PADRE CHRYSTIAN SHANKAR: 13 SINAIS DE UM RELACIONAMENTO COM TRAIÇÃO!

setembro 21, 2018

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COMO OS CASAIS DE FÉ PLANEJAM O ORÇAMENTO FAMILIAR?

setembro 21, 2018

COMO OS CASAIS DE FÉ PLANEJAM O ORÇAMENTO FAMILIAR?

 

É importante que os casais conversem sobre orçamento familiar

Se você está casado, namorando ou está noivo, não perca tempo em falar sobre dinheiro. Isso não significa que ganhar dinheiro ou acumular patrimônio e riqueza seja a égide do seu relacionamento (como muito se prega por aí). O amor e a fé em Deus precisam ser o fundamento principal da vida de um casal, assim como a reciprocidade e a cumplicidade. A pedra de toque é que a omissão da palavra dinheiro entre casais pode minar, enfraquecer, fragilizar ou trazer inseguranças no futuro. A segunda maior causa de separação de casais, no mundo, é o dinheiro, que perde apenas para infidelidade1. A arte é a seguinte: casais de fé precisam falar sobre dinheiro.

É sabido que muitos casais enfrentam desentendimentos quando o assunto é dinheiro2. Brigas são constantes, especialmente quando as dificuldades surgem: desemprego, dívidas, empréstimos ou assuntos espinhosos desse tipo. É urgente colocar o dinheiro na pauta dos relacionamentos. Em especial, a fé em Deus precisa estar acima do dinheiro. Contudo, o dinheiro não pode ser negligenciado.

Como os casais de fé planejam o orçamento familiar

Foto Ilustrativa: AleksandarNakic by Getty Images

O que você pretende com seu relacionamento? Se está namorando, pensa em casar? Se já tem a certeza de ser o homem (a mulher) da sua vida, por que não comentar sobre o que pensa sobre a vida financeira de vocês? Falar do futuro financeiro pode ser uma boa forma de também conhecer quem você ama. Cada um tem uma história financeira, uma bagagem que traz de sua origem familiar. Alguns viveram, desde criança, em meio a uma vida difícil financeiramente, mas onde nada faltava. Outros tiveram cordas soltas, e tinham tudo que queriam, mas os pais viviam endividados. Qual a sua história financeira? Tudo o que está aí dentro de você, guardado, um dia fluirá após o casamento; será natural e com o tempo.

“Marido e mulher em perfeito acordo” (Eclo 25,2)

O livro do Eclesiástico diz que Deus se alegra ao ver marido e mulher em perfeito acordo. Isso inclui muitas coisas: educação dos filhos, amor recíproco, decisões e também a vida financeira. Quanto mais um casal faz uso de ferramentas, planilhas, aplicativos de celular ou cadernos para facilitar o diálogo financeiro, maior será a bênção de Deus sobre eles. É preciso colocar o dinheiro no seu devido lugar, nem como meta principal, para “ficarem ricos”, nem ignorar o fato de que uma família terá muitas necessidades no futuro. Por outro lado, não há nada de mal querer conquistar um patrimônio (casa, carro, poupança, aposentadoria, faculdade dos filhos). As separações de casais acontecem quando colocam dinheiro, riqueza, ganância e avareza como elo primordial, como porto seguro. Segurança só em Deus; o dinheiro é apenas uma ferramenta necessária.


1- Segundo pesquisas de Universidades Americanas como Michigan através de entrevistas e estudos com casais.

2 -Dados do IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

 

Bruno Cunha

Mestrando em Desenvolvimento Regional pela Universidade de Taubaté (UNITAU), Bruno Cunha possui Pós-graduação em Administração (MBA) pela Fundação Getúlio Vargas e graduação em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Pernambuco. Atualmente, é diretor administrativo e financeiro da Faculdade Canção Nova, onde também atua como professor. Cunha tem experiência na área de Finanças, Economia, Educação Financeira, Finanças pessoais e Administração Financeira e Orçamentária.

Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/economia/como-os-casais-de-fe-planejam-o-orcamento-familiar/

 


THIAGO BRADO: REGRESSO

setembro 19, 2018


SUICÍDIO INFANTIL: QUAIS SITUAÇÕES PODEM LEVAR UMA CRIANÇA A TIRAR A PRÓPRIA VIDA?

setembro 19, 2018

SUICÍDIO INFANTIL: QUAIS SITUAÇÕES PODEM LEVAR UMA CRIANÇA A TIRAR A PRÓPRIA VIDA?

