TV CANCAO NOVA – Prof. Felipe Aquino – Honrar Pai e Mae

novembro 30, 2009

O PAPA BENTO XVI ABRE TEMPO DO ADVENTO COM CELEBRAÇÃO DAS VÉSPERAS

novembro 30, 2009

O PAPA BENTO XVI
ABRE TEMPO DO ADVENTO
 COM CELEBRAÇÃO DAS VÉSPERAS

Cidade do Vaticano, 28.11.09: “Se Jesus está presente, não existe mais nenhum tempo desprovido de sentido e vazio.” Se Ele está presente podemos continuar esperando mesmo quando os outros não mais puderem assegurar-nos nenhum apoio, mesmo quando o presente se torna enfadonho”: foi o que disse o papa na homilia das Primeiras Vésperas do I Domingo do Advento, por ele presididas no final desta tarde na Basílica Vaticana.

Caros irmãos e irmãs,

Com esta celebração vespertina entramos no tempo litúrgico do Advento. Na leitura bíblica que acabamos de ouvir, extraída da 1ª Carta aos Tessalonicenses, o apóstolo Paulo nos convida a preparar a “vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo” (5,23) guardando-nos irrepreensíveis, com graça de Deus. Paulo usa exatamente a palavra “vinda”, em latim adventus, da qual provém o termo Advento.

Reflitamos brevemente sobre o significado desta palavra, que pode ser traduzida como “presença”, “chegada”, “vinda”. Na linguagem do mundo antigo era um termo técnico, utilizado para indicar a chegada de um funcionário, a visita do rei ou do imperador em uma província. Mas, podia também indicar a vinda da divindade, que sai de seu escondimento para se manifestar com poder, ou que é celebrada por sua presença no culto. Os cristãos adotaram a palavra “advento” para expressar a sua relação com Jesus Cristo: Jesus é o Rei, que entra nesta pobre “província” denominada terra para visitar a todos; na festa de seu advento faz participar todos os que n’Ele crêem, todos os que crêem em sua presença em meio à assembléia litúrgica. Com a palavra adventus, se pretendia substancialmente dizer: Deus está aqui, ele não se retirou do mundo, não nos deixou a sós. Embora não possamos vê-lo nem tocá-lo como acontece com as realidades sensíveis, Ele está aqui e vem visitar-nos em diversos modos.

O significado da expressão “advento” compreende então também o de visitatio, que quer dizer simples e diretamente “visita”; neste caso, trata-se de uma visita divina: Ele entra em minha vida e quer se dirigir a mim. Todos experimentamos na existência quotidiana, o fato de termos pouco tempo para o Senhor e pouco tempo também para nós. Acabamos deixando-nos absorver pelo “fazer”. Não seria talvez apropriado dizer que somos muitas vezes tomados pela atividade, que a sociedade com seus múltiplos interesses monopoliza a nossa atenção? Não seria talvez apropriado afirmar que se dedica muito tempo à diversão e ao lazer de diferentes tipos? Às vezes as coisas nos “arrastam”.

O Advento, este tempo litúrgico forte que estamos iniciando, nos convida a parar em silêncio para compreender uma presença. É um convite a entender que cada evento do dia são sinais que Deus dirige a nós, prova da atenção que Ele tem por cada um de nós. Quão freqüentemente Deus nos faz perceber algo de seu amor! Manter, por assim dizer, um “diário interior” deste amor seria uma bonita e salutar tarefa para a nossa vida! O Advento nos convida e nos impulsiona à contemplação do Senhor presente. A certeza de sua presença não deveria nos ajudar a ver o mundo com olhos diferentes? Não deveria nos ajudar a considerar toda a nossa existência como “visita”, como um modo no qual Ele pode vir a nós e nos tornar mais próximos, em cada situação?

Outro elemento fundamental do Advento é a espera, espera que ao mesmo tempo esperança. O Advento nos impele a compreender o sentido do tempo e da história como “kairós”, como ocasião favorável à nossa salvação. Jesus mostrou esta realidade misteriosa em muitas parábolas: no relato dos servos convidados a esperar o retorno do patrão; na parábola das virgens que esperam o esposo; ou ainda nos relatos sobre a semeadura e colheita. O homem, em sua vida, está em constante espera: quando é criança, quer crescer; quando adulto busca a realização e o sucesso; com o passar dos anos, aspira ao merecido repouso. Mas chega o tempo no qual ele descobre que esperou pouco se, independente da profissão ou do status social, não lhe resta mais nada para esperar. A esperança marca o caminho da humanidade, mas para os cristãos esta é animada por uma certeza: o Senhor está presente no correr da nossa vida, nos acompanha e um dia enxugará também as nossas lágrimas. Um dia, não distante, tudo encontrará seu cumprimento no Reino de Deus, Reino de justiça e de paz.

