PADRE FABIO DE MELO: PALESTRA DA 3ª ROMARIA DA JUVENTUDE EM APARECIDA-SP

dezembro 15, 2011

JOÃO É A VOZ, CRISTO A PALAVRA

dezembro 15, 2011

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João é a voz, Cristo a Palavra

Cremos em Cristo e esperamos d’Ele a salvação

João era a voz, mas o Senhor, no princípio era a Palavra (cf. Jo 1,1). João era a voz passageira, Cristo, a Palavra eterna desde o princípio.

Suprimida a palavra, o que se torna a voz? Esvaziada de sentido, é apenas um ruído. A voz sem palavras ressoa ao ouvido, mas não alimenta o coração.

Entretanto, mesmo que se trate de alimentar nossos corações, vejamos a ordem das coisas. Se penso no que vou dizer, a palavra já está em meu coração. Se quero, porém, falar contigo, procuro o modo de fazer chegar ao teu coração o que já está no meu. Procurando então como fazer chegar a ti e penetrar em teu coração o que já está no meu, recorro à voz e por ela falo contigo. O som da voz te faz entender a palavra, e quando te fez entendê-la, esse som desaparece, mas a palavra que ele te transmitiu permanece em teu coração, sem haver deixado o meu.

Não te parece que esse som, depois de haver transmitido minha palavra, está dizendo: É necessário que Ele cresça e eu diminua? (cf. Jo 3,30). A voz ressoou, cumprindo sua função, e desapareceu, como se dissesse: Esta é a minha alegria, e ela é completa (cf. Jo 3,29). Guardemos a palavra, não percamos a palavra concebida em nosso íntimo.

Queres ver como a voz passa e a palavra divina permanece? Que foi feito do batismo de João? Cumpriu sua missão e desapareceu, agora é o batismo de Cristo que está em vigor. Todos cremos em Cristo e esperamos dele a salvação; foi o que a voz anunciou.

Justamente porque é difícil não confundir a voz com a palavra, julgaram que João era o Cristo. Confundiram a voz com a palavra. Mas a voz reconheceu o que era para não prejudicar a palavra. “Eu não sou o Cristo (cf. Jo 1,20), disse João, nem Elias, nem o Profeta. Perguntaram-lhe então: Quem és tu? Eu sou, responde ele, a voz que grita no deserto: ‘Aplainai o caminho do Senhor'” (Jo 1,19.23). É a voz do que grita no deserto, do que rompe o silêncio, “Aplainai o caminho do Senhor”, como se dissesse: “Sou a voz que se faz ouvir apenas para levar o Senhor aos vossos corações. Mas ele não se dignará vir aonde o que levar, se não preparardes o caminho”.

O que significa: Aplainai o caminho do Senhor, senão: Orai como deve orar? O que significa ainda: Aplainai o caminho do Senhor, senão: Tende pensamentos humildes? Imitai o exemplo de João. Julgam que é o Cristo e ele diz não ser aquele que julgam: não se aproveita o erro alheio para uma afirmação pessoal. Se tivesse dito: “Eu sou o Cristo”, facilmente teriam acreditado nele, pois já era considerado como tal antes que o dissesse. Mas não disse, pelo contrário, reconheceu o que era, disse o que não era, foi humilde. Viu de onde lhe vinha a salvação, compreendeu que era uma lâmpada e temeu que o vento do orgulho pudesse apagá-la.

Fonte: Liturgia das Horas

14/12/2011

Fonte: http://www.cancaonova.com/portal/canais/formacao/internas.php?e=12591


PADRE FABIO DE MELO: ESTABELECENDO LAÇOS DURADOUROS

dezembro 14, 2011

PAPA BENTO XVI: REGOZIJAI-VOS SEMPRE NO SENHOR

dezembro 13, 2011

Angelus do Papa Bento XVI.

Regozijai-vos sempre no Senhor.

11.12.2011 – Cidade do Vaticano: O Papa rezou ao meio dia deste domingo a oração do Angelus com cerca de 40 mil romanos e turistas presentes na Praça São Pedro. Bento XVI fez antes um breve discurso dedicado à preparação do Natal nestes tempos de crise econômica.

 Queridos irmãos e irmãs!

Os textos litúrgicos deste período de Advento nos renova ao convite de viver a espera de Jesus, a não parar de esperar para a sua vinda, de modo a manter uma atitude de abertura e vontade de se encontrar com Ele.

A vigília de coração, que o cristão é chamado a exercitar sempre, na vida de todos os dias, caracteriza de modo particular este tempo no qual nos preparamos com alegria para o mistério do Natal (cfr Prefácio do Advento II).

O ambiente exterior propõe mensagens usuais de natureza comercial, mesmo que não tão forte por causa da crise econômica. O cristão é convidado a viver o Advento sem deixar-se distrair pelas luzes, mas sabendo dar o valor correto às coisas, fixando seu olhar interior sob Cristo. Se, de fato, perseveramos “vigiantes na oração e exultantes na glória” (ibid.), os nossos olhos serão capazes de reconhecer Nele a verdadeira luz do mundo, que vem clarear as nossas trevas.

Em particular, a liturgia deste domingo, chamado “Gaudete”, nos convida à alegria, não a uma vigília triste, mas satisfeita. “Gaudete in Domino semper” – escreve São Paulo: “Regozijai-vos sempre no Senhor” (Fil 4,4). A verdadeira alegria não é fruto do divertimento, entendida no sentido etimológico da palavra di-vertir, isto é ir além dos deveres da vida e suas responsabilidades. A verdadeira alegria está ligada a algo mais profundo.

Certo, no ritmo cotidiano, muitas vezes frenético, é importante encontrar espaço para um tempo de descanso, para distração, mas a alegria verdadeira está ligada a um relacionamento com Deus. Quem encontrou Cristo na própria vida experimenta no coração uma serenidade e uma alegria que ninguém e nenhuma situação pode tirar.

Santo Agostinho expressou isso muito bem, em sua busca pela verdade, pela paz, pela alegria, depois de ter buscado em vão em muitas coisas, conclui com uma célebre expressão que o coração do homem é inquieto, não encontra serenidade e paz até que repousa em Deus (cfr As Confissões, I,1,1).

A verdadeira alegria não é simplesmente um estado de animo passageiro, nem qualquer coisa que se consegue com os próprios esforços, mas é um dom, nasce do encontro com a pessoa vida de Jesus, ao dar espaço a Ele em nós, ao acolher o Espírito Santo que guia nossa vida. É o convite que faz o apóstolo Paulo, que diz: “o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Ts 5,23).

