PADRE PAULO RICARDO: O PREÇO DE SER CRISTÃO

novembro 28, 2018


QUE PECADOS PODEM MATAR A FÉ?

novembro 28, 2018

QUE PECADOS PODEM MATAR A FÉ?

 

O mais grave dos pecados contra a fé é a infidelidade

Vimos, no artigo anterior, que a Virtude da Fé é chamada de Teologal por se orientar a Deus e ser dado por Ele para o ser humano. Embora essa virtude seja dada em semente por Deus, é dever do homem permanecer unido a Deus e trabalhar pelo seu crescimento. Desse modo, a fé cresce do perfeito para o imperfeito, ou seja, pelo estímulo de Deus para o ser humano e do imperfeito para o perfeito, isto é, do esforço do homem para chegar a Deus. No entanto, embora Deus dê a fé gratuitamente, o ser humano pode negá-la em si mesmo e, até mesmo, destruí-la. Como aquilo que se opõe a Deus é o pecado, quais são os pecados que destroem a fé?

Que pecados podem matar a fé?

Foto ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

O mais grave pecado contra a fé é a infidelidade (ST II-II Q10A3). Por ele o homem voluntariamente resiste a fé, não querendo recebê-la, crescer nela ou a distorce. Assim, aquele que procura não conhecer melhor a fé professada pela Igreja, com medo de ser cobrado por esse conhecimento em alusão à palavra “a quem muito for dado, muito será cobrado” (Lc 12,48), peca contra a fé. Essa infidelidade é uma cegueira voluntária, que corrompe e destrói a virtude da fé. A fé deve ser estimulada a crescer e não ser combatida ou cerceada.

Heresia e a apostasia

Dentre os modos do pecado da infidelidade estão a heresia e a apostasia. A heresia, que vem do grego “eleição”, tem esse nome porque o herege escolhe ou elege a doutrina que julga ser melhor ou mais adequada para si mesmo. Nega-se, assim, que existe uma doutrina verdadeira que deve ser seguida e defendida, não importando a opinião pessoal que tem-se sobre ela. A partir do momento que se arbitra sobre o que se deve ou se quer crer, escolhendo no que acreditar e no que não acreditar da fé ensinada pela Igreja, adota-se a postura do herege e se destrói a fé. Aquele que já ouviu a expressão: “- Sou católico, mas não concordo com isso e aquilo que a Igreja diz”, conheceu um herege de perto. Pode ser um herege que não entrará para os livros de história mas, fatalmente, destruirá a própria fé (e de quem der ouvidos às suas “opiniões” ou “eleições”).

A apostasia, por outro lado, é uma forma de infidelidade de quem se afasta completamente da fé em Deus (ST II-II Q12A1). Aquele que teve uma formação católica, foi introduzido nos sacramentos e abandona a Igreja e a fé, é um apóstata. A consequência da apostasia é a morte da fé de um modo mais rápido e eficaz do que a heresia, pois, essa ainda procura conservar alguma coisa da fé, embora a distorça. O apóstata, no entanto, tem como objetivo (e consegue) destruir a própria fé.

Como a fé exige um aplicar-se, conscientemente, no aprendizado das coisas de Deus para se desenvolver, a cegueira ou embotamento da mente é outro vício que destrói a fé. Ou seja, aquele que se aplica a entender, usufruir e aperfeiçoar-se nas coisas terrestres ou materiais, deixando de lado o aprendizado da fé, comete um erro que mata a sua fé. Afinal, acumular títulos acadêmicos após décadas de estudo e permanecer no “jardim de infância” da fé é uma distorção intelectual extraordinária. O conhecimento e aprofundamento em relação à fé tem de caminhar no mesmo tom e qualidade dos outros aprendizados intelectuais. Quando, por negligência, deixa-se de se aprender e aprofundar as verdades de fé, cria-se o pecado da cegueira intelectual que faz a fé ficar débil até morrer.

Entre os inúmeros dons recebidos de Deus, a inteligência é um dos maiores

Por outro lado, o embotamento da mente, causado por uma falta de vivência intelectual em qualquer área, não é menos danoso ou menos problemático. Se aquele que desenvolve toda sua capacidade intelectual em várias áreas, menos no conhecimento da fé, peca; aquele que não desenvolve, também, peca. Entre os inúmeros dons recebidos de Deus, a inteligência é um dos maiores. Ela nos dá a capacidade de ver e compreender o mundo, além de receber e entender a revelação de Deus que contém as verdades de fé. Aquele que embota (debilita, insensibiliza) a sua própria inteligência, não só destrói suas capacidades de viver melhor em sociedade como, também, se priva de aprender a revelação de Deus.

Procurando corrigir-se desses erros voluntários, isto é, os pecados; e dos involuntários, que são os vícios adquiridos por maus hábitos, conseguimos preservar a fé dada, gratuitamente, por Deus. Mas, como se pode aumentar a nossa fé? No próximo artigo nos deteremos nos passos que podemos dar, conscientemente, para aumentar a nossa virtude da fé.

 

Flávio Crepaldi

Flavio Crepaldi é casado e pai de 3 filhas. Especialista em Gestão Estratégica de Negócios,graduado em Produção Publicitária e com formação em Artes Cênicas. É colaborador na TV Canção Nova desde 2006 e atualmente cursa uma nova graduação em Teologia com ênfase em Doutrina Católica.

Fonte: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/vida-de-oracao/que-pecados-podem-matar-fe/

 


PADRE PAULO RICARDO: COMO VIVER O DESAPEGO?

novembro 26, 2018


A TARTARUGA

novembro 26, 2018

A TARTARUGA

Todos os dias o percurso era o mesmo. Taru deixava o mar e seus mistérios e, na calada da noite, deslizava lentamente pela areia batida da praia, até ao amanhecer, quando a maré alta a envolvia no carinho de suas ondas mornas, e como se carrega uma criança nos braços, a deitava cheia de ternura no doce leito do mar.

