PADRE FABIO DE MELO: COMO PERDOAR QUEM NÃO MUDA?

outubro 31, 2011

PRÁTICA DA SIMPLICIDADE NA FAMÍLIA

outubro 31, 2011
 
PRÁTICA DA SIMPLICIDADE NA FAMÍLIA
 
Não é menos admirável a alma simples em suas relações com o próximo.
No seio da família, a jovem simples vê nos pais os representantes de Deus e é surpreendente o respeito, a afeição e a confiança que lhes tributa.
 

Aceita de boa vontade a autoridade natural do pai e da mãe. Não ignora que lhes deve ser reconhecida por todos os benefícios com que a cumulam e inclina-se diante de seu saber e sua experiência. Nenhuma dessas considerações elevadas e legítimas lhe é estranha.

Na vontade e nas ordens dos pais, vê, acima de tudo, a autoridade de Deus e é principalmente por Deus e por amor a Ele que cumpre seus deveres de filha.

Se percebe imperfeições ou defeitos no pai ou na mãe, e se até vícios se ostentam diante dela, desvia o olhar, como os dois filhos de Noé, e atira o manto da majestade divina sobre a falta, a miséria ou a vergonha, para conservar sempre e apesar de tudo inviolável e sagrado o respeito àqueles que lhe deram a vida.

As mães desejam, com razão, que as filhas nelas tenham confiança, pois a confiança se baseia na estima, no carinho, no abandono, na expansão dos sentimentos. É a síntese de todas as qualidades que deve ter uma filha para com a mãe.

Ora, se as jovens forem simples, de certo serão confiantes; a menos que – e oxalá que tal não aconteça – a mãe se torne absolutamente indigna dessa confiança.

A simplicidade dá à jovem todo o seu encanto e a plenitude das graças que Deus lhe destinou: ao contrário, a falta de simplicidade a derruba de seu pedestal e faz com que perca a auréola e os atrativos.

Observai esta jovem! Está triste e sombria, sorri pouco e com amargura. Magoa-se por nada, é excessivamente suscetível. Exaspera-se à mais leve admoestação. Desconfia de todos, julga-se incompreendida, e não percebe que é incompreensível. Absorve-se em termináveis devaneios. É egoísta, frívola, personalista e vaidosa; não conhece o respeito, a submissão ou o devotamento; é desagradável a todos: o mau humor é seu estado normal.

A quê atribuir esse conjunto de defeitos, que lhe tiram a espontaneidade, a alegria e a graça próprias de sua idade, e a transforma em uma carga e uma cruz para aqueles com quem vive? Qual a razão do mal? A falta de simplicidade.

Em vez de olhar a Deus e nEle buscar sua inspiração, vê apenas a si mesma.

Habitualmente, baseia os sentimentos, o coração, e a vida em contínua e mesquinha preocupação de si mesma, que lhe torna o caráter tão insuportável quanto sua pessoa.

Contemplai agora a jovem simples. Que contraste!

Esquece-se por completo de si para só ver a Deus, o próximo e o dever. Ignora o mal, que nem sequer lhe tocou a alma inocente e pura.

A continua preocupação em tornar-se útil aos outros ou em evitar-lhes a menor contrariedade; a amabilidade risonha, a dedicação tão solícita quão discreta, a serenidade da alma expansiva, a limpidez do olhar e a pureza de atitudes que nos faz lembrar os anjos: a nobreza dos sentimentos, a elevação do pensamento que arrebata e transfigura: eis os graciosos adornos de que se reveste a jovem simples. Em sua alma de cristal reflete-se a imagem de Deus, como o sol nas águas puras e tranqüilas de um lindo lago. Ilumina, aquece e encoraja todos, os que dela se aproximam.Dá-lhes como que a presciência do céu, porque traz o céu no coração. Que doçura, que tranqüilidade para os pais! Que modelo, que auxílio para os irmãos! que tesouro para a família! Que espetáculo para os Anjos!

Ó mães, a maior graça que deveis pedir para vossas filhas, e que para elas será a fonte de todas as virtudes, é a simplicidade.

