MARCIO MENDES – VENCENDO AFLICOES ALCANCANDO MILAGRES.

setembro 30, 2009

A CONFISSÃO: CONFESSAI-VOS BEM – Parte VII

setembro 30, 2009

confissão

O SACRAMENTO DA CONFISSÃO.

CONFESSAI-VOS BEM !!!

Parte VII.

Segredo inviolável

D. — Padre, será que alguma vez não acontece que o confessor conte algum pecado ouvido na confissão?

M.Absolutamente nunca! Um tríplice segredo fecha-lhe a boca; nisto entra a vontade de Deus que não permite que se cometam faltas no que diz respeito a este capítulo. De fato, a confissão existe há mil e novecentos anos, e nunca aconteceu que um confessor, por nenhum motivo, tenha divulgado um único pecado ouvido na confissão.

Martinho Lutero que era um frade zeloso, renegou a sua fé, fez-se protestante, tornou-se inimigo da igreja falou e escreveu contra a Igreja calúnias infâmias sem fim, mas nunca, nem uma vez sequer, falou de coisas ouvidas na confissão.

Um dia, achava-se ele numa estalagem com alguns amigos, estes, vendo-o meio embriagado, tiveram a idéia de interrogá-lo, justamente a esse respeito. Antes nunca o tivessem feito! Lutero, de um momento para o outro, ficou furioso, e, agarrando uma garrafa, teria quebrado a cabeça daqueles malvados se eles, mais do que depressa, não tivessem fugido. O segredo da confissão é inviolável, mesmo diante da morte.

D. — Até diante da morte?!

M.Certamente! Eis aqui um dos mil fatos que eu poderia citar como prova:

Justamente durante a quaresma de 1873, um missionário famoso pregava com grande sucesso numa das principais Igrejas de Paris. No meio da multidão enorme que acorria para ouvi-lo, havia também alguns incrédulos, os quais, tendo-o ouvido falar sobre a in­violabilidade da confissão, quiseram fazer uma experiência. Depois de terem combinado o plano, um deles se finge de doente e outros dois procuram o sacerdote e o convidam para acudir junto ao leito do enfermo.

O missionário de Deus, concorda de pronto, e acompanha os dois homens que, fazendo-o entrar num carro fechado, vendam-lhe os olhos; depois de uma meia hora de corrida, fazem-no descer na frente de um palacete, e subindo por uma escada o introduzem em um apartamento junto a cabeceira de um homem que se confessa realmente. Acabada a confissão, voltam os dois companheiros e o fazem descer por escadas até um subterrâneo, onde lhe tiram a venda e apontando-lhe duas pistolas carregadas o intimam a referir o que ouvira na confissão.

Muito calmo o Missionário responde:

Os senhores, talvez, não sabem que a confissão é um segredo?

confissão 3 

“Um tríplice segredo fecha-lhe a boca”

— Deixe de desculpas! Aqui ninguém nos vê, ninguém nos ouve; fale ou morrerá.

Se assim é, estou em suas mãos, disparem à vontade, e que Deus seja testemunha do meu dever. Assim dizendo, ajoelha-se, desabotoa a batina, e apresenta o peito às balas.

Nesse ponto a cena se transforma, os dois homens erguem-no, pedem-lhe perdão pela dura prova a que o submeteram e acrescentam: “Agora nós também acreditamos na confissão e, dentro em pouco, estaremos de joelhos no confessionário”.

Vendaram-lhe novamente os olhos e o reconduziram de carro até à casa, renovando as desculpas e promessas, que depois foram mantidas.

D. — Padre, todo o sacerdote, num caso desses, seria obrigado a fazer o mesmo?

M.Certamente! E Deus não deixaria de dar-lhe a graça e a força necessárias, não faltam mártires do sigilo sacramental. Ouça:

São João Nepomucemo era confessor da rainha Joana, mulher de Venceslau, rei da Boêmia. Este por causa de injustas suspeitas motivadas pelo ciúme, pretendia que João referisse as culpas da rainha, ouvidas em confissão. Como o Santo se opôs com inabalável resistência, o rei impiedoso mandou que o trancassem numa prisão, onde seria tratado com barbaridade extrema.

Finalmente, chamando-o à sua presença, depois de novas promessas e ameaças ainda mais terríveis, ordenou que o costurassem num saco de couro, fechado por uma corda, na extremidade da qual deviam amarrar uma pedra pesadíssima, e que o jogassem ao rio Moldava. Queria que lá em baixo, no fundo do rio o padre morresse e apodrecesse, escondido de todos.