Taru era imponente. Nos seus cento e cinqüenta quilos, cheia de força e vigor, desafiava constantemente as intempéries do mar e os dissabores do tempo, além de se arvorar contra os muitos predadores que porventura dela se aproximassem.

As marcas de suas patas, como impressões digitais verdadeiras, deixavam-se fixar na areia, à semelhança de um grande outdoor horizontal que estampasse este aviso: Taru passou por aqui! Era vaidosa. Nunca fora vencida nem se deixara vencer. À medida que cada vitória sucedia, a sua medida de vaidade multiplicava-se, deixando-a cada vez mais presunçosa e cheia de orgulho. A autossuficiência impedia-lhe de ver o mundo ao seu redor. Meneando a cabeça, ora para cima, contemplando o céu bordado de estrelas; ora para baixo, vislumbrando os bilhões de grãos de areia que compunham aquela paisagem serena; ora retraindo a cabeça para dentro de si, num gesto puramente instintivo de defesa contra as rajadas de vento que a incomodavam sobremaneira, Taru sentia-se absoluta.

A noite fora tranqüila. Mal os primeiros raios da manhã saudavam o novo dia, ela esperava ansiosa a chegada da maré cheia. As ondas espraiavam-se cada vez mais perto. Ofegante, exausta, arrastando-se lentamente, mas feliz por não ter sido vencida mais uma vez, não percebe uma onda gigante que, tomando-a de surpresa, lança-a há alguns metros de distância, onde cai desacordada e só.

O sol já ia alto quando Taru se deu conta de que estava de patas para o ar. Tentou desvirar-se uma, duas, três… inumeráveis vezes. Nada. O dia findara, outra noite chegara, e ela ali, sozinha, vendo o céu de cabeça para baixo e o mar longínquo que não reparava na sua dor.

A areia quente, de uma temperatura insuportável, levava-a a exaustão.

Ao final do terceiro dia, quando as primeiras estrelas saudavam a noite que nascia mansamente, e já sem esperança alguma, Taru ouve passos que vêm em sua direção. É inacreditável! Agita-se. Se pudesse gritar… O pescador se aproxima, pára, fixa seu olhar, move a cabeça para a direita e para a esquerda, como quem diz: “Pobrezinha!…” E reunindo suas forças, socorre e salva Taru.

Já deslizando nas águas do mar e gozando das delícias do seu habitat natural, Taru pôde refletir e compreender: “Ninguém se basta a si mesmo. Nem eu“.

Paz e Luz

Antonio Luiz Macêdo

Fonte: http://catequesecatolica.com.br/site/a-tartaruga/

 


ESTOU GRÁVIDA. E AGORA?

novembro 25, 2018

ESTOU GRÁVIDA. E AGORA?

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infinita sabedoria de Deus concede ao corpo feminino a capacidade de conceber e também uma grande quantidade de hormônios para que esteja apto a abrigar e manter o desenvolvimento desta nova vida. Esses hormônios são os principais responsáveis pela diversidade de emoções que uma gestante experimenta. É por isso que nós, mães, começamos a imaginar como será “do ‘positivo’ em diante”, e mesmo que este bebê tenha sido esperado para aquele momento, todas, em maior ou menor grau, temos medos e preocupações comuns que, se não forem bem direcionados, podem tornar a gestação difícil. Vamos ver alguns deles?

Insegurança com as mudanças na vida – Rotina, hábitos, espaços – em casa ou no trabalho – adequações às novas necessidades; mudanças no corpo, mentalidade, prioridades. Tudo isso faz gerar inseguranças, ou a quebra de falsas seguranças: que dificuldades encontrarei no meu trabalho? Como serei vista pelo meu esposo? A gravidez interferirá no nosso relacionamento conjugal?

Lembre-se: gravidez não é doença, é um estado de atenção, mas natural! Pode ser que seja difícil em alguns momentos, mas a gestante, como qualquer ser humano no âmbito profissional, deve ser tratada como pessoa e não como uma máquina, e ser respeitada nesta condição. Há situações de saúde que podem exigir repouso e afastamento do trabalho. Você não deve se culpar nem se desesperar se isso ocorrer, pois há leis que lhe garantem cobertura neste tempo para que você se dedique aos cuidados necessários.

Sobre seu esposo: assim como para o trabalho você não é uma máquina, para ele – e para você mesma – você não é apenas o corpo, mas uma pessoa que, com toda a sua história de vida, virtudes, defeitos e demais características, é única e irrepetível, e por isso ele a escolheu para trilharem a jornada da vida juntos. Mudanças fazem parte deste caminhar e a clareza do sentido matrimonial os ajudará a viver esta fase com compreensão e alegria.

A saúde do bebê – Desde o ventre, você já estará preocupada com o que comer e beber ou não, e o quanto alguma deficiência de saúde pode afetar o seu bebê. Neste momento, o envolvimento do esposo nos cuidados com a gestação se torna muito importante, tanto como suporte para você, quanto como para fomentar o diálogo e a partilha dos dois. Assim, juntos, decidem os cuidados a tomar e a “listinha” de perguntas a serem feitas ao obstetra. Se há outros filhos, eles também já devem ser “treinados” a cuidarem do irmãozinho desde já, na medida da sua compreensão e possibilidades. Outros membros da família também são importantes nesse apoio, desde que respeitem limites e decisões próprias e exclusivas do casal.