Mas existem maneiras muito diferentes de esperar. Se o tempo não é preenchido por um presente dotado de sentido, a espera pode tornar-se insuportável; se espera-se algo, mas no momento não há nada, se o presente permanece vazio, cada segundo que passa parece infinitamente longo, e a espera se transforma num fardo muito pesado, porque o futuro permanece totalmente incerto. Quando, porém, o tempo é dotado de sentido, e em cada instante percebemos algo de específico e de válido, então a alegria da espera torna o presente mais precioso.

Caros irmãos e irmãs, vivamos intensamente o presente onde já nos alcançam os dons do Senhor, vivamo-lo com nosso olhar voltado para o futuro, um futuro cheio de esperança. O Advento cristão se torna assim ocasião para reavivar em nós o verdadeiro sentido da espera, retornando ao coração da nossa fé, que é o mistério de Cristo, o Messias esperado ao longo de séculos e nascido na pobreza de Belém. Vindo em meio a nós, nos encontrou e continua a nos oferecer o dom de seu amor e de sua salvação.

Presente entre nós, nos fala em diversos modos: na Sagrada Escritura, no ano litúrgico, nos santos, nos eventos da vida cotidiana, em toda a criação, que muda de aspecto conforme a condição de que Ele lhe esteja por detrás ou que seja ofuscada pela névoa de uma origem incerta e de futuro incerto. Por sua vez, nós podemos falar com Ele, apresentar a ele os sofrimentos que nos afligem, a impaciência, as perguntas que brotam no coração. Acreditemos que Ele sempre nos ouve! E se Jesus está presente, não existe mais nenhum momento vazio e sem sentido. Se Ele está presente, podemos prosseguir esperando também quando os outros não podem nos assegurar ajuda; também quando o presente se torna cansativo.

Caros amigos, o Advento é o tempo da presença e da espera do eterno. Exatamente por este motivo, em particular, é um tempo de alegria, de alegria interiorizada, que nenhum sofrimento pode cancelar. A alegria pelo fato de que Deus se fez criança. Esta alegria, em modo invisível presente entre nós, nos encoraja a caminhar confiantes. Modelo e apoio deste íntimo gáudio é a Virgem Maria, através da qual nos foi dado o Menino Jesus. Que Ela obtenha para nós, como fiel discípula de seu Filho, a graça de viver este tempo litúrgico vigilantes e laboriosos na espera. Amém!

Fonte: Rádio Vaticano.

Extraído do site http://www.derradeirasgracas.com/3.%20Papa%20Bento%20XVI/Papa%20Abre%20o%20advento%20de%20Natal%202009%20.htm


A TEMPESTADE ACALMADA

novembro 30, 2009

A Tempestade Acalmada
À tarde daquele dia, disse-lhes: Passemos para o outro lado. Deixando o povo, levaram-no consigo na barca, assim como Ele estava. Outras embarcações o escoltavam. Nisto surgiu uma grande tempestade lançava as ondas dentro da barca, de modo que ela já se enchia de água. Jesus achava-se na popa, dormindo sobre um travesseiro. Eles acordaram-no e disseram-lhe: Mestre, não te importa que pereçamos?
E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Silêncio! Cala-te! E cessou o vento e seguiu-se grande bonança. Ele disse-lhes: Como sois medrosos! Ainda não tendes fé?Eles ficaram penetrados de grande temor e cochichavam entre si: Quem é este, a quem até o vento e o mar obedessem? (Mc 4,35 – 41)

Os discípulos escolhidos por Jesus são convidados a entrarem na barca e irem para outra margem do lago de Genesaré, também conhecido como Mar da Galiléia ou Tiberíades. O mar para os judeus era tido não somente como uma grande extensão de água que proporcionava a pesca, mas também como um lugar que dava medo. O povo daquela época pensava que nas grandes águas moravam monstros, seres assustadores capazes de devorar. Quaisquer manifestações no mar faziam com que eles pensassem que a morte estava próxima, pois seriam daqui a pouco devorados. Por mais experientes que fossem os pescadores sempre temiam o mar.