Neste tempo de Advento reforcemos a certeza que o Senhor veio em meio a nós e continuamente renova a sua presença de consolação, de amor e de alegria. Tenhamos confiança Nele, como afirma ainda Santo Agostinho, a luz da esperança: o Senhor é mais próximo a nós do que nós somos de nós mesmos – “interior intimo meo et superior summo meo” (As Confissões, III,6,11).

Confiemos o nosso caminho à Virgem Imaculada, no qual o Espírito exultou em Deus Salvador. Seja ela a guiar os nossos corações na espera feliz da vinda de Jesus, na espera rica de oração e de boas obras.

Fonte: Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé.

Extraído do site: http://www.derradeirasgracas.com/3.%20Papa%20Bento%20XVI/Advento%20de%20Natal%20-%20Regozijai-vos%20sempre%20no%20Senhor.%20.htm


O MILAGRE DE GUADALUPE

dezembro 13, 2011

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4


PADRE LÉO: CAMINHAR COM JESUS

dezembro 11, 2011

PAPA BENTO XVI: SOBRE A IMACULADA CONCEIÇÃO

dezembro 11, 2011

Angelus do Papa Bento XVI

 Sobre a Imaculada Conceição

08/12/2011 – Cidade do Vaticano – S.S. Bento XVI rezou na manhã desta quinta-feira, Solenidade da Imaculada Conceição, a oração mariana do Angelus com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça S. Pedro. Nesta bela manhã ensolarada de outono, feriado em Roma, o Papa recordou a anunciação do Arcanjo Gabriel e as etapas que culminaram com a declaração do dogma da Imaculada Conceição, feita pelo Beato Pio IX na Carta apostólica Ineffabilis Deus, de 1854.

Queridos irmãos e irmãs!
Neste dia, a Igreja celebra solenemente a concepção imaculada de Maria. Como declarou o beato Pio IX na Carta Apostólica Ineffabilis Deus, de 1854, ela “foi preservada, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, imune de toda mancha de pecado original”. Tal verdade de fé é contida nas palavras de saudação do Arcanjo Gabriel: “Salve Maria, cheia de graça, o Senhor está contigo” (Lc 1,28).
A expressão “cheia de graça” indica a obra maravilhosa de amor de Deus, que quis nos devolver a vida e a liberdade, perdidas com o pecado, por meio de seu Filho Unigênito encarnado, morto e ressuscitado. Por isso, desde do século II, no Oriente e no Ocidente, a Igreja invoca e celebra a Virgem que, com o seu “sim”, aproximou o Céu da terra, tornando-se “geradora de Deus e enfermeira de nossa vida”, como expressa São Romano na melodia de uma antiga canção (Canticum XXV in Nativitatem B. Mariae Virginis, in J.B. Pitra, Analecta Sacra t. I, Paris, 1876, 198).
No século VII, São Sofrônio de Jerusalém elogia a grandeza de Maria, porque nela o Espírito Santo fez moradia: “Tu exerce toda a magnificência dos dons que Deus jamais ofereceu a qualquer pessoa humana. Mais que tudo, és rica da presença de Deus que mora em ti”. (Oratio II, 25 in SS. Deiparæ Annuntiationem: PG 87, 3, 3248 AB).
E São Beda, o venerável, explica: “Maria é bendita entre as mulheres, porque com a dignidade da virgindade encontrou graça de ser geradora de um filho que é Deus” (Hom I, 3: CCL 122, 16).


Também a nós é doada a “plenitude da graça” que devemos fazer resplandecer em nossa vida, porque o “Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto do céu nos abençoou com toda bênção espiritual em Cristo, e nos acolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, diante de seus olhos. No seu amor nos predestinou para sermos adotados como filhos seus por Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua livre vontade”
(Ef 1,3-5).
Esta filiação recebemos por meio da Igreja, no dia do Batismo. Sobre tal propósito, Santa Hildegard de Bingen escreveu: “A Igreja é, portanto, a virgem mãe de todos os cristãos. Na força secreta do Espírito Santo os concebe e os dá a luz, oferecendo-os a Deus de maneira que sejam também chamados filhos de Deus” (Scivias, visio III, 12: CCL Continuatio Mediævalis XLIII, 1978, 142).
Entre tantos cantores da beleza espiritual da Mãe de Deus, destaca-se São Bernardo de Clairvaux que afirma que a invocação “Ave Maria, cheia de graça” é agradável a Deus, aos anjos e homens. Os homens, devido à maternidade, aos anjos graças a virgindade, a Deus graças a humildade” (Sermo XLVII, De Annuntiatione Dominica: SBO VI,1, Roma 1970, 266).
Queridos amigos, esperando cumprir nesta tarde, como é de costume, a homenagem a Maria Imaculada, na Praça da Espanha [em Roma], dirijamos nossa fervorosa oração àquela que intercede a Deus por nós, para que nos ajude a celebrar com fé o Natal do Senhor que se aproxima.

Fonte: Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé.

Extraído do site: http://www.derradeirasgracas.com/3.%20Papa%20Bento%20XVI/Angelus%20do%20Papa%20Bento%20XVI%20-%20Sobre%20a%20Imaculada%20Conceição.%20%20.htm


ELIANA RIBEIRO E THIAGO TOMÉ: ENCONTRAMOS O CRISTO

dezembro 10, 2011

NECESSITAMOS NOS SANTIFICAR POR MARIA

dezembro 10, 2011
 
NECESSITAMOS NOS SANTIFICAR POR MARIA
 
Alma, imagem viva de Deus e resgatada pelo Sangue precioso de Jesus Cristo, a vontade de Deus a teu respeito é que te tornes santa como Ele nesta vida, e gloriosa como Ele na outra.A aquisição da santidade de Deus é tua vocação assegurada; e é para lá que todos os teus pensamentos, palavras e ações, teus sofrimentos e todos os movimentos de tua vida devem tender; ou [do contrário] tu resistes a Deus, não fazendo aquilo para o que Ele te criou e te conserva agora. 

Ó! Que obra admirável! A poeira transformada em luz, a imundície em pureza, o pecado em santidade, a criatura em Criador e o homem em Deus! Ó obra admirável! Eu o repito, mas obra difícil em si mesma e impossível à natureza por si só; unicamente Deus, por uma graça, uma graça abundante e extraordinária, é Quem pode levá-la a cabo; e a criação de todo o universo não é maior obra-prima do que esta.

