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setembro 29, 2009

Esse vídeo que postamos abaixo, gostariamos de dedicá-lo, em especial, ao nosso irmão Jorge Lapa que criou esse blog. Que Deus te ilumine sempre. abraços e PAZ E BEM.


JUNTOS PELA VIDA

setembro 29, 2009

JUNTOS PELA VIDA

Vida Positiva – Matéria publicada no Jornal Correio Braziliense do dia 19/09/09

 

Duas crianças portadoras do HIV encontraram na amizade uma arma na luta contra a doença Unidas pela dor e pela esperança, Ana e Davi protagonizam a mais comovente história de solidariedade e afeto. A vida delas é a prova de que a bondade do ser humano ainda pode triunfar
Marcelo Abreu
Publicação: 19/09/2009 09:27 Atualização: 19/09/2009 13:56
ana e davi 1 

Ana, 5 anos, e Davi, 7: de fictícios, somente os nomes. A dura realidade os aproximou e constrói, dia a dia, uma vida marcada por respeito e cumplicidade

 
Há um mês, um anjo entrou naquela casa com cheiro de alfazema e paredes pintadas de verde, azul e laranja. Mudou a rotina de toda aquela gente. Não, não é uma história de faz de conta nem de fadas encantadas.

Aliás, esta história nada tem de mentirinha. É feita de dor, lágrimas, preconceito, quase fim, renascimento e uma esperança infindável. O anjo que chegou àquele lugar tem 7 anos, não anda, não fala, não enxerga. Mas escuta bem. É o sentido que o mantém ligado ao mundo. Que o faz sorrir. E o que o encanta.

Foi assim que ele encantou, de cara, uma outra “anjinha”. Ela tem 5 anos, é esperta, inteligente, linda, da pele cor de canela, cabelos em cachos e um sorriso arrasador de menina sapeca. Chamaremos o menino de Davi. E a menina, de Ana. Na verdade, eles poderiam ter o nome que quisessem.

Há 30 dias, os dois não se largam. Ela, embora mais nova, fisicamente é bem maior que ele. Cuida do amigo como se fosse mãe. Aconchega-o. Pega-o no colo. Abraça-o e o protege. Confidencia segredos que só os dois entendem. Coloca o fone no ouvido do amigo e pede que ele escute alguma música. Ele sorri. Ela o adotou. Basta ouvir a voz dela e ele se enche de felicidade. Reconhece-a de longe. Nunca houve, desde que aquele lugar foi inaugurado, uma história como esta que os dois têm protagonizado.

Ana mora em Taguatinga Norte, na Vida Positiva. Davi passa o dia ali, em regime de creche. À tarde volta pra casa, em Samambaia. Ana e Davi têm Aids. Ela nasceu contaminada pela mãe, que morreu aos 32 anos tempos depois. Ele também adquiriu o vírus na transmissão vertical. A mãe dele igualmente resistiu aos ataques do maldito vírus. Hoje, usando o coquetel, tem esbanjado saúde.

Ana quase morreu nos primeiros meses de vida. Médicos chegaram a dizer que ela não resistiria. Se escapasse, nunca andaria. E provavelmente viveria uma vida pela metade. Falaram em fase terminal. Às vezes, essa gente de jaleco branco erra. A menina linda da cor de canela driblou todas as infecções oportunistas que a atacaram. Sobreviveu. Hoje, seus exames, tanto o de carga viral (que mede a quantidade do vírus no sangue), como o CD4 (indicador das condições imunológicas do paciente, ou seja, a contagem das células de defesa) estão muito além do esperado. O vírus HIV se tornou indetectável no seu corpo. Ela aprendeu a jogar futebol e basquete. E ama pular corda.

 Apaixonada
Ana nunca esteve tão bem. Vende saúde. Os exames de Davi não estão ruins, mas podem melhorar. O vírus do HIV ainda é identificável no seu sangue. E o CD4 ainda não atingiu os índices esperados. Mesmo esbanjando saúde, Ana toma medicação todos os dias. Ele também. Forte, ela se sentiu protetora dele. Ampara-o quando percebe que ele pode cair. Levanta-o quando ele cai. Ele a escuta pular corda e vibra. Sem enxergar, sentado no chão, tenta bater palmas. Joga-lhe beijo levando a mãozinha até a própria boca.

Maria, irmã de Ana, tem 4 anos. Escapou do vírus da Aids porque a mãe fez tratamento com AZT durante a gravidez. No parto, houve todo o preparo para que não contaminasse a filha. Maria é uma rocha. Fala pelos cotovelos e tem uma inteligência acima da média. Gaiata, diz sem cerimônia ao visitante: “Você sabia que a Ana é apaixonada pelo Davi?” Ana retruca: “É mentira. Ele é meu amigo”. Maria fuxica, baixinho: “Ele não anda nem fala”. Mais uma vez, Ana intervém e defende o amigo: “Ele fala, sim. Eu falo e ele escuta”.

