OS EFEITOS DA PALAVRA DE DEUS

julho 31, 2018


O MUNDO PRECISA DE REDENÇÃO?

julho 31, 2018

O MUNDO PRECISA DE REDENÇÃO?

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Em julho, os Missionários Redentoristas celebram a festa de Jesus com o título de Santíssimo Redentor, do qual se origina o nome de Redentoristas, Congregação Missionária fundada por Santo Afonso Maria de Ligório.

A palavra redenção significa o ato de resgatar quem está escravizado. Mas será que, em nossos dias, o ser humano, que se orgulha de sua ciência e tecnologia, que é consciente de seus direitos e que faz questão de afirmar sua individualidade, ainda sente a necessidade de redenção? Basta erguer o olhar, para além de nossos interesses pessoais, e contemplar o panorama da sociedade atual para verificar que a qualidade da vida da maioria dos seres humanos está mais para uma realidade de escravidão do que para uma liberdade que respeita a dignidade de todos e não apenas de alguns poucos. Não é uma escravidão a vida daquelas pessoas que, por mais que lutem, não conseguem garantir o mínimo necessário para a sobrevivência de si mesmo e de suas famílias, como uma moradia digna, o alimento de cada dia, a assistência à saúde etc.?

Além da desigualdade social, que, para salvar o lucro de alguns, sacrifica a sobrevivência de muitos, continuam existindo as escravidões morais que se manifestam nas guerras, na violência social, nos vícios, na ganância e corrupção. Parece que passam os séculos e persiste o mesmo quadro de “patrões e escravos”, de “casa grande e senzala”, não somente em âmbito de indivíduos, mas também em âmbito de instituições e de países.

A Redenção que Jesus nos oferece é uma libertação integral, ou seja, física e espiritual, pessoal e social, temporal e eterna. A proposta de Jesus é que acolhamos o Reinado de Deus em nossas vidas, no qual seremos todos filhos de um mesmo Pai e nos trataremos como irmãos, sem preconceitos de sexo, de imagem, de crenças ou de países, e no qual o dom da vida e o direito de viver dignamente serão iguais para todos. Como estamos distantes desse projeto divino, pelo qual o Pai nos deu seu Filho e o Filho nos ofereceu sua vida.

De fato, Jesus já nos conquistou o direito de sermos redimidos, já não pertencemos à escravidão. Contudo, repetimos a mesma história do êxodo do Egito. Libertados por Moisés da escravidão do faraó, ao longo da difícil caminhada até a terra prometida, os israelitas sentiam saudades das “cebolas do Egito”, isto é, do tempo da escravidão. Assim também a humanidade atual, libertada pela morte e ressurreição de Jesus, continua apegada a suas práticas milenares de escravizar e ser escravos.

Cada geração encontra formas de subverter a paz e a igualdade, por meio das guerras e das disputas pelo poder e pela riqueza, que renovam as estruturas de injustiças no mundo. Onde há injustiça, há escravidão. Enfim, continuamos necessitados de Jesus Redentor, como nosso Caminho, Verdade e Vida. Precisamos de anunciadores e de profetas, que indiquem o caminho de libertação total do ser humano, uma libertação que deve brotar do interior de cada pessoa para alicerçar estruturas mais humanas na sociedade.

Salmo 130 expressa bem essa situação, quando diz: “Do mais profundo abismo clamo a Ti, meu Senhor!” E termina com a exclamação, que é o lema dos Missionários Redentoristas: “N’Ele, a Redenção é abundante!” Nossa esperança de copiosa Redenção está enraizada na Cruz do Senhor. É preciso continuar caminhando em direção à meta final, que levará a humanidade a reencontrar o paraíso perdido de sua união com Deus e de sua unidade como seres humanos, destinados ao amor eterno do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

ESCRITO POR
Pe. Ulysses da Silva, C.Ss.R. (Aquivo redentorista)

Pe. Ulysses da Silva, C.Ss.R.Missionário Redentorista e Reitor do Santuário Nossa Senhora da Conceição, em Recife (PE)

Fonte: http://www.a12.com/jornalsantuario/artigos/o-mundo-precisa-de-redencao

 


COMO BUSCAR O EQUILÍBRIO DAS EMOÇÕES DIANTE DE DIAS ATAREFADOS?

julho 30, 2018

COMO BUSCAR O EQUILÍBRIO DAS EMOÇÕES DIANTE DE DIAS ATAREFADOS?

O mundo exige respostas do corpo e da mente, desafiando o equilíbrio das emoções

Talvez, um dos maiores desafios do mundo moderno esteja em adquirirmos o equilíbrio das emoções. Absorvemos muitas informações, o tempo todo nos deparamos com desafios cada vez maiores, e a exigência por resultados é sempre mais intensa.

Tudo isso exige do corpo e da mente respostas rápidas. Como fica, então, o terreno das nossas emoções? Basta nos observarmos no trânsito, à espera do elevador – quando apertamos o botão de chamada várias vezes, como se isso fosse apressá-lo – ou em casa, quando temos algo mais sério a resolver, para avaliarmos como estamos nessa área da nossa vida.

Como buscar o equilíbrio das emoções diante de dias atarefados-

Foto Ilustrativa: Tero Vesalainen / by Getty Images

Controle emocional

Muitos não conseguem se controlar emocionalmente. Não nos basta ser inteligentes, eficientes e práticos se não empregarmos bem todas essas qualidades. E todos esses dons passam pela prova dos sentimentos. Muitas vezes, a pessoa é ótima na área profissional, mas não consegue interagir com os colegas de trabalho, com seu cônjuge; ou não sabe equilibrar seus gastos, tem alto grau de irritabilidade, pânico diante de situações simples ou sofre de euforia por uma perspectiva de algo bom. Faz de sua vida um horror, mesmo sendo competente profissionalmente.