Alma, como farás? Que meios tu escolherás para subir onde Deus te chama? Os meios de salvação e de santidade são conhecidos de todos, estão assinalados no Evangelho, explicados pelos mestres da vida espiritual, são praticados pelos santos e necessários a todos os que querem salvar-se e chegar à perfeição; tais são: a humildade de coração, a oração contínua, a mortificação universal, o abandono à divina Providência, a conformidade com a vontade de Deus.

Para praticar todos esses meios de salvação e de santidade, a graça e o socorro de Deus são absolutamente necessários, e esta graça é dada a todos, maior ou menor; não resta dúvida. Eu digo: maior ou menor; pois Deus, ainda que sendo infinitamente bom, não dá Sua graça igualmente forte para todos, embora Ele a dê suficiente para todos. A alma fiel a uma grande graça faz uma grande ação, e com uma fraca graça faz uma pequena ação. O valor e a excelência da graça dada por Deus e correspondida pela alma fazem o valor e a excelência de nossas ações. Esses princípios são incontestáveis.

Tudo se reduz, portanto, a encontrar um meio fácil para obter de Deus a graça necessária para tornar-se santo; e é isto que eu quero ensinar. E, eu digo que para encontrar a graça de Deus, é necessário encontrar Maria.

Porque Maria nos é necessária

1º – Foi só Maria quem encontrou graça diante de Deus, para Si, e para cada homem em particular. Os patriarcas e os profetas, todos os santos da Antiga Lei não puderam encontrar esta graça.

2º – Foi Ela que deu o ser e a vida ao Autor de toda graça, e, por causa disso, Ela é chamada a Mãe da graça, Mater Gratiae.

3º – Deus Pai, de Quem todo dom perfeito e toda graça desce como de sua fonte essencial, dando-Lhe Seu Filho, deu-Lhe todas as Suas graças; de sorte que, como diz São Bernardo, a vontade de Deus Lhe foi dada nEle e com Ele.

4º – Deus A escolheu para ser a tesoureira, a ecônoma e a dispensadora de todas as Suas graças; de modo que todas Suas graças e todos Seus dons passam por Suas mãos; e, conforme o poder que Ela recebeu dEle, segundo São Bernardino, Ela dá a quem Ela quer, como Ela quer, quando Ela quer e tanto quanto Ela quer, as graças do Pai Eterno, as virtudes de Jesus Cristo e os dons do Espírito Santo.

5º – Assim como, na ordem natural, é preciso que uma criança tenha um pai e uma mãe, do mesmo modo, na ordem da graça, é necessário que um verdadeiro filho da Igreja tenha Deus por pai e Maria por mãe; e, se ele se gloria de ter Deus por pai, não tendo o carinho de um verdadeiro filho por Maria, é um farsante que não tem senão o demônio por pai.

6º – Uma vez que Maria formou o Chefe dos predestinados, que é Jesus Cristo, cabe a Ela também formar os membros deste Chefe, que são os verdadeiros cristãos: pois uma mãe não forma o chefe sem os membros, nem os membros sem o chefe. Quem deseje, portanto, ser membro de Jesus Cristo, pleno de graça e de verdade, deve ser formado em Maria por meio da graça de Jesus Cristo, que reside nEla em plenitude, para ser comunicada em plenitude aos verdadeiros membros de Jesus Cristo e a Seus verdadeiros filhos.

7º – O Espírito Santo tendo desposado Maria, e tendo produzido nEla, e por Ela, e dEla, Jesus Cristo, esta obra-prima, o Verbo Encarnado, como Ele nunca A repudiou, Ele continua a produzir todos os dias nEla e por Ela, de uma maneira misteriosa, mas verdadeira, os predestinados.

8º – Maria recebeu de Deus uma dominação particular sobre as almas para as nutrir e fazer crescer em Deus. Santo Agostinho diz mesmo que, neste mundo, os predestinados estão todos contidos no seio de Maria, e que eles não vêm à luz senão quando esta boa Mãe os faz nascer para a vida eterna. Em conseqüência, como a criança tira todo seu alimento de sua mãe, que o dá proporcionado à sua fraqueza, da mesma forma os predestinados tiram toda sua nutrição espiritual e toda sua força de Maria.

9º – Foi a Maria que Deus Pai disse: In Jacob inhabita: Minha Filha, habita em Jacó, quer dizer, nos Meus predestinados figurados por Jacó. Foi a Maria que Deus Filho disse: In Israel haereditare: Minha querida Mãe, tende Vossa herança em Israel, ou seja, nos predestinados. Enfim, foi a Maria que o Espírito Santo disse: In electis meis mitte radices: Lançai, minha fiel Esposa, raízes nos Meus eleitos. Qualquer um que seja, portanto, eleito e predestinado tem a Santíssima Virgem habitando em sua casa, quer dizer, em sua alma, e ele A deixa introduzir nela as raízes de uma profunda humildade, de uma ardente caridade e de todas as virtudes.

10º – Maria é chamada por Santo Agostinho, e é, com efeito, o molde vivo de Deus, forma Dei, quer dizer, somente nEla Deus feito homem foi formado ao natural, sem que Lhe falte nenhum traço da Divindade, e é também nEla somente que o homem pode ser formado em Deus ao natural, tanto quanto a natureza humana é capaz, pela graça de Jesus Cristo.

Um escultor pode fazer uma figura ou um retrato ao natural de duas maneiras: 1º – servindo-se de sua indústria, de sua força, de sua ciência e da qualidade de seus instrumentos para fazer essa figura em uma matéria dura e informe; 2º – ele pode colocá-la num molde. A primeira maneira é demorada, difícil, e sujeita a vários acidentes: não é preciso, freqüentemente, mais que um golpe mal dado de cinzel ou de martelo para estragar toda uma obra. A segunda é pronta, fácil e doce, quase sem sofrimento e sem custo, desde que o molde seja perfeito e que ele represente ao natural; desde que a matéria de que ele se sirva seja bem maleável, não resistindo nunca à sua mão.

Maria é o grande molde de Deus, feito pelo Espírito Santo, para formar ao natural um Homem-Deus pela união hipostática, e para formar um homem-Deus pela graça. Não falta a este molde nenhum traço da divindade; qualquer um que seja jogado nele e se deixa manejar, nele recebe todos os traços de Jesus Cristo, verdadeiro Deus, de uma maneira doce e proporcionada à fraqueza humana, sem muita luta e trabalho; de uma maneira segura, sem medo de ilusão, pois o demônio nunca teve e não terá jamais entrada junto a Maria, santa e imaculada, sem sombra da menor mancha de pecado.

