VIVA A SANTA EUCARISTIA

outubro 22, 2009

Matrimônio

outubro 22, 2009

Aliança casamento

 

“Já na lua de mel, achei que tinha me casado com o homem errado”. Com essa frase, Luciana, de 23 anos, resumia seu relacionamento com o marido Marcos, de 25, quatro meses após o casamento. A cerimônia fora linda, a recepção luxuosa. Mas os sorrisos nos lábios duraram não mais que três dias. Ela correu para a casa dos pais.

Assim como eles, muitos casais – cristãos ou não – enfrentam sérias dificuldades no início do casamento. As estatísticas mostram que a maioria dos divórcios ocorre antes dos 4 anos de vida a dois. “É um período de adaptação e muitos não conseguem sair dele ilesos”, explica a psicóloga Maria Lúcia Azevedo. É aí que entra a “famosa” frase: “No namoro, tudo ia bem; foi só assinar o papel e nosso mundo desabou”.

Mesmo não chegando ao extremo da separação, esse período tribulações é comum – bem mais do que se imagina. “Eu chorava todos os dias. Não estava arrependida, mas insegura, querendo minha família”, revela Cláudia, casada há 4 anos com Eduardo. “Na época, eu só pensava em engravidar logo, acho que, inconscientemente, queria suprir algo que estava me faltando”. E é assim mesmo. Ansiedade, insatisfação, desavenças… “A mulher está infeliz e para suprir suas necessidades passa a descontar, por exemplo, na casa: quer mudar a cor da parede, pede um sofá novo, reclama das panelas. Parece que nunca está satisfeita com nada”, diz Maria Lúcia.

O porquê de tudo isso é facilmente explicado. Falta de amor? Quase sempre, não. Por mais estranho que possa soar, o amor não é suficiente para manter uma relação à dois. É fundamental, obviamente. Mas não o único ponto importante. Nestes casos, principalmente, é preciso compreensão e paciência – frutos da prática desse amor.

Para a mulher, esse começo parece ser ainda mais difícil. Pela sua própria natureza é mais sensível e por isso acaba exigindo mais do marido, do casamento e até dela mesma. Quando não trabalha ou não tem uma profissão, a situação pode ficar ainda pior: muitas sentem-se solitárias, abandonadas pelas amigas e passam o dia fantasiando. O homem não constrói castelos, a mulher sim. E muitas vezes, ele desmorona.

No banheiro ou na cama

Não é de hoje que ouvimos sobre “discussões” de recém-casados. Algumas bem tolas, mas que se tornam uma pedra no caminho. Dá até para rir, mas estes são alguns dos motivos comuns – e as frases são reais:

  • Pasta de dente- “Eu apertava sempre de baixo para cima e ele apertava em qualquer lugar, quase sempre no meio. Eu detestava aquilo e um dia não aguentei. Brigamos!”;
  • Família- “Depois que nos casamos, ele ficou egoísta. Parece que tinha ciúmes até da minha mãe”;
  • Lazer- “Vídeo-game depois de casado? Prá mim, homem que casa deve amadurecer”;
  • Exigências- “Ela me perguntava se eu tinha escovado os dentes para dormir. Me lembrava minha mãe”;
  • Rotina- “Ele disse que não mudaria, mas alguns meses depois de nos casarmos, passou a ser preguiçoso e o que nunca foi: caseiro”;
  • Sexo- “Nossos ritmos eram bem diferentes. Não podíamos suprir um ao outro”.

Por mais que pareça absurdo, muitas brigas são fundamentadas neste tipo de argumento. Mas na verdade, a raiz é bem mais profunda e alimenta-se na falta de informação e renúncia – de ambas as partes. Casamento não é apenas um contrato, mas uma aliança.

Biblicamente, aliança é uma promessa, um compromisso onde as duas partes estão dispostas a fazer pela outra tudo aquilo que querem que seja feito por elas mesmas. Deus pediu a Abraão o sacrifício de seu único filho, Isaque. Nesta aliança, estaria disposto a fazer o mesmo e o fez (ainda que tenha livrado Isaque da morte): enviou seu filho unigênito, Jesus Cristo, para sacrificar-se em favor da humanidade.

Não é fácil renunciar e abrir mão de suas vontades em favor do cônjuge. Mas é preciso. Num casamento não deve haver a anulação de sua personalidade ou caráter, mas é fundamental que exista disposição para tratá-los afim de que os dois tornem-se um, deixando de lado uma de suas partes para suprir o espaço vazio com a do outro. Quando se aprende a praticar isso, o relacionamento não fica só mais fácil, mas principalmente, bem mais prazeroso.

Tempo de construção

“Se um homem tiver se casado recentemente, não será enviado à guerra, nem assumirá nenhum compromisso público. Durante um ano estará livre para ficar em casa e fazer feliz a mulher com quem se casou.” (Deuteronômio 24:5- NVI). Se fosse possível, com certeza, esta seria a solução para os impasses pós-nupciais: um ano inteiro à sós, apenas para regozijo e adaptação do casal. Mas isso não existe mais, infelizmente, só ocorria nos tempos do Antigo Testamento. Então, o que fazer?

Em primeiro lugar, ao novo casal cabe a conscientização de que a vida a dois não é fácil. Pode ser maravilhosa, mas é como um edifício em construção: até estar pronto e belo, levará algum tempo em obras. Do alicerce ao acabamento final!

Não existe fórmula para se chegar ao ápice da relação – é preciso que marido e esposa busquem em Deus e descubram sozinhos aquilo de bom que Ele lhes preparou. Mas algumas orientações podem ser-lhes úteis:

  1. Se surgirem discussões, não pense que isso só acontece com vocês. É preciso tentar evitar, mas elas surgirão;
  2. Renuncie, ainda que essa palavra soe como uma “facada” em seu coração. Deixe de fazer algumas coisas pelo outro. Faça outras em favor dele(a);
  3. Não aponte os erros de seu cônjuge para exigir mudanças. Olhe primeiro para você e transforme-se a si mesmo;
  4. Não discutam e não corrijam um ao outro na frente de outras pessoas;
  5. Não comente com os amigos ou sua família sobre suas discussões ou aquilo que considera “erro” em seu cônjuge. Expor os problemas de convivência diária para outras pessoas que não sejam vocês mesmos pode ser muito desagradável (e inútil);
  6. Se quer algo que ele(a) não faz, faça você por ele(a);
  7. Não abandone os amigos mas separe a maior parte do tempo livre para estarem à sós. Lembre-se que o primeiro ano do casamento deve ser de conhecimento mútuo – e isso deve ser buscado só entre vocês dois;
  8. Procure compreender as necessidades do outro;
  9. Seja paciente. Nenhuma adaptação é fácil;
  10. Faça uma auto-avaliação diária de seu comportamento e procure extinguir aquilo que considerou negativo ou que trouxe desavenças;
  11. Se está ocupando sua mente com dúvidas e insegurança, mude isso. Ocupe-a com o que é bom. Ore, leia a Bíblia e sinta-se tranqüilo(a) com as promessas de Deus para sua vida,
  12. Alegre-se na esperança de que essa fase irá passar e em breve, o edifício estará pronto – e habitável!

Quanto à Luciana e Marcos (aqueles, que voltaram da lua-de-mel frustrados), seu casamento é hoje “uma benção”, conforme ela mesmo classifica. O segredo? Esperar (mas não sentado!) o primeiro ano passar.

Rosana Salviano

Fonte: eucreio.com

Extraído do site: http://www.radiorainhadapaz.com.br/noticia/130920029.htm