O parto – É o medo principal, seja das mamães de primeira viagem ou das mais experientes. Independentemente dos motivos, talvez as coisas não sejam exatamente como se sonhou. Mas nossa condição feminina nos garante que “dar à luz faz parte da nossa natureza” e esta é a primeira afirmação que você deve repetir ao se deparar com este medo. Cuide-se bem e se prepare para este grande momento. O que vier a mudar dos seus planos será para que tudo transcorra bem e você esteja com seu bebezinho nos braços da forma mais segura possível. Você é capaz!

Há outros medos, como por exemplo, quando a gravidez ocorre num momento de instabilidade familiar ou até mesmo fora deste ambiente. Independente do contexto, é importante frisar que todos nós que temos uma gestante próxima, temos a responsabilidade – familiar e social – de ampará-la e encorajá-la a viver este momento da maneira mais natural possível. Certos comentários devem ser abolidos de nossos diálogos e pensamento, se não condizem com nossa missão de defensores da vida.

O Catecismo nos diz o seguinte: “chamados a dar a vida, os esposos participam do poder criador e da paternidade de Deus.” (nº 2367). Então, se você está grávida, meus parabéns! Deus a chamou a participar da criação com Ele. Tranquilize-se, informe-se, cuide-se e confie-se aos cuidados maternais da Virgem Maria que, sem ter planejado, recebeu a Salvação de todos nós em Seu ventre sagrado!

Nossa Senhora do Bom Parto, rogai por nós!

Michelle de Oliveira Ferreira
Membro do Movimento de Vida Cristã – MVC
Instrutora do Método de Ovulação Billings®
Pela CenplafamWoomb Brasil

Fonte: https://www.a12.com/redacaoa12/espiritualidade/estou-gravida-e-agora


THIAGO BRADO: QUANDO A GENTE NÃO MERECE É QUANDO A GENTE MAIS PRECISA

novembro 21, 2018


A EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL E A ATENÇÃO AO MINISTÉRIO DE DEUS

novembro 21, 2018

A EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL E A ATENÇÃO AO MINISTÉRIO DE DEUS

 

Certo é que todos os homens, de todos os tempos e lugares fizeram e fazem a experiência do transcendental. Ele é um ser aberto ao totalmente Outro, o qual é realidade ao mesmo tempo externa a este mundo, e interna ao homem. Há uma vivência fundadora do pensamento religioso no ser humano, sem intermédio de uma ordem externa, confessional, ou teológica.

Em termos psicológicos, a experiência religiosa é, desde sempre, uma dimensão intrínseca de nosso psiquismo, isto é, da alma humana na medida em que ela experimenta uma realidade sagrada, ou seja, uma comoção perturbadora que funda a realidade como sagrada. Tais realidades humanas, sejam as boas e aprazíveis, mas principalmente as mais difíceis, como as tragédias e a morte de um membro da família, são carregadas de sacralidade, da presença de Deus.

Em meio a um mundo confuso, onde as experiências interiores não são mais valorizadas, encontra-se um ser humano fragmentado em busca de um sentido para a vida, para a sua própria existência e a do mundo a sua volta. Ainda que traga os traços do criador, e sua alma clame por uma realidade superior que o oriente e sirva de sentido, o homem moderno traz uma desconfiança a respeito do divino e da possibilidade de fazer uma verdadeira experiência de Deus e das coisas sagradas. Para muitas religiões e pensamentos religiosos, tal encontro só é possível por mediações religiosas, interseccionado por ritos e representantes religiosos. Esta realidade não é ilegítima ou descabida, no entanto é momento segundo no processo de experiência espiritual.

O conceito de experiência espiritual de K. Rahner nos conduz para uma realidade transcendental que se deixa entrever no concreto da vida cotidiana de todo homem. Talvez a consciência religiosa coletiva não consiga abarcar, com facilidade, a possibilidade de uma experiência direta de Deus por causa de centenas de anos de catequese puramente sacramental e institucional. Rahner não nega a religião ou religiosidade como caminho, mas em sua teologia espiritual, acena para uma realidade primordial, a da categoria da experiência imediata, a qual o homem comum, sem ser um místico aos moldes de Francisco e Tereza, faz nas coisas mais triviais do seu dia. Se é verdade que todo homem é aberto ao mistério sagrado e absoluto de Deus, então deve haver um instrumental pré-existente nele, não externo, que o possibilite ter acesso às realidades espirituais.

Neste ponto para Kal Rahner a chave de leitura são os dramas e perguntas mais profundas da pessoa, através de sua inteligência e livre vontade. Trata-se de uma mística ou espiritualidade encarnada, uma mística “natural”, na qual o mundo ao redor e, sobretudo, o mundo interior, gritam a presença e a ação de Deus. Seja o nome que for: graça, inabitação, efusão, êxtase, etc. o que realmente ocorre com todas as pessoas é uma experiência do mistério do infinito que há nele; ele sabe que as respostas últimas e soluções para as crises não é ele, mas Outro.

Com a experiência de autotranscendência, o ser humano necessariamente se abre a Deus e busca Nele nutrir-se. Deus se oferta a alma humana e se faz a ela presente. Ao perceber tal presença em sua vida, o homem faz experiência da graça divina que se antecipou a ele, possibilitando a abertura e docilidade interiores. E é exatamente aqui que se problematiza a questão da experiência divina. Parece que necessária e absolutamente o indivíduo só pode fazer experiência mediada de Deus, ou seja, através de alguém ou alguma coisa. Ora, nossa pastoral tem tido práticas que reforçam essa inverdade.