Ó! Cara alma, que diferença há entre uma alma formada em Jesus Cristo pelas vias ordinárias daqueles que, como os escultores, se fiam em sua experiência e se apóiam em sua capacidade, e uma alma bem maleável, bem desfeita, bem derretida, e que, sem nenhum apoio em si mesma, se lança em Maria e nEla se deixa manusear pela operação do Espírito Santo! Quanto há de máculas, quanto há de defeitos, quanto há de trevas, quanto há de ilusões, quanto há de natural, quanto há de humano na primeira alma; e como a segunda é pura, divina e parecida com Jesus Cristo!

Absolutamente não há, nem nunca haverá jamais, criatura onde Deus seja maior, fora dEle mesmo e em Si mesmo, que na divina Maria, sem exceção nem dos bem-aventurados, nem dos Querubins, nem dos mais altos Serafins, no Paraíso mesmo. Maria é o paraíso de Deus e Seu mundo inefável, onde o Filho de Deus entrou para lá operar maravilhas, para o guardar e comprazer-Se lá. Ele fez um mundo para o homem viandante, que é este [em que estamos]; Ele fez um mundo para o homem bem-aventurado, que é o Paraíso; mas Ele fez um outro para Si, ao qual deu o nome de Maria; mundo desconhecido a quase todos os mortais, e incompreensível a todos os Anjos e bem-aventurados, lá no Céu, que, na admiração de ver Deus tão elevado e tão distanciado deles todos, tão separado e tão recluso em Seu mundo, a divina Maria, bradam dia e noite: Santo, Santo, Santo.

Feliz e mil vezes feliz a alma, cá embaixo, à qual o Espírito Santo revela o segredo de Maria, para o conhecer; e à qual Ele abre e permite penetrar esse jardim fechado, essa fonte selada para nela abeberar-se das águas vivas da graça! Esta alma não encontrará senão Deus somente, sem criatura, nesta amável criatura; mas Deus, ao mesmo tempo infinitamente santo e elevado, infinitamente condescendente e proporcionado à sua fraqueza. Uma vez que Deus está em todo lugar, pode-se encontrá-Lo em todo lugar, até nos infernos; mas não há lugar onde a criatura possa encontrá-Lo mais perto de si e mais proporcionada à sua fraqueza que em Maria, pois foi para este efeito que Ele desceu a Ela. Por toda parte Ele é o Pão dos fortes e dos Anjos; mas em Maria, Ele é o Pão dos filhos.

Que ninguém imagine, portanto, junto com alguns falsos iluminados, que Maria, sendo criatura, seja um impedimento à união como o Criador; não é mais Maria que vive, é Jesus Cristo só, é Deus só que vive nEla. Sua transformação em Deus ultrapassa mais a de São Paulo e dos outros santos, de que o Céu ultrapassa a Terra em elevação. Maria não foi feita senão para Deus, e tal seria que Ela faça parar uma alma nEla mesma. Pelo contrário, Ela a lança em Deus e a une a Ele com tanto maior perfeição, quanto maior a união da alma com Ela. Maria é o eco admirável de Deus, que não responde senão: Deus, quando alguém grita: Maria, que não glorifica senão a Deus, quando, com Santa Isabel, alguém Lhe chama bem-aventurada. Se os falsos iluminados, que foram miseravelmente enganados pelo demônio até na oração, houvessem sabido encontrar Maria, e por Maria, Jesus, e por Jesus, Deus, eles não teriam tido tão terríveis quedas. Quando se tem uma vez encontrado Maria, e por Maria, Jesus, e por Jesus, Deus Pai, tem-se encontrado todo bem, dizem as almas santas: Inventa, etc. Quem diz a “todo” não faz exceção de nada: toda graça e toda amizade junto a Deus; toda sinceridade contra os inimigos de Deus; toda verdade contra a mentira; toda facilidade e toda vitória contra as dificuldades da salvação; toda doçura e toda alegria nas amarguras da vida.

Isso não quer dizer que quem encontrou Maria, por meio de uma verdadeira devoção, seja isento de cruzes e de sofrimentos, tal seria; ele é mais assaltado do que qualquer outro, porque Maria, sendo a Mãe dos viventes, dá a todos os Seus filhos pedaços da Árvore da vida, que é a Cruz de Jesus; mas talhando-lhes umas boas cruzes, Ela lhes dá a graça de carregá-las pacientemente e mesmo alegremente; de sorte que as cruzes que Ela dá aos que Lhe pertencem são mais uns doces, ou umas cruzes confeitadas, que cruzes amargas; ou, se eles sentem por um tempo a amargura do cálice que é preciso beber necessariamente para ser amigo de Deus, a consolação e a alegria, que esta boa Mãe faz suceder à tristeza, os anima infinitamente a levar cruzes ainda mais pesadas e amargas.

Conclusão

A dificuldade está, portanto, em saber encontrar verdadeiramente a divina Maria, para encontrar toda graça abundante. Deus, sendo Senhor absoluto, pode comunicar por Ele mesmo o que Ele não comunica ordinariamente senão por Maria; não se pode negar, sem temeridade, que Ele o faça mesmo algumas vezes; entretanto, segundo a ordem que a divina Sabedoria estabeleceu, Ele não se comunica ordinariamente aos homens senão por Maria na ordem da graça, como diz São Tomás. É necessário, para subir e se unir a Ele, servir-se do mesmo meio de que Ele Se serviu para descer a nós, para se fazer homem e para nos comunicar Suas graças; e este meio é uma verdadeira devoção à Santa Virgem.

 
Autor: São Luís Maria G. de Montfort – O Segredo de Maria

Fonte: http://www.espacomaria.com.br/?cat=8&id=3726


É POSSÍVEL SER HONESTO?

dezembro 9, 2011

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É possível ser honesto?

A corrupção destrói relacionamentos sociais, familiares, religiosos

Definida pelo ato ou efeito de corromper, decompor, a corrupção está a cada dia mais comum, ligada à figura da devassidão, depravação e perversão. Ela possui a capacidade de trazer à tona aquilo que há de mais sujo no homem. E o pior: ela está presente em todos os lugares, independentemente de classes sociais e padrões econômicos.

A corrupção destrói os relacionamentos sociais, familiares, religiosos, políticos. Destruindo o próprio homem, que foi criado para a comunhão com os outros, fazendo destes vítimas, pois, na busca de vias desonestas, o homem corrupto acaba por decompor a si mesmo, assim como seus relacionamentos e identidade. É semelhante ao mito de Narciso, que, apaixonado por si mesmo e sua imagem, acaba morrendo afogado no lago.

