VERDADES FUNDAMENTAIS DA DEVOÇÃO À SANTÍSSIMA VIRGEM – PARTE II

VERDADES FUNDAMENTAIS DA DEVOÇÃO À SANTÍSSIMA VIRGEM – PARTE II

Exposição feita pelo professor Plinio Corrêa de Oliveira sobre o Tratado da Verdadeira Devoção a Nossa Senhora, de São Luis Grignion de Montfort 

Semelhança com os dias atuais

Isto é muito curioso. Atualmente os teólogos são também unânimes em afirmar as grandezas de Nossa Senhora. Não há um que ouse negar aquilo que dizemos a respeito d’Ela. E, no entanto, o que distingue os devotos de Nossa Senhora dos que não Lhe têm devoção, tanto hoje quanto no tempo de São Luís Grignion, é o mesmo. Estes últimos aprendem as verdades a respeito d’Ela, mas “de um modo especulativo, seco, estéril e indiferente”.

Especulativo – Há alguns teólogos que, inquiridos a respeito da devoção a Nossa Senhora, sabem dizer tudo com uma esquematização perfeita. Além disso, todas as suas afirmações são verdadeiras e certas. Mas é um conhecimento meramente especulativo, pois não há neles um amor vivo, uma atitude concreta que corresponda àquela convicção. Pelo contrário, tudo permanece etéreo.

Seco – Há os que fazem da Mariologia o que poderíamos chamar de “geometria dogmática”. Sabem citar todos os trechos da Sagrada Escritura ou dos Doutores da Igreja, e conhecem todas as regras de exegética que fundamentam os privilégios de Nossa Senhora. Mas esses conhecimentos não geram neles nem piedade, nem amor, nem entusiasmo. E, com a mesma indiferença com que um técnico, baseado em tabelas, fala a respeito da composição química dos anéis de Saturno, assim falam eles a respeito de Nossa Senhora e dos Seus privilégios.

Estéril – Essa maneira de pregar a devoção a Nossa Senhora não contagia ninguém, nem produz frutos apostólicos de qualquer espécie. Na formação ministrada por essas pessoas, Nossa Senhora não representa absolutamente o papel que Lhe atribui a doutrina católica. A vida interior das almas por elas formadas não deixa transparecer uma devoção a Nossa Senhora correspondente ao que a Igreja ensina. Portanto, os desvios de outrora são muito parecidos com os de hoje. Uma devoção a Nossa Senhora com calor, comunicativa, ardente, fecunda, é muito raro encontrar.


Continua São Luís Maria Grignion de Montfort:

“Estes senhores raras vezes falam de Maria e da devoção que se Lhe deve ter, porque – dizem – receiam que se abuse dessa devoção, e que se Vos ofenda honrando excessivamente Vossa Mãe Santíssima” (tópico 64).

Encontramos às vezes, entre católicos, a formulação de que o culto a Nossa Senhora é coisa boa, mas que “há um certo exagero nele, por onde Nosso Senhor não é suficientemente cultuado; é preciso cultuar a Virgem Santíssima, mas reservando sempre o primeiro lugar para Nosso Senhor”.

Ligada a esta formulação que amalgama dolosamente erros e verdades, há também uma atitude falsa com relação à devoção ao Santíssimo Sacramento. Assim, por exemplo, entrando numa igreja, encontramos com certa freqüência pessoas instruídas na Religião, rezando diante do Santíssimo Sacramento. Mas se formos procurá-las diante de uma imagem de Nossa Senhora, rarissimamente as encontraremos. Tem-se a impressão de que, para eles, o culto das imagens é uma espécie de utensílio para a piedade mais primitiva dos fiéis, uma coisa superficial. Por isso, em geral, entra-se numa igreja e se vai rezar diante do Santíssimo Sacramento; diante de uma imagem de Nossa Senhora, quão mais raro!

A verdade, porém, é inteiramente outra. De fato, o objeto principal de nosso culto numa igreja é o Santíssimo Sacramento. Mas se quisermos cultuá-Lo bem, é excelente que passemos por uma imagem de Nossa Senhora, pedindo a Ela as forças e as graças para fazermos diante de Nosso Senhor um minuto de adoração bem feita.

Em um dos ritos da Igreja Oriental há um costume muito bonito, pelo qual, antes da comunhão, os fiéis passam diante de ícones que há ao lado do altar-mor, e rezam aos santos ali representados para que os auxiliem, naquele momento de receber Nosso Senhor. E após receberem as Sagradas Espécies, passam diante dos ícones do lado oposto, e pedem aos santos que os auxiliem para bem receber os frutos da comunhão. Esta é uma compreensão perfeita do culto a Nosso Senhor. O bom católico nunca o vê separado do culto aos santos, muito menos ainda do culto a Nossa Senhora, pois a auréola normal de Nosso Senhor são os seus Anjos e seus santos.

Continua…

 

Fonte: http://www.espacomaria.com.br/?cat=8&id=3859

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