Temos inculcado em nossos fiéis a necessidade de ter algum ministro para rezar por ele, ou para conduzir um momento de oração, quando na verdade ele mesmo é capaz de orar e num diálogo afetuoso com o Pai do céu descobrir os tesouros celestes. Ou ainda a prática de novenas e instrumentalização da fé, como promessas e orações “sentimentais” feitas em ambientes pentecostais, as quais levam a uma experiência falsa, ou senão, opaca de Deus.

Nossa pastoral deve dar mais autonomia ao fiel cristão que busca fazer uma experiência de Deus. Devemos possibilitar que se tenha mais atenção ao mistério que nos envolve e perpassa, liberando essa ruim conjunção de experiência de fé com as práticas religiosas institucionalizadas. Não que a igreja e sua doutrina sejam desnecessárias, mas que a pastoral faça cada um perceber seus próprios caminhos, ou seja, as vias pessoais pelas quais Deus fala ao indivíduo de modo único e particular. É preciso educar para a mística.

Que a religião cumpra seu papel de religar a Deus e não ser o fim último como tem ocorrido em nossas instituições. Precisamos reeducar o nosso povo a ter olhos espirituais que vejam as pegadas, os traços de Deus em sua própria história de vida. O perigo que se corre nesse ultrapassado modelo pastoral é manter-nos num emaranhado de relações meramente humanas nas igrejas, sem profundidade e com uma sempre maior alienação; alienados de nós mesmos, alienados dos outros e lamentavelmente, alienados de Deus. Com a instrumentalização religiosa, o crente ficou preso às experiências de outros, que não a dele mesma, e às dos irmãos de fé. É mais uma religião social que espiritual, no sentido de mística, ligada ao transcendente.

De fato, a prática religiosa é a linguagem concreta pela qual tentamos expressar aquela experiência íntima que fizemos de Deus. No entanto, precisamos encontrar tempo para a interioridade, para o silêncio, para um encontro tranquilo e amoroso com a causa fundante de nossa existência. Posso ir à missa, posso rezar o terço e as novenas, mas elas são tão somente formas de externar o que vai no meu interior, o que foi fecundado e colhido pelo Espírito de Deus em mim. Se nossa prática pastoral inverte os momentos, gera-se uma imagem confusa de Deus e se sombreia a religião.

Fomentar a vida interior, ou vida espiritual é consagra-se a ser investigador do mundo, tanto o exterior quanto o interior, e com o auxílio da luneta da fé encontrar o amor profundo e incondicional de Deus. É conseguir enxergar em nós e no mundo a presença velada e revelada de Deus que sempre nos atrai e se apresenta maior que nós, maior que o mundo.

Essa experiência espiritual se dá, na prática, quando, por exemplo, olhamos com os olhos de Deus a senhorinha quase cega que lhe visita por simplesmente se sentir bem em sua casa; ali ela faz experiência da acolhida e nós a de hóspedes do próprio Deus que nos revela a fragilidade e doçura de seu coração. Ou então, quando todos se voltam contra você e em momento de vulnerabilidade, alguém lhe lança um olhar compassivo, lhe acolhe e diz: estou contigo, nunca se esqueça disto! Aquele abraço forte lhe dá, ainda que sem palavras, garantias que tudo está bem, que Deus não te condena mesmo quando todos teriam razões para isso.

Quanto mais criamos a capacidade de ver a manifestação de Deus nas realidades intramundanas, mais é diminuída a dicotomia sagrado x profano. O sagrado e o profano constituem dois modos de ser no mundo, duas situações assumidas ao longo da história religiosa.

O homem toma consciência do sagrado porque este se manifesta, como outra coisa absolutamente diferente do profano, do usual, do cotidiano. Qualquer ação com um significado vital, como nascimento e morte, fome e alimentação, plantio e colheita, etc. participa de certo modo do mundo sagrado, ou seja, é vital porque é parte do sagrado, vem de um Outro.  Exemplo primordial para nós cristãos é a encarnação do Verbo, no qual se encontram harmoniosamente integradas as duas categorias, a sagrada ou divina e a humana, ou profana.

A partir da humanização do Verbo divino, nenhuma coisa ou pessoa lhe escapa, pois, em si, já fazem parte do sagrado, porque foram assumidas como realidades espirituais no ‘coração’ de Deus. Jesus Cristo é a manifestação da integração perfeita das realidades terrestres e espirituais, e mostra que não são dicotômicas entre si, mas locais da manifestação de Deus. Portanto, toda ação é sagrada, pois a vida vem Dele e para Ele há de voltar. Encontrando-se, o ser humano encontra a Deus. Amando o outro, a Deus ele está a amar. Assim descobrimos que viver é sagrado, e quanto mais vivemos, integrando-nos no mundo, mais encontraremos rastros do sagrado que nele habita. No fim de tudo só Ele restará!

Autor: Prof. VICTOR HUGO NASCIMENTO
Filósofo e Teólogo.
Professor das Escolas de fé e catequese Luz e Vida e Mater Ecclesiae – RJ
Contato: victorbento.30@globomail.com

Fonte: http://www.catequisar.com.br/texto/colunas/victor/015.htm

 


PADRE FABIO DE MELO: MUDE SEUS PENSAMENTOS!

novembro 20, 2018


QUAL É O CAMINHO PARA A VERDADEIRA ESPIRITUALIDADE?

novembro 20, 2018

QUAL É O CAMINHO PARA A VERDADEIRA ESPIRITUALIDADE?

 

A busca da espiritualidade deve nos ajudar a sermos cada vez mais livres e senhores dos nossos instintos

Uma das palavras mais usadas nesses últimos tempos é espiritualidade, porque ela nos faz muita falta para o equilíbrio de nossa vida. Dizem os psicólogos que, quando se fala muito de uma coisa, é porque não a possuímos, portanto, somos carentes do que falamos. Não sei se essa teoria está certa, não é minha especialidade. O que posso dizer é que a espiritualidade não é uma teoria que preenche o coração de ninguém.