Mas oh! prodígio!… Naquela mesma noite o saco flutuava levemente sobre as ondas, escoltado por uma luz vivíssima e uma harmonia suave como vozes de anjos acompanhava­o. Depois de tirado das águas, enterraram-no com pompa e solenidade. E quando, em 1729, quase quatrocentos anos mais tarde, foi proclamado santo, a sua língua estava intacta, e fresquíssima, como se fosse um prêmio do seu silêncio.

Foi então que São João Nepomucemo foi chamado “o mártir do segredo da confissão”.

Não faz muito tempo que, pelos jornais da Rússia, se espalhava a notícia de um vigário condenado aos trabalhos forçados, como assassino de um rendeiro do lugarejo. O seu fuzil descarregado, encontrado na sacristia, atestava o crime. Passaram-se vinte anos: o organista da paróquia está à morte; chama o juiz e confessa que ele mesmo matara o infeliz rendeiro para casar com a viúva, o que de fato se dera.

Tinha acusado o Vigário, e para provar-lhe a culpabilidade tinha posto o fuzil na sacristia. Como meio seguro de impedir que o Padre falasse, tinha-se confessado com ele, contando-lhe tudo o que fizera. Diante disso, as autoridades telegrafaram sem demora a Petersburgo, ordenando que o Vigário Kobjlowes fosse posto em liberdade imediatamente. Responderam que o Vigário tinha morrido havia já alguns meses. O heróico padre tinha carregado à sepultura o segredo da confissão, porque o Confessor pode ser um mártir, mas nunca será um traidor. E agora, você está bem convencido do grande segredo da confissão?

D. — Estou convencidíssimo! Mas esse segredo dura, porém até à morte do penitente; depois, não há mais obrigação?

M. O segredo perdura sempre, estando o penitente em vida e depois da sua morte; é eterno, assim como Deus é eterno. Isto deve inspirar-nos coragem e confiança absolutas, sem limites, de confessar sinceramente os nossos pecados, desde que podemos estar certos de que eles ficarão sepultados num silêncio eterno. Se pelo contrário, nos deixarmos levar por um pudor mal compreendido a escondê-los e a calá-los diante do confessor, serão um dia manifestados diante de todo o mundo no juízo universal, contra a nossa vontade, para a nossa vergonha e para a nossa ruína irreparável. Sinceridade, portanto, sinceridade!

D. — Então, Padre, procede mal quem diz: eu não ouso confessar os meus pecados, porque tenho medo de que o Confessor os conte a terceiros?

M. Quem fala assim, mente a si mesmo e lança contra os confessores a mais infame das calúnias.

D. — Mais uma pergunta: não pode o confessor servir-se em seu próprio favor, das coisas ouvidas na confissão?

M. Não, não pode, não deve fazê-lo absolutamente, e jamais o fará. Pelo contrário, se acontecer que o confessor venha a saber na confissão de uma culpa que já conhecia anteriormente ou por tê-la visto ou porque lhe tenha sido referida, nunca mais fala, nela, justamente para que não pensem que ele se serviu da confissão e que violou o segredo. Eis até a que ponto chega o sigilo sacramental.

Fonte: http://www.derradeirasgracas.com/3.%20Vários%20Assuntos/CONFESSAI%20VOS%20BEM/Confessai-vos%20bem%20%20-%20Parte%20VII..htm

 


Sou um milagre AO VIVO – DVD Louvor e Glória 10 anos!

setembro 29, 2009

Esse vídeo que postamos abaixo, gostariamos de dedicá-lo, em especial, ao nosso irmão Jorge Lapa que criou esse blog. Que Deus te ilumine sempre. abraços e PAZ E BEM.


JUNTOS PELA VIDA

setembro 29, 2009

JUNTOS PELA VIDA

Vida Positiva – Matéria publicada no Jornal Correio Braziliense do dia 19/09/09

 

Duas crianças portadoras do HIV encontraram na amizade uma arma na luta contra a doença Unidas pela dor e pela esperança, Ana e Davi protagonizam a mais comovente história de solidariedade e afeto. A vida delas é a prova de que a bondade do ser humano ainda pode triunfar
Marcelo Abreu
Publicação: 19/09/2009 09:27 Atualização: 19/09/2009 13:56
ana e davi 1 

Ana, 5 anos, e Davi, 7: de fictícios, somente os nomes. A dura realidade os aproximou e constrói, dia a dia, uma vida marcada por respeito e cumplicidade

 
Há um mês, um anjo entrou naquela casa com cheiro de alfazema e paredes pintadas de verde, azul e laranja. Mudou a rotina de toda aquela gente. Não, não é uma história de faz de conta nem de fadas encantadas.