 

O suicídio infantil não deve ser compreendido como um desejo de morrer, mas sim de acabar com um sofrimento

Por mais que o título acima pareça ter sido tirado de um filme de ficção ou de uma realidade muito distante da nossa, saiba que não foi não! Posso dizer até que esse assunto sobre o suicídio infantil desfoca-se do imaginário da maioria das pessoas em relação ao mundo da criança, que é sempre pensado como inocente, alegre e cheio de fantasia. No entanto, na realidade, isso não é verdade, pois esse assunto sobre o suicídio é atual, urgente e de grande importância; deve ser discutido em casa, na escola e também na comunidade.

O suicídio entre crianças e adolescentes não deve ser visto como um tabu ou algo velado. Mesmo sendo um assunto complexo, deve ser discutido, pois os jovens precisam aprender, desde cedo, a lidar com as questões humanas, as emoções e também frustrações.

Suicídio-infantil-quais-situações-podem-levar-uma-criança-a-tirar-a-própria-vida

Foto Ilustrativa: Wesley Almeida/ cancaonova.com

Certamente, o suicídio infantil não deve ser compreendido como o desejo de morrer, mas sim de acabar com um sofrimento.

Aumento do suicídio infantil

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), no mundo, o suicídio é responsável por uma morte a cada 40 segundos. Além disso, entre 2002 a 2012, houve um aumento de 40% na taxa de suicídio entre crianças e adolescentes (10 e 14 anos) e de 33,5% na faixa etária de 15 a 19 anos.

Esses resultados são inquietantes e nos colocam algumas questões importantes: o que faz uma criança ou adolescente pensar ou acabar com a própria vida? Seguramente, cada caso é um, e motivos diferentes podem ser apontados; no entanto, alguns fatores de risco para o suicídio entre crianças e adolescentes são reconhecidos pela comunidade científica.

Alguns aspectos psicológicos estão relacionados ao suicídio infantil, como alguns transtornos (principalmente a depressão, que tem acometido cada vez mais crianças da mais tenra idade), a esquizofrenia; sentimentos de desesperança e desamparo (pensar que as coisas nunca se resolverão e que está sozinho no mundo), traços de personalidade como a impulsividade e o uso de substâncias psicoativas (drogas e álcool). Outros aspectos também, como a violência intrafamiliar – aqui entendida de diversas formas, como a psicológica, física, negligente e sexual.

Aspectos para o suicídio infantil

A violência psicológica ocorre quando alguém é submetido a ameaças, humilhações e também privado do desenvolvimento emocional saudável. A violência física envolve maus tratos corporais como o espancamento, queimaduras, fraturas entre outros.

A negligência ocorre quando a criança é privada daquilo que é essencial para o seu desenvolvimento sadio, como alimentação, vestuário, segurança e oportunidade de estudo.

Sobre a violência psicológica associada à relação familiar também podemos destacar as dificuldades de habilidades dos pais para cuidar dos seus filhos, o abuso de substâncias como álcool e drogas (dos pais e pessoas que moram com a criança), a depressão, tentativas de suicídio ou outros problemas psicológicos, como dificuldades nas habilidades sociais, autoritarismo, estresse social, violência doméstica e disfunção familiar.

Violências contra as crianças

É importante pensar que uma criança que cresce em um lar violento está mais exposta a ter problemas mentais, mesmo que ela não seja uma vítima direta da violência. A exposição à violência conjugal também é uma violência contra a criança.

É importante termos em mente que fatores de risco não devem ser entendidos de uma forma isolada, pois, por si só, não constituem uma causa específica. No entanto, interagem num processo complexo que pode justificar o desenvolvimento de doenças mentais e até mesmo contribuir para o suicídio infantil.

Existem também os fatores protetivos em relação ao suicídio, ou seja, aquilo que vai auxiliar na prevenção de doenças e contribuir para uma saúde mental. Discutiremos isso em outro momento, mas, por enquanto, digo que incentivar as crianças e os adolescentes a falarem sobre os seus sentimentos e pedir ajuda é de grande importância!

Lisandra Borges
Psicóloga, mestre e doutora em Psicologia, com ênfase em Avaliação Psicológica.
Ela se dedica à construção de medidas de saúde mental infantil e é coordenadora terapêutica na Clínica Fênix (instituição especializada no tratamento de autistas). Lisandra é também professora e coordenadora dos cursos lato sensu em Psicologia na Universidade São Francisco.

Fonte: https://formacao.cancaonova.com/familia/pais-e-filhos/suicidio-infantil-quais-situacoes-podem-levar-uma-crianca-a-tirar-a-propria-vida/

 


PADRE FABIO DE MELO: TENHA CALMA, ACALME SEU CORAÇÃO

setembro 18, 2018


O QUE É O CERCO DE CERICÓ?

setembro 18, 2018

O QUE É O CERCO DE CERICÓ?