Para que a espiritualidade se torne algo pessoal deve sair do papel, do campo das ideias e se fazer vida. Somente quem vive olhando para o alto e não se deixando escravizar pelas coisas da terra pode lentamente tornar-se uma pessoa espiritual. Devemos evitar o espiritualismo que nos impede de compreender que a ação é o caminho certo de toda forma de espiritualidade.

-Qual-é-o-caminho-para-a-verdadeira-espiritualidade

Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

No respeito para todos estes autores que fazem um bem imenso aos que leem, discordo de tudo isso, porque me parece que não pode existir uma autêntica espiritualidade sem uma referência explícita a determinados valores fundamentais como a defesa da vida, da paz e dos direitos humanos.

A liberdade e o caminho espiritual

A busca da espiritualidade não pode nos prejudicar, mas deve nos ajudar a ser cada vez mais livres da matéria e senhores do nossos instintos. A verdadeira espiritualidade é fruto de uma luta corajosa, forte, onde ficamos feridos, arranhados e sangrando, mas não desistimos da luta.

Um dos textos que mais me ajudam a aprender a verdadeira e autêntica espiritualidade é a carta de São Paulo aos Gálatas. Ele nos recorda a beleza da nossa vocação, desse caminho espiritual que devemos percorrer e sempre ter presente na vida. “Fostes chamados para a liberdade”. Somente quem busca a autêntica liberdade se aventura no caminho espiritual.

A liberdade não é como normalmente se entende dentro da linguagem das pessoas no dia a dia. Livre é quem faz o que quer e como bem entende. Há muitos autores que dizem: tenho o direito de ser feliz e de buscar a minha felicidade e realização, portanto, até que não encontre vou buscando; não importa se isso me faz romper os laços da família, do amor, dos compromissos do matrimônio ou do relacionamento familiar, o que vale é a minha felicidade.

Na verdade, nunca seremos felizes se nos deixarmos dominar pelo egoísmo que está em nós. A liberdade é um sonho duro a ser conquistado e que vai exigindo muito de nós. Essa liberdade nos leva à verdadeira espiritualidade do amor. Reflito, no entanto, sobre o amor, e parece-me que, com os anos que vão chegando, o compreendo mais. Mesmo, quem sabe, por que a memória dos fracassos me faz ver em outra perspectiva o mesmo amor que devo conquistar.

Perceber a necessidade do amor para viver uma dimensão de vida que não pode ser espiritualização de nada, mas sim somente espiritualidade autêntica e vital. Será o mesmo Paulo que vai apresentando uma lista interminável de frutos da carne. São 15 nomeados e outros que ele não nomeia. E todos são causas de perturbações que nos afastam do valor fundamental da vida.

Alicerce da espiritualidade

Há quem ache que viver a feitiçaria ou espiritualismo é espiritualidade, ou quem vive até rancores e domínio dos outros. Pensa que para dominar os demais seja necessário de uma forte espiritualidade. Não há dúvida de que são visões distorcidas da verdadeira e autêntica espiritualidade. Não podemos confundir a espiritualidade no sentido católico do termo, esta não pode ter outro alicerce a não ser Cristo Jesus. Nós queremos ver a vida pela janela do Evangelho e do coração de Deus, por isso o único alicerce de toda a espiritualidade é a Palavra de Deus, que nos alimenta em cada momento.

Paulo diz que os que vivem os frutos da carne não podem entrar no Reino de Deus. Não é necessário termos todos os frutos da carne, é suficiente termos um que nos domine, para não termos acesso à mesma vivência do Reino. Um fruto influencia toda a nossa vida e nos escraviza. Os frutos do Espírito, que são o sinal do autocontrole e do senhorio de nós mesmos, nos fazem entrar na verdadeira liberdade.

Quais são esses frutos do Espírito?

Os frutos do espírito são: caridade, alegria, paz, longanimidade, afabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e continência. Contra esses não há Lei (Gl 5, 22-23). Aqueles que vivem esses frutos do espírito não têm mais lei, porque são orientados pelo amor, e quem ama sabe que jamais poderá fazer o mal nem a si mesmo e nem aos outros.

São João da Cruz, na sua visão de liberdade e plenitude da vida, ensina que quem chega no cimo do monte encontra somente a honra e a glória de Deus, e que para o justo não há lei… O justo tem uma única lei que o orienta: o amor. Esse não lhe permite mais ser escravo de nada nem de ninguém.

O caminho da verdadeira espiritualidade

O caminho da verdadeira espiritualidade é um processo de libertação interior, no qual tudo está debaixo do poder da nossa liberdade e nada mais poderá nos impedir de sermos livres no nosso agir. Na espiritualidade, então, percebemos que é necessário superar as ideologias mágicas que não realizam nada em nós. Por exemplo, a espiritualidade dos perfumes, das cores, do incenso queimado ou das novenas feitas somente pelo intuito de receber a graça e nada mais. São espiritualidades vazias e sem fundamento. É preciso que o Espírito encontre em nós uma resposta e se faça carne.

Deus nos dá um espaço de tempo para vivermos a nossa espiritualidade, e somente nesse espaço de vida que somos chamados a realizar o seu projeto de amor. Não há nada de reencarnação e de caminhos de volta para nos purificar e chegar assim à iluminação. É aqui e agora que a nossa vida deve se realizar. Não há outras vidas nem outra existência, a não ser a vida eterna que se conquista no dia a dia duro e difícil do nosso carregar a cruz, e na luta sem trégua contra o mal que está dentro e fora de nós.