Jesus detinha o domínio de Sua sensibilidade, pois conviveu com o traidor d’Ele. Jesus dizia verdades aos fariseus, convivia com os pecadores e pessoas consideradas indignas pela sociedade, e até passou no meio de uma multidão que estava revoltada com Ele: “Levantaram-se e lançaram-no fora da cidade; e conduziram-no até o alto do monte sobre o qual estava construída a sua cidade, e queriam precipitá-lo dali abaixo. Ele, porém, passou por entre eles e retirou-se” (Lc 4,29-30).

O Senhor também se preocupava em ensinar os Seus. Um dia, num barco, em meio à tempestade, Jesus foi acordado por Seus apóstolos, com a seguinte frase: “Senhor, salva-nos, nós perecemos!”. Jesus perguntou: “Por que este medo, gente de pouca fé?” (Lc 8,25-26). Controlou o vento e a tempestade, e mostrou que a fé é mais importante.

Crescimento pessoal e emocional

Deus nos dá a graça, mas adquirir o equilíbrio das emoções é algo gradual, vai acontecendo na dinâmica do dia a dia, conforme isso nos vai sendo exigido nos eventos, e conta com a nossa decisão.

Antes de Jesus desempenhar Seu ministério público, houve situações em que nem Ele nem o exemplo de Seus pais demonstraram desacertos na sensibilidade. Quando menino, “Jesus crescia em estatura, em sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens” (Lc 2,52). Isso já aponta coerência, obediência e acerto no emocional e no todo de uma criança.

Também quando, aos doze anos, Ele se perdeu no Templo: as reações explicitadas no encontro denotam uma incrível lucidez da Sagrada Família, não exigindo resposta além do normal, nem pesadas consequências. José e Maria não entenderam o dizer de seu Filho, mas enxergaram que era algo maior do que poderiam adentrar. José nem se pronunciou, ainda que, como chefe da família, e pela tradição judaica, ele deveria intervir, ainda mais no Templo diante dos magistrados. Não o fez, pois sabia que Maria participava mais profundamente daquele mistério.

A resposta dada aos pais mostra um Jesus que não se apavorou nem o fez de propósito, pois, após a explicação d’Ele, o evangelista anota que: “lhes era submisso” (cf. Lc 2, 51). Então, como pode alguém, que é obediente, sabendo que Seus pais partiriam, ter ficado em Jerusalém por algum capricho?

Da mesma forma, Sua Mãe, Maria, agia conforme a necessidade da situação ou era prontamente solícita, mostrando uma grande capacidade emocional: “foi às pressas” (cf. Lc 1, 39), ou contemplava o mistério, ainda que não o entendesse: “guardava todas estas coisas no seu coração” (cf. Lc 2,19.51).

Para agirmos como pede a Palavra de Deus nas situações frustrantes: “Mesmo em cólera, não pequeis. Não se ponha o sol sobre o vosso ressentimento” (cf. Ef 4, 26), nos é necessário esse equilíbrio interior, que começa na decisão de querer responder com coerência e, acima de tudo, com amor nas situações mais adversas.

É um processo, mas este se inicia quando encontramos, dentro de nós, não a força ainda, mas sim a vontade de buscar uma “zona de conforto”, mesmo em meio ao caos.

Quantas vezes nos arrependemos de ter feito algo na hora da raiva, mas, depois, verificamos que a gravidade do fato nem era tão grandiosa! Como é fácil perder a visão total dos acontecimentos quando agimos pelo impulso e isolamos o fator razão na nossa tomada de decisão!

Pense nisso! Conte “até três”, pare, olhe, esteja atento, e isso mesmo para algo bom. Em cada fato pode estar algo além do que nossa limitada imaginação esteja mostrando.


PADRE LÉO: CANALIZE SEUS DESEJOS PARA DEUS

julho 30, 2018


PADRE LÉO: O SEGREDO DE UM CASAMENTO FELIZ

julho 29, 2018


DÚVIDAS RELIGIOSAS: HOMILIA OU SERMÃO, QUAL A FORMA CORRETA DE SE REFERIR?

julho 29, 2018

DÚVIDAS RELIGIOSAS: HOMILIA OU SERMÃO, QUAL A FORMA CORRETA DE SE REFERIR?

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A Santa Missa, como sabemos, consta de duas grandes partes: Liturgia da Palavra e Liturgia Eucarística, que estão de tal modo unidas entre si que constituem um só ato de culto, no qual a Igreja oferece aos fieis, para seu ensino e alimento, tanto a mesa da Palavra de Deus como a do Corpo de Cristo (Cf. Sacrosanctum Concilium, 56).

Sobre a Liturgia da Palavra, podemos dizer que a Igreja a herdou da tradição judaica, inspirando-se nas grandes assembleias do Antigo Testamento para a escuta das Sagradas Escrituras (Cf. Ne 8, 1-12) e no culto litúrgico celebrado nas sinagogas, centrado na meditação dos textos bíblicos e na oração dos salmos (Cf. Lc 4, 16-21). A partir da leitura dos escritos do Novo Testamento, bem como dos testemunhos dos mais antigos escritores eclesiásticos, podemos saber que, desde cedo, a Igreja organizou a sua celebração litúrgica a partir da relação íntima entre a mesa da Palavra e a mesa do Corpo do Senhor: antes de tudo, a Igreja escuta a Palavra de Deus e se deixa evangelizar por ela, para, em seguida, anunciá-la à humanidade fortalecida pela Eucaristia.

A parte principal da Liturgia da Palavra é constituída pelas leituras da Sagrada Escritura, sendo concluída pela homilia, a profissão de fé (Creio) e a oração universal. De fato, por meio das leituras bíblicas, comentadas pela homilia, Deus fala ao nosso coração, revela-nos o mistério da Salvação e nos oferece alimento espiritual. Pelo silêncio e pelos cantos, assimilamos a Palavra de Deus e a ela aderimos pela profissão de fé; alimentados e iluminados por essa Palavra, rezamos na oração universal pelas necessidades de toda a Igreja e pela salvação do mundo inteiro: “A Igreja venerou sempre as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor, não deixando jamais, sobretudo na sagrada Liturgia, de tomar e distribuir aos fiéis o pão da vida, quer da mesa da palavra de Deus quer da do Corpo de Cristo” (Dei Verbum, 21).