Essa prática é devastadora, causa estragos profundos nos homens e na comunidade política, macula a possibilidade de os homens serem inteiros, rompe o vínculo da comunhão e confiança, conduzindo-os à situação fedida da putrefação. E priva a comunidade política de exercer sua função vital, que é servir aos homens, em vista do bem comum.

Por isso, há hoje em dia uma descrença na verdade, muitos estão desanimados, não acreditando na honestidade como padrão de comportamento moral, pois os honestos, inúmeras vezes, têm sido criticados por não entrar nos “esquemas”, se autoidentificando como seres em extinção. Por outro lado, não são poucos aqueles que se orgulham do famoso “jeitinho brasileiro”, divulgam as suas façanhas, e ainda por cima, parecem que sempre se dão bem.

Não foi por acaso que o beato João Paulo II, em seu discurso aos leigos, em Campo Grande no Brasil, exortou os cristãos a não se deixarem abalar pelo temor de que a fidelidade aos princípios éticos os coloca em situação de desvantagem, num ambiente em que não raro a lei moral é desprezada e grande é a corrupção. O Santo Padre afirmou: “Mesmo que às vezes aquele que faz a opção pelo Evangelho pareça ficar em situação de inferioridade, é preciso ter a coragem de dar, em todo o momento, um testemunho ético nítido e inequívoco, deste modo estareis amando a Deus e estareis servindo o Brasil“.

Portanto, não é somente possível ser honesto mas necessário, pois o verdadeiro testemunho ético constrói laços incorruptíveis, e estes se tornam meios eficazes de santificação e, consequentemente, fermento de transformação da sociedade. Assim, o homem é chamado a ser inteiro e autêntico, rompendo com toda a decomposição gerada pela corrupção. Unido a Cristo – o homem honesto por essência, torna-se testemunha autêntica do Evangelho em razão de sua incorruptibilidade.

Ricardo Gaiotti
Missionário da Canção Nova

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A luta contra a corrupção
Formar consciência crítica

08/12/2011

 
Fonte: http://www.cancaonova.com/portal/canais/formacao/internas.php?e=12593
 

FGFG


COMENTÁRIO DO EVANGELHO DE DOMINGO DIA 11/12/2011

dezembro 9, 2011

COMENTÁRIO DO EVANGELHO DO III DOMINGO DO ADVENTO ANO: B DO DIA 11 DE DEZEMBRO DE 2011, FEITO PELO PADRE MATEUS MARIA, FMDJ.

Clique no link abaixo e assista:

http://www.gloria.tv/?media=224889


PADRE FABIO DE MELO: INFIDELIDADE MATRIMONIAL DÓI NOS FILHOS

dezembro 9, 2011

CANÇÃO NOVA: TEMPO DE RECOMEÇAR

dezembro 7, 2011

A TV Canção Nova produziu um especial de dramaturgia intitulado “Tempo de Recomeçar”. Baseado na parábola do Filho Pródigo, narrada no Evangelho de São Lucas 15, 11-32, a dramaturgia repercutiu grandes efeitos na vida de quem assitiu.


A FORÇA DO PERDÃO

dezembro 7, 2011

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A força do perdão

O ressentido é refém dos acontecimentos, da história ferida…

Ao tratarmos o tema do perdão dentro do dinamismo da vida cristã, precisamos reconhecer que não é fácil perdoar, porém, não é impossível, mas, extremamente necessário. Quando tomamos consciência da força destrutiva do ressentimento, das mágoas, dos rancores, enfim, de todos os maus sentimentos que norteiam os relacionamentos feridos e mal resolvidos, passamos a entender que tal resolução [perdão], tendo por referência essencial o amor de Deus e não a ferida, não é opcional para os que anseiam o céu, mas uma condição primordial de salvação.

A Sagrada Escritura é composto de vários textos que tratam sobre a importância do perdão: “Pois, se perdoardes aos homens os seus delitos, também o vosso Pai celeste vos perdoará; más se não perdoardes aos homens, o vosso Pai também não perdoará os vossos delitos” (Mt. 6, 14). Segundo o expressar desse texto bíblico, não perdoar significa perder o perdão de Deus, ou seja, apartar-se da Misericórdia Divina.

Tendo em vista que perdoar significa não guardar mais o mal, quem não perdoa faz comunhão com as trevas, com o mal. E como somos chamados a viver em comunhão com a bondade, e o valor da nossa eleição está na contínua abertura ao amor, tocar nesses sentimentos mal resolvidos é uma necessidade da alma! Pois, a história da humanidade demostra claramente que a resposta da vida é fruto do que reina no coração. Diante de tal questionamento, respondamos: O que tem reinado no meu íntimo?

O ressentido é refém dos acontecimentos, da história ferida, dos seus “vitimalismos” e razões altamente justificadas. O segredo da liberdade e da vida na graça de Deus é ver e rever a ferida no amor, no Amado de nossas almas, pois somente nessa perspectiva a cura do coração será total.

Agir contrariamente a essa verdade significa pôr em jogo a própria salvação, porque o Reino dos céus é para os misericordiosos. É a ordem do amor que coloca a vida na dinâmica das bem-aventuranças: “Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5, 7). Ou seja, uma operação concreta de perdão nos relacionamentos rompe definitivamente com as trevas dos maus sentimentos.

No livro do Eclesiástico encontramos um forte exemplo de como devemos nos comprometer com a verdade salvífica do perdão: “Perdoa ao teu próximo o mal que te fez, e teus pecados serão perdoados quando o pedires. Um homem guarda rancor contra outro homem, e pede a Deus a sua cura! Não tem misericórdia para com o seu semelhante, e roga o perdão dos seus pecados! Ele, que é apenas carne, guarda rancor, e pede a Deus que lhe seja propício! Quem, então, lhe conseguirá o perdão de seus pecados? Lembra-te do teu fim, e põe termo às tuas inimizades…” (Eclo 28, 2-6).

É muito cruel pensarmos que as inimizades não resolvidas nesta vida terrena nos levarão à eterna inimizade com Deus, isto é, ao inferno. Sofrer com tais sentimentos nesta vida e ainda por cima sofrer eternamente pela falta de decisão no amor e no perdão é muito entristecedor!