A esposa que é simples vê Deus em seu marido. Os sentimentos que naturalmente lhe dedica são ainda fortalecidos e realçados pelo pensamento de que, a seu lado, o marido representa o próprio Deus e exerce sua autoridade. Por conseguinte, é mais profundo o seu respeito, maior a sua confiança, mais intenso o seu carinho, mais perseverante o seu amor, mais solícita a sua dedicação, mais inviolável a sua fidelidade.

Como aconselha o Evangelho, sua simplicidade da pomba alia-se de modo admirável à prudência da serpente.

Confia plenamente em seu marido, apesar de sabê-lo fraco; protege-o e defende-o contra as seduções do mundo, em vez de expô-lo sem necessidade, afastando-o com delicadeza e vigilância do perigo das familiaridades excessivas, e nunca deixando de acompanhá-lo aos lugares onde haja tentações.

Não ignora que a ela pertence a responsabilidade espiritual e moral de auxiliá-lo a melhor conhecer, amar e servir a Deus. Esta idéia anima-a em seus sentimentos e deveres e impede sua afeição de enfraquecer ou desviar-se.

Permanece afeiçoada ao marido, e os anos só podem aumentar-lhe o indefectível amor. Ama-o, entretanto, sem fraqueza; ama-o para torná-lo melhor; deseja-lhe o verdadeiro bem, o bem da alma, que coloca acima e antes de tudo, não hesitando, se preciso, em preferi-lo à própria felicidade neste mundo. É a companheira virtuosa, a amiga santa, a mulher “forte” por excelência, mulier bona. Como diz a Escritura, é um “tesouro” e “nela confia o coração de seu marido.”

A mãe que é simples é a verdadeira educadora. Não consistirá a finalidade da educação em tornar as crianças simples, isto é, em habituá-las a agir para Deus?

Como é falsa e como acarreta resultados deploráveis a educação em que se dá contínua relevância ao amor próprio, ao prazer, à recompensa imediata, ao interesse e a tantos outros objetivos puramente humanos, que podem levar a criança a um esforço passageiro, mas que nunca lhe darão sólidos e profundos hábitos de virtude!

Que acontecerá às almas que não forem vigorosamente formadas no temor e no amor de Deus, quando despertarem as paixões, quando aparecerem às ocasiões perigosas, quando se apresentarem os exemplos e as atrações do mundo, as pérfidas seduções ou os deveres difíceis? Serão vítimas fáceis do vício e do pecado. Só as almas educadas sob o olhar de Deus, as consciências fixas em Deus, os caracteres formados na grande escola evangélica da simplicidade poderão enfrentar as tempestades da vida neste mundo, e, no meio de tantos escolhos, alcançar, sem se despedaçar, a bem-aventurada eternidade.

A simplicidade é a alavanca da educação. Sem ela nenhuma séria formação moral poderia existir. Eis o que é por demais esquecido; eis por que, tantas vezes, a educação só conduz à ruína; eis por que tantos rapazes e moças fazem chorar as mães; eis por que vemos tantas quedas, escândalos, lares destruídos e almas torturadas!

Se, ao despertar do entendimento, a mãe soubesse imprimir Deus no espírito e no coração do filho; se lhe falasse de Deus, como seria seu dever; se lhe fizesse compreender, desde a mais tenra idade, a única coisa necessária; se conseguisse que, para ele, o maior castigo fosse ouvir estas palavras: meu filho, ofendeste a Deus! bastante cedo, a criança se tornaria homem, tendo a consciência viril, ou melhor, divinizada. Quando chegasse à idade das grandes tentações e dos terríveis combates, o cristão de há muito formado não trairia o seu Deus, ou, se acaso se deixasse um momento dominar por alguma fraqueza, se inesperadamente cedesse a um assalto mais temível, a uma sedução mais poderosa, como Pedro, após o olhar de Jesus voltaria logo a Deus e, com profunda dor, resgataria a sua falta com generosidade ilimitada.

