LITURGIA GERAL: OS VASOS LITÚRGICOS

LITURGIA - os santos sinais

LITURGIA GERAL

CAPÍTULO III 

§ 60. OS VASOS LITÚRGICOS

232.    1. O santo cálix (Calix sanctus. Ordo rom. III n. 16). Entre os vasos litúrgicos o mais antigo e mais santo é o cálice. Desde o dia, em que Nosso Senhor o usou pela primeira vez para o sacrifício da missa, sempre foi empregado no santo sacrifício, excluindo-se qualquer outro vaso. Por isso os antigos (liturgia galicana) chamaram a quinta-feira santa natalis calicis, quia tune calix a profano uso ad sacrum Christo auctore translatus est.

1) Matéria.

a) No decorrer dos séculos tem havido cálices de madeira, mármore, barro, bronze, chifre, âmbar, vidro, marfim, estanho, chumbo, cobre, prata e ouro.

b) Nos primeiros séculos os cálices de vidro eram freqüentes, por serem baratos. Pois refere S. Irineu (Adv. haer. 1, 13) que o povo podia distinguir de longe a cor do vinho consagrado pelo herege Marco. Porém neste tempo existiam já cálices de ouro, os quais no século V se tornaram bastante freqüentes, ao lado de outros de matéria barata. O sínodo de Tibur (895) proibiu oferecer o santo sacrifício em cálices de madeira.

c) A lei eclesiástica exige para o cálix ouro e prata, ou ao menos a copa de prata dourada no interior (Rub. Miss. II, 1 n. 1). Por motivo de pobreza ou outra necessidade, admite-se também o estanho (Rub. Miss. III, 10, 1) e bronze de alumínio. (Pius IX, 9. 12. 1866; Cappello, de sacr. n.° 798.)

233.   2) A forma.

a) essencial. Certas partes não faltam em nenhum cálix: a copa, que contém o SS. Sangue, o nó para se pegar e o pé.

b) a forma acidental. Antigamente, até ao século XIII, havia cálices com asas, ao lado de outros sem asas. Esta forma era a mais usada. Com as várias épocas da arquitetura mudou a construção do cálix. A forma romana tem a copa hemisférica, a gótica a copa cônica ou semelhante a uma pêra, o barroco tem a forma bojuda.

c) já no século II e III distinguia-se bem o cálix profano do cálix litúrgico, o qual era enfeitado com imagens (bom pastor), pintadas, esmaltadas e gravadas, e pedras preciosas.

234.   3) Uso. Distinguiam-se:

a) calix sanctus, stationarius para a missa;

b) o calix maior ou ministerialis, em que estava o SS. Sangue para a comunhão dos fiéis;

c) o calix offertorii ou scyphus, em que os acólitos reuniam o vinho oferecido pelos fiéis;

d) o calix baptismalis, em que se ministrava leite e mel para o batizados (daí o Introito Fer. III post. Pascha: “Introduxit vos Dominus in terram fluentem lac et mel, all.”);

e) o calix viaticus, para a viagem;

f) o cálix para a sepultura dos bispos e sacerdotes, de ordinário de estanho, chumbo, madeira, cera, mas também de ouro.

235.   4) Complementos do cálix.

a) A caninha (fistula), com que os fiéis bebiam o SS. Sangue do cálix; ainda é usada na missa papal solene.

b) A patena (grego: patané = bacia) é inseparável do cálix; é tão antiga como o cálix e da mesma matéria que ele. Antigamente era muito maior, porque as hóstias eram maiores e se deviam partir sobre ela. Conhece-se uma patena de 25-30 libras (c. 12 k).

236.   5) Consagração e execração.

O cálix da missa deve ser consagrado pelo bispo, como é costume desde o VI-VII século. Um cálix, empregado bona fide para a celebração da missa, não fica por isso consagrado. (Cân. 1147, § 1.)

O cálix é execrado:

1. se perdeu a primitiva forma;

2. se foi aproveitado para fins indecorosos ou posto à venda. (Cân. 1305, § 1; 2.)

Execrado é o cálix que tem uma fenda no fundo, que foi quebrado em duas partes, a não ser que tenha sido construído para desarmar. Sendo gastada a douradura é obrigação grave dourá-lo de novo, mas a nova consagração omite-se.

237.   6) Simbolismo.