A conversão pelas vias do perdão é o caminho da alegria, da vida de Deus, de um trilhar santificante, libertador e salvífico! Um interior saudável e revelador de eternidade é o resultado desse processo íntimo de conversão e reconciliação, na força do amor e do perdão. Contrariamente a esse processo, constatamos facilmente o fruto colhido na vida daqueles que não decidiram pela misericórdia, permitindo então o reinado dos maus sentimentos: desânimo, tristeza, amargura, frustração, angústia, negativismo, murmuração, revolta, raiva, ira, impulso autodestrutivo, vingança, egoísmo, autopiedade, entre outros. Por isso, olhemos para o nosso íntimo e tomemos a decisão que nos reconcilia com Deus e os irmãos, decidamo-nos pelo céu, pelo amor e pelo perdão! Sigamos o conselho do livro do Eclesiástico: “[…] Lembra-te do teu fim, e põe fim às tuas inimizades…” (Eclo 28, 6a).

Padre Eliano Luiz Gonçalves, sjs. (Fraternidade Jesus Salvador).

Padre Eliano Luiz Gonçalves, sjs. (Fraternidade Jesus Salvador).

06/12/2011

Fonte: http://www.cancaonova.com/portal/canais/formacao/internas.php?e=12589


PHN: DEUS ME RESGATOU DA PROSTITUIÇÃO – TESTEMUNHO DE TONY ALLYSSON

dezembro 6, 2011

MUDAR É PRECISO

dezembro 6, 2011

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Mudar é preciso

Jesus não quer a perdição de ninguém, mas a mudança
 

A palavra “mudança” faz parte do calendário do tempo do Advento. Mudar do pior para o melhor, das práticas de morte para aquelas de vida. Este é o sentido verdadeiro do Natal, para o qual estamos caminhando, revigorando forças no perdão de Deus.

O itinerário leva em conta uma vida melhor, que depende de humildade, de testemunho pessoal como grandeza evangélica e de reconhecimento da bondade do Senhor da vida. Jesus nasce no Natal fazendo-se carne para resgatar a humanidade da morte.

Deus não quer a perdição de ninguém, mas diz que “mudar é preciso”. Não quer que estejamos mergulhados no mal. Por isso, o Natal pode transformar-se em tempo de salvação, de enraizamento na vida de Deus e de felicidade verdadeira.

A maior mudança é confirmada com o encorajamento e a renovação da confiança no amor de Deus. Isso ocasiona compromisso sério com o bem e a vida digna. É muito mais do que um Natal apenas de muitas festividades.

O Advento é um tempo de bênção para quem o vivencia. Ele pode nos encaminhar para novos horizontes, ajudar-nos a superar grandes barreiras e dificuldades, porque o Senhor vem ao encontro das pessoas, como o pastor que vai em busca das ovelhas.
Nascendo em Belém de Judá, Jesus resgata vidas ameaçadas e cuida das pessoas enfraquecidas e indefesas, porque Sua vida significa vida do povo. A libertação é para todos, é um Natal sem fronteiras, não só como momento histórico, mas como vida nova.

O nascimento de Jesus dá início a uma nova criação, a um coração e espírito novos e a presença do motivador da paz. Isso exige que celebremos o Natal de forma coerente com a fé cristã. No Menino do Natal a vida toma sentido na história humana.
Celebrar festas natalinas supõe fidelidade aos princípios da fé cristã e da confiança nos planos de Deus. Ele não quer a perdição de ninguém, mas mudança, chegando ao conhecimento da verdade, que é Ele mesmo. Isso supõe viver na santidade e justiça em busca do bem de todos.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Bispo de São José do Rio Preto

02/12/2011

Fonte: http://www.cancaonova.com/portal/canais/formacao/internas.php?e=12588


NILTON JUNIOR: SEREI SÓ TEU

dezembro 5, 2011

PAPA BENTO XVI: A VIRGEM MARIA E SÃO JOÃO BATISTA

dezembro 5, 2011

Angelus do Papa Bento XVI

A Virgem Maria e São João Batista.

04.12.2011 – Cidade do Vaticano: A Praça São Pedro, neste domingo, estava tomada de fiéis e peregrinos, que vieram de diversas partes do mundo para acompanhar a oração mariana do Angelus conduzida pelo Santo Padre. O Papa em seu discurso lembrou: Escolher a sobriedade como estilo de vida , especialmente em preparação para a festa do Natal.

Queridos irmãos e irmãs..

Este domingo marca a segunda etapa do tempo do Advento. Esse período do ano litúrgico ressalta as duas figuras que viveram um papel primordial na preparação da vinda histórica do Senhor Jesus: A Virgem Maria e São João Batista.

Exatamente sobre esse último se concentra o texto de hoje, do Evangelho de Marcos. Descreve, de fato, a personalidade e a missão do precursor de Cristo. Começando do aspecto externo, João vem apresentado como uma figura muito ascética: vestido de pele de camelo, se nutre das ervas e do mel selvagem que encontra no deserto da Judéia.

Jesus mesmo, uma vez, o contrapôs àqueles que estão nos “palácios dos reis” e que “vestem roupas de luxo”. O estilo de João Batista deveria chamar todos os cristãos a escolher a sobriedade como estilo de vida, especialmente em preparação à festa do Natal, na qual, o Senhor, como diria São Paulo, “de rico que era, se fez pobre por vós, porque vós vos tornastes ricos por meio da sua pobreza”.

Em relação a missão de João, a mesma foi um apelo extraordinário à conversão: o seu batismo está ligado a um ardente convite a um novo modo de pensar e de agir, está ligado sobretudo ao anúncio do juízo de Deus e do iminente aparecimento do Messias, definido como “aquele que é mais forte que eu” e que batizará no Espírito Santo.

O apelo de João vai além e com profundidade em relação à sobriedade do estilo de vida: chama a uma mudança interior, a partir do reconhecimento e da confissão do próprio pecado. Enquanto nos preparamos para o Natal, é importante que entremos em nós mesmo e façamos uma verificação sincera da nossa vida. Deixemo-nos iluminar por um raio da luz que provém de Belém, a luz daquele que é o maior e se fez pequeno, o mais forte e se fez fraco.

Todos os quatro Evangelistas descrevem a pregação de João Batista fazendo referência a um passo do profeta Isaías: “Uma voz grita: ‘No deserto, preparai o caminho do Senhor, aplainai entre os ramos, a estrada ao nosso Deus” (Is 40,3).