Ó mães, se quereis que vossos filhos sejam um dia vossa alegria e a alegria de Deus, sede simples e fazei-os simples! A simplicidade é a armadura com que Deus presenteia as almas que deseja tornar invencíveis. Mas, às mães compete revestir-se a si e aos filhos com esta armadura!

 
por
Monsenhor de Gibergues
(Livro: A Simplicidade segundo o Evangelho)

Fonte: http://www.espacomaria.com.br/?cat=8&id=3675


ALEXANDRE: É PELA GRAÇA QUE FOSTES SALVOS, MEDIANTE A FÉ

outubro 30, 2011

COMO DISCERNIR O QUE É SINAL DE DEUS?

outubro 30, 2011

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Como discernir o que é sinal de Deus?

O Senhor usa de vários meios para nos transmitir Seus designíos
 

Desde o início, Deus se comunica com o ser humano de forma a não somente transmitir mensagens, mas fazendo doação de Si mesmo a nós. “Por uma vontade absolutamente livre, Deus revela-se e dá-se ao homem” (Catecismo da Igreja Católica, art. Nº 50).

O Senhor usa de vários meios para nos transmitir Seus designíos e Sua Pessoa. Temos como alguns exemplos os anjos que são Seus mensageiros; os dons do Espírito Santo; a Sagrada Escritura e também a Eucaristia, sacramento de máxima entrega.

Não bastasse tudo isso, ainda há a “comunicação do amor de Deus” através de sinais. São acontecimentos que significam algo mais que o simples andamento ou consequência de fatos. Deus nos fala nas entrelinhas das ocorrências incomuns ou da rotina. Até mesmo Jesus percebeu cada passo de Seu ministério em eventos comuns que poderiam passar despercebidos, desde a falta de vinho numa festa de casamento (cf. Jo 2,1-12) até quando se aproximava o tempo certo da “Sua entrega na cruz”. Porém, é necessário ter cuidado e discernir sinceramente se estamos diante do que é um apontamento do Senhor ou se estamos nos aproveitando de um acontecimento qualquer para justificar algo que temos no coração.

Preferimos nos enganar, nomeando forçosamente simples ocorrências como resposta do Alto, dada a grandiosidade do desejo. Desviamo-nos de uma verdadeira leitura da orientação divina, nos deixando levar por ideias fixas e obstinação de coração. Quando estamos com a mente e sentimentos tomados, parece que tudo conspira e confirma na direção tanto do objeto de desejo como para traumas, complexos e impressões que trazemos. Assim, no futuro, só nos decepcionaremos com o Senhor e buscaremos culpar os homens que não nos pareceram favoráveis.

Para interpretar corretamente a fala de Deus é importante, primeiramente, nos desfazermos dos nossos apegos e conceitos tendenciosos, estarmos livres para aceitar aquilo que não nos é agradável, as exortações e a direção do que Ele quer consertar em nossa vida.

Outro ponto é cultivar uma íntima amizade com o Senhor, peça a graça de amá-Lo independente dos favores. Gaste tempo em Sua companhia e saiba que a iniciativa de sinais será sempre Dele; o que não nos isenta da necessidade de termos uma constância na oração e de nos relacionarmos com o Senhor.

Depois que Deus mesmo se encarrega do sucesso do empreendimento e da graça que Ele quer conceder, Jesus ordena a dois de Seus discípulos: ”Ide a essa aldeia que está defronte de vós. Entrando nela, achareis um jumentinho atado, em que nunca montou pessoa alguma; desprendei-o e trazei-mo. Partiram os dois discípulos e acharam tudo como Jesus tinha dito” (Lc 19,30-32). Os fatores do outro lado, no campo da missão, encontram elementos correspondentes à ordem dada por Jesus, mas isso não significa que essa providência se manifeste no primeiro momento. Deus enviou Moisés ao faraó, mas o soberano do Egito foi resistente em libertar o povo do Senhor. Podemos encontrar barreiras que o Altíssimo sinaliza como sendo Sua vontade para nós.

Na verdade, aprenderemos a interpretar corretamente os sinais com um treinamento. Com o passar do tempo, se mantivermos uma amizade verdadeira com Deus e nos exercitarmos nesse processo de intuir, empreender na ordem divina e prestar atenção aos resultados, aprenderemos a olhar um fato, desde o início, e saber se é realmente um sinal do Senhor.
O Deus a quem seguimos é bondoso e quer fazer aquilo que é o melhor para nós, por isso está em constante comunicação.

