ABRAÃO PAI DA FÉ

dezembro 26, 2009

Abraão Pai da Fé
Quem nunca ouviu falar de Abraão, o pai da fé? Aquele que foi capaz de abandonar o que tinha por causa de Deus.
Não faz sentido dizer conhecer tal homem sem ter lido ou ouvido falar de Gn 12, onde está escrito a vocação dele.
Abraão viveu numa época em que muitos lutavam por terra, o mais valioso bem que um homem poderia ter. Todos os os que tinham um pedaço de terra para morar, cuidar de seus animais era um felizardo e fazia de tudo para mantê-la, se fosse o caso, até lutar, já que esse bem constituía a garantia de sobrevivência para todos os descendentes.
Um dos patriarcas pertence, provavelmente, a uma série de imigrantes, que entre 200 a 1700 a.C invadiram a Síria e Canaã, vindos do deserto sírio-arábico e da Mesopotâmia. Conforme uma tradição, a sua terra foi Haram (Gn 12,4); conforme outra, foi Ur dos Caldeus, cidade essa que estava ligado através de seu pai Taré. Como relata (Ne 9,7; Jt 5,6).
Os caldeus eram povos politeístas, ou seja, adoravam ou aceitavam a existência de mais de um deus, porém não eram ativos na vida de ninguém, e sim, deuses passivos, que só recebia as oferendas, mas não agiam, eram projetados pelo homem. Deuses que nunca prometiam algo, pois não poderiam cumprir, já que não existiam. Porém, Deus (o criador) fez algo que nenhum outro havia feito antes: prometeu uma terra para ele e seus descendentes.
A promessa que Deus fez para ele e seus descendentes parecia atraente, realmente! Deus prometeu uma terra plena para que todas as gerações de Abraão morassem. Para quem não tinha um lugar fixo para morar essa promessa era a melhor que alguém poderia fazer-lhe. E é aí que está o grande mistério de Abraão. Ele tomou a promessa de Deus(o Criador) como uma verdade e se lançou na estrada em busca daquilo que nenhum outro deus havia prometido. Por trás da fé de Abraão estava a confiança e, acima de tudo, a renúncia, pois foi capaz de abandonar aquilo que ele tinha, apesar de pouco, para ir em busca do que “ainda” não possuía. Daí sua fama como pai da fé.
Diferentemente dos projetados pelos homens, o Deus de Abraão era um Deus que quis se revelar ao homem e se deixar conhecer. Abraão notou essa atitude divina e abraçou as provações, as dificuldades que iria enfrentar para obter a terra que mana leite e mel. Esse Deus demonstrou-se ser o único, pelos seus projetos e atitudes. Por mais que Abraão não soubesse que este era o único e verdadeiro Deus, ele sabia que era o maior e o melhor de todos os deuses.
Abraão realmente deu um tiro no escuro num alvo que ele acreditava já ter acertado. A força da renúncia de Abraão está em renunciar terra, casa, família, que era valioso para ele para ir em busca de algo que ainda não tinha, mas que brevemente teria.
Deus em todo momento quis que Abraão tivesse uma terra fértil, pura, maravilhosa, para que ele pudesse habitar junto àqueles que o cercava. Abraão gostaria de uma terra que tivesse todos esses quesitos, porém Deus sabia que a melhor terra era aquela que tivesse Sua mão, mas Deus por Sua Sabedoria quis que ele confiasse e se lançasse em busca dessa terra prometida. Nossa terra prometida, assim como a de Abraão é uma terra celestial.
Ninguém nos força a buscar a Deus, simplesmente buscamos por nossa própria vontade. Ou por acaso alguém colocou uma arma em sua nuca e te obrigou a servi-lo? Assim como fez com Abrão ele faz conosco, nos convida a uma terra que mana leite e mel, a uma terra santa, a uma terra plena, livre de qualquer mácula.
Abraão teve que renunciar tudo que tinha para ir em busca da vontade de Deus. Ele renunciou o que tinha de bom, para obter algo melhor, algo que vinha do próprio Deus. Quantas vezes abandonamos nossa vontade para fazermos a vontade de Deus? Se sua resposta foi “várias vezes”, afirmo-te, ainda não é o suficiente. Devemos renunciar todos os dias, todos os instantes, tudo o que não pertence ao plano de Deus, a fim de obtermos O Melhor, a vida eterna, a Salvação. Basta termos fé, e nos lançarmos no plano salvífico de Deus e suas promessas se realizarão em nossas vidas.
 