O que é o Cerco de Jericó

Introdução

Em certa ocasião, um grupo me pediu para organizar um “Cerco de Jericó”. Perguntei o que é era. Disseram que se tratava de um encontro de adoração com missa e que geralmente, após a missa, se realizava uma procissão com o Santíssimo ao redor do povo, com cantos, súplicas e clamores: cada dia acrescentando-se uma volta, até completar sete. Como no relato bíblico da queda das muralhas de Jericó, hoje, no Cerco de Jericó, vão “caindo” todas as muralhas que atrapalham a vida humana: carência, depressão, encostos, bruxarias, despachos, falta de dinheiro, brigas em família etc. Então, pedi que fizessem uma pesquisa bíblica para esclarecer melhor o fato… Passado um tempo, o grupo veio me dizer que “tinha desistido” de realizar o encontro porque a pesquisa não lhes dera uma resposta convincente; parecia que o tal cerco de Jericó “não tinha acontecido como descrito na Bíblia”. Eu, já ciente disso, decidi então escrever este artigo, a modo de contribuição.

  1. O que é o Cerco de Jericó?

Um pouco de história

Sobre o Cerco de Jericó, não se tem história muito documentada. Parece que começou na Polônia, como preparação para a visita do papa João Paulo II a Cracóvia. Em 8 de maio de 1979, decidiram organizar práticas piedosas; uma delas foi chamada de Cerco de Jericó.

Diz-se que uma piedosa mulher polonesa teve a inspiração de organizar um momento forte de oração mariana em preparação para a visita papal. A preparação contou com o reforço de um congresso sobre o rosário, em Jazna Gora. Foram sete dias e seis noites de rosários consecutivos diante do Santíssimo Sacramento.

Em que consiste o Cerco de Jericó?

O Cerco de Jericó é uma oração de “arrebanhamento comunitário (e extracomunitário)” baseada na saga de Josué na conquista de Jericó. Consiste em uma semana “incessante de batalha espiritual”, com a intensificação de orações em grupo: terços e pregações da Palavra. O coração é a missa diária, acompanhada, em seguida, da procissão com o Santíssimo Sacramento. Em ocasiões, acrescentam-se práticas como a confissão, jejum e muitas imprecações.

A exemplo do relato bíblico, os articuladores do Cerco de Jericó direcionam o pensamento para “cercar os inimigos” com orações e louvores, esperando Deus atuar em favor do grupo. É preciso perseverar e persistir durante os sete dias.

Espera-se “derrubar as muralhas” com a força da oração, com a ciência de que o Espírito Santo é capaz de derrubar, destruir e aniquilar as “forças malignas”. O terço de Nossa Senhora e os clamores diante do Santíssimo vão “quebrando” os alicerces das nossas muralhas. Acredita-se que “muitas curas e libertações acontecem”: portas que estavam fechadas se abrem, crises conjugais e econômicas superadas, doenças e tantos outros problemas solucionados. Mas o mais importante é o poder de Deus se derramando sobre o povo.

  1. O que sabemos da Jericó bíblica?

Jericó, em hebraico yerihô (cidade da lua), em grego ierichõ, é quase a cidade mais antiga do mundo, situada na depressão do rio Jordão, 23 quilômetros a nordeste de Jerusalém. O nome deriva provavelmente de um deus pagão: yrh = deus-lua, traduzido como Jericó pelos membros do clã dos binu-yamina (1800 a.C.).

O lugar é um grande oásis irrigado por três fontes: a principal, a fonte de Eliseu dos peregrinos (2 Reis 2,19-22); a segunda, alguns quilômetros a noroeste; a terceira, um pouco ao sul. Jericó era ao mesmo tempo um lugar agrícola, comercial e estratégico; daí a notável importância em diversos momentos da história bíblica e cultural da região.

  1. Como se estruturou o relato bíblico da “queda das muralhas”?

A ciência bíblica diz que a formação dos livros da Bíblia resulta da complexa convergência de três elementos conhecidos dos biblistas. Comentaremos todos e aplicaremos ao tema das muralhas.

1º elemento. Na pesquisa dos acontecimentos “históricos” da multissecular história do povo bíblico, entram conjunturalmente vários aspectos. O que se entende por “história bíblica”? Deve-se entender por experiências pessoais: (personagens, patriarcas, profetas, Jesus, os apóstolos) e coletivas (vida do povo, formas de viver, de se exprimir, batalhas, lutas, doenças, acontecimentos, nações, estados), nas quais se inclui também a cultura (patrimônio jurídico: leis, conjunto de instituições civis e religiosas, monarquias, impérios, governadores, escribas, sacerdotes do templo, fariseus; tradições, lendas, parábolas, narrações míticas etc). Isto é, uma história feita de homens, com tudo o que isso implica de bom e de ruim, de correto e de impreciso.