Ele é fiel e nos conduz. “Se o seu projeto ou a sua obra provém de homens, por si mesma se destruirá” (At 5, 38).

Sandro Ap. Arquejada-Missionário Canção Nova
sandroarq@geracaophn.com

28/10/2011

Fonte: http://www.cancaonova.com/portal/canais/formacao/internas.php?e=12545


COMENTÁRIO DO EVANGELHO DE DOMINGO DIA 30/10/2011

outubro 29, 2011

COMENTÁRIO DO EVANGELHO DO XXXI DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO:A DO DIA 30 DE OUTUBRO DE 2011, FEITO PELO PADRE MATEUS MARIA, FMDJ.

Clique no link abaixo e assista

http://www.gloria.tv/?media=209577


PAPA BENTO XVI: PEREGRINOS DA VERDADE E DA PAZ

outubro 28, 2011

CATEQUESE DO PAPA.

PEREGRINOS DA VERDADE E DA PAZ.

26.10.2011 – Cidade do Vaticano: Em virtude do mau tempo em Roma, nesta quarta-feira, o encontro semanal do Papa com os peregrinos foi transferido da Praça São Pedro para a Sala Paulo VI. Entretanto, antes Bento XVI esteve na Basílica de São Pedro para saudar os fiéis que não conseguiram lugar na Sala, inclusive em língua portuguesa.

Queridos irmãos e irmãs,

Hoje, o tradicional evento da Audiência Geral assume um caráter particular, porque estamos na vigília da Jornada de Reflexão, Diálogo e Oração pela Paz e Justiça no Mundo, que acontecerá amanhã, em Assis, a vinte e cinco anos do primeiro histórico encontro convocado pelo Beato João Paulo II.

Quis dar a esta Jornada o título “Peregrino da verdade, peregrinos da paz”, para significar o compromisso que desejamos solenemente renovar, juntamente com os membros de diversas religiões, e também com homens não crentes, mas sinceramente em busca da verdade, na promoção do verdadeiro bem da humanidade e na construção da paz. Como já tive oportunidade de recordar, “quem está em caminho rumo a Deus não pode deixar de transmitir a paz, quem constrói a paz não pode deixar de aproximar-se de Deus”.

Como cristãos, estamos convencidos de que a contribuição mais preciosa que podemos dar à causa da paz é aquela da oração. Por esse motivo, encontramo-nos hoje, como Igreja de Roma, juntamente com os peregrinos presentes na Urbe, na escuta da Palavra de Deus, para invocar com fé o dom da paz. O Senhor pode iluminar a nossa mente e os nossos corações e guiar-nos para sermos construtores da justiça e da reconciliação nas nossas realidades cotidianas e no mundo.

No trecho do profeta Zacarias que escutamos há pouco, ressoou um anúncio pleno de esperança e de luz (cf. Zc 9, 10). Deus promete a salvação, convida a “exultar grandemente”, porque essa salvação se está por concretizar. Fala-se de um rei: “Eis que vem a ti o teu rei, justo e vitorioso” (v. 9), mas aquele que é anunciado não é um rei que se apresenta com o poder humano, a força das armas; não é um rei que domina com o poder político e militar; é um rei manso, que reina com humildade e suavidade frente a Deus e aos homens, um rei diferente dos grandes soberanos do mundo: “Ele é simples e vem montado num jumento, no potro de uma jumenta”, diz o Profeta (ibidem). Ele manifesta-se montando o animal do povo simples, pobre, em contraste com os carros de guerra dos exércitos dos poderosos da terra. Antes, é um rei que fará desaparecer esses carros, quebrará os arcos de batalha, anunciará a paz das nações (cf. v. 10).

Mas quem é esse rei de que fala o Profeta Zacarias? Andemos por um momento a Belém e escutemos novamente aquilo que o Anjo diz aos pastores que vigiavam à noite, guardando o próprio rebanho. O Anjo anuncia uma alegria que será de todo o povo, ligada a um pobre sinal: um menino envolto em faixas, colocado em uma manjedoura (cf. Lc 2,8-12).

