PAPA BENTO XVI: SOMOS CHAMADOS A CRESCER NA FÉ

agosto 18, 2011

Angelus do Papa Bento XVI

Somos chamados a crescer na fé.

 

14.08.2011 – Castel Gandolfo: Bento XVI em sua reflexão na oração mariana do ângelus ao meio dia falou da passagem do Evangelho de Mateus que narra a conversa de Jesus com a mulher da Cananéia que tem uma filha possuída pelo mal.

Queridos irmãos e irmãs.

O trecho evangélico deste domingo inicia com a indicação da região onde Jesus estava: Tiro e Sidônia, no nordeste da Galiléia, terra pagã. E é ali que Ele encontra uma mulher cananéia, que se dirige a Ele pedindo-lhe a cura da filha atormentada por um demônio (cfr.Mt 15,22). Já neste pedido, podemos constar um início de caminho de fé, que no diálogo com o divino Mestre, cresce e se reforça. A mulher não tem medo de gritar a Jesus “Piedade de mim”, uma expressão que encontramos nos Salmos (cfr 50,1), ela o chama de Senhor e Filho de Davi (Mt 15,22), manifesta assim a esperança de ser atendida.

Qual a atitude do Senhor diante daquele grito de dor de uma mulher pagã? Pode parecer desconcertante o silêncio de Jesus, tanto que suscita a intervenção dos discípulos, mas não se trata de insensibilidade diante da dor daquela mulher.

Santo Agostinho fala disto justamente: “Cristo se mostrava indiferente diante dela não para rejeitar a ela a misericórdia, mas para inflamar o desejo nela. (Sermões 77,1: PL 38,483). O aparente distanciamento de Jesus, que diz “Não fui mandado a outros senão às ovelhas perdidas da casa de Israel” (v.24), não desencoraja a cananéia, que insiste: “Senhor, ajuda-me” (v.25) E também quando recebe uma resposta que parece fechar toda e qualquer esperança – “Não é bom pegar o pão dos filhos e joga-los aos cachorrinhos” (v.26), não desiste. Ela não quer tirar nada de ninguém: na sua simplicidade e humildade, basta a ela o pouco, bastam a ela as migalhas, basta a ela somente um olhar, uma boa palavra do Filho de Deus. E Jesus fica admirado com uma resposta de fé tão grande e diz a ela: “Aconteça aquilo que tu desejas” (v.28).
Caros amigos, também nós somos chamados a crescer na fé, a abrir-nos e a acolher com liberdade o dom de Deus, a ter confiança e gritar também a Jesus: “doa-nos a fé, ajuda-nos a encontrar o caminho”. É o caminho que Jesus fez os discípulos, a mulher cananéia, os homens de cada tempo e povo, e cada um de nós cumprir.

A fé nos abre a conhecer e a acolher a real identidade de Jesus, a sua novidade e unicidade, a sua Palavra, como fonte de vida, para viver uma relação pessoal com Ele. O conhecer da fé cresce com o desejo de encontrar o caminho, e é finalmente um dom de Deus, que se revela a nós não como uma coisa abstrata sem face e nem nome, mas a fé corresponde a uma Pessoa, que quer entrar em relacionamento de amor profundo conosco e envolver toda a nossa vida.

Por isto, cada dia o nosso coração deve reviver a experiência da conversão, todos os dias deve ver o nosso passar do homem fechado em si mesmo, ao homem aberto à ação de Deus, ao homem espiritual (cfr ICor 2, 13-14), que se deixa envolver pela Palavra do Senhor e abre a porta da própria vida ao seu Amor.

Caros irmãos e irmãs, alimentemos todos os dias a nossa fé, com a escuta profunda da Palavra de Deus, com a celebração dos Sacramentos, com a oração pessoal como grito em direção à Ele e com a caridade em direção ao próximo.

Invocamos a intercessão da Virgem Maria, que amanhã contemplaremos na sua gloriosa assunção ao céu em alma e corpo, a fim que nos ajude a anunciar e testemunhar com a vida a alegria de ter encontrado o Senhor.

Fonte: Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé.

Extraído do site: http://www.derradeirasgracas.com/3.%20Papa%20Bento%20XVI/Angelus%20do%20Papa%20Bento%20XVI,%20Somos%20chamados%20a%20crescer%20na%20fé%20.htm

 


SORRINDO PRA VIDA: VENÇA O MAL PRATICANDO O BEM

agosto 18, 2011

DONS DE DEUS

agosto 18, 2011

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Dons de Deus

O espetáculo da paternidade e da maternidade continue a ser dado a público!