No presente artigo, vamos conhecer a origem, o significado e a importância da homilia na celebração litúrgica que é, também, um elemento tomado pela Igreja do culto celebrado pelos judeus nas sinagogas. A palavra homilia, em grego, significa ter uma conversa familiar, podendo ser definida, à luz disso, como uma exortação daquele que preside a celebração que leve a assembleia à prática daquilo que ouviu, para que atualize, na própria existência, a Palavra de Deus proclamada nas leituras bíblicas.

Na Instrução Geral do Missal Romano lemos que a homilia é a explicação de algum aspecto das leituras da Sagrada Escritura ou da Missa do dia, que leve em conta tanto o mistério celebrado, como as necessidades particulares dos ouvintes, devendo ser proferida pelo próprio sacerdote que preside a celebração, por um sacerdote concelebrante ou, ainda, ocasionalmente, por um diácono. Aos domingos e festas de preceito deve ser proferida, não podendo ser omitida, a não ser por motivo grave. Porém, é igualmente recomendada nos demais dias, sobretudo nas semanas do Advento, Quaresma e Páscoa, como, ainda, nas ocasiões em que o povo acorre à Igreja em maior número. O Missal Romano recomenda, ainda, que, após a homilia, seja guardado um momento de silêncio para a meditação pessoal (Cf. Instrução Geral do Missal Romano, 65-66).

Muito oportunas são as palavras do Papa Francisco acerca da homilia: “A homilia não pode ser um espetáculo de divertimento, não corresponde à lógica dos recursos midiáticos, mas deve dar fervor e significado à celebração. É um gênero peculiar, já que se trata de uma pregação no quadro duma celebração litúrgica; por conseguinte, deve ser breve e evitar que se pareça com uma conferência ou uma lição” (Evangellii Gaudium, 138). Ela é, na verdade, um diálogo familiar entre o pastor e seu rebanho – não um “sermão”, uma “aula de teologia”, um “show de humor” ou momento para “puxar a orelha” da comunidade – a fim de que, tanto um quanto outro, vivam sempre de acordo com a fé que professam.

Saibamos aproveitar bem o momento da homilia. Por meio dela, somos conduzidos a uma maior compreensão das Sagradas Escrituras; por meio dela, nossa alma se abre para que acolhamos em nós o Cristo, que é a própria Palavra de Deus (Cf. Jo 1, 14), por meio dela somos levados a dar graças a Deus pelas maravilhas que Ele continuamente realiza; por meio dela, por fim, nossa fé é alimentada para que saibamos transformá-la em atitude no dia a dia.

Padre Jefferson Antônio da Silva Monsani
Formado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas e
Teologia pela Faculdade João Paulo II (Marília)
Assessor Diocesano da Catequese
Vigário Paroquial do Santuário São João Batista e São Judas Tadeu
Diocese de Araçatuba-SP

Fonte: http://www.a12.com/redacaoa12/duvidas-religiosas/homilia-ou-sermao-qual-a-forma-correta-de-se-referir


PADRE LÉO: A SUA PRIMEIRA AULA DE CATECISMO

julho 28, 2018


QUERO ME ENCONTRAR

julho 28, 2018

QUERO ME ENCONTRAR

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Quando pensamos nas nossas vidas, percebemos que às vezes somos diferentes dos nossos avôs, pais, tios e etc. A internet para muitos deles é uma coisa do outro mundo, eles não escutam as mesmas músicas, não usam fones de ouvido. Como assim? Por isso dizemos que estamos numa mudança de época ou numa época de mudanças, às vezes muito rápidas para eles acompanharem. Mas sabe o quê, para nós também não é uma tarefa fácil. Nós vivemos estas mudanças de outra maneira, por exemplo: quando não sabemos o que devemos fazer com a nossa vida ou o que estudar, com quem devo relacionar-me. E a idade vai passando e algumas coisas não se resolvem, nossos amigos começam as suas vidas e nós parecemos que ficamos para trás. Tudo isso gera inseguranças e frustrações que são difíceis de aceitar e conviver.

LEIA MAISQuero fazer um aborto“Não acredito em Deus”Não acredito no AmorPor que muitas crianças não sabem mais rezar?Os adultos de hojeEscutando um pouco a nossa Mãe Igreja, na Gaudium et Spes número 22 temos uma frase muito importante que pode nos iluminar: “Na realidade o mistério do homem só se torna claro verdadeiramente no mistério do Verbo encarnado.” Ou seja, quando Cristo diz: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida (Jo 14,6)”, Ele fala literalmente do que precisamos para realmente sabermos quem somos. Então a primeira coisa que devemos fazer para nos encontrarmos é deixar que Cristo faça a Sua obra em nós. Para sermos verdadeiros cristãos, com uma vida de oração e de caridade com os demais.

Segundo, devemos deixar que o Espírito Santo nos guie; isso não quer dizer vamos fazer qualquer coisa ou experimentar de tudo. Não, pelo contrário, isso requer virtudes, começando pela caridade, pela prudência, pelo serviço. Nisso vamos nos conhecendo, vamos acolhendo os conselhos dos demais; vamos aprendendo que existe uma série de coisas que devemos mudar. E isto exige muita coragem, muita confiança em Deus, perseverança. Viu como o caminho de Cristo é um caminho aonde vou me encontrando, encontrando quem realmente sou, aquilo que é bom e aquilo que é ruim? E no meio disso as perguntas começam a encontrar suas respostas.

