A BOLA (Legendado)

julho 8, 2009

LITURGIA GERAL: O TEMPO SACRO.

julho 8, 2009

LITURGIA - os santos sinais

LITURGIA GERAL

CAPITULO IV.

O TEMPO SACRO

 § 61. A ANO ECLESIÁSTICO EM GERAL

245.   Servir a Deus não é só obrigação do indivíduo, mas também da comunidade. A veneração comum, porém, da divina Majestade supõe nos membros desta comunidade o conhecimento de uma hora fixa para o culto, e de um tempo determinado para certas funções cultuais. A esta exigência corresponde o ano eclesiástico.

1. Definição. Materialmente o ano eclesiástico é uma sucessão de 365 ou 366 dias. É formado à semelhança do ano civil, composto de 52 ou 53 semanas.

Liturgicamente, em sentido lato, designa os 52 domingos, cada qual com a sua semana (p. ex., Fer. 2 infra Dom. 8 post Pent.) e com as festas ocorrentes. Nesta acepção também o antigo testamento possuía ano litúrgico. Mas o novo testamento tem algo mais: a significação mística.

Misticamente, o ano eclesiástico é a repetição da vida de Cristo, baseada na celebração dos mistérios principais do divino Redentor. Portanto, o ano litúrgico em sentido estrito é o ano solar repetindo a vida de Jesus Cristo pelos tempos santos.

246.    2. História. O ponto de partida do ano litúrgico se acha no santo sacrifício da missa, em que “a obra da nossa redenção se celebra”. Pois nele se renovam as obras principais desta redenção: a paixão, a ressurreição e a glorificação.

A formação do ano litúrgico, na qualidade de tempo sacro, deve-se atribuir à comemoração da obra da redenção em dias determinados. Tais eram os domingos e as festas de páscoa e pentecostes. Cada domingo (dies dominica) é dia de Nosso Senhor e lembra a sua ressurreição. Deste feito todo o ano litúrgico possui um caráter cristocêntrico e eucarístico. Aperfeiçoou-se pelo aumento sucessivo das festas; no século VII-VIII tinha a forma de hoje. Testemunha-o o sacramentário gregoriano, discrepando só no fato de contar 5 domingos do advento em lugar de 4. O jejum antes da páscoa havia já no II século, o qual pouco a pouco se estendeu.

247.    3. 0 costume de principiar o ano litúrgico com o advento começou no século XI, ocasionado quiçá pelos livros litúrgicos. Pois os antigos sacramentários trazem em primeiro lugar as missas do natal. Para tornar o uso destes livros mais cômodo, foi conveniente pôr as missas do advento antes da festa do natal. Assim fizeram em parte no século X, generalizando-se o costume no século XII. Tendo principiado o livro litúrgico com as missas do advento, a conseqüência foi dar início também ao ano eclesiástico pelo advento. Foi o que fizeram os liturgistas, entre eles já Beletho.

Na idade média havia vários modos de começar o ano: no dia do natal (25 de dezembro), 1° de janeiro, 1° de março, 25 de março, sábado santo, páscoa. Apesar de existirem os elementos do ano litúrgico, o nome “ano eclesiástico” ocorre pela primeira vez em 1589.

248.    4. A divisão do ano litúrgico em 3 ciclos é ainda mais nova do que o princípio dele com o advento. O ciclo do natal e o da páscoa são geralmente admitidos; não o é, porém, igualmente o ciclo de pentecostes. Afirmam alguns que nem pela história nem pela matéria se pode justificar este último. Mas deve-se distinguir. Se se toma o terceiro ciclo significando a terceira parte do ano eclesiástico sob o nome de “pentecostes”, então este terceiro ciclo é inadmissível, por não ter nada com pentecostes, a não ser o nome dos domingos. Se, porém, se estabelece o terceiro ciclo com o nome de “Cristo Rei”, então há razões suficientes para o admitir. (n. 425.)