Afinal, o que é espiritualidade?

É um estilo de vida pautado pelo Evangelho, que visa imitar a pessoa de Jesus. Seremos espirituais quando pudermos dizer, com sinceridade, como o Paulo apóstolo: “Não sou mais eu que vivo, é Cristo que vive em mim”.

Frei Patrício Sciadini, ocd.

Fonte: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/qual-e-o-caminho-para-verdadeira-espiritualidade/

 


PADRE LÉO: O CONSUMISMO DESTRÓI A NOSSA VIDA

novembro 19, 2018


O QUE TEM ME ESCRAVIZADO HOJE?

novembro 19, 2018

O QUE TEM ME ESCRAVIZADO HOJE?

E será que eu me dou conta disso?

O Catecismo fala sobre o pecado e sobre a salvação de Cristo. Se bem entramos na Vida de Cristo pelo Batismo, ou seja, começamos uma vida totalmente nova, na qual o pecado original é limpo, também é verdade que continuamos experimentando a concupiscência, uma certa tendência ao mal, que, como nos diz o Catecismo, permanece para o combate. Que combate? O espiritual. Por meio dele, podemos escolher livremente afastar-nos do mal e caminhar em direção a Deus, sempre ajudados pela sua Graça, sem a qual não poderíamos fazer nada.

Mas muitas vezes não nos damos conta disso. Esquecemos muito facilmente que essa tendência em nós é real e que, se não trabalhamos por governá-la, certamente ela nos levará por caminhos distantes do Senhor. A Igreja, mestre em humanidade, conhece esse coração frágil do homem e está sempre ao seu lado para acompanhá-lo nesse caminho, seja ensinando, seja perdoando, seja alentando a que retomemos a luta. Quando a Igreja fala, por exemplo, dos sete pecados capitais ou dos seus mandamentos, ela não está querendo impor regras que limitam a nossa liberdade. Pelo contrário, está querendo iluminar a nossa consciência para que possamos ser mais livres para escolher o bem e rejeitar aquilo que nos faz mal.

O pecado atua no campo espiritual da mesma forma que a escravidão no campo material. Ele nos prende, nos amarra de tal forma que ficamos sozinhos, imersos no nosso egoísmo, na autocontemplação, fechados em nós mesmos. Vale a pena que nos perguntemos hoje: O que tem me afastado de Deus e dos demais? E se não nos é fácil pensar sozinhos, busquemos escutar o que nos diz a Igreja, o que nos tem dito o Papa Francisco, ou fazer um exame de consciência levando em consideração os mandamentos de Deus e da Igreja (Esquecendo aquela visão autoritária, mas pensando em que esses mesmos mandamentos são sinais de misericórdia para conosco).

Jesus nos libertou do pecado, mas essa libertação precisa se fazer efetiva em cada um de nós por meio da nossa aceitação e da nossa cooperação por viver uma vida cada vez mais livre, reconciliada. As vezes não é fácil e pode, inclusive, vir a tentação de querer voltar à escravidão. Isso aconteceu com o povo de Israel no deserto que, diante das dificuldades, se perguntava se não teria sido melhor continuar como escravos no Egito. Mas não é melhor. Deus tem um projeto para nós, uma terra prometida à qual Ele quer nos conduzir. Mas para chegar lá, precisamos purificar-nos de tudo aquilo que ainda nos acorrenta a essa vida de escravidão. Somente assim poderemos ser verdadeiramente livres filhos de Deus.

 

Por João Antônio Johas, via A12 

Fonte: https://pt.aleteia.org/2018/11/06/o-que-tem-me-escravizado-hoje/

 


ANNA CLARA FERNANDES: NAS MÃOS DO OLEIRO

novembro 18, 2018


É PRECISO SER DIFERENTE

novembro 18, 2018

É PRECISO SER DIFERENTE

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A TENDÊNCIA AO PESSIMISMO DOMINA CADA VEZ MAIS. PRECISAMOS TORNAR NOSSA EMPATIA ALGO PRODUTIVO.

Com tantas coisas ruins nos rodeando dia após dia, nos noticiários e em cada esquina, fica muito fácil deixar-se abater. A tendência ao pessimismo domina cada vez mais e isso, embora não nos pareça, faz definhar pouco a pouco nossa sanidade. De tristeza à depressão, de medo à síndrome do pânico, de mau humor ao isolamento.

Felizmente, ainda nos abatemos; não estamos inertes ao sofrimento e à dor alheia. Ainda temos em nós a empatia e o sentimento de revolta por tudo aquilo que nos parece errado e injusto. Ainda temos nossa humanidade. E isso é bom, mesmo que não seja fácil.

Mas, embora continuemos com nossa humanidade, precisamos torná-la produtiva. Reclamar, criticar, chorar, temer, não resolve problemas; nem os seus nem os de ninguém. Para muitas coisas, realmente somos impotentes, mas para muitas outras, não.

Uma atitude positiva, digna do selo altruísta ou simplesmente um pequeno gesto de amor, pode parecer pouca coisa, mas não é. Um ato de bondade nunca acaba nele mesmo. Atos de bondade têm a capacidade de “contaminar” outros que o presenciam; essas atitudes podem causar sentimentos bons; podem melhorar o dia de alguém, a curto ou a longo prazo. E mesmo que ninguém perceba que está acontecendo algo bom, você saberá e será uma pessoa melhor por causa disso. Doar-se a uma boa causa, qualquer que seja e que represente algo positivo para você, é um santo remédio.