Marcos insere também uma citação de outro profeta, Malaquias, que diz: “Eis, diante de ti eu mando o meu mensageiro: ele preparará a tua via. (Mal 3,1). Esses trechos das Escrituras do Antigo Testamento falam da intervenção salvífica de Deus, que sai da sua imprescrutabilidade para julgar e salvar, a Ele é preciso abrir a porta, preparar o caminho” (Jesus de Nazaré, 1. p35)

À materna intercessão de Maria, Virgem da Espera, confiamos o nosso caminho ao encontro do Senhor que vem, enquanto perseguimos o nosso itinerário de Advento para preparar no nosso coração e na nossa vida, a vinda do Emanuel, Deus conosco.

Fonte: Boletim Sala de Imprensa da Santa Sé.

Extraído do site: http://www.derradeirasgracas.com/3.%20Papa%20Bento%20XVI/Angelus%20do%20Papa%20Bento%20XVI%2004.12.2011%20%20.htm


PADRE JOSE AUGUSTO: DO QUE ADIANTA GANHAR O MUNDO INTEIRO

dezembro 4, 2011

PAPA BENTO XVI: A ORAÇÃO DE JESUS

dezembro 4, 2011

Papa Bento XVI

A oração de Jesus.

30.11.2011: Cidade do VaticanoNo encontro desta quarta-feira com os peregrinos e fiéis, na Sala Paulo VI do Vaticano, o Papa continuou a série de dissertações sobre a oração, mas desta vez voltando o olhar a Jesus, que com seu próprio exemplo, revela plenamente o mistério da oração cristã.

Queridos irmãos e irmãs,

Após ter refletido sobre alguns exemplos de oração no Antigo Testamento, hoje começamos a olhar para Jesus, para a sua oração, que atravessa toda a sua vida, como um canal secreto que irriga a existência, as relações, os gestos e que o guia, com progressiva firmeza, ao dom total de si, segundo o projeto de amor de Deus Pai.

Ele é o Mestre também do nosso rezar; mais ainda, Ele é o sustento ativo e fraterno de todo o nosso dirigir-se ao Pai. Verdadeiramente, como sintetiza um título do Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, “a oração é plenamente revelada e atuada em Jesus” (541-547). A Ele desejamos olhar nas próximas Catequeses.

Um momento particularmente significativo deste seu caminho é a oração que segue o Batismo no Rio Jordão. O Evangelista Lucas escreve que Jesus, após ter recebido, junto a todo o povo, o Batismo pelas mãos de João batista, entra em uma oração personalíssima e prolongada: “Quando todo o povo ia sendo batizado, também Jesus o foi. E estando ele a orar, o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre ele” (Lc 3, 21-22). Exatamente este “estar em oração”, em diálogo com o Pai, ilumina a ação que realizou junto a tantos de seu povo, reunidos às margens do Jordão. Rezando, Ele dá a esse gesto um traço exclusivo e pessoal.

O Batista tinha dirigido um forte apelo a viver verdadeiramente como “filhos de Abraão”, convertendo-se ao bem e produzindo frutos dignos de tal transformação (cf. Lc 3, 7-9). E um grande número de Israelitas havia se transformado, com recorda o Evangelista Marcos: “E saíam para ir ter com ele [João] toda a Judéia, toda Jerusalém, e eram batizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados” (Mc 1,5).

O Batista levava algo de realmente novo: submeter-se ao batismo devia assinalar uma mudança determinante, deixar uma conduta ligada ao pecado e iniciar uma vida nova. Também Jesus acolhe tal convite, entra na desanimada multidão dos pecadores que esperam às margens do Jordão. Mas, como nos primeiros cristãos, também em nós brota a pergunta: por que Jesus se submete voluntariamente a este batismo de penitência e de conversão? Ele não tinha pecados, não tinha necessidade de se converter. Portanto, por que este gesto?

O Evangelista Mateus reporta o estupor do Batista que afirma: “Eu devo ser batizado por ti e tu vens a mim!” (Mt 3, 14) e a resposta de Jesus: “Deixa por agora, pois convém cumpramos a justiça completa” (v. 15). O sentido da palavra “justiça” no mundo bíblico é aceitar plenamente a vontade de Deus.

Jesus mostra a sua proximidade àquela parte do seu povo que, seguindo o Batista, reconhece insuficiente o simples considerar-se filhos de Abraão, mas quis cumprir a vontade de Deus, quis comprometer-se para que o seu próprio comportamento fosse uma resposta fiel à aliança oferecida por Deus em Abraão.

Descendo, portanto, ao Rio Jordão, Jesus, sem pecado, torna visível a sua solidariedade com aqueles que reconhecem os próprios pecados, escolhem arrepender-se e mudar de vida; faz compreender que ser parte do povo de Deus quer dizer entrar em uma ótica de novidade de vida, de vida segundo Deus.

Nesse gesto, Jesus antecipa a cruz, dá início à sua atividade tomando o lugar dos pecadores, assumindo sobre si o peso da culpa de toda a humanidade, cumprindo a vontade do Pai. Recolhendo-se em oração, Jesus mostra o íntimo vínculo com o Pai que está nos Céus, experimenta a sua paternidade, colhe a beleza exigente do seu amor, e no colóquio com Ele recebe a confirmação da sua missão.

Nas palavras que ressoam do Céu (cf. Lc 3, 22) há uma antecipação do mistério pascal, da cruz e da ressurreição. A voz divina define-o “O Filho bem-amado”, recordando a Isaac, o amadíssimo filho a que o Pai Abraão esteve disposto a sacrificar, segundo o mandamento de Deus (cf. Gen 22, 1-14). Jesus não é somente o Filho de Davi, descendente messiânico real, o Servo do qual Deus se compraz, mas é também o Filho unigênito, o amado, similar a Isaac, que Deus Pai dá para a salvação do mundo.

No momento em que, através da oração, Jesus vive em profundidade a própria filiação e a experiência da paternidade de Deus (cf. Lc 3, 22b), desce o Espírito Santo (cf. Lc 3, 22a), que o guia na sua missão e que Ele infundirá após ser levantado na cruz (cf. Jo 1, 32-34; 7, 37-39), para que ilumine a obra da Igreja. Na oração, Jesus vive um ininterrupto contato com o Pai para realizar até o fim o projeto de amor para os homens.

No plano de fundo dessa extraordinária oração está a existência inteira de Jesus vivida em uma família profundamente ligada à tradição religiosa do povo de Israel. Mostram isso as referências que encontramos nos Evangelhos: a sua circuncisão (cf. Lc 2, 21) e a apresentação no templo (cf. Lc 2, 22-24), bem como a educação e a formação na santa casa (cf. Lc 2, 39-40 e 2, 51-52). Trata-se de cerca de “trinta anos” (Lc 3, 23), um tempo longo de vida escondida e ferial, ainda que com experiências de participação em momentos de expressão religiosa comunitária, como as peregrinações em Jerusalém (cf. Lc 2, 41).