 
Glaydson Barros
Professor Escola Bíblica
 
Fonte: http://www.cot.org.br/formacoes.php?action=formacao&id=45
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Parabéns pra JESUS

dezembro 24, 2009

20 reflexões nota 10 para 2010

dezembro 23, 2009

Natal do Senhor e Ano Novo
 
Caro(a) Amigo(a),
Paz e Bem.
 
Pensamos em lhe desejar algo neste Natal e Ano Novo, mas que fosse ao mesmo tempo diferente e prático, possível de alcançar e de viver.
Então escrevemos estas coisas que talvez possa identificar-se com você:
 
1. Na busca pela sobrevivência, não fique se lamentando se tudo não der certo. Entenda que Deus está com você também nos momentos de dificuldade.
 
2. Não tente consertar o mundo, pois ele sempre foi assim: bom e ruim. Ao invés, procure cuidar de você, do ambiente em que vive, dos amigos e das pessoas mais próximas e que lhe são queridas. Fazendo assim você terá consertado um pedaço do mundo.
 
3. Não ponha suas esperanças aqui – para não se decepcionar muito -, mas nas coisas do alto. Estando aqui, viva e trabalhe para Deus.
 
4. Trate de reconciliar-se com Deus e com os irmãos e vê se tira aquele azedume do seu coração.
 
5. Sorria e procure estar bem humorado, mesmo nas adversidades. Quem lhe dá esta capacidade é Deus, através da oração.
 
6. Não corra atrás de muita coisa o tempo todo. Faça uma coisa de cada vez. Lembre-se de São Francisco e da canção: “Faça poucas coisas, mas as faça bem; constrói o teu mundo devagar”.
 
7. Cuide de sua saúde, pois ela é o seu melhor patrimônio. Faça algum exercício.
 
8. Converse com Deus como se estivesse conversando com um amigo, pois o nosso Deus é um Deus vivo.
 
9. Saiba que você vai ressuscitar para a vida eterna. Essa certeza é a razão maior da nossa esperança, e o motivo para não andarmos tristes.
 
10. Guarde-se do pecado, afinal, a quem você pensa que está enganando e se condenando, se não a você mesmo?
 
11. Procure viver segundo o Evangelho do Senhor; é fácil. Difícil é não viver de acordo com o Evangelho.
 
12. Seja seletivo com as ofertas do mundo, pois umas são boas, outras são puro lixo que podem impregnar você e levá-lo à escuridão.
 
13. Nós fomos feitos à imagem e semelhança de Deus. Portanto, olhe todas as pessoas com amor, e veja nelas refletida a face de Deus. Algo da essência de Deus está ali, naquela criatura pobre, desamparada e só. Se não consegue olhar com amor, pelo menos a veja como uma criatura de Deus. Lembre-se também que ela pode ser infinitamente mais importante do que você, sobretudo se for pobre.
 
14. Preserve a natureza e gaste pouco os recursos naturais, pois este mundo precisará alimentar seu filho e as futuras gerações. Não seja egoísta.
 
15. Procure comer apenas o suficiente, pois seu organismo vai transformar em gordura o que for excesso. Não coma porcaria.
 
16. Estando nas trevas, procure vir para luz. O caminho de volta pode ser difícil, mas uma vez no claro, isto é, na Verdade, as coisas ficam mais fáceis para você. “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos  libertará”.
 
17.  Você já tem Deus, que é tudo em todos, então pare de reclamar, afaste a ansiedade e viva a esperança, na paz do Senhor.
 
