LITURGIA GERAL: Artigo I – Ciclo de natal – O ADVENTO.

estudo da liturgia

LITURGIA GERAL

Artigo I. Ciclo de natal

 § 67. O ADVENTO

268.   1. Prioridade dos ciclos. A formação do ano litúrgico teve início pelas festas de páscoa e pentecostes. Só mais tarde acrescentou-se o ciclo do natal, o qual consideramos em primeiro lugar.

2. Natureza do ciclo do natal. O ciclo principia pelo advento (= vinda), que abrange 4 semanas de preparação. As festas centrais deste ciclo são o dia de natal de N. S. Jesus Cristo e a epifania. A epifania é mais antiga e liturgicamente superior (2i. ordinis), o natal, porém, (3i. ordinis) tem a prioridade nos mistérios do Redentor e dá o nome ao ciclo. Objeto deste ciclo é a aparição de Cristo na gruta, na circuncisão, perante os magos, perante os discípulos em Caná, perante o povo no Jordão, perante Simeão no templo, perante os doutores (Dom. inf. oct. Ep.)

269.   3. História do advento. Na Espanha, já o sínodo de Saragossa (380) prescreveu 3 semanas de preparação para a epifania, em que se celebrava outrora o natal de Cristo. Em Tours, o bispo Perpétuo (+ 491) ordenou 6 semanas de preparação para o natal em 25 de dezembro. Em Roma, o advento é mencionado no Gelasiano (fins do século V). Os domingos do advento foram por muito tempo em alguns lugares 5, ainda hoje no rito ambrosiano são 6, em Roma 4 desde o V século. O rito grego não conhece o advento, mas sim um jejum de 40 dias.

O advento começa no domingo próximo à festa de Santo André. (30 de nov.) Se a festa ocorre na primeira metade da semana, o advento começa na festa ou no domingo precedente, do contrário, no seguinte. A razão mística porque Santo André introduz o ano eclesiástico é o seu empenho de conduzir seu irmão Pedro a Nosso Senhor. A razão natural é o cálculo das 4 semanas do advento. Pois este não pode começar em 26 de novembro, porque seriam mais que 4 semanas (29 dias), nem em 4 de dezembro, porque seriam menos que 4 semanas até a festa de Natal. Só o dia 30 de novembro regula o cálculo litúrgico entre 27-11 e 3-12.

270.   4. Caráter do advento.

1) É o tempo da preparação para o aniversário da vinda do Salvador, causa de novas graças. Pois só a esta se pode aplicar o invitatório nas vésperas de 24 de dezembro: Hodie scietis, guia veniet Dominus et mane videbitis gloriam ejus, repetido várias vezes; a antífona: Crastina die delebitur iniquitas terrae; em 21 de dezembro, a antífona: Quinta die veniet ad vos Dominus.

Esta idéia manifesta da vinda do Redentor inspira toda a Liturgia do advento.

No 1º domingo do advento, o Senhor está longe. A antífona das primeiras vésperas é: Nomen Domini venit de longínquo; Aspiciens a longe (1° Resp.); Prope est regnum Dei. (Evang.)

No 2° domingo: O desejo da Igreja é mais ardente, quase impaciente: Jerusalem, cito veniet salus tua, quare mcerore consumeris. (1.° Resp.) Tu es, qui venturas es. (Evang.)

No 3° domingo Gaudete: Prope est iam Dominus. (Invit.) Alegrai-vos. Pois o Senhor já está perto. Gaudete, Dominus enim propeest. (Capit.) Medias vestrum stetit. (Evang.)

No 4.° domingo: Pulchriores sunt oculi eius vino et dentes eius lacte candidiores (2° Resp.); Videbit omnis caro salutare Dei. (Evang.) Depois os textos do dia 21-24 de dezembro.

271.   2) 0 advento é o tempo de preparação para a segunda vinda de Jesus Cristo como muitos textos o provam, mas só em segundo lugar. Os hinos nas matinas, laudes e vésperas mencionam primeiro o nascimento de Jesus, em segundo lugar o último juízo, do mesmo modo a oração da vigília.

3) Na Liturgia se encontram continuamente os dois elementos: da penitência e da alegria.

a) Os sinais de penitência: no ofício do tempo, não se canta Te Deum; rezam-se as preces feriais; missa sem Glória com paramentos roxos, sem órgão, ornato simples do altar; o diácono e o subdiácono não usam dalmática nem tunicela (vestimenta laetitiae: Pontif.); em lugar delas se usa o estolão para o diácono nas igrejas maiores e as igrejas paroquiais, quanto a este efeito, são igrejas maiores (d. 3352 ad 7) ; nas outras o diácono e subdiácono vestem só alva, estola e manípulo. (Miss. rubr. XIX, 6, 7.)

b) Os sinais de alegria são: sempre aleluia; o vivo desejo do Redentor nas antífonas ad laudes nos domingos e na última semana; as antífonas O ad vésperas; no domingo Gaudete, em que os paramentos podem ser cor de rosa, é permitido o órgão e o uso da dalmática e da tunicela.

4) As regras litúrgicas mencionadas obrigam só nas funções litúrgicas do tempo, não obrigam porém nem nas festas nem nas funções extra-litúrgicas, p. ex., devoções e benção.

272.   5. O advento é símbolo do tempo antes do nascimento de Jesus Cristo. Os suspiros: Rorate, caeli, desuper et nubes pluant Iustum (Is 45, 8) e numerosas aspirações distribuídas por todas as partes do ofício e da missa claramente o provam.

6. O uso do presépio, antigamente muito espalhado no Brasil, merece ser preferido ao da árvore de natal, que é ornada também pelos incrédulos e pagãos modernos.

7. Entre os sinais de alegria deve-se contar o culto especial da SS. Virgem, devido a ela como mãe do Menino Deus. Nos responsórios e antífonas é ela muitas vezes mencionada; a oração de Beata está prescrita como comemoração comum, e em muitos lugares cantam-se as missas: Rorate. Durante o tempo do advento ocorrem duas festas solenes com suas oitavas.

273.   a. Imaculada Conceição, a 8 de dezembro, em honra de Maria, concebida sem pecado.

Os primeiros vestígios desta festa encontram-se no Oriente em meados do século VIII, no Ocidente no século IX; em Nápoles, na Inglaterra pelo ano 1100 já se encontra com o nome de “Conceição da B. V. Maria”. Espalhou-se rapidamente. Sixto V, O. F. M. a introduziu no calendário romano, Clemente IX (+ 1670) acrescentou a oitava, Pio IX com imenso júbilo de todos os fiéis definiu em 1854 o dogma da Imaculada Conceição e elevou a festa a dia santo de guarda.

274.   b. Nossa Senhora de Guadalupe, no México, padroeira da América Latina, a 12 de dezembro; antigamente a 26 de fevereiro.

Em 1531 Maria SS. apareceu a um índio mexicano, João Diogo, e o encarregou de pedir ao bispo que mandasse construir um santuário em honra dela. Como o prelado desejasse uma prova da veracidade da mensagem, Maria Santíssima apareceu a Diogo outra vez, entregando-lhe rosas lindíssimas, apesar do inverno, tempo em que não havia flores. Na capa, em que as levou ao bispo, apareceu pintada a imagem da Mãe de Deus tal qual Diogo a tinha visto. Foi prova suficiente para se reconhecer que a mensagem era genuína. Erigiu-se um templo magnífico.

Fonte:  http://www.derradeirasgracas.com/4.%20CURSO%20DE%20LITURGIA%20-%20Pe.%20Reus/LITURGIA%20-%20PARTE%20III.%20.htm#67.%20O%20ADVENTO

 

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