O cálix com a patena é o símbolo do sepulcro do divino Redentor (Pontif. Rom.) Daí a cerimônia, aliás inexplicável, que se faz na quinta-feira santa: a hóstia que deve ser conservada para a sexta-feira santa se põe no cálix, cobre-se com a pala e coloca-se por cima a patena. Primeiro se põe a pala, que significa o lençol envolvendo o santo corpo do Senhor, depois a patena, i. é, a pedra do sepulcro.

O cálix de ouro representa (Durandus I c. 3 n° 45) os tesouros de sabedoria escondidos em Jesus Cristo, e por isso também o amor diviuo: diligentes me diligo (Prov. 8, 17), e o amor do Coração divino. A abertura do cálix simboliza a chaga aberta neste santo Coração, do qual sai o divino sangue que se bebe, ut ditem diligentes me. (Prov. 8, 21.)

A patena significa a cruz (Durandus IV, c 30, n° 25), em que repousa o corpo de Nosso Senhor. A cruz que se costuma gravar rente a uma das bordas, além de ter um fim prático, lembra acertadamente este mistério da paixão.

238.    7) Construção e conservação do cálix.

1) O artífice  tem plena liberdade nos seus desenhos. Existe, porém, um decreto S. R. C. (30.7.1922) prescrevendo “que os novos cálices não se afastem da forma usual, por causa do perigo de derramar o SS. Sangue e causar admiração.” (d. 4371.)

2) Para servir bem ao celebrante, o cálix tenha:

a) uma altura não inferior a 17 cm (altura conveniente) nem superior a 22 cm por causa do equilíbrio;

b) a copa nem muito larga nem muito bojuda em baixo e estreita em cima, nem com bordos muito grossos, mas sim finos, nem seja guarnecido com ornamentos até quase à borda;

c) o nó não tenha bordas cortantes, nem seja semeado de pontas agudas; sendo furado é difícil a limpeza.

d) o pé seja largo, pesado, munido de uma cruz, para indicar o lugar da copa, por onde se bebeu o SS. Sangue;

d) a patena a mais cômoda tendo a forma de um segmento esférico e uma cruz para saber o lado por onde pegá-la sem perigo de se perderem partículas eucarísticas;

e) o seu diâmetro exceda o da copa de 4 cm, sobressaindo por dois cm sobre a copa;

f) evite-se a umidade que estraga a douradura dos vasos sagrados, limpando-os bem e conservando-os num estojo ou pano mole;

g) não se usem meios fortes para limpá-los. O melhor é álcool em pano de lã com sabão ordinário ou benzina ou sumo de tomate.

239.   2. A píxide (ciborium, pyxis, tabernaculum) ou âmbula (ampulla) na forma moderna existe desde o século XIII.

1) História.

Nos séculos anteriores usava-se para conservar o SS. Sacramento uma cápsula redonda com tampa feita de metal, marfim ou madeira. Daí o nome. Cibório (ciborium) derivam uns de cibus, porque este vaso contém a comida celestial, outros de ciborium ou baldaquino que cobria o altar e em que muitas vezes estava suspenso o vaso com o SS. Sacramento. (Capello 2 , de sacr. n.° 395.)

2) Matéria.

Conforme o Ritual (IV, I, 5) e o Cân. 1270 pixide deve ser feita de matéria sólida e decente (sólida Ilecentique inateria).

a) Não se diz qual seja esta matéria. Convém que seja de ouro, prata, ou, se de estanho, cobre, seja dourada por dentro. (C. B. 212 § 2.) Não existe, porém, nenhuma obrigação a este respeito, porquanto nem o direito canônico, nem outra lei litúrgica qualquer o prescreve. (Cappello 1. c.)

A Carta Pastoral 1915; n.° 215, diz: “O SS. Sacramento se conserve em âmbula de ouro ou de prata, dourada ao menos no interior da copa, coberta sempre com o véu de seda apropriado, o mais rico que for possível e repousando sobre um corporal, em tabernáculo ou sacrário decente. Matéria decente não é nem ferro, nem chumbo, nem bronze, nem marfim. O vidro nem é matéria decente, nem sólida.” (d. 3511.)