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Começo a descobrir que gosto mais disso do que daquilo; começo a perceber minhas capacidades e também minhas dificuldades; escuto muitos elogios e muitas críticas; faço amizades e percebo que outras não são tão boas para mim; aparecem situações que me desafiam e que não sei como resolver, e tenho que superá-las. Neste sentido o Papa emérito Bento XVI tem uma palavra de alento: “Assim, eu gostaria com grande força e convicção, partindo da experiência de uma longa vida pessoal, de vos dizer hoje, queridos jovens: não tenhais medo de Cristo! Ele não tira nada, ele dá tudo. Quem se doa por Ele, recebe o cêntuplo. Sim, abri de par em par as portas a Cristo e encontrareis a vida verdadeira”. Esta é dinâmica da vida Cristã, que vai nos oferecendo os elementos de que precisamos para responder às perguntas mais intensas da nossa vida.

Nesse caminho também é importante o conselho de um bom confessor, amizades de pessoas mais experientes na fé, que nos ajudem a perceber se estamos fazendo o que devemos fazer, ou seja: o dom da Igreja é uma ajuda que Deus nos concede nessa peregrinação rumo à casa do Pai. Aprendermos a acolher com sabedoria estas moções que Deus nos concede, estes conselhos, estas informações que vamos coletando sobre quem somos e sobre o que Deus espera de nós. Chegaremos assim, às respostas de que precisamos, mas lembre-se, não necessariamente encontraremos todas as respostas. Só aquelas que Deus quiser responder, somente aquelas que forem necessárias, e quando forem necessárias. Por isso devemos crescer na nossa fé e amar como Jesus amou, perseverando no caminho da santidade, como filhos de Maria.

Fábio Santos Araújo, membro do Sodalício de Vida Cristã

Fonte: http://www.a12.com/redacaoa12/espiritualidade/quero-me-encontrar


ADRIANA ARYDES: A CHAVE DO CORAÇÃO

julho 27, 2018


A PRESSA É UMA GRANDE INIMIGA DA NOSSA VIDA ESPIRITUAL

julho 27, 2018

A pressa é uma

grande inimiga

da nossa vida

espiritual

A pressa é inimiga da oração

Diz um antigo ditado que a pressa é inimiga da perfeição. Infelizmente, somos escravos da pressa, principalmente na sociedade em que vivemos. Tudo acontece numa velocidade muito rápida! As notícias chegam até nós no momento em que os fatos acontecem. A comunicação está a um clique de nossas mãos. Neste tumultuado mundo em que habitamos e vivemos, desaprendemos a saborear os momentos. Na pressa que nos convida a estarmos sempre agitados interiormente, fazemos tudo no impulso da agilidade que o tempo nos exige.

Essa realidade de uma vida agitada e tumultuada tem seus reflexos em nossa vida espiritual. Enfermos da ‘síndrome da pressa’, nossa caminhada espiritual sofre as consequências de nossa agitação. Rezamos com tamanha rapidez, que não conseguimos viver e sentir a força profunda da oração em nossa alma.

A pressa é uma grande inimiga da nossa vida espiritual

Foto ilustrativa: Paula Dizaró/cancaonova.com

Perceba o seu modo de orar. Na maioria das vezes, as orações que saem de nossa boca não acompanham o ritmo de nossa alma. Tudo muito veloz; quando não, muito mecânico. Quando olhamos para essa realidade latente em nossa vida de fé, percebemos claramente que, na maioria das vezes, estamos ligados no “botão automático”.

Quando foi a última vez que saboreamos internamente uma oração do Pai-Nosso rezada com calma e profundidade? Das celebrações litúrgicas que temos participado, quantas temos gravadas com profundidade em nosso coração?

A vida espiritual requer de nós a tranquilidade roubada pelas agitações. As nossas orações necessitam da calma e da paz que nos permitem saboreá-las internamente. Todo excesso de pressa furta de nós uma autêntica construção de nossa vida interior. Faz-se necessário desligarmos o “botão automático” quando nos propomos momentos de oração.

A vida espiritual requer tranquilidade

Muitas vezes, será preciso reaprendermos a descobrir onde, em nosso coração, se encontra o lugar sereno que nos permite estar totalmente com o Senhor. Distantes de nós mesmos e imersos na velocidade alucinante da vida, estamos condenados a fazer de nossos momentos espirituais apenas mais um momento que não deixa marcas profundas em nossa caminhada espiritual.

 

Antes de começarmos a orar, temos de parar, respirar e, uma vez adquirida a serenidade na alma, começar nossa oração. Saboreemos cada palavra que nossa boca pronuncia e, no silêncio do nosso coração, deixemos emergir as mais sinceras preces que nascem de nossa alma.

Reduzindo nossa velocidade interior, vamos vivenciar os momentos de oração como oportunidades de crescimento espiritual e humano. Entre os muitos benefícios que um momento tranquilo de oração nos proporciona, descobrimos que, mesmo que tenhamos pouco tempo para orar, estes serão profundos. Aprenderemos também a reagir com calma diante de situações que necessitam de mais serenidade para serem solucionadas. E ainda experimentaremos que a paz de Deus pode ser uma realidade em meio ao tornado de demandas que a vida nos apresenta.

 


PADRE CHRYSTIAN SHANKAR: COMO VENCER A ANSIEDADE

julho 25, 2018


TENHO VONTADE DE IR MAIS FUNDO

julho 25, 2018

TENHO VONTADE DE IR MAIS FUNDO

Sabe aquele dia em que você acorda, se lembra de todas as coisas frustrantes e diz para você mesmo que não aguenta mais isso, que agora sim, vai mudar tudo e com uma energia que sai não se sabe de onde, se levanta, mas no primeiro passo parece que a energia sumiu e percebe que não vai ser tão fácil? Então, bem vindo ao caminho dos corajosos, aquele caminho onde devemos vencer aquele que ninguém pode vencer por nós, somente nós mesmos. Quem é este? Bom, esse, é você mesmo. Digamos assim, vencer o homem velho e deixar viver o homem novo que foi reconciliado em Cristo (Ef 4,25).