Apliquemos isso ao texto de Josué 6,1-19: o fato narrado no texto deu-se por volta de 1200 a.C., quando os israelitas chegaram à Palestina, a terra prometida. Jericó foi a primeira cidade inimiga com a qual se defrontaram: cidade muito bem organizada, com um rei, com serviços de inteligência (Josué 2,2) e um exército bem apetrechado; os israelitas, pelo contrário, um bando desorganizado de tribos e clãs que vinha fugindo da escravidão do Egito.

A respeito “das muralhas”, sabe-se que as múltiplas pesquisas arqueológicas não observam restos de muralhas caídas nesse tempo. A pesquisa mais expressiva, organizada entre 1952-1959 pela arqueóloga Kathleen Kenyon, nada deixou sem averiguação. Graças a essa aprimorada investigação, foi possível traçar quase toda a história e a fisionomia da(s) cidade(s) mais antiga(s) do mundo. Foram descobertas muralhas de defesa, construídas cerca de 8000 a.C. (2 m de largura, uma torre de 9 m de altura e 8 m de diâmetro). Outras interessantes descobertas estabeleceram que, na verdade, existiram “muitas Jericós”, no mínimo 17. Pois aquela região de Jericó foi tomada, saqueada, queimada, destruída e abandonada em inúmeras ocasiões. Foi finalmente destruída em 1550 a.C. para nunca mais voltar a reerguer-se.

Então, quando o grupo de Josué chegou à região, aproximadamente no ano de 1200 a.C., havia 350 anos que Jericó “já não existia”. Provavelmente moraram ali pequenos grupos seminômades, empobrecidos, com uma precária organização social e política, e grupos chegados do Egito (o grupo de Josué), acreditando no todo-poderoso Javé, ter-se-iam infiltrado aos poucos na vida desses povoados e, com pouco esforço, os teriam vencido e subjugado.

2º elemento. É a interpretação teológica e sapiencial dos fatos ou a mensagem religiosa/espiritual dos eventos para o bem do povo que culmina normalmente numa “história” que se concretiza, no decorrer do tempo, numa forma concreta de literatura: livros.

O que de fato aconteceu, podemos lê-lo no relato bíblico de Josué 6,1-19. O mais importante é que a conquista de Jericó foi um acontecimento militar essencial para afirmar o sentido social e religioso de todo o povo de Israel, já que abriu as portas para a conquista da Palestina. O relato bíblico é uma construção literária montada por motivos religiosos e teológicos (processo muito complexo) para deixar bem manifesto que “as promessas de Javé não falham”: a terra prometida seria posse do povo eleito.

Aplicando ao texto: a exegese bíblica diz que a história de Josué foi codificada de modo amplo ao longo de muitos séculos: do século X ao I a.C. A redação definitiva da conquista de Jericó corresponde aos escritos pós-exílicos dos séculos VI e V a.C.

3º elemento. A literatura bíblica surge das “histórias” acolhidas como mensagem de amor e amizade que Deus quis comunicar aos homens e mulheres de todos os tempos. Essa literatura plasmada em gêneros literários permite individuar as linhas teológicas dessa história até chegarmos a uma correta percepção da “mensagem” de Deus. É claro que a mensagem permanece o escopo final de uma caminhada que exige tempo, boa vontade e fadiga (BISSOLI, 2002, p. 18-19).

Teologicamente, sabe-se que muitos anos depois (no mínimo 700/800) esses relatos da entrada na terra prometida foram escritos. Ao chegar e achar tudo derrubado, veio à tona a pergunta: quem derrubou as muralhas e entregou para nós a cidade? A resposta da teologia diz: tudo isso foi obra de Javé, que abriu o caminho e facilitou a entrada na terra que ele mesmo prometeu; acontecimento jubilosamente festejado liturgicamente com orações e rezas acompanhadas de trombetas e gritarias.

Finalmente, o relato ficou imortalizado no capítulo 6º de Josué, inspirando-se provavelmente na procissão que todos os anos o povo realizava desde o santuário vizinho de Guilgal até as ruínas, para comemorar a “inesquecível” conquista.

  1. O que diz a Igreja sobre a finalidade da adoração eucarística fora da missa

A devoção da adoração eucarística fora da missa desenvolveu-se entre os séculos IX e XIII, como resultado do gravíssimo empobrecimento na compreensão da dimensão plena e integral da celebração eucarística. Por vários motivos, a Igreja abandonou os processos de iniciação à vida cristã para adultos e deu início ao batismo de crianças (paidobautismo) de forma massiva, o que originou um agudo empobrecimento bíblico e teológico da população e resultou na deturpação do mistério eucarístico como um “todo dinâmico celebrativo”. Assim, a eucaristia “polarizou-se” em “isolada devoção”, fora do contexto da celebração do mistério pascal. A sensibilidade do povo devotou-se à exagerada acentuação da “presença real” de Cristo na hóstia consagrada, valorizada “em si mesmo”, desligada do contexto celebrativo, fazendo com que de fato resultasse uma “visão coisificante/rígida” da realidade sacramental.

