PAPA BENTO XVI: DEUS NÃO FAZ DISTINÇÃO DE PESSOAS

Visita pastoral do Papa Bento XVI

 “Deus não faz distinção de pessoas…”

(At. 10, 31)

13.05.2012 – Arezzo, Itália: Bento XVI chegou por volta das 8h30 a Arezzo, cidade da região italiana da Toscana. Pela manhã, celebrou a Santa Missa. À tarde, o Papa segue para o Santuário de La Verna, onde se encontrará com os religiosos franciscanos. À noite, Bento XVI fará um discurso aos cidadãos de Sansepolcro. Na manhã deste domingo, no Parque do Prato, em Arezzo, logo no início de sua homilia, o Papa destacou a raiz cristã da diocese e as qualidades do povo.

Queridos irmãos e irmãs!

É grande a minha alegria poder partir convosco o pão da Palavra de Deus e da Eucaristia. Dirijo a minha cordial saudação a todos vós e vos agradeço pela calorosa acolhida! Saúdo o vosso pastor, Mons. Ricardo Fontana, que também agradeço pelas cordiais expressões de boas-vindas, aos outros bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas, os representantes da Associação dos Movimentos eclesiais. Uma saudação também ao prefeito Giuseppe Fanfani, agradecido pela sua saudação, ao Senador Mario Monte, presidente do Conselho dos Ministros, e às autoridades civis e militares. Um agradecimento especial àqueles que generosamente colaboraram para esta minha visita pastoral.
Hoje, uma antiga Igreja me acolhe, experiente de relações e bem quista pelo empenho nos séculos de construir a cidade do homem à imagem da Cidade de Deus. Nas terras da Toscana, a comunidade aretina é distinta muitas vezes na história, pelo sentido de liberdade e pela capacidade de diálogo entre os diversos componentes sociais. Vindo pela primeira vez entre vós, o meu desejo é que a cidade saiba sempre fazer frutificar esta preciosa herança.
Nos séculos passados, a Igreja em Arezzo foi enriquecida e animada por múltiplas expressões de fé cristã, entre as quais a mais alta é aquela dos Santos. Penso, em particular, em São Donato, o vosso Patrono, cuja testemunho de vida, que fascinou a cristandade na Idade Média, é ainda atual. Ele foi um evangelizador intrépido, para que todos se liberassem dos usos pagãos e reencontrassem na Palavra de Deus a força para afirmar a dignidade de cada pessoa e o verdadeiro sentido de liberdade.

Através de sua pregação, reconduziu à unidade com a oração e a Eucaristia os povos dos quais foi bispo. O cálice quebrado e recomposto de São Donato, do qual fala São Gregório Magno (cfr Dialoghi I, 7, 3), é imagem da obra pacificadora desenvolvida pela Igreja dentro da sociedade, para o bem comum. Assim atesta de vós São Pier Damiani e, com ele, a grande tradição camaldolesa que há mil anos, de Casentino, oferece a sua riqueza espiritual a esta Igreja diocesana e à Igreja Universal.
Na vossa Catedral foi sepultado o beato Gregório X, Papa, que mostrou, na diversidade dos tempos e das culturas, a continuidade do serviço que a Igreja de Cristo quer dar ao mundo. Ele, sustentado pela luz que vinha das nascentes ordens mendigantes, dos teólogos e dos santos, entre os quais São Tomás de Aquino e São Boavenura de Bagnoregio, se envolveu com os grandes problemas do seu tempo: a reforma da Igreja; a recomposição do cisma do Oriente cristãos, que tentou realizar com o Concílio de Lion; a atenção pela Terra Santa; a paz e as relações entre os povos – ele foi o primeiro do Ocidente a ter uma troca de embaixadores com o Kiblai Khan da China.
Queridos amigos! A primeira leitura nos apresentou um momento importante no qual se manifesta exatamente a universalidade da mensagem cristã e da Igreja: São Pedro, na casa de Cornélio, batizou os primeiros pagãos. No antigo testamento Deus quis que a benção do povo hebreu não ficasse exclusiva, mas fosse estendida a todas as nações.