O pior que pode ser feito diante das tristezas, de cada injustiça, de cada sofrimento, de cada notícia ruim nos noticiários, é aceitar como comum e incapaz de ser melhorado. É deixar que tudo aquilo que é ruim no mundo inflame seu ser, influencie seu agir negativamente e, por fim, torne você incapaz de sentir empatia. Precisamos ter muito cuidado, pois isso acontece de forma silenciosa e sorrateira.

Pense muito em como você pode ser melhor, fazendo o melhor. Saúde e bem-estar não estão somente em correr dez quilômetros e comer três frutas por dia; também está em cuidar da mente e da alma. Cuidar da saúde espiritual, ter bons sentimentos e lutar contra os ruins. Reconhecer que se tem um propósito nesta vida, que vai além de cuidar do próprio umbigo. Isto é, abrir mão de uma vida medíocre.

Por isso, tente ser o oposto daquilo que afeta seu dia a dia; desligue-se do jornal sensacionalista ou tendencioso e seja útil. Dê um off nas redes sociais, com suas receitas imaginárias de felicidade. Faça de sua vida, uma vida útil para si e para os outros neste mundo, que se esforça para promover tanta inutilidade. É preciso ser diferente!

Caiene Cassoli
Autora do livro “O poder de mudar hábitos”
Editora Ideias & Letras

Fonte: http://www.a12.com/jornalsantuario/artigos/e-preciso-ser-diferente

 


PADRE LÉO: O HOMEM E SUAS ESCOLHAS

novembro 16, 2018


A MEDIDA COM A QUAL MEDIMOS….

novembro 16, 2018

A MEDIDA COM A QUAL MEDIMOS….

A medida com a qual medimos

Com qual medida você gostaria que lhe medissem? Com o metro? Então meça também com o metro. Você gosta de medir os outros em litro? Também lhe medirão em litros. Em outras palavras: a medida com a qual seremos medidos, é a medida utilizada para medirmos nossos irmãos.

Aqui reside “a lei da reciprocidade.” Se somos misericordiosos, seremos medidos pela misericórdia. Se julgarmos, seremos julgados da mesma forma. Se perdoarmos, receberemos o perdão.

Se pensarmos bem, a vida é tão efêmera, nossos dias de peregrinos neste mundo são fugazes, no momento em que somos fecundados já começa a contagem regressiva da existência… Somos apenas pó e nada mais. E por que não seguirmos estas palavras do Mestre dos Mestres? Para que usar de tanta condenação?

São Francisco – o santo mais parecido com Jesus – dizia: “É dando que se recebe.” Desapegue-se, seja compassivo, perdoe, não julgue, e você receberá a maior de todas as medidas do Senhor: a Fonte de Misericórdia que flui do seu coração traspassado. TOME POSSE!

Lucas 6,36-38

 

Paz e Luz

Antonio Luiz Macêdo

Fonte: http://catequesecatolica.com.br/site/medida-com-qual-medimos/

 


PADRE CHRYSTIAN SHANKAR: ESTÁ SOFRENDO? USE AS 3 ARMAS DA VITÓRIA!

novembro 14, 2018


HOMILIA DO DIA – PADRE PAULO RICARDO: POR QUE DAR GRAÇAS A DEUS?

novembro 14, 2018


A ORAÇÃO É UM ENCONTRO ÍNTIMO COM DEUS

novembro 14, 2018

A ORAÇÃO É UM ENCONTRO ÍNTIMO COM DEUS

O que é a oração?

A oração é atitude própria e necessária de todo o cristão. Então, acredito que todos nós, em algum momento, já tenha feito a si mesmo estas perguntas: “Será que eu sei rezar?; Como eu rezo?; O que é a oração?”. Se você já se fez essas perguntas, não pense que está errado ou que isso é um problema. Pois, vejo, por trás desses questionamentos, alguém preocupado com a vida espiritual e com o relacionamento com Deus.

Digo isso partindo do mesmo apelo feito a Jesus, por um de seus discípulos, quando esse viu que o próprio Senhor tinha saído para orar em um determinado lugar. O discípulo perguntou ao Senhor: “Senhor, ensina-nos a orar, como, também, João ensinou aos seus discípulos” (Cf. Lc 11,1).

A oração é um encontro íntimo com Deus

Foto ilustrativa: Bruno Marques/cancaonova.com

Questionar a maneira como se vive é um passo importante para quem deseja continuar crescendo no caminho cristão de santidade. Mais importante ainda, é fazer perguntas indispensáveis, assim como saber onde buscar as respostas para a própria vida. A tradição cristã, com seus vários anos e muitas correntes de espiritualidade, trouxeram definições sobre o que é a oração. Contudo, quero trazer para você a definição de que: a oração é um encontro íntimo com Deus.

O encontro de duas sedes

Tratar a oração como encontro é ter a certeza de ir encontrar-se com Aquele que, antes de nós irmos até Ele,  já estava ansioso por nos encontrar. É, antes de tudo, uma oração de saída. Então, podemos dizer que, o encontro da sede do teu coração com a sede do coração de Deus é a necessidade de ambos.

Na passagem em que a samaritana se depara com um homem que mudou a sua vida, perceba que momento mais belo de oração e de realização de dois corações que se desejavam. “Havia ali a fonte de Jacó. Jesus, cansado da viagem, sentou-se junto à fonte. Era por volta do meio-dia. Veio uma mulher da Samaria buscar água. Jesus lhe disse: ‘Dá-me de beber!’ […] A samaritana disse a Jesus: ‘Como é que Tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?’” (Cf. Jo 4,6-9).

Pronto! Aconteceu a partir desse fato uma transformação na vida dessa mulher. Nada mais permaneceu da mesma forma. Ambos os corações desejavam a mesma coisa, saciar a sede. Não pensemos que a necessidade vital naquele momento era de água, porque se continuarmos a leitura, o texto bíblico não traz que nenhum dos dois beberam a água.