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“Levantai-vos e não temais” (Mt 17,7). Às vezes temos uma vontade de mudar muito forte, mas deixamos esta vontade sem expressões concretas e com o tempo ela vai perdendo as suas forças, como alguém que fica na estação de trem vendo o seu vagão, mas não entra nele e deixa o trem partir. A vontade diminui e terminamos não fazendo o que deveríamos. Perdemos a ocasião de mudar. Poderíamos dizer que o Espírito Santo está nos dando um empurrãozinho para uma direção, porém não vamos, somos muito pesados para levantar e ir aonde Ele nos mostra. Por isso devemos cooperar com as moções que Deus nos dá, sim, aquelas ideias boas que poderiam mudar a nossa vida, aquela conversão ou até mesmo aquela mudança boba na nossa vida.

Primeiro temos que entender o que queremos fazer, como posso fazê-lo, se devo pedir ajuda, para quem? O que me impede, ao que estou apegado, o que é que dói neste processo, o que é que custa renunciar, o que é tão exigente, acaso terei que enfrentar tal pessoa, me envergonha? O segundo passo é a humildade de clarificar e aceitar as realidades que temos de mudar, o que nos exige a fortaleza que só pode vir de uma fé madura.

Umas das atividades espirituais mais convenientes nesse sentido chama-se “Exame de Consciência”, que não serve só para fazer a confissão sacramental, mas deve ser uma prática cotidiana que nos evidencia o bom e o ruim na nossa vida. Como toda oração, deve ser feita diante de Deus, naquela conversa que fala com um coração aberto ao outro, confiando de verdade e falando de verdade. Ele nos entende e Ele continua nos amando. Nesse exercício, percebemos que Deus ilumina aquelas realidades que estão meio escuras e que devemos entender, melhorar, perdoar. Estamos aos pouco aprendendo a escutar a Sua Voz.

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Vem e segue-me (Mt 19,21). Renunciar às comodidades, às facilidades, à auto-imagem, aceitar a pouca virtude, crescer na aceitação das nossas debilidades, renunciar ao pecado em nossa vida, tudo isso é uma exigência e tanto. Por isso devemos colocar os meios concretos, não podemos confiar que simplesmente com as boas intenções isso vai acontecer. Devemos colocar metas, fazer renúncias concretas, rejeitar situações ou até mesmo pessoas que nos influenciam negativamente. Nesse sentido é muito interessante buscar ajuda, talvez um amigo ou alguém que possa nos acompanhar nestas decisões difíceis. Você já teve alguma vez aconselhamento espiritual? Ou quem sabe, uma pessoa prudente que você conheça que possa lhe proporcionar uma experiência maior nessas coisas. Se for algo mais clínico, quem sabe uma ajuda profissional? Às vezes a simples conversa com alguém mais velho, que seja experiente, pode nos dar luzes para sabermos como enfrentar os desafios.

Tendo estas coisas claras devemos manter o foco e perseverar nas decisões de seguir adiante naquilo que nos comprometemos a fazer, avançado, pouco a pouco, na direção daquelas coisas que nos fazem ser melhores e nos aproximam daquilo que Deus espera de nós.

Colocar as metas, verificar se as estamos cumprindo, organizar-nos para voltar ao cronograma caso haja falhas, tudo isso nos exige uma educação e uma força de vontade firme. Algo que só com a ajuda de Deus poderemos almejar.

Fábio Santos Araújo, membro do Sodalício de Vida Cristã

Fonte: http://www.a12.com/redacaoa12/espiritualidade/tenho-vontade-de-ir-mais-fundo-na-vida

 

 


MÁRCIO MENDES: AMOR ENTRE MARIDO E MULHER PRECISA SER CHEIO DE TERNURA

julho 24, 2018


EDUCAR PESSOAS TRANSCENDE A FORMAÇÃO DE HABILIDADES E COMPETÊNCIAS

julho 24, 2018

Educar pessoas

transcende a

formação de

habilidades e

competências

Uma questão que nos parece passível de reflexão aprofundada é a fragmentação do sujeito da educação. Evidente, que ao fazer a fragmentação, o que se espera é uma leitura detalhada de suas performances nos mais variados ambientes e situações de sua existência, mas não é possível perder de vista a sua plenitude enquanto sujeito.

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Em qualquer circunstância e em qualquer relação educativa o sujeito somente pode ser entendido a partir de sua totalidade, pois o que está em voga é a interrogação acerca de quem ele é e não acerca de quantos ele é. O sujeito da educação é um ser encarnado, e não uma espécie de sujeito abstrato, sem sociedade, sem história. Ele se encontra em um mundo de sentidos e significados que por ele precisa ser desvelado num contexto situado social e historicamente.

O que esse sujeito sente, pensa, o seu modo de ser, pertence a um mundo que envolve um incontável número de significações socialmente instituídas, etc. A partir dessa realidade, com suas inúmeras significações e possibilidades, resulta a construção da sua identidade. O que isto significa para a educação? Significa que cada um tem uma história, uma identidade, e que por isso é um ser de emoções, de efetividades, de utopias e que alimenta esperanças e sofre decepções. Na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, sobre o anuncio do Evangelho no Mundo Atual, Papa Francisco reflete e nos exorta sobre o afeto:

Cada ser humano é objeto da ternura infinita do Senhor, e Ele mesmo habita na sua vida. Na cruz, Jesus Cristo deu o seu sangue precioso por essa pessoa. Independentemente da aparência, cada um é imensamente sagrado e merece o nosso afeto e a nossa dedicação. Por isso, se consigo ajudar uma só pessoa a viver melhor, isso já justifica o dom da minha vida. É maravilhoso ser povo fiel de Deus. E ganhamos plenitude, quando derrubamos os muros e o coração se enche de rostos e de nomes! (274).

