e o miolo de pão que houverem servido para limpar a unções dos santos óleos e os dedos dos sacerdotes, a água batismal, benta antigas, a água com que se houverem purificado os corporais, os sanguinhos, etc. Na piscina não se deita nada de profano. (C. P. L. A., n° 894.) Se os objetos queimados, por serem muitos, não cabem nela, é preciso pô-los em outro lugar benzida ou onde não há perigo de profanação. (Mach-Ferr. II p. 166.)

194.    2) História. Antigamente (Braun, Lit. Handl. sacrarium, piscina) estava próximo do altar, de sorte que a água da ablução na missa, era logo lá despejada. Aí o sacerdote lavava as mãos e o cálix. Compunha-se de poço feito na terra, comunicando por um cano com uma bacia adaptada ao muro na altura de um metro mais ou menos acima do pavimento. Ainda hoje se pode construir assim colocando a bacia na sacristia.

195.    3) No rito da ordenação do subdiácono a piscina se chama baptisterium, porque muitas vezes está construída no lugar do batismo.

4) Durandus (Rat. 1. 1, e. 1, n.° 39) diz: “Perto do altar, que significa Cristo, põe-se a piscina ou bacia para lavar, isto é, a Misericórdia de Cristo, em que se lavam as mãos pelo batismo e pela penitência.”

196.    d) A pia de água benta é conhecida ao menos desde a idade média.

O seu uso provavelmente se deriva da cerimônia de aspergir o povo com benta nos domingos. Este costume intensificou-se mormente no século VIII Para ter a aspersão da água benta também nos dias de semana, e colocava-se um vaso com água benta à disposição do povo. Destarte cada um podia fruir a bênção da água benta, tomando-a com o sinal da Cruz, (Cf. C. P., n. 804.)

197.    e) O confessionário, na forma de hoje, foi introduzido depois do Concílio Tridentino.

1) Nos séculos anteriores o confessor se assentava num banco diante do qual o penitente se ajoelhava no chão. O lugar não estava prescrito; de preferência, porém, era diante do altar. Esta forma primitiva foi modificada, colocando-se entre o confessor e o penitente uma tábua, depois uma grade.

2) O confessionário deve ser munido de grade fixa ou ralo pouco perfurado entre o penitente e o confessor (cân. 909, § 2), também para os homens salvo o cân. 910, § 2. (C. B. n. 245, § 1.)

As confissões de mulheres podem-se ouvir de manhã depois das Ave-Marias, contanto que a igreja e confessionário sejam bastante iluminados. De tarde depois das Ave-Marias não se ouçam confissões de mulheres salvo nas missões e grandes concursos com as cautelas oportunas. (C. B., n. 242.)

As confissões das mulheres surdas, com as cautelas necessárias, ouçam-se num lugar anexo à igreja e patente, onde haja um confessionário segundo o modelo prescrito. (C. B. n. 244.)

O confessionário do lado do penitente tenha uma imagem do Crucifixo e seja colocado em lugar patente e visível. (C. B. n. 245, § 2.)

§ 52. OS SINOS

198.    1. Etimologia. Sino deriva-se de signum (= sinal), Porquanto com ele se dava o sinal para os Ofícios da igreja. Chamaram-no também campana = campa e o diminutivo de campainha, por ser célebre o bronze da Campagna, de que eram fabricados. O termo “nola” não tem nada com a cidade de Nola, mas deriva-se da raiz céltica noll = soar.

2. História.

a) No antigo testamento a veste do sumo sacerdote era guarnecida de campainhas, por ordem de Deus.

Os chineses, babilônios, gregos e romanos conheciam a campa e a campainha e se serviam delas para o uso doméstico como hoje. Em Atenas os sacerdotes da Prosérpina chamavam o povo com campainhas para o sacrifício em honra dela.

199.   b) Depois das perseguições os cristãos empregaram, entre outros instrumentos, também os sinos para convocar os fiéis. Em prova disso Bona (R. lit., I, e. 22) e Barônio (Annales, an. 58, n. 104) alegam o costume geral dos pagãos de chamar com a campa os operários para o trabalho, o público para os banhos, de acordar os escravos de manhã. Portanto deviam ser grandes essas campas e locadas em lugar elevado. O imperador Augusto mandou pôr sinos no alto do templo de Júpiter no Capitólio. Os sacerdotes judaicos davam de uma alta torre o sinal para começar o sábado. Os cristãos terão aproveitado esse uso geral.

Os monges serviam-se deles para marcar a hora. Foi por meio dos monges que se espalharam os sinos. No século VI já os achamos como objetos litúrgicos; encontravam-se também sinos com cordas. 200 anos depois o seu uso tornou-se geral.

No Oriente, de onde provavelmente se propagou para o Ocidente, o sino era menos conhecido. Em seu lugar se empregava o simantron, tábua em que se batia com um martelo. Coisa semelhante possuimos, nos últimos dias da Semana Santa, na matraca. É um instrumento de madeira, composto de tabuazinha e martelo movediço que, agitado, serve para dar sinais.

c) Os sinos foram fabricados, primeiro reunindo-se chapas de metal, mais tarde pela fundição.

200.    Na missa a campainha se deve tocar duas vezes: ao Sanctus e à elevação (Missal). Mas é costume tocá-la no princípio da consagração (d. 4377), em muitas igrejas ao ofertório, ao Domine, non sum dignas, e à pequena elevação.

A campainha não se pode tocar na missa com o Santíssimo exposto, nem em outras missas durante a exposição. (d. 3157 ad 10; 3448 ad 2.)

201.    d) Sobre a finalidade do sino escreve Durandus (1. 1. c., 4, n. 1) : “Toca-se o sino, para que os fiéis sejam convocados para o prêmio; cresça neles a fé viva; sejam protegidos os frutos, as almas e o corpo dos fiéis, afastado o exército dos adversários e todas as ciladas dos inimigos; sejam mitigados o fragor do granizo, a procela dos turbilhões, o ímpeto das tempestades e dos raios; os terríveis trovões e as ventanias acabem, os espíritos das tormentas e os poderes do ar sejam derribados… Tudo isto se acha na bênção dos sinos.”

Os sinos bentos não podem ser empregados para o uso exclusivamente profano, exceto por necessidade ou com licença do Ordinário ou por costume legítimo. (Can. 1169, § 4; S. C. Conc. 28.3.31 requisita tempestive et habita proprii Ordinarii licentia.) “Sempre que o bispo vai a qualquer igreja ou por ela passa, repicam os sinos.” (P. C. 704, n° 54; d. 3888 ad 1.) O dobre fúnebre não se tolera nos domingos e outras festas, nas quais é proibida a missa cantada de réquie absente cadavere, nas igrejas onde, na ausência dele, por costume se celebra o ofício dos defuntos ou a absolvição dos defuntos. (C. B. n. 324, § 3.)

202.   O Pálio (baldaquino, sobrecéu) é pano oblongo, sustentado por varas para ser levado a mão. Está prescrito para a procissão com o Santíssimo e com o Santo Lenho (relíquia da S. Cruz), e para o bispo, quando é recebido solenemente.

A umbela é um pálio pequeno, um baldaquino, semelhante aos chapéu do sol, de cor branca, debaixo do qual o sacerdote leva o SS.. Sacramento em certas ocasiões.

Fonte: http://www.derradeirasgracas.com/4.%20CURSO%20DE%20LITURGIA%20-%20Pe.%20Reus/LITURGIA%20-%20PARTE%20II.%20.htm#51.%20CORO%20E%20NAVE

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