A sede daquela mulher era sede Deus e de Deus daquele coração machucado. Esse encontro foi oração na vida da samaritana. E, desde esse momento, ela já sabia como saciar a sua carência que acabou buscando nos cinco maridos que teve. Somente Deus sacia!

Entra no teu quarto e fecha a porta

Para Deus, o mais importante não é o lugar, mas a disposição do seu coração. Meu irmão, a oração vai muito mais do que as palavras ditas, o lugar em que você se encontra, a situação que esteja vivendo ou as realidades externas a você. Claro que, essas condições podem ser matéria para a sua oração ou de alguma forma atuar na sua oração. Contudo, é na tua intimidade que Deus quer agir, é no teu secreto que Ele quer revelar segredos ao teu coração.

No mesmo contexto, onde Jesus ensina os seus discípulos a orar, porém, agora, no Evangelho de Mt 6,6, o Senhor exorta: “Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a Pai que está no escondido. E teu Pai que vê no escondido, te dará a recompensa”. Com essa passagem, Jesus ensina que, para que esse momento de oração aconteça, é preciso que você se coloque em estado de oração; ponha-se em estado de intimidade.

Ninguém precisa saber ou ver você fazendo a tua oração, porque é encontro somente entre duas pessoas; é um momento entre ti e Deus. Entre no silêncio, no escondido do teu coração e, lá, encontre Deus. Faça do teu íntimo o teu lugar secreto.

Eu te procurava fora e Tu estavas dentro

Santo Agostinho foi um homem que, por muitos anos, de diversas formas e nos mais variados lugares procurou saciar a sede. Sede essa que nem mesmo ele sabia de qual se tratava. Um jovem inteligente e cheio de dons naturais, mas alguém que sempre procurou fora o que só poderia encontrar dentro dele, no seu coração. E, esse foi o verdadeiro encontro que o santo teve, o encontro com a verdade que estava no “mais íntimo do seu íntimo”, como consta nos seus escritos.

A oração lança-nos para as realidades espirituais, divinas que estão além de nós mesmos. A exemplo de Agostinho, tantos outros santos que, após as experiências de pecado e de vida entregue aos mais variados prazeres, se converteram. Isso, porque, perceberam que, no mais íntimo, essa entrega aos prazeres da carne expressavam
o desejo de um encontro com a verdade; e o anseio de saciar a secura da própria alma. Secura essa que só Deus pode saciar, como disse Santa Teresa D’ávila: “Só Deus basta!”.

Então, meu caro amigo, lance-se na oração, lance teu olhar em direção ao olhar atento do Senhor. Ele deseja te encontrar e fazer morada no teu coração. “Suba” ao mais alto monte (interior) que possa existir para, assim, proporcionar esse encontro ao seu próprio coração. Pois, ali Deus habita e, a oração, é o refúgio dos santos.

 

Fábio Nunes

Francisco Fábio Nunes
Natural de Fortaleza (CE), é missionário da Comunidade Canção Nova e candidato às Ordens Sacras. Licenciado em Filosofia pela Faculdade Canção Nova, Cachoeira Paulista (SP), Fábio Nunes é também Bacharelando em Teologia pela Canção Nova, Cachoeira Paulista (SP) . Atua no Departamento de Internet da Canção Nova, no Santuário do Pai das Misericórdias e nos Confessionários.

Fonte: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/vida-de-oracao/oracao-e-um-encontro-intimo-com-deus/

 


MÁRCIO MENDES: FELIZ VOCÊ QUE ACREDITOU, PORQUE SE CUMPRIRÁ O QUE DEUS LHE PROMETEU

novembro 13, 2018


AS MINHAS PALAVRAS NÃO PASSARÃO

novembro 12, 2018

AS MINHAS PALAVRAS NÃO PASSARÃO

Façamo-nos presentes ao sopé da montanha e escutemos com a multidão o que diz Jesus: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão.” (Mateus 24,35)

Se você pertence ao grupo de pessoas que compactuam com mudanças radicais na Igreja realizadas pelo próximo Pontífice, considere suas esperanças perdidas e sua expectativa frustrada.

Os pontos de maior especulação neste momento que antecede o Conclave: Aborto, novas núpcias para casais divorciados e união homossexual. Todas estas questões serão INTOCÁVEIS, visto que regidas pelo Evangelho.

ABORTO – Uma citação fundamental de Jesus: “Eu vim para que as ovelhas tenham vida e para que a tenham em abundância.” (João 10,10b) Esta vida deve ser preservada em qualquer circunstância, mesmo em caso de estupro, porquanto a consequência (geração da vida) é infinitamente mais importante do que a causa.

NOVAS NÚPCIAS PARA DIVORCIADOS – Quanto ao Sacramento do Matrimônio, o Evangelho é enfático e claro: “Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu.” (Mateus 19,6) A indissolubilidadedo Matrimônio não se discute.

UNIÃO HOMOSSEXUAL – Ainda no princípio “Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher.” Não existe opção sexual de outra natureza. A união conjugal acontece exclusivamente entre dois seres humanos iguais em dignidade, e de sexos opostos. É a complementaridade das diferenças. E é isso que Deus determina.

Portanto, não pense que a Palavra de Deus irá adaptar-se aos seus anseios anticristãos; você é que deve adaptar-se à claridade da luz do Evangelho. Porque as palavras de Jesus não passarão jamais.

Mateus 24,35

Paz e Luz

Antonio Luiz Macêdo

Fonte: http://catequesecatolica.com.br/site/as-minhas-palavras-nao-passarao/