E a multidão celeste canta “Glória a Deus no mais alto dos céus e sobre a terra paz aos homens, que ele ama”, aos homens de boa vontade (v. 14). O nascimento daquele menino, que é Jesus, traz um anúncio de paz para todo o mundo.

Mas andemos também aos momentos finais da vida de Cristo, quando Ele entra em Jerusalém acolhido por uma multidão em festa. O anúncio do Profeta Zacarias do advento de um rei humilde e manso voltou à mente dos discípulos de Jesus de modo particular após os eventos da paixão, morte e ressurreição, do Mistério Pascal, quando retornaram com os olhos da fé àquele alegre ingresso do mestre na Cidade Santa. Ele monta um jumento, tomado emprestado (cf. Mt 21,2-7): não está sobre uma rica carruagem, não está em um cavalo como os grandes. Não entra em Jerusalém acompanhado de um poderoso exército de carros e cavaleiros. Ele é um rei pobre, o rei daqueles que são os pobres de Deus.

No texto grego aparece o termo praeîs, que significa os mansos, os brandos; Jesus é o rei dos anawim, daqueles que têm o coração livre da ânsia do poder e riqueza material, da vontade e da busca de domínio sobre o outro. Jesus é o rei de quantos têm aquela liberdade interior que os torna capazes de superar a ganância, o egoísmo que está no mundo, e sabem que Deus somente é a sua riqueza.

Jesus é rei pobre entre os pobres, brando entre aqueles que desejam ser brandos. Deste modo, Ele é o rei da paz, graças ao poder de Deus, que é o poder do bem, o poder do amor. É um rei que fará desaparecer os cavalos de batalha, que quebrará os arcos de guerra; um rei que realiza a paz sobre a Cruz, conjugando a terra e o céu e lançando uma ponte fraterna entre todos os homens.

A Cruz é o novo arco da paz, sinal e instrumento de reconciliação, de perdão, de compreensão, sinal de que o amor é mais forte do que toda a violência e opressão, mais forte do que a morte: o mal se vence com o bem, com o amor.

É esse o novo reino de paz em que Cristo é o rei; e é um reino que se estende por toda a terra. O Profeta Zacarias anuncia esse rei manso, pacífico, e diz: dominará “de mar a mar e desde o rio até as extremidades da terra” (Zc 9,10). O reino que Cristo inaugura tem dimensões universais. O horizonte deste rei pobre, brando, não é aquele de um território, de um Estado, mas são os confins do mundo; para além de toda a barreira de raça, língua, cultura, Ele cria comunhão, cria unidade.

E onde vemos realizar-se no hoje este anúncio? Na grande rede das comunidades eucarísticas que se estende sobre toda a terra ressurge a luminosa profecia de Zacarias. É um grande mosaico de comunidades, nas quais se torna presente o sacrifício de amor deste rei manso e pacífico; é o grande mosaico que constitui o “Reino de paz” de Jesus, de mar a mar e até os confins do mundo; é uma multidão de “ilhas da paz”, que irradiam paz.

Em todos os lugares, em cada realidade, cultura, das grandes cidades, com os seus palácios, até as pequenas cidades com suas humildes moradias, das poderosas catedrais às pequenas capelas, Ele vem, torna-se presente; e ao entrar em comunhão com Ele, também os homens são unidos entre si em um único corpo, superando divisões, rivalidades, rancores. O Senhor vem na Eucaristia para tolher-nos do nosso individualismo, dos nossos particularismos que excluem os outros, para formar-nos em um só corpo, um só reino de paz em um mundo dividido.

Mas como podemos construir este reino de paz de que Cristo é o rei? O comando que Ele deixa aos seus Apóstolos e, através deles, a todos nós é: “Ide, pois, e fazei discípulos todos os povos […] Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,19). Como Jesus, os mensageiros de paz do seu reino devem colocar-se a caminho, devem responder ao seu convite.

Devem andar, mas não com o poder da guerra ou com a força do poder. No trecho do Evangelho que escutamos, Jesus convida setenta e dois discípulos à grande messe que é o mundo, convidando-os a rezar ao Senhor da messe para que não faltem operários na sua messe (cf. Lc 10,1-3); mas não lhes envia com meios poderosos, mas sim “como cordeiros em meio a lobos” (v. 3), sem bolsas, sacos ou sandálias (cf. v. 4).