Aliás, esta história nada tem de mentirinha. É feita de dor, lágrimas, preconceito, quase fim, renascimento e uma esperança infindável. O anjo que chegou àquele lugar tem 7 anos, não anda, não fala, não enxerga. Mas escuta bem. É o sentido que o mantém ligado ao mundo. Que o faz sorrir. E o que o encanta.

Foi assim que ele encantou, de cara, uma outra “anjinha”. Ela tem 5 anos, é esperta, inteligente, linda, da pele cor de canela, cabelos em cachos e um sorriso arrasador de menina sapeca. Chamaremos o menino de Davi. E a menina, de Ana. Na verdade, eles poderiam ter o nome que quisessem.

Há 30 dias, os dois não se largam. Ela, embora mais nova, fisicamente é bem maior que ele. Cuida do amigo como se fosse mãe. Aconchega-o. Pega-o no colo. Abraça-o e o protege. Confidencia segredos que só os dois entendem. Coloca o fone no ouvido do amigo e pede que ele escute alguma música. Ele sorri. Ela o adotou. Basta ouvir a voz dela e ele se enche de felicidade. Reconhece-a de longe. Nunca houve, desde que aquele lugar foi inaugurado, uma história como esta que os dois têm protagonizado.

Ana mora em Taguatinga Norte, na Vida Positiva. Davi passa o dia ali, em regime de creche. À tarde volta pra casa, em Samambaia. Ana e Davi têm Aids. Ela nasceu contaminada pela mãe, que morreu aos 32 anos tempos depois. Ele também adquiriu o vírus na transmissão vertical. A mãe dele igualmente resistiu aos ataques do maldito vírus. Hoje, usando o coquetel, tem esbanjado saúde.

Ana quase morreu nos primeiros meses de vida. Médicos chegaram a dizer que ela não resistiria. Se escapasse, nunca andaria. E provavelmente viveria uma vida pela metade. Falaram em fase terminal. Às vezes, essa gente de jaleco branco erra. A menina linda da cor de canela driblou todas as infecções oportunistas que a atacaram. Sobreviveu. Hoje, seus exames, tanto o de carga viral (que mede a quantidade do vírus no sangue), como o CD4 (indicador das condições imunológicas do paciente, ou seja, a contagem das células de defesa) estão muito além do esperado. O vírus HIV se tornou indetectável no seu corpo. Ela aprendeu a jogar futebol e basquete. E ama pular corda.

 Apaixonada
Ana nunca esteve tão bem. Vende saúde. Os exames de Davi não estão ruins, mas podem melhorar. O vírus do HIV ainda é identificável no seu sangue. E o CD4 ainda não atingiu os índices esperados. Mesmo esbanjando saúde, Ana toma medicação todos os dias. Ele também. Forte, ela se sentiu protetora dele. Ampara-o quando percebe que ele pode cair. Levanta-o quando ele cai. Ele a escuta pular corda e vibra. Sem enxergar, sentado no chão, tenta bater palmas. Joga-lhe beijo levando a mãozinha até a própria boca.

Maria, irmã de Ana, tem 4 anos. Escapou do vírus da Aids porque a mãe fez tratamento com AZT durante a gravidez. No parto, houve todo o preparo para que não contaminasse a filha. Maria é uma rocha. Fala pelos cotovelos e tem uma inteligência acima da média. Gaiata, diz sem cerimônia ao visitante: “Você sabia que a Ana é apaixonada pelo Davi?” Ana retruca: “É mentira. Ele é meu amigo”. Maria fuxica, baixinho: “Ele não anda nem fala”. Mais uma vez, Ana intervém e defende o amigo: “Ele fala, sim. Eu falo e ele escuta”.

Emocionada, Vicky Tavares, 60 anos, presidente da instituição, admite: “Ele (Davi) mudou toda a rotina desta casa. É uma das crianças mais felizes, mesmo com todas as limitações, que já vi na minha vida. Trouxe paz pra todos nós”. Deise Carvalho, 26, supervisora, emenda: “Com a chegada dele, as crianças melhoraram muito. Ficaram mais calmas, mais alegres também. Foi um sopro de esperança pra nossa instituição”.