“Quem herda, não rouba”. Foram inúmeras as vezes em que ouvi de meu pai essa frase, referindo-se às marcas que se transmitem de geração a geração. Se somos únicos quanto à dignidade pessoal, dom irrevogável de Deus (Cf. Rm 11,29), o Senhor nos concedeu uma série de valores, transmitidos de geração em geração, a serem ciosamente guardados, conservados e passados adiante com fidelidade. No varejo dos contatos com as pessoas, tenho aprendido a respigar lições do cotidiano. Não dá para viver distraído, e aproveito o Dia dos Pais para comunicar algumas delas.

“Minha filha está cruelmente atormentada por um demônio” (Mt 15, 21-28) é o grito de uma mãe dirigido a Jesus. “Minha filhinha está nas últimas” (Mc 5, 23), diz ao Senhor um dos chefes de sinagoga, chamado Jairo. Meu filho, minha filha! Nesta relação se encontra a comunicação positiva de uma imagem, a da paternidade e da maternidade. Ao cumprimentar nestes dias um casal amigo que faz festa pelo casamento da filha, faz-se presente em minhas orações o pedido de que o santo orgulho dos pais seja conservado em nossas famílias. Muitos casais possam ostentar, sim, com imensa alegria, um verdadeiro troféu que simboliza o amor vivido, a graça de passar adiante a vida recebida.

Outro casal esperava o filho que estuda fora e conversávamos no aeroporto. Orgulhosamente, ao apresentar-me o rebento, o pai dizia que já começam a referir-se a ele como “o pai” daquele filho médico. E não se sentia diminuído. Sua felicidade é ser pai, e o filho fica maior! E ninguém fica complexado ao mudar de status! É porque pai que se preze quer ver o filho crescer! Já se superou o conflito e a competição tantas vezes presentes quando os filhos são adolescentes. De fato, os pais se perpetuam no crescimento dos filhos, que são diferentes, mas não deixam de ser filhos.

Aproximam-se de mim um homem e uma mulher, ao final da Missa, numa de nossas paróquias. Repete-se um pedido que se faz, graças a Deus, muito frequente, de que toque e abençoe a linda e imensa barriga da mulher que estava para dar à luz nos dias seguintes. Não posso me omitir e faço festa pela vida! Sejam muitas as mulheres grávidas a pedir à Igreja a bênção antes do parto! Muitas vidas sejam preparadas, ainda no ventre materno, para o banho batismal, como expressa o rito desta bênção. Multipliquem-se o rumor, o sorriso e o choro das crianças em nossas igrejas! Vejam-se mulheres amamentando, homens quais marinheiros de primeira viagem, desajeitados com crianças no colo ou aprendendo a trocar fraldas. O espetáculo da paternidade e da maternidade continue a ser dado a público!

Um jovem casal, cujo matrimônio tive a alegria de abençoar, passou por momentos difíceis, pois os médicos previam dificuldades quanto à saúde da criança. Antes de vir à luz a desejada criança, vi os dois se desdobrando em atenções e cuidados. Houve apreensão, medo do futuro, alegria por ver que tudo agora está bem, enquanto aguardam o iminente nascimento da criança. O amor dos dois os faz prontos para enfrentar dificuldades. No correr da vida, serão muitas as surpresas, tantas as noites em claro, muito maiores as alegrias! Aprendizado inigualável, sinfonia executada pelos vários artistas da existência, na mais bonita das escolas, a do lar!

Faço propaganda do casamento! O matrimônio é um sacramento, canal que simboliza e comunica a graça de Deus para duas pessoas chamadas, por vocação, a oferecerem a Deus a capacidade de se amarem mutuamente como matéria a ser transformada em sinal do amor de Cristo e da Igreja. Cristo amou a Igreja e se entregou por ela (Cf. Ef 5, 21-33), escolhendo a união exclusiva, fecunda e fiel de um homem e de uma mulher como sinal de tal amor. Não se trata de “morar juntos”, mas de transformar a vida dos dois que se casam, de forma a poderem dizer ao mundo: “vejam aqui a presença de Deus”!

A vida digna será sempre cultivada na família. Sonhamos juntos, Igreja e Casais, com a família segundo plano de Deus. Nossa geração seja digna a ponto de não desperdiçar seus valores, mas, antes, transmiti-los aos que vierem depois de nós. É assim que queremos viver a Semana Nacional da Família, que se celebra a partir do Dia dos Pais. E a todos os que receberam a graça da paternidade, o abraço e a bênção!

Foto Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém – PADom Alberto Taveira foi Reitor do Seminário Provincial Coração Eucarístico de Jesus em Belo Horizonte. Na Arquidiocese de Belo Horizonte foi ainda vigário Episcopal para a Pastoral e Professor de Liturgia na PUC-MG. Em Brasília, assumiu a coordenação do Vicariato Sul da Arquidiocese, além das diversas atividades de Bispo Auxiliar, entre outras. No dia 30 de dezembro de 2009, foi nomeado Arcebispo da Arquidiocese de Belém – PA.

17/08/2011

Fonte: http://www.cancaonova.com/portal/canais/formacao/internas.php?e=12457