O que aconteceu? Ao longo dos séculos, a exposição do Santíssimo Sacramento foi se separando totalmente do acontecimento celebrativo, sobrepondo-se, por vezes, às mesmas celebrações. Por exemplo, durante a missa, ficava o Santíssimo exposto acima do sacrário. Pela grave ausência de uma correta iniciação ao mistério eucarístico, o povo já não entendia a liturgia em língua latina e ficava ainda mais afastado da comunhão sacramental. O povo não mais compreendia o sentido da celebração eucarística e ficava apenas com uma superficial (quando não supersticiosa) devoção “à presença real de Cristo na eucaristia”.

A adoração eucarística se dirige a Cristo, realmente presente na espécie eucarística do pão conservada no sacrário após a celebração. De que forma Cristo está presente nesse dom? Os símbolos de sua presença manifestam que ele aparece diante de nós de uma maneira especial; presente sob as espécies eucarísticas como “encarnação de seu louvor eucarístico”; bênção (beraká) que se concentra, por assim dizer, em sua pessoa, verdadeiro “acontecimento de salvação”: no pão e no vinho eucaristizados, Cristo está presente como “louvor eucarístico”, personificação dele, anamnese vivente da obra salvífica. Ele continua, como “presença oblativa”, como dom para nós, como permanente convite a consumi-lo, isto é, a participarmos extasiados e agradecidos em seu louvor, em seu sacrifício, em seu caráter de servo de Javé. A sua presença espera uma resposta de acolhida; resposta de fé em Cristo.

  1. a) Comunhão como atitude fundamental. Quando o cristão se coloca na presença do pão eucaristizado, faz isso “aproximando-se” dele para acolher o “Dom” que o convida a participar no sacrifício de louvor. Assim, a primeira atitude será de comunhão; comunhão que, na celebração eucarística, é cume da vida cristã, pois o sacrifício de Cristo não pode ficar isolado, sem ligação com a vida cotidiana do cristão. Todo o direcionamento do cristão que participa da eucaristia (e da adoração) abrange todos os aspectos da comunhão: louvor, adoração, participação no sacrifício, súplica. A comunhão é – e o reiteramos – a atitude fundamental da oração eucarística, entendida como “real participação no memorial da paixão, morte e ressurreição do Senhor”.
  2. b) Caráter eclesial da adoração eucarística. Graças à celebração eucarística, os cristãos se unem e participam do mesmo memorial da ceia, recebendo o pão eucarístico, comungando do mesmo Corpo e Sangue de Cristo e constituindo juntos seu Corpo místico que é a Igreja. Assim, a presença eucarística de Cristo não é presença estática, é “presença em ação”, dinâmica, para plasmar a vida da Igreja toda. Pois não tem sentido de modo algum considerar a presença em si mesma, separada do ato, por meio do qual a Igreja, pela comunhão no sacrifício sacramental, une a própria oferenda à de Cristo, cujo poder de apresentação ao Pai recebeu. Por isso, a intenção da Igreja, ao conservar a eucaristia após a missa, responde ao desejo de “prolongar”, “completar”, de algum modo, o sacrifício de Cristo em alguns de seus membros (CDC, cânon 938 §1 e 2).

Omitir a consciência de eclesialidade na adoração eucarística fora da missa é, na verdade, “caminhar contra a vontade da mesma Igreja”. Cristo está presente na eucaristia para selar e constituir entre Deus, seu Pai, e os homens uma aliança eternamente nova e vital. Pois a eucaristia é o sacramento da amizade/aliança entre Deus e os homens, e da amizade que os une como sacramento da fraternidade. É preciso amadurecer nos adoradores a consciência de que Cristo está presente sobretudo para a edificação da Igreja, seu Corpo místico.

Infelizmente, partindo de um grave desconhecimento do sentido mistagógico da celebração eucarística, pensa-se erroneamente que a falta de insistência na adoração fará com que esmoreça o sentido da presença de Cristo no pão eucaristizado; com isso, volta-se “quase desesperadamente à insistência da adoração”, incorrendo-se nos exageros da época medieval e esquecendo-se dos preciosos princípios conciliares sobre a eucaristia.

Com efeito, não obstante se saiba que a missa não é a hora oportuna para a adoração do Santíssimo, age-se completamente “fora de lugar” quando se coloca a hóstia num ostensório e se percorre o interior da Igreja (e até sete vezes, como no Cerco de Jericó), não raro acompanhado de uma balbúrdia que impede penetrar o sentido do mistério, fazendo com que o povo continue tão vazio como entrou, ou pior (cf. TABORDA, 2013, p. 3-8).