 § 62. A SEMANA

 O DOMINGO

249.    A semana cristã é a continuação da semana israelítica. Mas o sábado, como dia do culto divino, foi substituído pelo domingo.

1. Os primeiros cristãos estavam acostumados a guardar o sábado, o último dia da semana. Depois de acabar este dia (mais ou menos às 6 horas da tarde), celebravam o santo mistério da missa e comunhão no primeiro dia da semana. Assim sabemos que S. Paulo reuniu os cristãos de Trôade para partir o pão eucarístico una sabbati, “no primeiro dia depois do sábado”. Em Corinto (1 Cor 16, 2) os cristãos se reuniram pela primeira vez per unam sabbati. No Apocalipse de S. João (1, 10) este dia pela primeira vez é chamado: dia do Senhor (dies dominica, domingo).

Em breve o domingo foi recebido pelo uso geral, a ponto de ficarem as seitas mais antigas, p. ex., os ebionitas, com o domingo ao lado do sábado, ao qual deram preferência. O domingo foi chamado também dies solis, o dia do sol, pois que Jesus Cristo é o verdadeiro sol de justiça e santidade.

250.    2. A Igreja tem o poder de substituir o sábado pelo domingo. Pois Jesus Cristo aboliu as leis cerimoniais do antigo testamento pela sua morte. Por isso, avisa S. Paulo os cristãos perseguidos por não observarem as leis cerimoniais judaicas (Col 2, 16) que não se importassem com as festas da lua nova ou do sábado. Pois tudo isso era figura do futuro, que se achava cumprido em Jesus Cristo e por conseguinte não tinha mais força obrigatória.

251.    3. Motivos para celebrar o domingo.

1) A ressurreição de Jesus Cristo no primeiro dia da semana, mistério fundamental da fé cristã. Por isso nos domingos se recita o Sl 117, que traz as palavras da antífona pascoal: “Heec dies quam fecit dominus: exsultemus et lwtemur in ea.” O Senhor mesmo aplicou estas palavras à sua ressurreição (Mt 21, 42): “Nunquam legistis in scripturis: a domino factum est istud et est mirabile in oculis nostris?” São Pedro alude ao mesmo salmo. (At 4, 11; 1 Ped 2, 7.) Por isso, as antífonas das Laudes e Horas menores vêm acompanhadas de 1 ou 3 aleluias como no tempo pascal; não se jejua nem se reza de joelhos, p. ex., as antífonas marianas, o anjo do Senhor. S. Agostinho explica este costume, dizendo (Ep. 55, 28): Stantes oramus, quod est signum resurrectionis.

2) O dia da criação do mundo. Lembrança disso há nas vésperas: Lucis Creator optime.

3) O dia dá descida do Espírito Santo. Por isso o domingo era “o dia da Liturgia” e o tipo de todas as festas, que durante o ano eclesiástico se celebravam com vigília e descanso dominical. (Piacenza, Reg. p. 29.)

252.    Sendo comemoradas assim as três Pessoas divinas no domingo, foi ele considerado como dedicado à SS. Trindade. Fala deste santo mistério o hino das matinas: “Primo die quo Trinitas Beata mundum condidit”; o responsório 8 com o Sanctus, Sanctus, Sanctus, o símbolo Quicumque, o prefácio da SS. Trindade.

Mas o domingo não foi igualmente por toda parte considerado primeiro dia da semana. Em vários países era o último dia da semana, porquanto esta começava pela segunda-feira. Pela legislação eclesiástica e civil o domingo se tornou dia de descanso no sentido cristão desde o século IV. Assistir à missa nos domingos tornou-se obrigação para todos os adultos desde o princípio do século IV. (Sínodo de Elvira, 306.)

Fonte: http://www.derradeirasgracas.com/4.%20CURSO%20DE%20LITURGIA%20-%20Pe.%20Reus/LITURGIA%20-%20PARTE%20III.%20.htm#61.%20A%20ANO%20ECLESIÁSTICO%20EM%20GERAL