MEU PAI BEBE DEMAIS

MEU PAI BEBE DEMAIS

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O alcoolismo é uma doença comum no Brasil, atingindo aproximadamente 10% da população. Cerca de 70% dos casos correspondem aos homens, 30% às mulheres. É caracterizado pela “vontade incontrolável de beber, falta de controle ao tentar parar a ingestão, tolerância ao álcool (doses cada vez maiores para sentir os efeitos da bebida) e dependência física, que se manifesta com sintomas físicos e psíquicos nas situações de abstinência alcoólica”.

Se seu pai “bebe demais” é provável que ele seja alcoólatra. Um dos problemas do diagnóstico da doença é a necessidade de reconhecimento por parte da vítima, o que é muitas vezes difícil, já que a negação é um dos sintomas da própria doença. A família e os amigos podem ajudar a pessoa a dar esse passo, inclusive tomando medidas extremas, como a separação, no caso de mulheres e filhos que são agredidos fisicamente pelo alcoólatra. Existem relatos de testemunhos de alcoólatras que explicam como a separação foi para eles importante para tomarem consciência da própria doença.

O que leva uma pessoa a abusar da bebida? As razões podem ser muitas: “ansiedade, angústia, insegurança, fácil acesso ao álcool e condições culturais”. As pessoas que começam o consumo de álcool na adolescência são mais propensas ao alcoolismo. Entre os sinais e sintomas do alcoolismo, encontram-se: “falta de controle sobre o uso, tolerância cada vez maior e manifestações de síndrome de abstinência”3,4.

De acordo com o grau de dependência do seu pai, pode ser necessária ajuda de um profissional da saúde, como um psiquiatra ou um psicólogo. Em ocasiões, também tornar-se necessária uma internação para desintoxicar o paciente. Os grupos de ajuda, tais como o AA (Alcoólicos Anônimos), são também conhecidos por ter livrado muitas pessoas dos males que derivam do alcoolismo.

Como disse acima, o diagnóstico do alcoolismo deve ser feito com a ajuda do próprio alcoólatra. A pessoa pode, por exemplo, tentar responder às seguintes perguntas: Você já sentiu que deveria diminuir o consumo de álcool? Você fica irritado quando criticam seu hábito de beber? Você já se sentiu culpado por beber? Você já ingeriu bebida alcoólica hoje pela manhã?

Se a pessoa responder afirmativamente a uma ou mais dessas perguntas, valeria a pena que fizesse um exame mais profundo sobre a questão, buscando algum profissional que possa ajudá-lo, como um psicólogo ou um psiquiatra.

Do ponto de vista ético e religioso o alcoolismo não é apenas uma doença, mas também um mal moral, que afeta não só o alcoólatra, mas também as pessoas à sua volta. O Catecismo da Igreja Católica, na parte que fala dos pecados contra o Quinto Mandamento (Não matarás), dedica um número ao nosso assunto: “A virtude da temperança manda evitar toda espécie de excesso, o abuso da comida, do álcool, do fumo e dos medicamentos. Aqueles que, em estado de embriaguez ou por gosto imoderado pela velocidade, põem em risco a segurança alheia e a própria, nas estradas, no mar ou no ar, tornam-se gravemente culpáveis”.

Por isso, é necessário que sejamos misericordiosos e compreensivos com as pessoas alcoólatras, sobretudo quando se trata dos nossos pais. Mas também temos que preocupar-nos com outras pessoas, mais frágeis, que podem ser afetadas com esse mal, como as nossas mães ou nossos irmãos mais novos, até nós mesmos. Nesses casos, é necessária a firmeza na defesa dos mais pequeninos, como nos ensina Jesus.

Para você que sofre por causa do alcoolismo do seu pai, ou de algum outro parente: Coragem! É um problema complexo, de difícil solução. Seja caritativo e compreensivo, mas ao mesmo tempo firme quando necessário. O amor é também firme e corajoso, quando a situação o requer. Ao mesmo tempo, peça ajuda a pessoas que possam dar uma orientação para superar o problema, pessoas que tenham superado o alcoolismo ou quiçá algum profissional que posso ajudá-lo a tomar boas decisões.

Martín Ugarteche Fernández 

Sodalício de Vida Cristã 

Fonte: http://www.a12.com/redacaoa12/espiritualidade/meu-pai-bebe-demais

 

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