Enquanto isso, sentados no sofá, Ana coloca o fone de ouvido de um celular em Davi. Ele “viaja” na música. É, de fato, a coisa de que mais gosta. Ele sorri pra ela. Ela passa a mão no rosto dele. Ajeita o aparelho. Quer ter a certeza de que ele escuta. E, por ele, também se alegra. Vicky deduz: “Ela virou mãe dele. Assumiu esse papel direitinho”.

ana e davi 2
 
Vida partida

Davi tem um irmão mais velho, de 9 anos, também portador do HIV. A mãe, hoje com 30 anos, só descobriu que ela e os dois filhos eram soropositivos quando Davi, ainda bebê, começou a adoecer. Um exame de sangue revelou o que ela nunca imaginara. Se o filho tinha o vírus, ela também o teria. Chorou tudo que pôde. Rezou para que os filhos não morressem. O mais velho, de tão saudável, nem começou a terapia com os retrovirais. Davi não teve a mesma sorte. Nasceu com uma atrofia cerebral. E viu, dia a dia, a morte de aproximar. Religiosa, Rosa (nome fictício), a mãe, implorou a Deus para que o filho sobrevivesse.

No meio do processo da luta pela vida do filho mais novo, ela também adoeceu. Viu a própria morte. Tirou força de onde não imaginava. Seguiu todas as recomendações médicas. Fortaleceu-se. E decidiu que salvaria seu filho. Salvou-o. Um dia, chegou à Vida Positiva. Vicky Tavares passou a ajudá-la com cestas básicas e alguma medicação.

Há um mês, pediu que o filho fosse aceito ali em sistema de creche. Vicky não teve como lhe dizer não. Rosa matriculou-se num curso de panificação, depois de perder o emprego como operadora de caixa em um supermercado. O atual marido, auxiliar de mecânico, que não é portador do HIV, assumiu os filhos da mulher como se pai fosse. Ela se casou de noiva. Realizou o maior sonho de sua vida.

E foi ali, na Vida Positiva, que um dia Davi chegou. Veio de mansinho, sem falar, sem andar, sem enxergar. Inundou sorrateiramente o coração da linda Ana, que o adotou como se mãe pudesse ser. Maria, a irmãzinha dela, um toquinho de gente, insiste em fuxicar de novo: “Ela gosta dele de namoro”. Ana sorri. Empresta seus olhos para que Davi enxergue a vida por eles. Conta-lhe o que vê. Fala do passarinho. Segura na mão dele com ternura que molha os olhos de quem assiste à cena. É absolutamente comovente ver tamanha cumplicidade e dedicação de uma gente tão miudinha.

Na hora em que Davi vai embora nos braços da mãe (ela o carrega dentro de um ônibus lotado até Samambaia), Ana o acompanha até o portão. Beija-o no rosto mais uma vez e silencia. Ela sabe que amanhã ele voltará. A dor uniu essas duas crianças. O HIV que circula no sangue de ambos? Nem lembram que o vírus maldito existe. Sábios, resolveram ignorá-lo. Ana e Davi decidiram que querem apenas viver. Esta história é feita de uma delicadeza ímpar. Contá-la é como acreditar que o ser humano ainda é verdadeiramente bom.

Lar especial

A casa é uma instituição para crianças e adolescentes que vivem e convivem com o vírus HIV. Elas chegam ali encaminhadas pela Vara da Infância e da Juventude. Hoje, 18 crianças ocupam a casa e vivem sob os cuidados de 15 funcionários. Algumas moram ali em tempo integral, em sistema de abrigamento. Outras, em horário de creche. O lugar é mantido exclusivamente pela doação de voluntários.
Por uma causa / A Vida Positiva está sempre aberta à visitação. QNC 3, casa 16, Taguatinga Norte. Contato: 3034-0948 – Site: www.vidapositiva.org.br Davi precisa de fraldas descartáveis, roupas e um andador.

Qualquer ajuda é bem-vinda. Caixa Econômica Federal – Agência: 1041. conta corrente: 385-0


Tocando o céu

setembro 28, 2009

OUTONOS E PRIMAVERAS

setembro 28, 2009

primavera

Outonos e primaveras…

A arte das sementes de morrer em silêncio

Primavera é tempo de ressurreição. A vida cumpre o ofício de florescer ao seu tempo. O que hoje está revestido de cores precisou passar pelo silêncio das sombras. A vida não é por acaso. Ela é fruto do processo que a encaminha sem pressa e sem atropelos a um destino que não finda, porque é ciclo que a faz continuar em insondáveis movimentos de vida e morte. O florido sobre a terra não é acontecimento sem precedências. Antes da flor, a morte da semente, o suspiro dissonante de quem se desprende do que é para ser revestido de outras grandezas. O que hoje vejo e reconheço belo é apenas uma parte do processo. O que eu não pude ver é o que sustenta a beleza.