Agora imagine você o que deve ter passado pela cabeça dos discípulos de Jesus ao vê-Lo dormindo na popa sobre um travesseiro: Grande tempestade, mar furioso a ponto de entrar na barca. Meu Deus, como será que eles ficaram? Os discípulos eram pescadores experientes, basta lembrar dos primeiros que foram chamados por Jesus: Pedro, André, Tiago e João (Mt 4,18.21), mas mesmo assim ficaram com muito medo. E para eles o fator mais agravante era que enquanto todos tentavam de todas as maneiras salvar a barca e suas vidas em meio a tantos problemas, Jesus nem dava sinal de preocupação, a ponto de continuar dormindo. Então, foram ao encontro dEle e acordaram-No pedindo a Sua ajuda dizendo “: Mestre, não te importa que pereçamos?”. Em seguida Jesus ordenou ao vento e a tempestade que parassem e veio a bonança, Jesus então dirigindo aos seus discípulos interroga-lhes sobre a fé.

Naqueles tempos quando a tempestade se desencadeava no mar os marinheiros costumavam jogar óleo sobre as ondas para tranqüilizá-las. Ao invés disso jogamos sobre as ondas do medo e da angústia a confiança em Deus. O apostolo Pedro exortava os primeiros cristãos a ter confiança em Deus nas perseguições, dizendo: “confiai-lhe todas as vossas preocupações, pois Ele cuida de vós” (I Pd 5, 7). A falta de fé que Jesus reprovou aos discípulos nessa ocasião se deve ao fato de pôr em dúvida que lhe “importe” sua vida: “não te importas que pereçamos?”. O certo é que Jesus se importa e até demais. Ele cuida de nós!

Quantos discípulos não se comportam assim, no serviço de evangelização, nos momentos de turbulência em nossas vidas, mesmo estando bem próximos de Jesus, escolhidos e enviados por Ele, diante dos desafios preferem empenhar seus próprios recursos para solucionar os desafios encontrados na caminhada, esquecendo-se que agindo unido a Jesus, colocando Ele em primeiro lugar, venceremos os desafios, pois é Jesus que nos defende e nos dar a vitória. Assim aconteceu com Moisés, que diante da missão de conduzir o povo para a libertação, encontra-se em frente ao mar, sem saída e com o povo a lhe cobrar uma solução. Moisés não se inquieta, pois soube entender que naquela situação estava o plano de Deus que queria manifestar o seu poder, para aquele povo e para todas as nações. O Senhor disse a Moisés: Porque clamar a mim por socorro? Dize aos israelitas que se ponham em marcha. Quanto a ti, ergue a tua vara, estende a mão sobre o mar e divide-o, para que os israelitas passem em seco pelo meio do mar. De minha parte vou endurecer o coração dos egípcios para que os persigam, e eu seja glorificado à custa do faraó e de todo o seu exército, seus carros e cavaleiros. (Ex. 14,15-17). E assim aconteceu.
Há os que se desviaram enganados por seus projetos e entendimento. Judas Iscariotes é um destes, que não se renunciando para fazer a vontade de Deus, pensando fazer o bem, achando que ao entregar Jesus Ele ia manifestar o seu poder e destruir as estruturas erradas deste mundo tornou-se a causa da sua ruína. Não adianta nossos esforços se Jesus não for o condutor das nossas ações e comportamento e que se não for Ele a acalmar as tempestades deste mundo e de nossos corações, ninguém poderá fazê-lo. Basta que para isso o busquemos de coração livre e Ele fará o que for necessário para nos salvar.

Sabemos que Jesus não estava dormindo por comodismo ou omissão da realidade. Ele dormia porque sabia que todo domínio estava n’Ele e no Pai e também queria provar a fé dos seus discípulos e leva-los a cura da auto-suficiência e independência de Deus, e assim poderem chegar a fé sobrenatural e entenderem que Jesus não é só um bom homem com sábias palavras bom comportamento, mas que Ele é Deus, capaz de destruir todas as tempestades das limitações e fraquezas humanas e estabelecer nos corações dos homens a verdadeira alegria de serem filhos de Deus, verdade esta que só podemos encontrá-la nos deixando ser conduzidos por Jesus, que quer nos levar a uma experiência de uma fé viva, como fez com seus apóstolos.

 
Patricia Alves
Formadora
 
Fonte http://www.cot.org.br/formacoes.php?action=formacao&id=72