A BONDOSA

abril 30, 2012

Excelente vídeo para Pais, Professores e Catequistas trabalharem sobre os riscos de abusos com crianças.


VERDADES FUNDAMENTAIS DA DEVOÇÃO À SANTÍSSIMA VIRGEM – PARTE V (FINAL)

abril 30, 2012

VERDADES FUNDAMENTAIS DA DEVOÇÃO À SANTÍSSIMA VIRGEM – PARTE V (FINAL)

Características da escravidão a Nossa Senhora
Vistos assim os tópicos 63, 64 e 65, que tratam de um assunto um tanto à margem da matéria, mas muito interessante, voltemos ao Capítulo II. Conforme prevenimos, nos ateremos menos ao texto, pelas razões que já demos.
 

São Luís Grignion expõe, a partir do tópico 69, o verdadeiro sentido da escravidão. Mostra inicialmente as diferenças entre o escravo e o servidor. “Servidor”, em sua linguagem, é o empregado, locatário de serviços, no sentido atual destes dois vocábulos. Trata-se pois de estabelecer a diferença entre um “escravo” e um “empregado”, no sentido hodierno da palavra.

As três principais diferenças, postas em foco por ele, são:

a) a escravidão se caracteriza, antes de tudo, por ser perpétua. A locação de serviços, ao contrário, é temporária. Ela pode ser por tempo fixo ou indeterminado. De um modo ou de outro, em dado momento, qualquer das partes poderá rescindir a locação.

b) A escravidão é incondicional, total, domina completamente o homem. O direito do senhor sobre o escravo é um direito completo, chegando até, nos países pagãos, a incluir o direito de vida e de morte. Os direitos do patrão sobre o empregado são circunscritos: um colono, por exemplo, não pode ser obrigado abruptamente a trabalhar fora das horas de serviço. Seu contrato de trabalho é bem definido.

c) A última diferença já está compreendida na incondicionalidade, mas convém destacá-la: trata-se da gratuidade. O trabalho escravo é naturalmente gratuito. O senhor é proprietário dos escravos, e portanto de seu trabalho. Qualquer que seja o valor desse trabalho, o senhor só deve ao escravo teto e alimento. A locação de serviços, pelo contrário, é sempre remunerada. E o empregado é livre de recusar o emprego, desde que o salário não lhe convenha.

Feitas estas distinções, São Luís Grignion pergunta o que somos em relação a Deus: escravos ou locatários de serviços? E prova que, no sentido de que o domínio de Deus sobre nós é perpétuo, pleno e gratuito, somos escravos. Deus tem de fato sobre nós um tal domínio, que se nos ordenar qualquer coisa, devemos executá-la por mero amor, de tal maneira que o faríamos, ainda que não recebêssemos d’Ele o Céu como recompensa.

Os diversos tipos de escravidão

São Luís Grignion examina em seguida os diversos modos pelos quais alguém se torna escravo:

1) Primeiramente, torna-se escravo por natureza. É o caso de nossa escravidão para com Deus. Somos escravos porque somos criaturas: toda criatura, pelo fato de ser criatura, é naturalmente escrava de Deus Criador. Imaginemos um escultor que toma argila e nela esculpe uma estátua. Imaginemos ainda que a estátua comece a se movimentar. Entende-se que ela pertence, por natureza, àquele que a fez. Devendo o seu ser ao estatuário, a ele deve obedecer. Assim é o homem, por natureza, escravo de Deus. Todas as criaturas – Nossa Senhora, os Anjos, os demônios – são, por natureza, escravas do Criador.

2) Além desta, existe a forma de escravidão por constrangimento. Quando um rei entra em um país que o agrediu injustamente, e o domina – diz nosso Santo – pode, em certos casos, reduzir seus habitantes a escravos. Não serão escravos por natureza ou de livre vontade, mas por constrangimento, porque o rei vencedor lhes impôs sua lei. Os demônios são escravos de Deus, por natureza e constrangimento. Revoltaram-se contra Deus, e não respeitaram Seus direitos. Deus então interveio, e à escravidão de direito, em virtude da natureza dos demônios, somou uma escravidão por constrangimento, pela força.