A arte de morrer em silêncio é atributo que pertence às sementes. A dureza do chão não permite que os nossos olhos alcancem o acontecimento. Antes de ser flor, a primavera é chão escuro de sombras, vida se entregando ao dialético movimento de uma morte anunciada, cumprida em partes.

A primavera só pode ser o que é porque o outono a embalou em seus braços. Outono é o tempo em que as sementes deitam sobre a terra seus destinos de fecundidade. É o tempo em que à morte se entregam, esperançosas de ressurreição. Outono é a maternidade das floradas, dos cantos das cigarras e dos assovios dos ventos. Outono é a preparação das aquarelas, dos trabalhos silenciosos que não causam alardes, mas, que, mais tarde, serão fundamentais para o sustento da beleza que há de vir.

São as estações do tempo. São as estações da vida.

Há em nossos dias uma infinidade de cenas que podemos reconhecer a partir da mística dos outonos e das primaveras. Também nós cumprimos em nossa carne humana os mesmos destinos. Destino de morrer em pequenas partes, mediante sacrifícios que nos fazem abraçar o silêncio das sombras…

Destino de florescer costurados em cores, alçados por alegrias que nos caem do céu, quando menos esperadas, anunciando que, depois de outonos, a vida sempre nos reserva primaveras…

Floresçamos.

 padre fabioPadre Fábio de Melo

Padre Fábio de Melo é professor no curso de teologia, cantor, compositor, escritor e apresentador do programa “Direção espiritual” na TV Canção Nova.

Fonte: http://www.cancaonova.com/portal/canais/formacao/internas.php?e=11609


TRÊS CONSELHOS

setembro 27, 2009

três conselhos

TRÊS CONSELHOS

Um casal de jovens recém-casados, era muito pobre e vivia de favores num sitio do interior.
Um dia, o marido fez a seguinte proposta a esposa:
– Querida, eu vou sair de casa, vou viajar para bem longe, arrumar um emprego e trabalhar até ter condições para voltar e dar-te uma vida mais digna e confortável. Não sei quanto tempo vou ficar longe, só peço uma coisa, que você me espere e, enquanto estiver fora, seja fiel a mim, pois eu serei fiel a você.
Assim sendo, o jovem saiu. Andou muitos dias a pé, até que encontrou um
fazendeiro que estava precisando de alguém para ajudá-lo em sua fazenda.
O jovem chegou e ofereceu-se para trabalhar, no que foi aceito.
Pediu para fazer um pacto com o patrão, o que também foi aceito.
O pacto seria o seguinte:
– Me deixe trabalhar pelo tempo que eu quiser e quando eu achar que devo ir, o Senhor me dispensa das minhas obrigações. Eu não quero receber o meu salário. Peço que o Senhor o coloque na poupança, até o dia em que eu for embora. No dia em que eu sair o Senhor me dá o dinheiro e eu sigo o meu caminho. Tudo combinado.
Aquele jovem trabalhou durante vinte anos, sem férias e sem descanso.
Depois de vinte anos, chegou para o patrão e disse:
– Patrão, eu quero o meu dinheiro, pois estou voltando para a minha casa.
O patrão então lhe respondeu:
– Tudo bem, afinal, fizemos um pacto e vou cumpri-lo, só que antes, quero lhe fazer uma proposta, tudo bem?
Eu lhe dou todo o seu dinheiro e você vai embora, ou eu lhe dou três conselhos e não lhe dou o dinheiro e você vai embora. Se eu lhe der o dinheiro eu não lhe dou os conselhos e se eu lhe der os conselhos eu não lhe dou o dinheiro. Vá para o seu quarto, pense e depois me de a resposta.
Ele pensou durante dois dias, procurou o patrão e disse-lhe:
– Quero os três conselhos.
O patrão novamente frisou:
– Se lhe der os conselhos, não lhe dou o dinheiro.
E o empregado respondeu:
– Quero os conselhos.
O patrão então lhe falou:

01) Nunca tome atalhos em sua vida, caminhos mais curtos e desconhecidos podem custar a sua vida;
02) Nunca seja curioso para aquilo que é mal, pois a curiosidade para omal pode ser mortal;
03) Nunca tome decisões em momentos de ódio ou de dor, pois você pode se arrepender e ser tarde demais.