São João Crisóstomo, em uma das suas Homilias, comenta: “Enquanto formos cordeiros, venceremos, e, ainda que sejamos circundados por numerosos lobos, chegaremos a superá-los. Mas, se nos tornarmos lobos, seremos derrotados, porque estaremos privados do auxílio do pastor” (Homilia 33, 1: PG 57, 389).

Os cristãos não devem nunca cair na tentação de se tornarem lobos entre os lobos; não é com o poder, com a força, com a violência que o reino de paz de Cristo se estende, mas com o dom de si, com o amor levado ao extremo, também com relação aos inimigos. Jesus não vence o mundo com a força das armas, mas com a força da Cruz, que é a verdadeira garantia da vitória. E isso tem como consequência, para quem deseja ser discípulo do Senhor, seu enviado, o estar pronto também para a paixão e o martírio, a perder a própria vida por Ele, para que, no mundo, triunfem o bem, o amor, a paz. É essa a condição para poder dizer, entrando em cada realidade: “Paz nesta casa” (Lc 10,5).

Diante da Basílica de São Pedro, encontram-se duas grandes estátuas dos Santos Pedro e Paulo, facilmente identificáveis: São Pedro tem na mão as chaves, São Paulo, por sua vez, tem nas mãos uma espada. Para quem não conhece a história desse último, poderia pensar que se trate de um grande comandante que guiou poderosos exércitos e, com a espada, teria submetido povos e nações, procurando fama e riqueza com o sangue de outros.

No entanto, é exatamente o contrário: a espada que tem entre as mãos é o instrumento com o qual Paulo foi condenado à morte, com o qual foi martirizado e derramado o seu sangue. A sua batalha não foi aquela da violência, da guerra, mas aquela do martírio por Cristo. A sua única arma foi exatamente o anúncio de “Jesus Cristo, e Cristo crucificado” (1Cor 2,2).

A sua pregação não se baseou “na eloqüência persuasiva da sabedoria; era, antes, uma demonstração do Espírito e do poder divino” (v. 4). Dedicou sua vida a levar a mensagem de reconciliação e de paz do Evangelho, gastando toda a sua energia para fazê-lo ressoar até os confins da terra. E essa foi a sua força: não procurou uma vida tranqüila, cômoda, distante das dificuldades, das contrariedades, mas se consumou pelo Evangelho, deu todo a si mesmo, sem reservas, e, assim, tornou-se o grande mensageiro da paz e da reconciliação de Cristo.

A espada que São Paulo tem nas mãos também se refere ao poder da verdade, que muitas vezes pode ferir, pode fazer mal; o Apóstolo manteve-se fiel até o fim a esta verdade, a serviu, sofreu por ela, entregou a sua vida por ela. Essa mesma lógica vale também para nós, se desejamos ser portadores do reino de paz anunciado pelo Profeta Zacarias e realizado por Cristo: devemos estar dispostos a pagar pessoalmente, a sofrer em primeira pessoa a incompreensão, a rejeição, a perseguição. Não é a espada do conquistador que constrói a paz, mas a espada do sofredor, de quem sabe dar a própria vida.

Queridos irmãos e irmãs, como cristãos, desejamos invocar de Deus o dom da paz, desejamos rezar para que Ele nos torne instrumentos da sua paz em um mundo ainda lacerado pelo ódio, por egoísmos, por guerras.

Desejamos pedir-Lhe que o encontro de amanhã, em Assis, favoreça o diálogo entre pessoas de diversas pertenças religiosas e leve um raio de luz capaz de iluminar a mente e o coração de todos os homens, para que o rancor dê espaço ao perdão, a divisão à reconciliação, a violência à delicadeza, e, no mundo, reine a paz. Amém.

Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé.

Fonte: http://www.derradeirasgracas.com/3.%20Papa%20Bento%20XVI/CATEQUESE%20DO%20PAPA%20BENTO%20XVI.%20.htm


PADRE CLAITON PENA: O QUE SIGNIFICA AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS?

outubro 26, 2011