Por outra parte, se perguntamos à ciência litúrgica sobre a importância da adoração eucarística do ponto de vista da “densidade sacramental do mistério pascal”, ela nos dirá que a adoração “não aparece como primeira categoria”. Pois, sobre a ordem de importância das ações litúrgicas segundo a densidade do mistério pascal celebrado, diz: primeiro a celebração eucarística, como a maior e privilegiada densidade sacramental que nos conduz ao mistério pascal, depois os sacramentos e a Liturgia das Horas; a seguir, a celebração da Palavra, as bênçãos sacramentais, as exéquias e consagrações; depois vem a adoração ao Santíssimo Sacramento.

Conclusão

Evangelizar não se reduz a vender um produto religioso que agrada ao cliente e lhe dá satisfação espiritual, mas, numa sociedade desfocada do sentido cristão da vida, sem capacidade para uma profunda vida de oração e adoração, os oportunistas transformaram a religião em lucrativo mercado, e os fiéis em consumidores de seus produtos. Alimentam nos fiéis o medo, a insegurança, a obsessão fanática por devoções; grupos que negligenciam as normas da Igreja, promovendo “espetaculares” momentos de adoração ao Santíssimo Sacramento desconectados do mistério pascal da eucaristia; novenas e devoções desligadas do compromisso comunitário, cultos televisivos marcados pelo espetáculo, shows narcisistas; venda do sagrado e promoção de emoções descontroladas; gritaria em vez de silêncio, práticas quase mágicas em vez da sobriedade evangélica; obsessão por milagres e fatos extraordinários, em vez do serviço discreto, silencioso e permanente aos pobres e a todos.

Procura exacerbada do aspecto curativo e subjetivo da religião, esquecendo o principal – a dimensão profética a serviço da vida e da justiça – para constituir-se em caminho de subjetiva alienação. Deus não pode ser transformado em “objeto de desejos pessoais”, assim como a religião não pode reduzir-se a “prosperidade material”, saúde física e realização afetiva. Já conhecemos a ação dos “mercadores da boa-fé”, das “igrejas-pedágio”, do mercado do religioso (o segundo produto mais rentável do capitalismo). Buscas sinceras por respostas a perguntas legítimas sendo instrumentalizadas por expertos do mercado religioso, deformando gravemente a visão de vida cristã. Sem dúvida, atrás dessas iniciativas existem, não poucas vezes, manifestações até patológicas.

Percebe-se que a desleixada atitude diante do imponente mistério eucarístico exposto à adoração não responde a uma saudável e construtiva oração contemplativa. Pessoas desejosas de entrar na intimidade com o Senhor ficam desiludidas e enganadas, cultivando uma visão depauperada do mistério eucarístico da Igreja.

Na verdade, estão em jogo duas concepções diametralmente opostas de ser humano. Ou queremos aquele “deus” que o nosso egoísmo projeta, que vive de ter, poder e aparecer, ou optamos por Jesus, que revela a face do amor: partilha, serviço, humildade. Um Deus “diferente”, no estilo de Jesus. Pois poderemos ser salvos se nos tornarmos discípulos de Jesus, que é dom de si até a morte de si.

O cristianismo não nasceu de forma fanática, pois teria deturpado a beleza da fé original, tornada doença e desvio patológico, levando as pessoas a viver uma religião de vernizes, de superficialidade; transformando os fiéis em funcionários obedientes e sem raciocínio, distantes dos pobres e das causas do reino de Deus, acreditando enfim numa caricatura de Deus, esvaziada de uma autêntica vivência religiosa. A vida cristã não é uma busca epidérmica e apressada de satisfação… não é um “oculta-vazio’ ou um alívio emocional para sociedades à beira de um ataque de nervos. É uma fascinante aventura que nos radica na verdade nua do homem e na verdade de Deus.

Os promotores de uma caridade sem ação social transformadora, ingênua, anticristã, humilhante e ofensiva aos pobres apostam em saídas milagreiras, na beleza insípida das celebrações, em assembleias festivas sem contemplação, abusos sacramentais e melado devocionismo. Os símbolos cristãos não são atos de magia e não nos distanciam do concreto, do cotidiano da vida; ao contrário, eles apenas querem antecipar, no rito, a eternidade na precariedade do presente.

Até aqui, minhas palavras. Agora o discernimento. Deixemos de lado o que nada tem a ver com a beleza do cristianismo para sermos livres com a liberdade dos discípulos de Jesus, cultivadores de uma fé amorosa, bondosa, misericordiosa, inteligente e nobre, bela e profunda.