18. Leia o Salmo 23. Você verá como é o amor de Deus por você. Leia mesmo.
 
19. Todo católico é devoto de Nossa Senhora. Reze o Terço contemplando os mistérios do Senhor. Quando for rezar o Terço, nos pedidos, peça para que Nossa Senhora ajude-o nesta devoção.
 
20. Celebre o Natal do Senhor em paz, com alegria e renovada esperança. Em 2010 anime-se, mantenha o ritmo da caminhada, e não tenha pressa. Ouça boa música e divirta-se, afinal, ninguém é de ferro.

Att.

Celiomar e Célia

Fonte: E-mail recebido da pastoral do dízimo da Paróquia Bom Jesus dos Migrantes de Sobradinho/DF.


Mãe do Novo Homem – Maria Santíssima, Nossa Senhora

dezembro 23, 2009

O DEUS QUE SE ESCONDE

dezembro 23, 2009

O Deus que se esconde
“Moisés olhava: a sarça ardia, mas não se consumia. “Vou me aproximar, dizia ele consigo, para contemplar este extraordinário espetáculo, e saber por que a sarça não se consome.” Vendo o Senhor que ele se aproximou para ver, chamou-o do meio da sarça: “Moisés, Moisés!” – “Eis-me aqui!” respondeu ele. E Deus: “Não te aproximes daqui. Tira as sandálias dos teus pés, porque o lugar em que te encontras é uma terra santa. Eu sou, ajuntou ele, o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó.” Moisés escondeu o rosto, e não ousava olhar para Deus.” (Ex 3, 2-6)

Vivemos em uma sociedade extremamente ocupada: trabalho, afazeres domésticos, estudos, a busca de informações. E essa vida agitada, todo o barulho exterior, causaram em nós uma dificuldade de nos habituarmos ao silêncio e à quietude. Se estamos em casa, nossa primeira atitude para quebrarmos o silêncio é conversar com alguém, ao mesmo tempo em que ligamos o rádio ou a TV. Hoje, na era da informática, ainda temos a opção de ouvirmos música pelo celular, MP3, Mp4, Ipod, ou pelo computador. E, quando saímos, o barulho do trânsito e as conversas nas ruas nos acompanham. O estilo de vida moderno, se por um lado foi uma evolução social, por outro viciou o homem a viver no barulho e nas ocupações. E, como conseqüência, o homem encontrou maior dificuldade de estar a sós com o Criador.

O episódio da sarça ardente, descrita acima, nos mostra o encontro de Móises com o Deus que se esconde. Observemos que Moíses estava em um monte, o Horeb. E estava realizando o seu trabalho de pastor, cuidando do rebanho de seu sogro, Jetro. Foi quando, por um momento, Moisés deixou o rebanho e aproximou-se da sarça, que ardia, mas não se consumia. E Deus, vendo que ele se aproximara para ver, falou com ele, chamando-o pelo nome.

Assim como Deus se revelou a Moíses na sarça, ele também nos pede que nos aproximemos dele, com nosso coração, a fim de que também ele possa nos falar. A “Montanha de Deus”, o nosso Monte Horeb, é a solidão do Criador, é o silêncio interior de nossa alma. É deixarmos um pouco nossas ocupações, como Moíses que deixou o rebanho por um momento, para nos entretermos com a presença de Deus.

Quando Deus nos pede para vivermos na solidão e no silêncio ele não está pedindo para vivermos isolados do mundo, como os eremitas. Há aqueles que tiveram esse chamado, mas a nós, que fomos chamados a servir a Deus dentro de uma Comunidade Discipular inserida na sociedade, Deus nos pede a solidão interior, que é obtido através do recolhimento em Deus. Eis o que diz São Francisco de Sales, em “Filotéia”, no Capítulo XII:

“Lembra-te, as mais vezes que puderdes durante o dia, da presença de Deus, servindo-te de um dos quatro meios de que tenho te falado. Considera o que Deus fez e o que tu fazes, e verás que Deus tem continuamente os olhos pregados em ti com um amor inefável. Ó meu Deus, hás de exclamar, por que não emprego sempre os olhos para contemplar-vos, assim como vós estais sempre olhando para mim com tanta bondade? Por que pensais tanto em mim, Senhor? E por que eu penso tão raras vezes em vós? Onde é que estamos nós, ó minha alma? A nossa verdadeira habitação é em Deus, e onde é que nos achamos? (…) Lembra-te, Filotéia, de retirar-te muitas vezes à solidão do teu coração, ao passo que as tuas tarefas e conversas o ocupam exteriormente, para estares a sós, com o teu Deus. (…) Recolhe-te, às vezes, à solidão interior do teu coração, e aí, num completo desapego das criaturas, trata dos negócios de salvação e perfeição com Deus, como dois amigos cuidam familiarmente de seus negócios.”

Além da solidão interior, que é, mesmo estando ocupados com nossos afazeres diários, procurarmos pensar em Deus, meditar na vida de Jesus, na grandeza de Deus, em sua bondade para conosco, em seu amor e o mais que o Espírito Santo inspirar, também é necessário para a nossa vida espiritual termos um momento de solidão exterior. Diz São Francisco de Sales, na obra acima anteriormente:

“Tanto procurar como fugir à convivência com os homens são dois extremos censuráveis na devoção, que deve regrar os deveres da vida social. O fugir é um sinal de orgulho e desprezo do próximo e o procurar é fonte de muitas coisas ociosas e inúteis. (…) Além da solidão interior, de que já tenho falado e que deves conservar no meio de todas as conversas, deves amar a solidão exterior, não a ponto de ir procurá-la no deserto, como Santa Maria Egipcíaca, São Paulo, Santo Antão, Santo Arsênio e tantos outros eremitas, mas para que tenhas tempo de estar contigo mesma, quer no teu quarto, quer no teu jardim ou em qualquer outro lugar com mais liberdade, entretendo o coração com boas reflexões ou leituras”.

A solidão exterior nada mais é que nosso momento de estar a sós com Deus, em nossa oração pessoal. É irmos, como Moisés, contemplar o Deus escondido na figura da sarça. Deus se esconde no silêncio do nosso coração, mas para que possamos ouvi-lo é necessário deixarmos tudo de lado, preocupações, pensamentos, todos esses barulhos interiores e até exteriores que nos impedem de nos concentrarmos em Deus, e pensarmos somente Nele. Uma oração popular à Nossa Senhora de Lourdes diz que “ela apareceu no lugar solitário de uma gruta para nos mostrar que é no silêncio e no recolhimento que Deus nos fala e nós falamos com Ele.” Por isso, precisamos habituar nossa alma a estar na presença de Deus, seja na oração pessoal, na leitura na palavra, nas reflexões, leitura da vida dos santos (solidão exterior), seja em nossa solidão interior, com nosso coração recolhido em Deus durante as ocupações do dia a dia, pensando em Deus, mesmo nas conversas com o próximo (pois vivemos em uma sociedade), nos abstendo das conversações inúteis e falando somente o necessário, em nosso trabalho, em nossa família, até em nossa comunidade discipular. Assim, estaremos vivendo em nossa “Clausura Interior”, onde Deus habita, de onde Deus nos chama pelo nome, para nos falar de sua vontade.

Tal como Deus falou a Moisés de sua intenção de libertar o povo de Israel da escravidão do Egito, na clausura interior Deus fala a todos os cristãos de sua intenção de salvar muitas almas, libertando-as do pecado. Atendamos, pois, a este apelo de amor do próprio Deus que nos chama à clausura interior, pois nosso Deus Todo Poderoso, que está no Céu, quis se esconder em nosso coração, em nossa pequenez, e se dá a encontrar a todos aqueles que O buscam.