Desde o chamado de Abraão havia dito: “Em ti se dirão abençoadas todas as famílias da terra” (Gen 12,3). E assim Pedro, inspirado pelo alto, entendeu que “Deus não faz distinção de pessoas, mas acolhe quem o teme e pratica a justiça, a qualquer nação que pertença” (At 10, 34-35). O gesto realizado por Pedro se torna imagem da Igreja aberta à humanidade inteira. Seguindo a grande tradição da vossa Igreja e das vossas comunidades, sejais autênticas testemunhas do amor de Deus a todos!
Mas como podemos nós, com a nossa fraqueza, levar este amor? São João, na segunda leitura, nos disse com força que a libertação do pecado e das suas conseqüências não é nossa iniciativa, mas de Deus. Não fomos a amá-Lo, mas é Ele quem nos amou e tomou sobre si o nosso pecado e o lavou com o sangue de Cristo. Deus nos amou por primeiro e quer que entremos na sua comunhão de amor, para colaborar com sua obra redentora.
No trecho do Evangelho ressoou o convite do Senhor: “Vos constituí para que andais e levais fruto e o vosso fruto permaneça (Jo 15,16). É uma palavra dirigida em modo específico aos apóstolos, mas, em sentido lato, está relacionada a todos os discípulos de Jesus. A igreja inteira, nós todos, somos convidados no mundo a levar o Evangelho e a salvação. Mas a iniciativa é sempre de Deus que chama aos múltiplos ministérios, para que cada um desenvolva a própria parte para o bem comum. Chamados ao sacerdócio ministerial, à vida consagrada, à vida conjugal, ao empenho no mundo, a todos é pedido responder com generosidade ao Senhor, sustentados pela sua Palavra que nos tranqüiliza: “Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi”.
Queridos amigos! Conheço os empenho da vossa Igreja em promover a vida cristã. Sejais fermentos na sociedade, sejais cristãos presentes, corajosos e coerentes. A cidade de Arezzo reassume, na sua história plurimilenária, expressões significativas de culturas e de valores. Entre os tesouros da vossa tradição, existe a força de uma identidade cristã, testemunhada por tantos sinais e por devoções enraizadas, como aquela de Nossa Senhora do Conforto.

Esta terra, onde nasceram grandes personalidades do Renascimento, de Petrarca e Vasari, teve parte ativa na afirmação daquela concepção do homem que incidiu sobre a história da Europa, tomando força em torno dos valores cristãos. Em tempo também recentes, pertence ao patrimônio ideal da cidade quanto alguns entre os seus filhos melhores, na pesquisa universitária e nas sedes institucionais, souberam elaborar sobre o conceito de civitas, depositando o ideal cristão da idade comunal nas categorias do nosso tempo.

No contexto da Igreja na Itália, empenhadas nesta década sobre o tema da educação, devemos perguntar-nos, sobretudo na região que é pátria do Renascimento, qual visão do homem poderemos propor às nova gerações. A Palavra de Deus que escutamos é um forte convite para viver o amor de Deus entre todos, e a cultura destas terras tem, entre os seus valores característicos, a solidariedade, a atenção aos mais fracos, o respeito pela dignidadede cada um. A acolhida, que também nos tempos recentes soubestes dar a quantos vieram à procura da liberdade e do trabalho, é bem evidente. Ser solidário com os pobres é reconhecer o projeto de Deus Criador, que fez de todos uma só família.
Certo, também a vossa Província é fortemente provada pela crise econômica. A complexidade dos problemas torna difícil individuar as soluções mais rápidas e eficazes para sair da situação presente, que toca especialmente as faixas mais fracas e preocupa não poucos jovens. A atenção para com os outros, desde os séculos remotos, moveu a Igreja a tornar-se concretamente solidária com quem está em necessidade, partilhando recursos, promovendo estilos de vida mais essenciais, constrastando a cultura do efêmero, que iludiu muitos, determinando uma profunda crise espiritual. Esta igreja diocesana, enriquecida pelo testemunho luminoso do pobre de Assis, continue a estar atenta e solidária em relação àquele que se encontra em necessidade, mas saiba também educar na superação das lógicas puramente materialistas, que marcam o nosso tempo, e terminam por ofuscar o sentido da solidariedade e da caridade.
Testemunhar o amor de Deus na atenção aos últimos se conjuga também com a defesa da vida, desde o seu surgir ao término natural. Na vossa Região o assegurar a todos dignidade, saúde e direitos fundamentais vem justamente sentido como um bem irrenunciável. A defesa da família, através de leis justas e capazes de tutelar também os mais fracos, constitua sempre um ponto importante para manter um tecido social sólido e oferecer propectivas de esperança para a futuro. Como na Idade Média, os estatutos das vossas cidades foram instrumento para assegurar a muitos os direito inalienáveis, assim também hoje continue o empenho para promover uma cidade de rosto sempre mais humano. Nisto, a Igreja oferece a sua contribuição para que o amor de Deus seja sempre acompanhado por aquele do próximo.
Queridos irmãos e irmãs! Prossigais o serviço a Deus e ao homem segundo o ensinamento de Jesus, os luminosos exemplos dos vossos santos e a tradição do vosso povo. Nesse compromisso, vos acompanhe e vos sustente sempre a materna proteção de Nossa Senhora do Conforto, por vós tão amada e venerada. Amem!

Fonte: Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé.

Fonte: http://www.derradeirasgracas.com/3.%20Papa%20Bento%20XVI/Visita%20pastoral%20do%20Papa%20Bento%20XVI%20-%20Deus%20não%20faz%20distinção%20de%20pessoas…%20.htm

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