Estamos falando que o sujeito da educação é pessoa e que por isso não pode ser compartimentado. Pessoa tem anseios, paixões, medos e sonhos. Não nos parece que o conhecimento científico possa dar conta de responder toda essa avalanche de humanidade, já que em muitos casos, verdades são ocultas ou transmitidas parcialmente. Papa Bento XVI na Carta Encíclica Caritas in Veritate ensina que:

O desenvolvimento humano integral no plano natural, enquanto resposta a uma vocação de Deus criador, procura a própria autenticação num «humanismo transcendente, que leva [o homem] a atingir a sua maior plenitude: tal é a finalidade suprema do desenvolvimento pessoal ». Portanto, a vocação cristã a tal desenvolvimento compreende tanto o plano natural como o plano sobrenatural, motivo por que, « quando Deus fica eclipsado, começa a esmorecer a nossa capacidade de reconhecer a ordem natural, o fim e o ‘‘bem” ».

Para a educação, isso significa que cada pessoa constitui uma história carregada de esperanças e que constrói o sentido de sua existência numa sociedade repleta de significações já instituídas, mas também é possuidora de capacidade instituinte. Deve-nos preocupar as interrogações acerca das outras dimensões que são ocultadas na Educação. O sujeito da educação, exatamente por sua condição singular, não seria ele também instituinte de novos rumos para si e para a humanidade? O Catecismo da Igreja Católica (§1705) ensina: “Em virtude da sua alma e das forças espirituais da inteligência e da vontade, o homem é dotado de liberdade, «sinal privilegiado da imagem divina»”.

Pensar sobre essas questões nos remete a relembrar de que educar é e será sempre uma experiência que também lida com o imprevisível. Apesar da educação, ser pensada e projetada, muitas vezes a partir da lógica das competências indicadas como administráveis e previsíveis, não nos parece possível defender tal definição e orientação, pois fica evidente que a dimensão humana a ser privilegiada pela prática educativa é prioritariamente da cognição permanecendo no ocultamento as demais.

O desenvolvimento de competências cognitivas nos garante a formação de um ser humano ético, autônomo, justo? Que lugar é reservado ao imprevisível, para a liberdade e para a Criação? Vale lembrar o que ensina o Catecismo da Igreja Católica (§ 1734) sobre o desenvolvimento da verdadeira liberdade: A liberdade torna o homem responsável pelos seus atos, na medida em que são voluntários. O progresso na virtude, o conhecimento do bem e a ascese aumentam o domínio da vontade sobre os próprios atos.

Se a formação para as habilidades e competências previamente previstas, ocupa a centralidade do projeto da educação, a mesma esvazia-se de sua condição criadora, não podendo dessa forma contribuir para a formação do sujeito e dinamizador de sua própria existência. A complexidade da Educação vai muito além da análise e escolha metodológicas que possam cumprir a formação intelectual e habilidosa do sujeito.

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Educação como atividade criadora, como uma atividade que exige deliberação, construção de sentido se perde nesta lógica do desenvolvimento das habilidades e competências. A autonomia é um dos sentidos da educação, portanto essa não é simplesmente, para desenvolver competências funcionais do seu sujeito. A autonomia humana é objeto de construção e não algo que pode ser caracterizado como uma condição já determinada somente por competências previamente traçadas. O catecismo da Igreja Católica (§ 1731) ensina sobre a liberdade e a deliberação:

A liberdade é o poder, radicado na razão e na vontade, de agir ou não agir, de fazer isto ou aquilo, praticando assim, por si mesmo, ações deliberadas. Pelo livre arbítrio, cada qual dispõe de si. A liberdade é, no homem, uma força de crescimento e de maturação na verdade e na bondade. E atinge a sua perfeição quando está ordenada para Deus, nossa bem-aventurança.

O Sujeito da Educação não deve ser compreendido somente no âmbito das competências e habilidades que deve desenvolver e que por isso depende do aprendizado de uma técnica, de um currículo, de um método. Não existe uma espécie de disponibilidade natural, comum a todos os homens, sendo possível controlar as competências e habilidades, que todos devem adquirir em tempo e em espaço determinados.

ESCRITO POR
Joana Darc Venancio (Redação A12)

Joana Darc Venanciouniversidade Gama Filho. Especialista em Educação a Distância e Administração Escolar pela SENAC. Teóloga formada pelo Centro Universitário Claretian e Professora Universidade Estádio de Sá.

Fonte: http://www.a12.com/redacaoa12/brasil/educar-pessoas-transcende-a-formacao-de-habilidades-e-competencias

 


PADRE LÉO: EXERCÍCIOS PRÁTICOS PARA A CURA DO RESSENTIMENTO

julho 21, 2018


A ESPERANÇA QUE SUPERA TODO MEDO

julho 21, 2018

A ESPERANÇA QUE SUPERA TODO MEDO

O medo não pode roubar nossa esperança. Sentir medo é algo normal, porque faz parte da nossa humanidade, porém, quando o medo paralisa nossa caminhada e nossos sonhos, ele passa a ser um problema que precisa ser enfrentado e superado. Sabemos que muitas podem ser as causas do medo, mas, em geral, um primeiro passo de superação é confiar e ser corajoso em Deus, que nos liberta de todo pânico, pavor, preocupação e angústia, pela esperança que nunca decepciona.

Uma das ações do medo é paralisar o nosso presente e nos causar pavor em relação ao nosso futuro. Assim, o medo desproporcional frente à realidade é uma forma concreta de roubar a nossa esperança, pois, se não esperarmos com esperança e ficarmos apreensivos com o que virá, o resultado será perder a alegria do presente e a expectativa positiva do futuro.