 
Edilene de Freitas Ferreira
 Professora da Escola de Formação
Fonte:  http://www.cot.org.br/formacoes.php?action=formacao&id=75
 

CONHEÇA OS SÍMBOLOS DE NATAL

dezembro 22, 2009

Conheça os símbolos do Natal

O significado na força de cada um deles
Árvore de Natal

No mundo, milhões de famílias celebram o Natal ao redor de uma árvore. A árvore, símbolo da vida, é uma tradição muito antiga que segue a história da humanidade. Os relatos mais antigos que se conhecem acerca da árvore natalina datam de meados do século XVII, e são provenientes da Alsácia, província francesa.

Descrições de florescimentos de árvores no dia do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo levaram os cristãos da antiga Europa a ornamentar suas casas com pinheiros no dia do Natal, únicas árvores que permanecem verdes na neve.

Esse símbolo natalino representa o agradecimento pela vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A estrela

As estrelas na sociedade humana foram sempre tidas como “bússolas naturais” das pessoas. Hoje os aparelhos de navegação evoluíram de tal forma que esses corpos celestes se tornaram apenas ornamentos no céu, objeto de estudo. Contudo, durante milhares de anos eram elas as responsáveis em guiar os navegadores pelos mares e os viajantes pelos desertos. Eram elas que indicavam a direção, o sentido, o porto seguro.

A estrela guiou os Três Reis Magros Baltazar, Gaspar, Melchíor – desde o Oriente até o local onde nasceu Jesus –, para que pudessem presenteá-Lo com ouro, incenso e mirra , é lembrada hoje pelo enfeite que é colocado no topo da árvore natalina. E Jesus Cristo é a Estrela Guia da humanidade. Ele é o Caminho, o Sentido, a Verdade e a Vida.

Os Reis Magos

“Eis que uns magos chegaram do Oriente a Jerusalém perguntando: ‘Onde está o rei dos Judeus, que acaba de nascer? […] viemos adorá-Lo’ […]. Eis que a estrela que tinham visto no Oriente, ia-lhes à frente até parar sobre o lugar onde estava o menino […] e o adoraram. Abriram seus cofres e lhe ofereceram ouro, incenso e mirra” (Mt 2,1-12).

Não eram reis, mas sim, sábios, estudiosos, mas o que isso importa? A mensagem é mais forte que esse detalhe. Essa narração tão plástica e viva, enriquecida posteriormente com aspectos lendários, como o nome dos três (Melchior, Gaspar e Baltazar), traz duas grandes mensagens teológicas:

– Cristo não veio apenas para os judeus, mas para redimir toda a humanidade. Ele é o polo para o qual convergem todas as raças.

– A segunda grande mensagem está relacionada aos presentes oferecidos pelos magos: ouro, incenso e mirra. O evangelista Mateus expressa por meio desses símbolos a fé vivenciada pelos primeiros cristãos: Cristo é Rei dos Reis (daí o ouro), é filho Deus (o incenso) encarnado (a mirra).

Padre Geraldinho – Com. Canção Nova
pegeraldinho@gmail.com


À ESPERA DO NATAL

dezembro 21, 2009

À espera do Natal

Natal é tempo de receber o Presente

Mal começa a preparação de uma festa, qualquer que seja, a febre das compras e das vendas incendeia o comércio. Comprar, para quem tem um bom poder aquisitivo, é fonte de prazer; e vender, para quem comercia, é fonte de lucro. O comércio é o lugar da troca. O dinheiro é o documento que, desde tempos muito antigos, simplificou esta coisa admirável de cambiar serviços e bens.

O papel-moeda, ou simplesmente, a moeda, dá ao portador o direito de receber algum bem ou serviço por já ter oferecido a outros algum bem ou serviço. Que invenção bonita é o dinheiro! O pedreiro, que assentou tijolos, leva consigo a nota de cem reais que comprova ter ele colaborado para construir o abrigo de uma família. Com esse documento nas mãos ele entra no supermercado e volta para a casa com a sacola cheia do alimento que garante a vida de seus filhos.

A sociedade atual, tão complexa, seria um caos sem o dinheiro. Mas como tudo que é sagrado pode ser corrompido, também o dinheiro, símbolo do suor de quem luta para sobreviver com dignidade, deixou de ser o que é: um facilitador da troca amorosa de bens e de serviços, para se tornar, na expressão de Marx, um fetiche.