Após dar os conselhos, o patrão disse ao rapaz, que já não era tão jovem assim:
– Aqui você tem três pães, dois para você comer durante a viagem e o terceiro é para comer com sua esposa quando chegar a sua casa.
O homem então, seguiu seu caminho de volta, depois de vinte anos longe de casa e da esposa que ele tanto amava.
Após o primeiro dia de viagem, encontrou um andarilho que o cumprimentou e
lhe perguntou:
– Pra onde você vai?
Ele respondeu:
– Vou para um lugar muito distante que fica a mais de vinte dias de caminhada por esta estrada.
O andarilho disse-lhe então:
– Rapaz, este caminho é muito longo, eu conheço um atalho que “é dez” e você chega em poucos dias.
O rapaz contente, começou a seguir pelo atalho, quando lembrou-se do primeiro conselho, então voltou e seguiu o caminho normal. Dias depois, soube que o atalho levava a uma emboscada.
Depois de alguns dias de viagem, cansado ao extremo, achou uma pensão à beira da estrada, onde pôde hospedar-se. Pagou a diária e após tomar um banho deitou-se para dormir. De madrugada, acordou assustado com um grito estarrecedor. Levantou-se de um salto só e dirigiu-se à porta para ir até o local do grito. Quando estava abrindo a porta, lembrou-se do segundo conselho.
Voltou, deitou-se e dormiu.
Ao amanhecer, após tomar o café, o dono da hospedagem lhe perguntou se ele não havia ouvido um grito e ele disse que tinha ouvido.
O hospedeiro disse:
– E você não ficou curioso?
Ele disse que não.
No que o hospedeiro respondeu:
– Você é o primeiro hóspede a sair vivo daqui, pois meu filho tem crises de loucura; grita durante a noite e quando o hospede sai, mata-o e enterra-o no quintal.
O rapaz prosseguiu na sua longa jornada, ansioso por chegar a sua casa.
Depois de muitos dias e noites de caminhadas, já ao entardecer, viu entre as árvores a fumaça de sua casinha, andou e logo viu entre os arbustos a silhueta de sua esposa.
Estava anoitecendo , mas ele pôde ver que ela não estava só.
Andou mais um pouco e viu que ela tinha entre as pernas, um homem a quem estava acariciando os cabelos. Quando viu aquela cena, seu coração se encheu de ódio e amargura e decidiu-se a correr de encontro aos dois e a matá-los sem piedade.
Respirou fundo, apressou os passos, quando lembrou-se do terceiro conselho.
Então parou, refletiu e decidiu dormir aquela noite ali mesmo e no dia seguinte tomar uma decisão.
Ao amanhecer, já com a cabeça fria ele disse:
– Não vou matar minha esposa e nem o seu amante. Vou voltar para o meu patrão e pedir que ele me aceite de volta. Só que antes, quero dizer a minha esposa que eu sempre fui fiel a ela.
Dirigiu-se à porta da casa e bateu.
Quando a esposa abre a porta e o reconhece, se atira ao seu pescoço e o abraça afetuosamente.
Ele tenta afastá-la, mas não consegue. Então, com lágrimas nos olhos, ele lhe diz:
– Eu fui fiel a você e você me traiu.
Ela espantada lhe responde:
– Como? Eu nunca te trai, esperei durante esses vinte anos!
Ele então lhe perguntou:
– E aquele homem que você estava acariciando ontem ao entardecer?
E ela lhe disse:
– Aquele homem é nosso filho. Quando você foi embora, descobri que estava grávida. Hoje ele está com vinte anos de idade.
Então o marido entrou, conheceu, abraçou seu filho e contou-lhes toda a sua historia, enquanto a esposa preparava o café.
Sentaram-se para tomá-lo e comer juntos o último pão. Após a oração de agradecimento, com lágrimas de emoção, ele parte o pão, e ao abri-lo, encontra todo o seu dinheiro, o pagamento por seus vinte anos de dedicação e trabalho.
Muitas vezes achamos que o atalho “queima etapas” e nos faz chegar mais rápido, o que nem sempre é verdade…
Muitas vezes somos curiosos, queremos saber de coisas que nem ao menos nos dizem respeito e que nada de bom nos acrescentará…
Outras vezes, agimos por impulso, na hora da raiva, e fatalmente nos arrependemos depois..

Fonte: http://www.cot.org.br/refletir.php?action=ver&id=31