3) Há, por fim, uma terceira forma de escravidão: por livre vontade. Admitamos que alguém, por admirar muito a outrem, se lhe dê por escravo. É um ato voluntário, pelo qual uma pessoa renuncia a toda sua liberdade, a todo o direito sobre si, e se coloca irrestritamente nas mãos de outrem. É uma escravidão por livre vontade.
Seremos escravos, ou de Deus ou do demônio

Parece-me conveniente assinalar o trecho abaixo. Consubstanciando ele uma visão tão contra-revolucionária das coisas, convém que se saiba que é opinião de um santo, e não invenção nossa.

“Antes do batismo, éramos escravos do demônio; o batismo nos fez escravos de Jesus Cristo. Importa, pois, que os cristãos sejam escravos, ou do demônio ou de Jesus Cristo” (tópico 73).

Considere-se um formigueiro humano visto por um olhar teológico, do alto de um arranha-céu. É forçoso pensar: todos aqueles homens são escravos, ou de Deus ou do demônio. Portanto, eu também o sou, não há outra alternativa. Nada, pois, mais natural do que a seguinte pergunta, para se conhecer alguém: é escravo de Deus ou do demônio? Pois escravo ele o é, necessariamente.

Em termos de doutrina católica, como se demonstra isto? Podemos não querer tributar a Deus a escravidão voluntária. Mas, com a escravidão por natureza, tal não se pode dar, pois escravos de Deus nós o somos, ainda que à maneira dos demônios. Pois a desobediência à Lei de Deus nos torna escravos do demônio, por várias razões:

a) Damo-nos ao demônio, porque quem rompe com Deus se entrega ao demônio;

b) Obedecemos ao demônio, porque seguimos a lei da carne, e a lei da carne é a lei do demônio;

c) Somos escravos do demônio também num sentido especial. O homem mau muitas vezes quereria o bem, mas não tem coragem e nem vontade de o praticar; pois sua vontade está culposamente manietada, está atada, está ligada por um vínculo que o impede de fazer o que quereria. É esta uma forma de escravidão – a escravidão a seus vícios. Ou seja, é a escravidão ao demônio, pois quem se escraviza a seus vícios é escravo de Satanás.

Conclui-se então que todo homem ou é escravo do demônio ou é escravo de Jesus Cristo.

Algumas aplicações dessa escravidão à vida espiritual

Temos bem presente esta noção de que nós, assim como todos os homens, somos escravos de Deus ou do demônio, e de que nisto não há meio termo? Compreendemos que essa classificação dos homens nestes dois grupos de escravos corresponde bem ao espírito contra-revolucionário?

Aprofundando, poderíamos rememorar episódios de nossa vida: fomos sempre escravos de Deus? Ou às vezes o fomos do demônio? Ainda hoje, qual o nosso estado atual? De quem somos escravos no momento? Percebemos que estes princípios que São Luís Grignion lembra, sobre a escravidão, determinam uma atitude vigorosa e intransigente perante a vida, parecida com a que os contra-revolucionários preconizamos? Ou temos o hábito mental de viver despreocupadamente, como se ninguém fosse realmente escravo de Deus ou do demônio?

Temos o hábito de julgar a própria palavra “escravo” enérgica demais, e que bastaria dizer-se “amigo” ou “simpatizante” de Deus? Julgamos que chamar um homem reto de “escravo de Jesus Cristo” é enérgico demais? Achamos que não se deve falar nesses termos?

Não sendo de Deus, por que logo de uma vez “do demônio”? Não pode haver uma zona cinzenta entre esse branco e esse preto? A vida não será muito mais agradável se se considerar que existe essa zona cinzenta? Para São Luís Grignion e para a doutrina católica, no entanto, não é assim. Precisamente a zona cinzenta não existe. Tão somente a branca ou a preta. Só se pode pertencer a uma ou à outra. E é precisamente em função disto que muitas das atitudes contra-revolucionárias se explicam.

A plena aceitação dessa doutrina de escravidão, entretanto, não consiste apenas numa convicção doutrinária, ela gera um estado de espírito, uma atitude mental: o que se trata de adquirir é uma posição habitual perante os outros, de quem se sabe escravo e tem aos outros na conta de escravos.

Por que ser escravo de Maria, que é escrava de Deus?

Por que ser escravo de Maria, em vez de o ser de Nosso Senhor Jesus Cristo – pergunta-nos São Luís Grignion – já que Nossa Senhora é também escrava? Maria Santíssima não diz de si “ecce ancilla Domini“? Por que, então, ser escravo d’Ela? Sendo a Virgem Santíssima escrava, pode ter escravos? Que sentido racional tem isso?