A idolatria do dinheiro, a voracidade de tudo possuir, a insegurança de não ter e o medo de ficar sem, paralisam o que de melhor existe no ser humano: a alegria da reciprocidade. Há os que acumulam por acumular e morrem sem ter colaborado para a construção do bem comum através do dinheiro que ganharam. Há ainda os que assaltam, carregando títulos de serviços prestados por outros. Há os que dilapidam e se apropriam indebitamente desta coisa bonita, chamada imposto, e que deveria ser oferecida com a alegria de quem se coloca a serviço do bem comum. Mas há pessoas generosas, empresas conscientes de sua importância na construção da paz social, há uma economia de comunhão em andamento no mundo. Nem tudo está perdido.

Mas o que pensar das compras e vendas por ocasião do Natal? E dos presentes? Admirável comércio este que celebramos no Natal. Que troca estupenda! “Ele se fez pobre para nos enriquecer com Sua pobreza”. Seu presente é Sua Presença. Há filhos de pais ricos que ganham presentes, mas não recebem o mais desejado: a Presença, o diálogo, a troca amorosa. Natal é tempo de receber o Presente. Não precisa de dinheiro, basta preparar o coração. Ele veio a primeira vez na humildade, despojado de qualquer poder, em tudo igual a nós, – só não pecou e nem estava inclinado ao pecado –, para salvar-nos da desgraça que nós mesmos havíamos construído. Ele foi, desde a manjedoura, presença da infinita misericórdia de nosso Deus e Pai que n’Ele, seu Filho Unigênito, se curvou sobre nossa miséria e pequenez para envolver-nos em sua infinita ternura.

Os pastores, ao se abeirarem do Recém-Nascido, n’Ele viram uma pobre Criança como as que lhes nasciam em suas próprias casas. Leram-Lhe, entretanto, a infinita dignidade nos olhos enternecidos da mãe que, em profundo silêncio, contemplava no improvisado e pobre berço, envolto nos panos de nossa humana fragilidade, o mistério que lhe acontecera quando da anunciação do Anjo e que por nove meses ela abrigara em seu virginal ventre. Em tão adversas e inesperadas circunstâncias lhe nascera o Filho e sua alma continuou a cantar com igual alegria o hino de exultação pelo poder de seu Deus, que escolhera vir pobre entre os mais pobres. Dispersem-se os soberbos e caiam por terra os poderosos diante do mistério da onipotência amorosa de Deus, que vence todas as distâncias para mergulhar em nossa condição, – até a cruz – e deixar-se tomar pelas nossas trevas para iluminar-nos com Sua luz. Ele virá uma segunda vez para abolir definitivamente toda escravidão e instaurar o dia sem ocaso, só feito de luz, na justiça e na verdade, alegria eterna de um amor sem fim.

Entre a primeira e a segunda vinda estamos nós. Se acolhermos a mensagem da primeira, Ele faz morada em nós, com o Pai e com o Espírito, e nós poderemos já pré-gustar, no caminho, a felicidade da chegada e do encontro definitivo. Seja este Advento o tempo de meditar essas coisas e com Maria experimentar a verdade do Natal: encontro com o Deus que vem. Para isso, escutemos João Batista, pois ele é a “voz que clama no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai as veredas para ele.

Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão rebaixadas, as vias tortuosas serão endireitadas e os caminhos esburacados, aplanados. E todos verão a salvação que vem de Deus” (Lc 3,4-6). E João recomendava: “Quem tem duas túnicas, dê uma a quem não tem e quem tiver comida faça o mesmo…” E aos cobradores de impostos: “não cobreis mais do que foi estabelecido”…E aos soldados: “não maltrateis a ninguém, nem tomeis dinheiro à força…” (Lc 3, 10-14). Cada um de nós tem o que mudar na própria vida.

Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues
Arcebispo de Sorocaba

Fonte:  http://www.cancaonova.com/portal/canais/formacao/internas.php?e=11681