Bibliografia

ALTEMEYER, F. O fundamentalismo é uma doença. O Mensageiro de Santo Antônio, Santo André,
n. 587, p.10-13, set. 2015.

BISSOLI, C. Viaggio dentro la Bibbia. Leumann: Elledici, 2002.

Jericó. In: Diccionario de la Biblia. Santander: Mensajero/Sal Terrae, 2012. p. 412-413.

MAZAR, A. Arqueologia na terra da Bíblia. 10.000-586 a.C. São Paulo: Paulinas, 2003. p. 322-327.

POIRÉ, M.-J. “Voici le pain, voici le vin, pour le repas et pour la route…”. Quelques enjeux liturgiques et pastoraux de la pratique de l’adoration eucaristique. Lumen Vitae, n. 3, p. 309-320, jul/set. 2009.

RAMOND, S. Giosuè há conquistato Canaan. Il mondo della Bibbia, n. 121, p. 20-21, jan./fev/ 2014.

TABORDA, F. Valorizar o sentido mais profundo da eucaristia: entrevista com Pe. Francisco Taborda, sj. Vida Pastoral, n. 291, p. 3-8, jul/ago. 2013.

TAGLE, L. A. L’adoration authentique. Lumen Vitae, n.3, p. 291-298, jul./set. 2009.

VALDÉS, A. A. Como caíram as muralhas de Jericó? ______. Que sabemos sobre a Bíblia?Aparecida: Santuário, 1997. p. 49-58 v. 3.

______. Como foi a misteriosa conquista da terra prometida? ______. Que sabemos sobre a Bíblia?Aparecida: Santuário, 2001. p. 19-29. v. 5.

Guillermo D. Micheletti

Presbítero argentino da Diocese de Santo André. Pároco da Igreja Jesus Bom Pastor.

Fonte: http://catequesecatolica.com.br/site/o-que-e-o-cerco-de-jerico/

FALEMOS DO SUICÍDIO, QUEBREMOS O TABU

setembro 17, 2018

FALEMOS DO SUICÍDIO, QUEBREMOS O TABU

Shutterstock

Sempre me questionei sobre as razões que levam uma pessoa ao suicídio. Será que a intenção é acabar com a própria vida ou acabar com algum sofrimento? A consequência deste ato, de qualquer forma, é a mesma: a morte.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma pessoa comete suicídio a cada 40 segundos no mundo. Estatísticas globais também dizem que, a cada suicídio consumado, há cerca de 25 tentativas de suicídio. Ou seja, nos próximos 40 segundos haverá uma morte por suicídio e outras 25 pessoas tentando acabar com sua própria vida. No Brasil, estatísticas mais recentes nos dizem que acontecem 10 mil suicídios por ano, ou seja, aproximadamente 27 por dia. Quer dizer que, a cada hora, uma pessoa comete suicídio e outras 25 pessoas tentam o feito. Que terrível!

Porém, eu não gosto de ficar nas estatísticas. Por isso, pretendo que esta sucinta reflexão nos ajude a compreender melhor este triste fenômeno, sensibilizando-nos para, assim, podermos sair ao encontro das pessoas que, buscando acabar com algum sofrimento, possam pensar e/ou tentar o suicídio.

Sabemos que este fenômeno não exclui nenhuma classe ou tipo social, profissão, religião e, em certa medida, idade. Nos últimos tempos, também tem crescido o número de médicos e sacerdotes que cometem suicídio. Só o fato de escutar ou ter que falar sobre este tema nos gera certo temor e insegurança, pois lembramos de alguém que cometeu suicídio recentemente, lembramos dos números assustadores ou até de nós mesmos, pois também podemos ter pensado nessa possibilidade.

No campo da Filosofia, alguns autores já abordaram o tema, como Albert Camus, em sua principal obra filosófica O Mito de Sísifo, em que nos apresenta uma reflexão sobre o absurdo e o suicídio. Camus diz que a vida cotidiana do homem é absurda, e que a insignificância da condição humana se traduz em angústia. Ele afirma: “só existe um problema filosófico realmente sério: o suicídio. Julgar se a vida vale ou não vale a pena ser vivida é responder à pergunta fundamental da filosofia”. Esta aproximação, embora bastante existencialista, pode nos apresentar algumas lições.

No campo da Sociologia, temos autores que analisam a esfera das circunstâncias que conduzem o ser humano a cometer o suicídio. Um dos principais, Émile Durkheim, no seu livro O Suicídio, faz um estudo sobre a relação entre o aumento das taxas de suicídio e os níveis de baixa integração social. Ou seja, para ele, as pessoas que não têm vínculos sociais duradouros são mais propensas a cometer suicídio.