Narrando-nos o episódio de Jesus aos doze anos no templo, sentado em meio aos mestres (cf. Lc 2, 42-52), o Evangelista Lucas deixa entrever como Jesus, que reza após o Batismo ao Jordão, tem um longo costume de oração íntima com Deus Pai, enraizada nas tradições, no estilo da sua família, nas experiências decisivas nela vividas.

A resposta dos doze anos a Maria e José já indica aquela filiação divina, que a voz celeste manifesta após o Batismo: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?” (Lc 2, 49). Saído das águas do Jordão, Jesus não inaugura a sua oração, mas continua a sua relação constante, habitual com o Pai; e é nessa união íntima com Ele que realiza a passagem da vida escondida em Nazaré ao seu ministério público.

O ensinamento de Jesus sobre a oração surge certamente do seu modo de rezar adquirido em família, mas tem a sua origem profunda e essencial no seu ser Filho de Deus, na sua relação única com Deus Pai. O Compêndio do Catecismo da Igreja Católica – respondendo à pergunta “Com quem Jesus aprendeu a rezar?” – diz: “Jesus, segundo o seu coração de homem, foi ensinado a rezar por sua Mãe e pela tradição judaica. Mas a sua oração brota duma fonte secreta, porque Ele é o Filho eterno de Deus, que, na sua santa humanidade, dirige a seu Pai a oração filial perfeita” (541).

Na narração evangélica, as ambientações da oração de Jesus colocam-se sempre no cruzamento entre a inserção na tradição do seu povo e a novidade de uma relação pessoal única com Deus. “O lugar deserto” (cf. Mc 1, 35; Lc 5, 16) a que frequentemente se retira, “o monte” para onde sai a rezar (cf. Lc 6, 12; 9, 28), “a noite” que lhe permite a solidão (cf. Mc 1, 35; 6, 46-47; Lc 6, 12) recordam momentos do caminho da revelação de Deus no Antigo Testamento, indicando a continuidade do seu projeto salvífico. Ao mesmo tempo, assinalam momentos de particular importância para Jesus, que conscientemente se insere nesse plano, fiel plenamente à vontade do Pai.

Também na nossa oração devemos aprender, sempre mais, a entrar nessa história da qual Jesus é o cume, renovar diante de Deus a nossa decisão pessoal de abrirmo-nos à sua vontade, pedir a Ele a força de configurar a nossa vontade à sua, em toda a nossa vida, em obediência ao seu projeto de amor por nós.

A oração de Jesus toca todas as fases do seu ministério e todos os seus dias. Os cansaços não a bloqueiam. Os Evangelhos, antes, deixam transparecer um costume de Jesus de transcorrer em oração parte da noite.

O Evangelista Marcos narra uma dessas noites, após a pesada jornada da multiplicação dos pães: “Imediatamente ele obrigou os seus discípulos a subirem para a barca, para que chegassem antes dele à outra margem, em frente de Betsaida, enquanto ele mesmo despedia o povo. E despedido que foi o povo, retirou-se ao monte para orar. À noite, achava-se a barca no meio do lago e ele, a sós, em terra” (Mc 6, 45-47).

Quando as decisões se fazem urgentes e complexas, a sua oração torna-se mais prolongada e intensa. Na iminência da escolha dos Doze Apóstolos, por exemplo, Lucas salienta a duração noturna da oração preparatória de Jesus: “Naqueles dias, Jesus retirou-se a uma montanha para rezar, e passou aí toda a noite orando a Deus. Ao amanhecer, chamou os seus discípulos e escolheu doze dentre eles que chamou de apóstolos” (Lc 6, 12-13).

Olhando para a oração de Jesus, deve surgir em nós uma pergunta: Como nós rezamos? Qual é o tempo que dedicamos à relação com Deus? Faz-se hoje uma suficiente educação e formação à oração? E quem pode ser o nosso mestre?

Na Exortação Apostólica Verbum Domini, falei da importância da leitura orante da Sagrada Escritura. Recolhendo quanto emergiu na Assembleia do Sínodo dos Bispos, coloquei também um acento particular sobre a forma específica da Lectio Divina.

Escutar, meditar, ficar em silêncio diante do Senhor que fala é uma arte, que se aprende praticando com constância. Certamente a oração é um dom que requer, todavia, ser acolhido; é obra de Deus, mas exige compromisso e continuidade de nossa parte, sobretudo a continuidade e a constância são importantes. Exatamente a experiência exemplar de Jesus mostra que a sua oração, animada pela paternidade de Deus e pela comunhão com o Espírito, é aprofundada em um prolongado e fiel exercício, desde o Jardim das Oliveiras até a Cruz.

Hoje, os cristãos são chamados a serem testemunhas de oração, exatamente porque o nosso mundo está muitas vezes fechado ao horizonte divino e à esperança que leva ao encontro com Deus. Na amizade profunda com Jesus e vivendo n’Ele e com Ele a relação filial com o Pai, através da nossa oração fiel e constante, possamos abrir janelas ao Céu de Deus. Ainda mais, no percorrer a via da oração, sem recursos humanos, possamos auxiliar outros a percorrê-la: também para a oração cristã é verdadeiro que, caminhando, abrem-se caminhos.

Queridos irmãos e irmãs, eduquemo-nos a uma relação com Deus intensa, a uma oração que não seja ocasional, mas constantes, plena de confiança, capaz de iluminar a nossa vida, como ensina-nos Jesus. E peçamos a Ele o poder comunicar às pessoas que nos são próximas, àquelas que encontramos na nossa estrada, a alegria do encontro com o Senhor, luz para a existência.

Ao final da Catequese, o Papa dirigiu-se aos peregrinos de língua portuguesa:

Saúdo os peregrinos de língua portuguesa, Particularmente os brasileiros vindos de Lorena e de Curitiba, a quem desejo uma prática de oração constante e cheia de confiança para poderdes comunicar a todos quantos vivem ao vosso redor a alegria do encontro com o Senhor, luz para as nossas vidas! E que Ele vos abençoe a vós e às vossas famílias!

Fonte: Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé.

Extraído do site: http://www.derradeirasgracas.com/3.%20Papa%20Bento%20XVI/Catequese%20do%20Papa%20Bento%20XVI%2030.11%20%20.htm