Inicialmente São Luís Grignion faz uma introdução muito inspirada a respeito das relações de Nossa Senhora com Nosso Senhor. Embora não mencionando aquelas palavras de São Paulo “não sou eu que vivo, é Jesus Cristo que vive em mim“ (Gal. 2,20), é este o pensamento que o santo desenvolve, mostrando que Jesus Cristo vive numa pessoa quando ela se santifica. E quando atinge a santidade, já não é aquela pessoa que vive, mas Jesus Cristo que vive nela.

Ora, sendo Nossa Senhora absoluta, inteira e perfeitamente santa, é também absoluta, inteira e perfeitamente Jesus Cristo que vive n’Ela. Estabelecer uma separação entre Maria e Jesus Cristo, de maneira a ser possível admirá-La sem admirar Jesus Cristo, ou cultuá-La sem cultuar a Jesus Cristo, segundo São Luís Grignion é o mesmo que procurar separar o calor da luz, numa chama que brilha e que ao mesmo tempo é quente. São elementos que se podem distinguir, mas não se separar.

Os pares de Carlos Magno para nossos modelos – Podemos tornar mais claro o exposto com algumas comparações. Segundo a lenda ou a História, os pares de Carlos Magno não foram apenas os sustentáculos que o auxiliaram a realizar a grande obra da defesa da Igreja e da fundação de um império cristão, mas homens formados por ele mesmo para isto. Guerreiros surgidos ao longo de sua vida de rei-guerreiro, os pares se destacavam acima de outros guerreiros, pois ele os foi formando para a luta, para a batalha e para a guerra, de maneira a assimilarem seu espírito cavalheiresco, suas idéias e seus princípios, e os aplicarem em suas próprias vidas.

Podemos então legitimamente dizer que, se um par de Carlos Magno absorveu, em toda a sua personalidade, todos os princípios de seu chefe, a análise da personalidade desse par é útil e interessante para quem queira conhecer Carlos Magno, pois foi uma reprodução viva daquele imperador. Ele aplicou, em circunstâncias já diferentes, os princípios que Carlos Magno ensinou e viveu. Assim, para se conhecer Carlos Magno a fundo, há vantagem em conhecer a história de seus pares. São outros tantos Carlos Magno, através dos quais poderemos penetrar melhor no conhecimento da obra, da mentalidade e da vida do grande imperador. Enfim, isto é tão verdadeiro que, se não tivéssemos nenhum documento sobre Carlos Magno, mas conhecêssemos a história dos seus pares, através dela poderíamos saber o que ele foi.

O mesmo se dá com os santos em relação a Nosso Senhor. São alter Christus. E estas considerações são muito mais verdadeiras no caso dos santos, pois o santo pratica a virtude heróica, e imita portanto a Nosso Senhor em toda a medida do que lhe é dado imitar. E mais verdadeiras são ainda em se tratando de Nossa Senhora, que é em toda plenitude alter Christus. A invocação Speculum Justitiæ, da Ladainha Lauretana, neste sentido é muito significativa, porque o espelho contém a imagem do original de modo insuperavelmente fiel, e tem a vantagem de não ter em si outra imagem senão aquela que ele reflete. Numa tela podemos distinguir a pessoa retratada do aspecto material da tela que entrevemos na pintura, mas o espelho só mostra a face daquilo que nele se reflete.

Sendo Nossa Senhora Speculum Justitiæ, amando-A, admirando-A e reverenciando-A, estaremos amando, admirando e reverenciando a própria Justiça, ou seja, a Nosso Senhor Jesus Cristo.

Por que ser mais especialmente escravo d’Ela? São Luís Grignion nos sugere uma comparação popular muito significativa: Num reino absoluto – uma monarquia oriental, por exemplo – todos são, de certo modo, escravos do rei; mas ele pode ter certos escravos mais especialmente a serviço da rainha; são escravos que ele dá para que a rainha mande neles mais particularmente. Assim acontece também na Igreja Católica e no universo. Sendo todos os homens escravos de Deus por natureza ou por conquista, e também, de algum modo, escravos por natureza de Nossa Senhora, é possível a alguns oferecerem-se mais especialmente para servi-La, para glorificá-La, para serem Seus escravos e combaterem por Ela. São estes os chamados para a devoção especial que São Luís Grignion recomenda em seu “Tratado”.

Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira

Fonte: http://www.espacomaria.com.br/?cat=8&id=3865