Durkheim distingue três tipos principais de suicídio. O suicídio egoísta, relacionado a uma baixa integração social; o suicídio altruísta ou filantrópico, como uma forma de sacrifício; e o suicídio anômico, relacionado a uma fraca regulação social entre as normas da sociedade e o indivíduo, como, por exemplo, a corrupção.

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No campo da Psicologia também encontramos autores que se têm aprofundado sobre o tema. Um deles, Viktor Frankl – fundador da Logoterapia, que é a terceira escola vienense de psicoterapia – percebeu, pelo estudo teórico e pela auto-experiência, que somente aqueles cujas vidas possuíam algum sentido conseguiam enfrentar o sofrimento até o fim. Numa entrevista, diante da pergunta sobre por que há pessoas que sofrem mais do que outras, e se estas não poderiam duvidar sobre a possibilidade de encontrar o sentido da vida, Frankl responde: “Você não vai acreditar, mas dados estatísticos mostram que pessoas que iam morrer logo percebiam com mais clareza um sentido na vida do que as demais pessoas”. Isto é um contraste muito grande, pois pode nos mostrar o absurdo que, no fundo, é o suicídio.

Frankl nos ensina ainda mais a partir de seu best-seller, o livro Em busca do Sentido“Nós podemos descobrir o significado da vida de três diferentes maneiras: fazendo alguma coisa que nos realiza; experimentando um valor como o amor; ou pelo sofrimento.” Porém, somos conscientes de que lidar com o sofrimento não é fácil e, por isso, precisamos de ajuda. Penso que as palavras do psicólogo Aureliano Pacciola podem nos esclarecer melhor esta situação: “É aceitável que, em determinados momentos da vida, todos nós possamos ter vontade de dar fim a uma dor, uma angústia, incluindo aí o pensamento de morte. São ideias momentâneas, passageiras. A linha que separa o normal do patológico, no caso de suicídio e/ou ideação suicida, é o ato de delinear um projeto e começar a executar o projeto para o suicídio”.

Quero me dirigir também às pessoas que talvez já pensaram no suicídio ou já tentaram cometê-lo. Busquem ajuda, há ferramentas profissionais para lidar com o tema! E, por mais que existam, hoje em dia, ferramentas para lidar com o problema do suicídio, é sempre necessária uma estratégia multidisciplinar e relacional, buscando pessoas prudentes para falar sobre nossas ideias, dores e sofrimentos.

Esta estratégia multidisciplinar e relacional tem de estar dentro de um entorno amplo e holístico sobre nossa própria condição humana. Somos seres em relação; por isso, o fato de passarmos por momentos de tormento, angústia, vazio existencial, não quer dizer que deixamos de ser criaturas sempre em relação com o nosso Criador, pois Ele sempre está querendo se relacionar conosco e ser a base do nosso relacionamento com outras pessoas, nossos semelhantes.

Deus busca resgatar-nos “na tempestade”; talvez, nem sempre “da tempestade”. Às vezes, Deus nos coloca em certas situações e pode se valer de nosso sofrimento e das próprias tentações para formar-nos. Ou, como diz um salmo: “Dai-nos, Deus, vosso auxilio na angústia”. A Fé tem que dar sentido e sustento para a nossa vida. Assim, poderemos enfrentar as tentações e desolações que nos fazem perder o sentido. Olhemos para cima, para os valores supremos que temos: família, amigos, Igreja, comunidade; e busquemos nos autodeterminar sempre em Deus e com Deus, nunca sozinhos.

A realidade do sofrimento e da dor é um mistério, não uma experiência sem sentido. O sofrimento é uma oportunidade de escolha para ver o rosto de Jesus. A dor sempre será contingência, pois somos seres contingentes – não perfeitos – mas buscamos a perfeição. Por isso, o sofrimento bem vivido nos revelará cada vez mais o Sentido das nossas vidas. Por último, lembremos que, na oração do “Pai Nosso”, não pedimos para não sermos tentados, e sim para não sucumbir, não cair na tentação. Pedindo assim, Ele nos dará a força para resistir.

No fundo, para buscar acabar com algum sofrimento, temos que fazê-lo colocando nosso olhar em Deus, que está por cima de nós e nos ajuda a não cair nessa tentação – uma das piores, aliás – de acabar com nossa própria vida.

Dante Aragón
Sodalício de Vida Cristã

Dicas de Leitura:

Albert Camus, O Mito de Sísifo. Editora: Record
Émile Durkheim, O Suicídio (trad. de Monica Stahel). Editora Martins Fontes
Viktor Frankl. Em Busca de Sentido. Editora Vozes

Fonte: http://www.a12.com/redacaoa12/espiritualidade/falemos-do-suicidio-quebremos-o-tabu