240.    b) Deve ser fechada com a tampa coberta por um véu de seda branca (Rit. I. c.) Por isso não é suficiente cobri-la com a pala ou corporal senão por necessidade ou por breve tempo.

c) Deve ser benta (Rit. Miss. II, 3) pelo bispo ou sacerdote delegado. Contudo S. Afonso (n. 385) chama provável a opinião dos doutores que negam a necessidade da bênção, de sorte que, praticamente, um sacerdote que usasse uma píxide não benta (secluso contemptu) excluindo o caso de desprezo, não cometeria pecado. No tabernáculo, a pixide deve ser colocada sobre o corporal, conforme o costume. De verdadeira obrigação não consta (Cappello 1. c. n.” 396 sqq. C. P. supra). Deve ser benta com a mesma fórmula a pixide para levar a comunhão aos doentes. (Fórmula: tabernaculum Rit. VIII, c. 23.)

241.    3. Custódia (monstrantia, tabernaculum,- ostensorium).

a) A custódia foi introduzida no século XIV por ocasião da festa de Corpo de Deus. Além disso no século XV começou-se a fazer a exposição do SS. Sacramento no altar para a adoração pública.

No princípio levava-se o SS. Sacramento na procissão fechado na pixide, costume guardado por falta de custódia em alguns lugares até ao século XVII. Para tornar visível a S. Hóstia, aproveitavam- se os relicários em forma de torres, feitas para a exposição das relíquias; mais tarde deu-se a estes vasos de exposição a forma de altar, de sol radiante ou de uma outra forma artística. Prescrito é só que a custódia seja munida “de uma cruz” (d. 2957).

A Carta Pastoral (1915, App. VI, p. 466) prescreve: A custódia ou ostensório, em cuja sumidade deve haver cruz, há de ser de metal sólido, dourado ou prateado, o mais rico possível, com raios em redor do lugar da sagrada Hóstia, deixando-a bem visível (d. 2957).

242.   b) A luneta, em que se põe a S. Hóstia na custódia, deve ser de ouro ou de prata dourada, benta pelo bispo ou por um sacerdote expressamente delegado. Pode ter a forma de um crescente, com uma abertura, em que entra a S. Hóstia; ou de lua ou circunferência, com dois cristais bem transparentes, separados completamente por um círculo de ouro ou de prata dourada, sobre o qual descansa a S. Hóstia; pois os, vidros não devem tocar nela. (d. 3974. C. P. L. A., n.° 373.)

243.   c) para consagrar a hóstia grande, embora esteja bem visível entre os vidros, deve-se abrir a luneta (d. 3524 ad li ) . Mas não deixaria de ser válida a consagração, se o sacerdote se esquecesse de abri-la.

Para conservar a Hóstia grande que deve ser removida de oito em oito dias (C. E. I, VI, 2. C. P. L. A. n.° 370), há vários modos: se a custódia couber no sacrário, lá poderá ficar (De Herdt); se não couber, o que parece ser o mais ordinário, coloca-se só a luneta no sacrário. Se a luneta tem vidros, é simplesmente colocada dentro do sacrário (d. 3974). Sendo um crescente, é melhor guardar esta Hóstia com o crescente numa âmbula especial.

244. 4. As galhetas são mencionadas pela primeira vez no século V em statuta ecclesice antiqua. (Denzinger n.° 153. 154.) Lá se prescreve que o subdiácono receba uma galheta com água, o acólito uma galheta vazia para levar o vinho para a missa: “Urceolum vacuum ad suggerendum vinum in cucharistiam sanguinis Christi”.

Esta fórmula, acrescentando só: vinum “et aquam”, é ainda unida, embora o bispo entregue ao novo acólito uma galheta só. Como se explica essa dissonância? O acólito mais tarde foi encarregado de levar também a água para o altar, e por isso a forma foi mudada em vinum et aguara. A rúbrica, porém, não foi mudada e  prescreve ainda hoje: entregar uma só galheta ao ordenando. (Pontif.)

As galhetas devem ser de vidro (Rit. Miss. XX). Tolera-se o costume de se servir de galhetas de ouro e prata. (d. 3149.) Prescrito é o prato em que são colocadas as galhetas.

Fonte: http://www.derradeirasgracas.com/4.%20CURSO%20DE%20LITURGIA%20-%20Pe.%20Reus/LITURGIA%20-%20PARTE%20II.%20.htm#60.%20OS%20VASOS%20LITÚRGICOS

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