O medo não é um bom conselheiro, já que seus incentivos podem causar más motivações. Ao contrário, Jesus ao enviar os discípulos em missão os orientou a não ter medo e aconselha hoje a cada um de nós: “Não temais” (Mt 10,28). Portanto, a princípio, para vencer o medo exagerado que sempre nos rodeia é preciso crer e confiar em Deus, porque Ele está com cada um de nós sempre e em tudo.

Não vos inquieteis com nada; mas apresentai a Deus todas as vossas necessidades pela oração e pela súplica, em ação de graças. Então a paz de Deus, que excede toda a compreensão, guardará os vossos corações e pensamentos, em Cristo Jesus” (Filipenses 4,6-7).

Deus abençoe você 
Márcio Leandro

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JOÃO PAULO FLORÊNCIO: A PORNOGRAFIA TE FAZ CEGO

julho 20, 2018


A CONFISSÃO É O CAMINHO QUE NOS APROXIMA DE DEUS

julho 20, 2018

A intimidade com Deus acontece por meio da oração e reflexão

A confissão restabelece a graça de Deus em nós, mas as raízes e consequências dos pecados na nossa alma ainda prejudicam o desenvolvimento da vida espiritual.

Já vimos como se estabeleceu a ciência dos santos ou teologia ascético-mística, e como ela nos fornece um verdadeiro mapa do caminho para realizarmos o desejo de Deus que nos diz: “Sede santos, como eu seu pai dos céus é santos” (Mt 5,48), e “se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada” (Jo 14,23).

Também vimos que os Santos Doutores da Igreja responderam com simplicidade à pergunta: onde está Deus? E o grande risco que enfrentamos é, em vez de partirmos ao Seu encontro, ficarmos ofendidos com a simplicidade da resposta, como o general Naamã (2 Rs 5,11-12), e querer procurar Deus em outro lugar. Como os servos do general, pergunte-se por que não ir ao encontro d’Ele? Se fosse algo muito difícil, faríamos, mas porque é fácil e próximo, não queremos fazer (2Rs 5,13)?

Santa Teresa de Jesus deixa claro que esse caminho de aproximação e intimidade com Deus é a oração e a reflexão (Castelo Interior – Primeiras Moradas 1,7). Assim, para entrar e permanecer nesse caminho ou castelo interior da alma, precisamos nos manter livres do pecado mortal e crescer na vida de oração. Assim, os batizados que, por meio da confissão, tiveram seus pecados perdoados estão em “estado de graça” ou, sob a influência da Graça Santificante, que “é um dom criado que Deus se digna conceder à alma do justo, a fim de o tornar filho adotivo de Deus (1 Jo 3,1-3). Por esse dom, o homem vem a ser realmente consorte da natureza divina (2 Pe 1,4), templo do Espírito Santo (1 Cor 3, 16) ou da Santíssima Trindade (Jo 14, 23). Pode-se dizer que a graça santificante é um hábito ou uma veste que recobre a substância da alma, dando-lhe uma entidade nova, um ser sobrenatural.” Dom Estevão Bettencourt, OSB.

Bem-vindo às primeiras moradas

De início, as notícias são excelentes: aqueles que permanecem em estado de graça estão livres do inferno e tem o seu lugar garantido no céu (Catecismo da Igreja Católica 1020-1032). Além de não ser pouca coisa, isso ainda nos faz participantes do corpo de Cristo e demonstra que o sacrifício d’Ele por nós não foi em vão. Desse modo, realizamos em nós todo o projeto de salvação que a Santíssima Trindade pensou e executou durante os séculos. Todo? Sim e não.

Sim, porque Cristo veio restabelecer a ordem perdida com o pecado original, e quando renunciamos ao pecado e aderimos a ele, religamos em nós o que estava desligado: nossa capacidade de nos unir a Deus na eternidade.

Não, porque todo o projeto de Deus para nós é muito maior do que somente a libertação do pecado. Por isso, São Paulo nos diz que “onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rom 5,20), deixando claro que a encarnação do Cristo não só restitui o que tínhamos perdido, mas concedeu muito mais: uma vida de intimidade plena com Deus (Suma Teológica I,II-Q2A8).

Santo Tomás explica que, assim como Deus estabeleceu um projeto de salvação na história, ele repete esse projeto na alma de cada um através das missões divinas (ST I-Q43A3). Desse modo, assim como o Pai preparou um povo para a vinda do Filho, ele nos prepara para receber Jesus Cristo em nossa vida, atraindo-nos (Jo 6,44). Essa preparação se dá nas primeiras moradas.

Na prática, a vida espiritual, nas primeiras moradas, resume-se a trabalharmos com afinco para retirar tudo que ainda atrapalhe a graça de Deus atuar em nós enquanto nos aprofundamos na oração. Lembra que a primeira parte do caminho espiritual é ascético (trabalhoso, com esforço)? É por isso que essas primeiras moradas são conhecidas também como Via Purgativa ou Dia do Temor. Devemos “purgar”, purificar, eliminar todos os resquícios da vida velha e do homem velho em nós para podermos prosseguir. Também devemos crescer, por meio da oração, no verdadeiro temor a Deus, que é o início da Sabedoria (Pr 9,10 e Sl 110,10).

Os Santos Padres dos primeiros séculos identificam esse período de purificação com os 40 anos que o povo de Israel passou no deserto. No Êxodo, vemos que, pouco tempo depois de sair do Egito, eles chegaram à Terra Prometida, mas tiveram receio de entrar (Nm 13,28) . Foi para se purificar da desobediência a Deus que eles vagaram quarenta anos pelo deserto antes de poder retornar à Terra Prometida (Nm 14,32-34).