Emocionada, Vicky Tavares, 60 anos, presidente da instituição, admite: “Ele (Davi) mudou toda a rotina desta casa. É uma das crianças mais felizes, mesmo com todas as limitações, que já vi na minha vida. Trouxe paz pra todos nós”. Deise Carvalho, 26, supervisora, emenda: “Com a chegada dele, as crianças melhoraram muito. Ficaram mais calmas, mais alegres também. Foi um sopro de esperança pra nossa instituição”.

Enquanto isso, sentados no sofá, Ana coloca o fone de ouvido de um celular em Davi. Ele “viaja” na música. É, de fato, a coisa de que mais gosta. Ele sorri pra ela. Ela passa a mão no rosto dele. Ajeita o aparelho. Quer ter a certeza de que ele escuta. E, por ele, também se alegra. Vicky deduz: “Ela virou mãe dele. Assumiu esse papel direitinho”.

ana e davi 2
 
Vida partida

Davi tem um irmão mais velho, de 9 anos, também portador do HIV. A mãe, hoje com 30 anos, só descobriu que ela e os dois filhos eram soropositivos quando Davi, ainda bebê, começou a adoecer. Um exame de sangue revelou o que ela nunca imaginara. Se o filho tinha o vírus, ela também o teria. Chorou tudo que pôde. Rezou para que os filhos não morressem. O mais velho, de tão saudável, nem começou a terapia com os retrovirais. Davi não teve a mesma sorte. Nasceu com uma atrofia cerebral. E viu, dia a dia, a morte de aproximar. Religiosa, Rosa (nome fictício), a mãe, implorou a Deus para que o filho sobrevivesse.

No meio do processo da luta pela vida do filho mais novo, ela também adoeceu. Viu a própria morte. Tirou força de onde não imaginava. Seguiu todas as recomendações médicas. Fortaleceu-se. E decidiu que salvaria seu filho. Salvou-o. Um dia, chegou à Vida Positiva. Vicky Tavares passou a ajudá-la com cestas básicas e alguma medicação.

Há um mês, pediu que o filho fosse aceito ali em sistema de creche. Vicky não teve como lhe dizer não. Rosa matriculou-se num curso de panificação, depois de perder o emprego como operadora de caixa em um supermercado. O atual marido, auxiliar de mecânico, que não é portador do HIV, assumiu os filhos da mulher como se pai fosse. Ela se casou de noiva. Realizou o maior sonho de sua vida.

E foi ali, na Vida Positiva, que um dia Davi chegou. Veio de mansinho, sem falar, sem andar, sem enxergar. Inundou sorrateiramente o coração da linda Ana, que o adotou como se mãe pudesse ser. Maria, a irmãzinha dela, um toquinho de gente, insiste em fuxicar de novo: “Ela gosta dele de namoro”. Ana sorri. Empresta seus olhos para que Davi enxergue a vida por eles. Conta-lhe o que vê. Fala do passarinho. Segura na mão dele com ternura que molha os olhos de quem assiste à cena. É absolutamente comovente ver tamanha cumplicidade e dedicação de uma gente tão miudinha.

Na hora em que Davi vai embora nos braços da mãe (ela o carrega dentro de um ônibus lotado até Samambaia), Ana o acompanha até o portão. Beija-o no rosto mais uma vez e silencia. Ela sabe que amanhã ele voltará. A dor uniu essas duas crianças. O HIV que circula no sangue de ambos? Nem lembram que o vírus maldito existe. Sábios, resolveram ignorá-lo. Ana e Davi decidiram que querem apenas viver. Esta história é feita de uma delicadeza ímpar. Contá-la é como acreditar que o ser humano ainda é verdadeiramente bom.

Lar especial

A casa é uma instituição para crianças e adolescentes que vivem e convivem com o vírus HIV. Elas chegam ali encaminhadas pela Vara da Infância e da Juventude. Hoje, 18 crianças ocupam a casa e vivem sob os cuidados de 15 funcionários. Algumas moram ali em tempo integral, em sistema de abrigamento. Outras, em horário de creche. O lugar é mantido exclusivamente pela doação de voluntários.
Por uma causa / A Vida Positiva está sempre aberta à visitação. QNC 3, casa 16, Taguatinga Norte. Contato: 3034-0948 – Site: www.vidapositiva.org.br Davi precisa de fraldas descartáveis, roupas e um andador.

Qualquer ajuda é bem-vinda. Caixa Econômica Federal – Agência: 1041. conta corrente: 385-0