Ouvir a voz de Deus

São João da Cruz explica esse período das primeiras moradas com a visão que teve o profeta Ezequiel (Subida IX). Ao entrarmos no castelo interior, ainda levamos junto toda espécie de répteis e animais imundos (Ez 8,10). Embora “confessados”, nossas paixões continuam a nos dominar e nossos desejos descontrolados ainda nos corrompem. Por um lado, eles nos impedem de ouvir a voz de Deus, sujando e povoando o castelo com coisas que nos distraem e, fatalmente, levando-nos ao pecado mortal, que nos retirará da caminhada mais uma vez.

Depois, o profeta vê os 70 anciãos da casa de Israel, que oferecem incenso aos ídolos pintados nas paredes (Ez 8,11-12). O santo explica que é a corrupção que criamos dentro do espaço sagrado da nossa alma: cultivamos, até aqui, toda a perfeição dos vícios (os sete pecados capitais vezes 10, que é o número da totalidade) e continuamos adorando aos “deusinhos” que criamos em nós. Não é verdade que idolatramos o dinheiro, o status social, a opinião dos outros, os objetos materiais, nossa saúde física, o “tempo livre” etc.? Como os anciãos da visão, acreditamos que Deus não nos vê, e permanecemos cultivando “pecados secretos” no coração. Se eles não chegam a ser pecados mortais, que nos expulsam da vida espiritual, sujam e atrapalham, impedindo nosso progresso. Permanece-se enroscado nas primeiras moradas.

Aos que se perguntam por que sua vida espiritual não vai para frente, mesmo evitando o pecado mortal, temos, então, uma resposta: é a inconsistência na oração, aliada aos desejos materiais e as paixões sem controle (répteis e animais imundos), as raízes de vícios e pecados (setenta anciãos), nossa idolatria por tudo que não é Deus (ídolos pintados nas paredes de nossa alma), enquanto permanecemos ocultando do Senhor nossos desejos mais profundos (anciãos na obscuridade).

Por tudo isso, Santa Teresa de Jesus diz que, nas primeiras moradas, trazemos ainda a sujeira de fora do castelo para dentro (Castelo Interior – PM 1,8). É preciso limpar a casa. Se o castelo interior é de um puríssimo cristal, deveríamos ver o Senhor do castelo que habita na sétima morada, mesmo ela estando distante. Infelizmente, a sujeira interior tirou a transparência do cristal e também nos impede de ouvir a voz de Deus que fala conosco. Nas primeiras moradas, embora tenhamos iniciado o percurso de santidade, somos como cegos e surdos à graça de Deus que já está presente.

Ouço uma voz vindo da montanha
Ouço cada dia melhor
Ouço uma voz vindo da montanha
E eis uma voz a clamar:
Preparai o Caminho
Preparai o Caminho do Senhor!

Flávio Crepaldi
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PADRE LÉO: A CURA DO CORAÇÃO DE PEDRO

julho 19, 2018


PORQUE OS ANOS LITURGICOS SÃO DIVIDIDOS EM A, B e C?

julho 19, 2018

PORQUE OS ANOS LITURGICOS SÃO DIVIDIDOS EM A, B e C?

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Ano Litúrgico começa com o tempo do Advento, quatros semanas antes do Natal, e termina com a Solenidade de Cristo Rei, no ano civil seguinte.

A Igreja, para celebrar o Mistério de Cristo presente na Palavra que é proclamada, dividiu as celebrações dominicais ao longo de três anos litúrgicos, chamados de: Ano A, Ano B e Ano C.

A Igreja desejou que as leituras bíblicas proclamadas na liturgia dominical voltassem a ser lidas novamente após três anos, e assim se organizou o Ano Litúrgico em 3 ciclos de leituras (Evangelho e demais livros do Antigo e do Novo Testamento). No Ano A lemos o Evangelho de Mateus; no Ano B o Evangelho de Marcos e no Ano C o Evangelho de Lucas. O Evangelho de João é reservado para ocasiões especiais, principalmente festas e solenidades.

Seguindo este ciclo dos três anos Litúrgicos A, B e C, consegue-se ter uma grande visão de toda a Bíblia, pois cada ano litúrgico tem uma sequência de leituras próprias. O Evangelho ao logo de cada Ano Litúrgico quer ajudar o fiel a percorrer toda a vida de Jesus em ordem cronológica, rezando do nascimento até a Ascensão. Assim, nas celebrações dominicais são proclamados textos que falam do anúncio do Messias, da encarnação, da sua vida pública (missão), do anúncio do Reino, dos sinais que Jesus realizou, do chamado dos discípulos, etc., até culminar com sua morte e ressurreição e assim se chegar à esperança da construção do Reino de Deus: a Parusia, com a solenidade de Cristo Rei do Universo.

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divisão dos Anos Litúrgicos em A, B e C foi determinada a partir da comparação que o Ano 1 seria o Ano A, o Ano 2 o B e o Ano 3 o C e os anos 6, 9 e 12 novamente o Ano C. Então o ano em que a soma dos algarismos for um número múltiplo de 3 é o Ano Litúrgico do Ciclo C. Por exemplo 2016 (2+0+1+6= 9, que é múltiplo de 3). Sendo assim, 2016 foi o Ano C, e por sequência 2017 foi o Ano A, 2018 Ano B e 2019 será novamente o Ano C (2+0+1+9= 12, que é múltiplo de 3).

Por isso, participando das celebrações dominicais ao longo dos três anos do Ciclo litúrgico, cada fiel pode beber dos principais textos bíblicos que alimentam a fé e renovam no coração a certeza da Salvação que o Pai nos deu em seu Filho Jesus Cristo. Deus que com seu infinito amor age no tempo e na história, e o Ano Litúrgico é justamente a celebração da ação de Deus no tempo concreto da nossa vida. O Ano litúrgico nos faz vivenciar a espiritualidade de sair do nosso tempo (crónos) para entrarmos no tempo de Deus (Kairós) – o tempo da graça e da salvação.

 

Fonte: http://www.a12.com/redacaoa12/duvidas-religiosas/por-que-os-anos-liturgicos-sao-divididos-em-a-b-e-c